PROJETO PILOTO DE GESTÂO COMPARTILHADA



Documentos relacionados
Projeto de Gestão Compartilhada para o Programa TV Escola. Projeto Básico

PROGRAMA TV ESCOLA - PROJETO DE GESTÃO COMPARTILHADA 1999/2000

ROTEIRO PARA ELABORAÇÃO DE PROJETOS

INSTITUTO INTERAMERICANO DE COOPERAÇÃO PARA A AGRICULTURA. TERMO DE REFERÊNCIA CONS - OPE Vaga

Programa de Capacitação

Por que Projetos Sociais?

FORMAÇÃO E CAPACITAÇÃODE RECURSOS HUMANOS DA ANTT

CARGO: PROFESSOR Síntese de Deveres: Exemplo de Atribuições: Condições de Trabalho: Requisitos para preenchimento do cargo: b.1) -

TERMO DE REFERÊNCIA (TR) GAUD VAGA

Programa de Capacitação em Gestão do PPA Curso PPA: Elaboração e Gestão Ciclo Básico. Elaboração de Planos Gerenciais dos Programas do PPA

PORTARIA Nº 300, DE 30 DE JANEIRO DE 2006.

Etapa 01 Proposta Metodológica

GUIA DE SUGESTÕES DE AÇÕES PARA IMPLEMENTAÇÃO E ACOMPANHAMENTO DO PROGRAMA DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA

11 de maio de Análise do uso dos Resultados _ Proposta Técnica

TERMO DE REFERÊNCIA Nº 2606 PARA CONTRATAÇÃO DE PESSOA FÍSICA PROCESSO DE SELEÇÃO - EDITAL Nº

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Orientações para a elaboração do projeto escolar

PROJETO IICA/BRA/09/005 TERMO DE REFERÊNCIA: MODALIDADE PRODUTO

Secretaria Municipal da Educação e Cultura - SMEC SALVADOR MAIO/2003

MANUAL PARA APRESENTAÇÃO DE PROJETOS SOCIAIS. Junho, 2006 Anglo American Brasil

PROJETO Educação de Qualidade: direito de todo maranhense

Modalidade Franqueado

O Projeto Casa Brasil de inclusão digital e social

Projeto Político-Pedagógico Estudo técnico de seus pressupostos, paradigma e propostas

CAPTAÇÃO DE RECURSOS ATRAVÉS DE PROJETOS SOCIAIS. Luis Stephanou Fundação Luterana de Diaconia

SGQ 22/10/2010. Sistema de Gestão da Qualidade. Gestão da Qualidade Qualquer atividade coordenada para dirigir e controlar uma organização para:

INSTITUTO INTERAMERICANO DE COOPERAÇÃO PARA A AGRICULTURA TERMO DE REFERÊNCIA CONS CUL Vaga

Gestão escolar e certificação de diretores das Escolas Públicas Estaduais de Goiás: alguns apontamentos

Reunião de Abertura do Monitoramento Superintendência Central de Planejamento e Programação Orçamentária - SCPPO

Faculdade de Direito Promove Comissão Própria de Avaliação PROJETO DE AUTOAVALIAÇÃO INSTITUCIONAL

TERMO DE REFERÊNCIA (TOR)

Manual de Elaboração do Plano Gerencial dos Programas do PPA

Lista de verificação (Check list) para planejamento e execução de Projetos

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos

EXEMPLO DE PLANEJAMENTO PARA O PROCESSO DE CAPACITAÇÃO DE MONITORES DO PST

PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO E APERFEIÇOAMENTO PARA TUTORES - PCAT

SISTEMÁTICA DE ACOMPANHAMENTO E AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO

TERMO DE REFERÊNCIA PARA CONTRATAÇÃO DE CONSULTORIA ESPECIALIZADA

COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA REDAÇÃO FINAL PROJETO DE LEI Nº D, DE O CONGRESSO NACIONAL decreta:

PLANO DE EDUCAÇÃO DA CIDADE DE SÃO PAULO: processo, participação e desafios. Seminário dos/as Trabalhadores/as da Educação Sindsep 24/09/2015

