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Transcrição:

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Ficha Catalográfica Biblioteca Dr Fadlo Haidar Instituto de Ensino e Pesquisa Hospital Sírio Libanês C579 CMIRA: um novo olhar para a Avaliação de Competência Médica: Programa de apoio às Escolas Médicas / Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa, 2ª ed. São Paulo 2013. 30p 1. Educação à distância. 2. Educação médica. 3. Internato e residência. 4. Avaliação. NLM: W 83 2 PROGRAMA DE APOIO ÀS ESCOLAS MÉDICAS Caderno_CMIRA.indd 2 07/12/12 19:01

Sumário 1. Apresentação--------------------------------------------------------------------------------------- 4 2. Boas vindas----------------------------------------------------------------------------------------- 5 3. Contexto--------------------------------------------------------------------------------------------- 6 4. Objetivos gerais------------------------------------------------------------------------------------10 4.1 Objetivos específicos------------------------------------------------------------------------11 5. Competência profissional-----------------------------------------------------------------------12 6 Conteúdos educacionais--------------------------------------------------------------------------13 7. Estrutura do programa---------------------------------------------------------------------------14 7.1 Processo ensino-aprendizagem-----------------------------------------------------------14 7.2 Papel das metodologias ativas------------------------------------------------------------14 7.3 Carga Horária----------------------------------------------------------------------------------15 7.4 Período e periodicidade--------------------------------------------------------------------16 8. Avaliação--------------------------------------------------------------------------------------------17 8.1 Avaliação de facilitadores------------------------------------------------------------------18 8.2 Avaliação do Programa---------------------------------------------------------------------18 8.3 Instrumentos de Avaliação do Programa-----------------------------------------------19 9.Mobilização estudantil----------------------------------------------------------------------------20 10. Oportunidades-----------------------------------------------------------------------------------21 10.1 Apoio ao desenvolvimento discente---------------------------------------------------21 10.2 Apoio ao desenvolvimento doscente--------------------------------------------------22 11. Critérios para certificação---------------------------------------------------------------------23 12. Referências consultadas------------------------------------------------------------------------24 PROGRAMA DE APOIO ÀS ESCOLAS MÉDICAS 3 Caderno_CMIRA.indd 3 07/12/12 19:01

1. Apresentação O Hospital Sírio Libanês, por intermédio do seu Instituto de Ensino e Pesquisa IEP/ HSL, desenvolveu o CMIRA - um Programa de apoio às Escolas que visa, em ultima instância, contribuir para a melhoria da qualidade do cuidado em saúde e da segurança do paciente. Trata-se de um programa construído a partir de um novo olhar para a avaliação da competência médica, baseado em metodologias ativas, na avaliação formativa e somativa, na mobilização estudantil e na internacionalização da escola médica. C M I R A Competência médica com um novo olhar para a: Mobilização estudantil Internacionalização da escola médica Residência médica Avaliação de competência O Hospital Sírio-Libanês coloca, neste programa, sua experiência e excelência acumuladas nas áreas de assistência à saúde, ensino e pesquisa e, juntamente com parceiros nacionais e internacionais, aposta nesta iniciativa como uma estratégia para articular o fortalecimento e a inovação no desenvolvimento e avaliação de competência médica com a melhoria da qualidade da atenção à saúde e segurança do paciente na sociedade brasileira! 4 PROGRAMA DE APOIO ÀS ESCOLAS MÉDICAS Caderno_CMIRA.indd 4 07/12/12 19:01

Sejam bem vindos(as) ao CMIRA! Esse programa é oferecido em formato adaptável a escolha de cada Escola, que pode ser desenvolvido seja no formato de um curso de extensão universitária ou como atividade complementar ao curso de medicina ou em outros formatos possíveis, com atividades orientadas para o desenvolvimento e avaliação de capacidades cognitivas, habilidades e atitudes que, combinadas, traduzem uma prática médica competente. O CMIRA tem uma abordagem pedagógica inovadora baseada em metodologias ativas de ensino-aprendizagem e referenciada nos princípios da aprendizagem de adultos e na avaliação formativa e somativa de competência. Utiliza a Aprendizagem Baseada em Equipes ou Team Based Learning TBL, simulação clínica e casos clínicos integradores. As atividades educacionais estão organizadas de modo a promover e potencializar a construção articulada de capacidades para uma prática médica competente, com foco nas situações de maior relevância social e incidência epidemiológica. Com o objetivo de apoiar escolas médicas, visa apontar e consolidar conquistas na construção de capacidades e identificar áreas de melhoria e/ou maior atenção. O programa possibilita a mobilidade estudantil e a internacionalização da escola, assim como, oferece um referencial externo -nacional e internacional- para inferência de competência profissional, reconhecendo seus diferentes momentos de desenvolvimento. Desejamos a cada participante uma experiência educacional que contribua concretamente para o crescimento pessoal e profissional e para a melhoria da atenção à saúde no nosso país! Roberto de Queiroz Padilha Coordenador do Programa CMIRA Diretor de Ensino IEP/Hospital Sírio-Libanês José Lúcio Martins Machado Coordenador do Programa CMIRA PROGRAMA DE APOIO ÀS ESCOLAS MÉDICAS 5 Caderno_CMIRA.indd 5 07/12/12 19:01