Associação Brasileira de Educação Médica ABEM PROJETO DE AVALIAÇÃO E ACOMPANHAMENTO DAS MUDANÇAS NOS CURSOS DE GRADUAÇÃO DA ÁREA DE SAÚDE CAEM/ABEM

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos

GRADUAÇÃO INOVADORA NA UNESP

INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO: PLANOS, PROGRAMAS E PROJETOS

Cadastro Nacional das Entidades de Assistência Social CNEAS

UNCME RS FALANDO DE PME 2015

Compromisso Todos pela Educação. Garantir o direito de aprender, para todos e para cada um.

EDITAL CHAMADA DE CASOS

Gestão Democrática da Educação

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO DIRETORIA DE GESTÃO, ARTICULAÇAO E PROJETOS EDUCACIONAIS

Em busca da sustentabilidade na gestão do saneamento: instrumentos de planejamento

Gestão de Programas Estruturadores

EDITAL SENAI SESI DE INOVAÇÃO. Caráter inovador projeto cujo escopo ainda não possui. Complexidade das tecnologias critério de avaliação que

Orientações e dicas para montar um projeto de extensão Ricardo T. Neder

Escola de Políticas Públicas

Envelhecimento e Saúde da Pessoa Idosa, a mediação pedagógica na educação a distância no acompanhamento virtual dos tutores

ANEXO I ROTEIRO PARA APRESENTAÇÃO DE PROJETOS FIA Cada projeto deve conter no máximo 20 páginas

Necessidade e construção de uma Base Nacional Comum

Termo de Referência para contratação de consultor na modalidade Produto

A INFLUÊNCIA DO PROGRAMA DE AVALIAÇÃO DA EGDS EM RELAÇÃO À QUALIDADE E À DEMANDA

A construção da. Base Nacional Comum. para garantir. Direitos e Objetivos de Aprendizagem e Desenvolvimento

POLÍTICAS DE EDUCAÇÃO CORPORATIVA - NOR 350

GOVERNO DO ESTADO DO CEARÁ SECRETARIA DA CIÊNCIA, TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO SUPERIOR DO ESTADO DO CEARÁ SECITECE UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ UECE

Nome e contato do responsável pelo preenchimento deste formulário: Allyson Pacelli (83) e Mariana Oliveira.

TERMO DE REFERENCIA. Programa Pernambuco: Trabalho e Empreendedorismo da Mulher

HISTÓRICO DAS AVALIAÇÕES INSTITUCIONAIS E DOS PROCESSOS DE AVALIAÇÃO DA FACULDADE ATENAS

CAPACITAÇÃO EM SERVIÇO

GUIA DE CURSO. Tecnologia em Sistemas de Informação. Tecnologia em Desenvolvimento Web. Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas

INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 001, 10 de março de FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA GABINETE DO REITOR

Participação Critérios de participação - Elegibilidade Procedimento para participar da chamada: Número de propostas/aplicações

TERMO DE REFERÊNCIA. Local de atuação: Brasília/DF com disponibilidade para viagens em todo o território nacional.

POLÍTICA DE SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL

TERMO DE REFERÊNCIA Nº 2108 PARA CONTRATAÇÃO DE PESSOA FÍSICA CONSULTOR POR PRODUTO

TERMOS DE REFERÊNCIA CONTRATAÇÃO DE CONSULTOR INDIVIDUAL ESPECIALIZADO

DECRETO Nº. III - criação de estrutura de financiamento pública e transparente para a extensão universitária;

É projeto porque reúne propostas de ação concreta a executar durante determinado período de tempo. É político por considerar a escola como um espaço

TERMO DE REFERÊNCIA Nº 2517 PARA CONTRATAÇÃO DE PESSOA FÍSICA CONSULTOR POR PRODUTO DATA DE CRIAÇÃO: 29/07/2013

TERMO DE REFERÊNCIA N.º

Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça. Oportunidades Iguais. Respeito às Diferenças.

Objetivo da Contratação. Nosso número Antecedentes (breve histórico justificando a contratação)

Estratégias para a implantação do T&V

Valorizando ideias e experiências participativas que promovam o direito humano à educação REGULAMENTO

TERMO DE REFERÊNCIA CONS-MON Vaga

NÚCLEOS DE EXTENSÃO EM DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL. PARCERIA MDA / CNPq. Brasília, 13 de maio de 2014

PESQUISA-AÇÃO DICIONÁRIO

Centro de Iniciação ao Esporte Gestão de Equipamento Esportivo

VIGILÂNCIA SOCIAL E A GESTÃO DA INFORMAÇÃO: A IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO, MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO

Anexo II CARGOS DE DCA

A operacionalização da gestão de condicionalidades no Programa Bolsa Família (PBF) ocorre de forma:

GESTÃO EFICIENTE 1 FINALIDADE DO PROJETO ESTRATÉGICO 2 JUSTIFICATIVA

DEMOCRÁTICA NO ENSINO PÚBLICO

AVALIAÇÃO DO PROJETO PEDAGÓGICO-CURRICULAR, ORGANIZAÇÃO ESCOLAR E DOS PLANOS DE ENSINO 1

Política Nacional de Participação Social

ESCOLA SUPERIOR DE CIENCIAS DA SAUDE COORDENAÇÃO DE PÓS GRADUAÇÃO E EXTENSÃO CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU

Banco Interamericano de Desenvolvimento. Instrução Operacional CAMPANHAS DE CONSCIENTIZAÇÃO

Manual do Estagiário 2008

PREFEITURA MUNICIPAL DE TEIXEIRA DE FREITAS ESTADO DA BAHIA

Anexo PROPOSTA DOCUMENTO BASE. Versão Consulta Pública SISTEMA NACIONAL DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL - SINAPIR

Transcrição:

Ministério da Educação. Secretaria de Educação a Distância Departamento de Planejamento e Desenvolvimento de Projetos Especiais. Coordenação Geral de Planejamento de Educação a Distância. PROGRAMA TV ESCOLA PROJETO PILOTO DE GESTÂO COMPARTILHADA Brasília, março de 1999 1

APRESENTAÇÂO A COPEAD encerrou a fase de concepção e elaboração da proposta de gestão compartilhada para o Programa TV Escola, com a produção dos planos estaduais e nacional de gestão. Dando continuidade ao processo, deverá criar as condições de implantação do Plano Nacional de Gestão, apresentando as diretrizes, as atribuições de cada órgão, principais decisões e ações que deverão orientar a ação conjunta. Num país com a dimensão do nosso, com uma realidade tão diversificada, há necessidade de um período experimental para conhecimento da realidade institucional dos órgãos de EAD e das condições existentes que favorecem e ou dificultam o desenvolvimento do modelo de gestão compartilhada. O objetivo do Projeto Piloto é justamente este, o de levantar os subsídios necessários para garantir a disseminação do Projeto de Gestão numa realidade mais ampla, que compreenda os 27 Estados da federação. Para participar desta fase experimental, foram selecionados três unidades federadas: Pernambuco, Amazonas e Distrito Federal, considerando a representatividade destes em relação ao país e o trabalho que vem sendo desenvolvido, pelas coordenações do Programa, nessas localidades. Este documento pretende informar os Estados sobre os objetivos do Projeto Piloto, bem como orientá-los quanto ao atendimento das exigências técnicas, legais e dos prérequisitos estabelecidos, pela COPEAD, para que se habilitem ao financiamento e participem da implantação do Projeto, nesta fase experimental. 2

INDÌCE PROJETO BÁSICO... 3 Justificativa... 3 Objetivo... 4 Período de Execução... 4 Recursos Financeiros... 4 Coordenação... 5 ORIENTAÇÕES ESTADOS PARA A FORMULAÇÃO DO PROJETO PILOTO... 6 Projeto Piloto de Gestão Retomando a discussão... 6 Orientações para a elaboração do projeto Piloto... 8 3

I - PROJETO PILOTO DE GESTÃO COMPARTILHADA - PROJETO BÁSICO Ação: Desenvolvimento de Experiência Piloto em dois Estados para testar e avaliar estratégias de implantação da proposta de gestão compartilhada. A Justificativa Encerrada a fase de concepção e elaboração da proposta de Gestão Compartilhada para o Programa TV Escola, há necessidade de se criar as condições para implantação dos planos de gestão elaborados durante esta etapa, com o sentido de apresentar as diretrizes, as atribuições de cada órgão, as principais decisões e ações que deverão orientar o trabalho conjunto. A implantação do Projeto de Gestão Compartilhada, em todo o território nacional, envolvendo as vinte sete Unidades da Federação, requer um conhecimento profundo do contexto institucional, das condições e variáveis, existentes nos órgãos estaduais, responsáveis pelo Programa TV Escola, que possam favorecer e ou dificultar o desenvolvimento de um novo modelo de gestão para programas e ações de EAD. É preciso avaliar, concretamente como as pessoas reagirão perante o novo conceito e prática de gestão de EAD, que deverá ser disseminado, que exige outras formas institucionais e gerenciais diferentes das tradicionalmente adotadas pela nossas instiuições de EAD. Com essas informações, a COPEAD/SEED pretende obter os subsídios necessários a avaliação das condições de implantação e à elaboração de estratégias de ação para o desenvolvimento do Projeto de Gestão num país da nossa dimensão geográfica e com uma realidade tão diversificada. Um conjunto de informações que permitirá a SEED negociar, com as Coordenações Estaduais do Programa, a adaptação do Projeto ás necessidades locais de gerenciamento do Programa TV Escola e á realidade administrativa e organizacional de cada um; promovendo-se as mudanças institucionais necessárias para que o modelo de gestão possa ser implantado em todos os órgãos de EAD do país, em nível nacional, estadual e municipal. Um Projeto dessa dimensão, onde se tem que obter antecipadamente um número grande informações sobre diferentes realidades necessita de uma fase experimental até que se obtenha todas as respostas sobre a sua implantação, fazendo-se as generalizações necessárias para disseminá-lo numa realidade mais ampla, que envolve todo o universo desse. A proposição de um Projeto Piloto, em caráter experimental, quando se observará o desenvolvimento do Projeto em determinados Estados, selecionados a partir de critérios de representatividade em relação ao país, tem essa finalidade de se tomar os cuidados necessários para que o modelo de gestão compartilhada seja uma iniciativa válida e seja uma alternativa para a gestão de programas e ações de EAD no País, compatível com essa concepção educacional. 4

B- Objetivo O Objetivo básico é implantar um Projeto Piloto de Gestão Compartilhada para obter as informações necessárias sobre a realidade institucional e gerencial em que o modelo de gestão será concebido, conhecer fatores que dificultarão a implantação do modelo de gestão e avaliar as possibilidades de sucesso ou fracasso dessa iniciativa em cada nível e instância de gerenciamento do Programa. C Operacionalização O Projeto Piloto deverá se desenvolvido pela COPEAD/SEED/MEC, em conjunto com a Coordenação de Programas Sociais da Casa Civil da Presidência da República, que desde o início vem trabalhando em parceria com a SEED na concepção e elaboração do Projeto de Gestão Compartilhada. Para a elaboração e desenvolvimento do Projeto Piloto serão realizadas reuniões técnicas entre a COPEAD e a Casa Civil para se definir o conteúdo e abrangência do Projeto, o número de municípios, a sistemática de acompanhamento e a responsabilidade de cada parceiro na implantação, disseminação e aproveitamento dos resultados. No desenvolvimento deste trabalho, a COPEAD contará com o apoio técnico de dois consultores que já vêm atuando no Projeto de Gestão Compartilhada. Os Estados envolvidos, também, deverão participar do planejamento da condução do processo e do acompanhamento. D - Período de Execução De Novembro de 99 a dezembro de 2000. E - Recursos Financeiros Os recursos financeiros disponíveis para o financiamento do Projeto Piloto fazem parte do orçamento da SEED/MEC. Cobrirão gastos com a contratação de consultores, ações de acompanhamento, elaboração, publicação e divulgação de documentos. 5

F Coordenação e Acompanhamento. A coordenação e acompanhamento da implantação do Projeto estará a cargo da COPEAD/SEED/MEC, que atuará em conjunto com a Coordenação do Programa de Gestão Social/Casa Civil/PR e as Coordenações da TV Escola dos Estados selecionados para fazer parte da experiência. Este é o texto original do Projeto Piloto de Gestão Compartilhada que foi apresentado, em 1999, aos Estados selecionados para participar da sua implementação. 6

II - ORIENTAÇÕES AOS ESTADOS PARA A FORMULAÇÃO DO PROJETO PILOTO PARA IMPLANTAÇÃO DA PROPOSTA DE GESTÃO COMPARTILHADA PARA O PROGRAMA TV- ESCOLA A - Projeto de Gestão Compartilhada: Retomando a Discussão A gestão do Programa TV Escola apresenta uma série de especificidades decorrentes do caráter inovador e democrático da Educação à Distância, que exige de todos os envolvidos nessa atividade o esforço de buscar formas de gerenciamento igualmente novas e compatíveis com esse caráter. Nesse sentido, alguns dos elementos inovadores típicos da EAD merecem ser brevemente lembrados, a fim de orientar as ações a serem desenvolvidas em sua gestão: a conceituação ampla de educação, enquanto atividade aberta, apoiada numa pedagógica da autonomia, que enfatiza a singularidade. O papel fundamental atribuído à participação de todos os agentes envolvidos. A ênfase na auto-aprendizagem ou na aprendizagem auto-gerida, baseada na motivação que substitui os controles adotados nas formas tradicionais de educação. O compartilhamento, que envolve o estímulo à formação de comunidade de aprendizagem em rede. Além de tudo isso, como a maioria das políticas sociais, o gerenciamento da EAD apresenta desafios que abrangem os níveis interinstitucional e intrainstitucional e as dimensões vertical e horizontal. A EAD foi proposta e implantada de acordo com um dos princípios centrais do modelo mais moderno de administração pública e de gestão de programas sociais: a descentralização. Trata-se de um princípio de grandes vantagens e de difícil realização. Em primeiro lugar, existe, no serviço público brasileiro, pouca tradição de delegação. Delegar significa não somente transferir a capacidade de decidir e agir em determinadas situações. Significa, também, responsabilização e prestação de contas a respeito das decisões tomadas, ações desenvolvidas e seus resultados - tanto por parte dos que recebem a delegação como por parte dos que delegam. Ou seja, delegação requer coordenação. Para isto, é indispensável aperfeiçoar a cadeia institucional de gestão da EAD. Vale dizer, buscar uma maior articulação mediante parceria efetiva entre SEED/SEC s e SME s, visando solucionar os problemas que dizem respeito a (1) clara definição das competências dos diversos envolvidos nos diferentes níveis; (2) racionalização de recursos e esforços na utilização das modernas tecnologias disponíveis; (3) estabelecimento de formas e mecanismos mais eficazes de coleta, tratamento, organização e veiculação de informações; (4) elaboração e adoção de procedimentos e instrumentos consensuais e eficazes de avaliação de resultados, de processo e de qualidade. Por motivos diversos, nem sempre isso tem ocorrido. Os levantamentos existentes indicam deficiência ou falta de definição, pelo MEC e demais instâncias, dos indicadores e instrumentos a serem utilizados para avaliar a consecução das metas da EAD; implantação do Programa TV Escola sem a prévia capacitação dos técnicos, diretores e professores envolvidos no processo; baixo envolvimento das diferentes instâncias responsáveis pela EAD; insuficiente definição das competências dos Comitês e dos coordenadores nos Estados; centralização de informações e do material de apoio à TV Escola; falta de apoio e descompromisso dos diretores e outros agentes para com o Programa, resultando em falta de incentivo à sua utilização; resistência, desinteresse e desmotivação dos professores frente às novas tecnologias. 7

Vale esclarecer que uma parceria efetiva significa o compromisso de todos os envolvidos com os resultados a serem obtidos. É este o desafio de articulação vertical e interinstitucional, acima mencionado. Além disso, e não menos importante, é necessário enfrentar o desafio da articulação horizontal e intrainstitucional, que diz respeito a (1) gestão interna das atividades nas escolas; (2) integração das atividades de EAD entre escolas na mesma dependência administrativa (escolas estaduais ou escolas municipais) e entre aquelas em diferente dependência administrativa (escolas estaduais e escolas municipais); (3) e isto requer a gestão integrada da EAD entre Secretarias Estaduais e Municipais de educação; (4) estabelecimento de estratégias de ação coordenada entre diferentes programas (TV Escola e Salto para o Futuro e PROINFO, por exemplo), os currículos escolares e os programas disciplinares, e as políticas intrainstitucionais de valorização e capacitação (continuada) docente. Isto significa superar a pulverização e desarticulação que afetam prejudicialmente a EAD. Os dados das pesquisas mostram, claramente: - Baixa apropriação efetiva do Programa TV Escola pelas várias instâncias, inclusive pela própria comunidade escolar. Fica claro haver uma grande deficiência de divulgação do Programa, embora grande número de escolas registrem a disponibilidade do material de apoio. Há defasagem entre o número de escolas com kits instalados e funcionando e o número de escolas que gravam programas, possuem videotecas e têm agente responsável pelo programa. A utilização do Programa mostra-se inadequada e insuficiente: não há planejamento sistemático que articule o Programa no projeto pedagógico da escola, a utilização do material é individualizada e voluntarista, pouco atinge diretores e especialistas - seja como material de ensino-aprendizagem alternativo aos processos educacionais tradicionais, seja como instrumento de atualização e capacitação continuada de professores. - Insuficiente articulação entre diferentes escolas municipais, bem como entre escolas municipais e estaduais, resultante de dificuldades de gerenciamento integrado. - Absoluta falta de envolvimento das comunidades extra-escolares locais em apoio tanto à TV Escola como ao Um Salto para o Futuro: não há menção ao papel das Associações de Pais e Alunos, Associações de Pais e Mestres, Associações de Moradores, Sindicatos ou Associações de Professores, igrejas, empresariado. Não há sinalização de qualquer perspectiva de ação comunitária, de maneira que o esforço pela melhoria da qualidade do ensino continua aparentando ser um problema do governo. Os esforços para superar os problemas acima mencionados, a partir da concepção de Gestão Compartilhada, devem ter como referencial a criação de condições de sustentabilidade da EAD nos Estados e Municípios, com a superação, a médio e longo prazo, dos problemas decorrentes da descontinuidade administrativa, da superposição institucional, das limitações do gerenciamento tradicional e até mesmo da falta de recursos humanos e materiais. Tendo em vista o exposto, e a fim de melhor orientar os esforços a serem desenvolvidos no âmbito do Projeto Piloto, cinco dimensões devem ser enfatizadas: (1) privilegiamento das escolas enquanto espaço fundamental das ações em busca da sustentabilidade do Programa TV Escola. Nesse sentido, é essencial que o Projeto seja orientado pela concepção de que professores e diretores é que são os agentes do Programa TV Escola. (2) ações de capacitação; (3) estratégias a serem desenvolvidas para a incorporação da rede municipal de ensino; (4) estabelecimento de parcerias que enriqueçam e contribuam para a sustentabilidade do Programa. No que se refere às parcerias, sugere-se que os Estados indiquem como irão participar os diversos atores envolvidos no Programa TV 8

Escola, tais como, além das próprias SEC s, representantes de SME s, da UNDIME, Universidades, Conselhos de Educação, APM s de maior destaque pela sua eficácia, etc. (5) Gestão: a partir da perspectiva da escola, quais são os fluxos de ações a serem desenvolvidas de maneira articulada por cada uma das partes envolvidas, a fim de implantar o Modelo de Gestão Compartilhada com eficácia máxima. B.Orientações para Elaboração do Projeto Piloto ( Itens sugeridos) O Projeto deve ser desenvolvido de maneira a se apresentar o mais específico possível. Especial atenção deve ser atribuída à forma de operacionalizar as cinco dimensões acima, informando as ações correspondentes a serem realizadas, com seus respectivos quantitativos. O Projeto deve conter os seguintes itens: 1.Identificação O objetivo deste item é explicar, em poucas palavras, o que é o projeto e quem é o responsável por ele no plano legal. Inclui o nome do projeto, nome e endereço da instituição, nome do responsável institucional pelo projeto e outros dados de identificação necessários no setor público. Além disso, deve ser incluída uma síntese do que se quer fazer, com a definição do projeto. Isso significa descrever o problema que se pretende resolver. 2. Justificativa Apresenta os motivos que levaram a propor a realização do projeto. Inclui uma descrição da situação que justificam as ações que serão propostas (sem mencioná-las ainda) e porque tal situação merece intervenção. A fim de melhor caracterizar a situação, devem ser apresentadas as informações quantitativas disponíveis. 3.Objetivos Trata-se de apontar, claramente, o que se pretende obter como resultado do projeto. Geralmente um bom projeto tem apenas dois ou três objetivos, bem especificados. 4. Metas São indicadores mensuráveis, quantitativos ou qualitativos, da situação que se pretende atingir com a realização do projeto, num prazo determinado. 5. Ações Para que o projeto se concretize, é necessário definir as atividades e tarefas que serão desenvolvidas, com uma breve justificativa de cada uma delas. 6. Metodologia ou Estratégias 9

Trata-se dos procedimentos ou meios pelos quais irão se desenvolver as atividades, ou seja, o como fazer. 7. Produtos São os resultados concretos das ações realizadas e que servem para provar que os objetivos e as metas foram alcançados. Porisso, a lista dos produtos deve estar articulada com os objetivos, as metas e as ações. 8. Beneficiários: Refere-se ao público-alvo direto das ações do projeto. Podem ser incluídos, desde que diferenciados, os beneficiários indiretos do projeto. Convém caracterizar o público-alvo direto, através de informações que permitam avaliar, posteriormente, como foi beneficiado pelo projeto. 9.Cronograma ou Calendário de Atividades Define as datas e a duração temporal de cada uma das atividades a serem desenvolvidas no âmbito do projeto. 10. Recursos Necessários 10.1- Humanos: número de pessoas envolvidas no projeto e respectivas qualificações e responsabilidades. 10.2- Financeiros: custos e fontes de recursos. 10.3- Materiais e Administrativos: instrumentos, equipamentos, infra-estrutura física. 11. Indicadores de Monitoramento: Que tipo de dados e procedimentos deverão ser usados para medir o progresso do projeto. Cronograma das ações de monitoramento (acompanhamento). 3. Cronograma de Atividades Propõe-se que os Projetos sejam desenvolvidos no período de 4 meses, de dezembro a março, inclusive. Dependendo de informações sobre o período de recesso escolar, visitas da consultora in loco poderão ser feitas em janeiro/fevereiro ou fevereiro/março. O relatório de acompanhamento deverá ser apresentado até julho de 2001. Obs: O 1º documento, o Projeto Básico, foi elaborado pela equipe da COPEAD/SEED/MEC; o 2º, pela consultora do Projeto de Gestão, Maria das Graças Rua, com o apoio técnico de Maria Regina Vergueiro, da equipe da COPEAD. 10

PROJETO DE GESTÃO COMPARTILHADA PROGRAMA TV ESCOLA Setor Responsável COPEAD/DEPLAN/SEED/MEC Coordenação Geral Tânia Maria Maia Magalhães Castro Coordenadora Geral COPEAD Gerência Técnica e Administrativa do Projeto Maria Regina Santos Vergueiro Equipe COPEAD Marinei Martins dos Reis Equipe COPEAD Parceiros que participaram do processo inicial Coordenação Nacional do Programa de Apoio à Gestão Social Casa Civil/PR Coordenação dos Órgãos Regionais COR/MEC Coordenação do Curso de Especialização em Educação Continuada e a Distância FE/UnB Coordenação Acordo Brasil/UNESCO-UNESCO Consultoria Técnica aos Estados Drª Maria das Graças Rua 11