3. Contexto O atual perfil epidemiológico da população de países em situação semelhante a do Brasil é marcado pela superposição de riscos epidemiológicos com a concomitância de situações agudas e condições crônicas, condicionadas pela transição demográfica e epidemiológica sofridas por essas sociedades. As situações agudas e as condições crônicas devem ser enfrentadas segundo sua natureza e características, de modo a garantir um cuidado integral às necessidades de saúde (Frenk, 1991; WHO, 2005; Banco Mundial, 2005; PAHO 2005; Brasil, 2004, 2006 e 2007; Mattos, 2004). Considerando esse cenário, os modelos hegemônicos de atenção à saúde tem sido questionados por seus custos crescentes e baixo impacto. Os sistemas estruturados segundo uma lógica que hierarquiza as atenções primária, secundária e terciária, como numa pirâmide, estão orientados por procedimentos, pelo trabalho médico e pelos centros hospitalares. Esses modelos estão fundamentalmente organizados para o atendimento de situações de natureza aguda, voltadas para indivíduos, com ênfase nas ações curativas e na gestão da oferta. Invariavelmente, cursam com acesso limitado, erros freqüentes e qualidade inconstante (PAHO, 2005; Porter, 2007; Christensen, 2009). O enfrentamento desses desafios requer do profissional médico muito mais do que o domínio específico dos conteúdos relativos à dimensão biológica da saúde-doença. Requer o desenvolvimento das capacidades crítica e criativa voltadas à transformação e à inovação das práticas de cuidado, visando à produção de soluções qualificadas e seguras e à melhoria da saúde das populações. A produção de soluções qualificadas no cuidado em saúde focaliza (i) a excelência na assistência; (ii) o alcance dos propósitos da atenção à saúde; (iii) o máximo benefício dentro dos recursos disponíveis; e (iv) a transformação, no sentido da inovação e das melhores práticas (Harvey e Green, 1993; Biggs, 2001). Assim, a ampliação do conhecimento biológico sobre situações agudas e condições crônicas, visando o alcance da qualidade na atenção à saúde, passou a incorporar o conceito de gestão da clínica ou governança clínica. Como gestão da clínica, considera-se a responsabilização de todo o sistema pela oferta de cuidado; o desenvolvimento de padrões de qualidade a 6 PROGRAMA DE APOIO ÀS ESCOLAS MÉDICAS Caderno_CMIRA.indd 6 07/12/12 19:01

serem garantidos a todos os pacientes; o trabalho colaborativo entre hospitais, serviços ambulatoriais e autoridades locais, tendo o paciente como foco; e a melhoria da efetividade, eficiência e eficácia de ações e serviços de saúde (Mendes 2007). Paralelamente ao desenvolvimento dos conceitos de qualidade do cuidado e de gestão da clínica, a 55a Assembléia Mundial de Saúde aprovou uma resolução que convocava para a maior atenção possível ao problema da segurança do paciente e a melhoria da qualidade e da segurança do cuidado em saúde. A assembléia demandou da Organização Mundial de Saúde - OMS ações imediatas para o desenvolvimento de normas e padrões que dessem suporte aos esforços dos países membros no desenvolvimento de políticas e práticas voltadas à promoção e melhoria da segurança de pacientes em todo o mundo (WHO, 2002). Em outubro de 2004 a OMS lançou a World Alliance for Patient Safety e incluiu nesse projeto a criação de uma classificação internacional para o tema (Taxonomy for Patient Safety). Essa classificação (International Classification for Patient Safety ICPS) define como segurança a redução do risco de causar dano desnecessário ao mínimo aceitável. O que seria minimamente aceitável será sempre referenciado por noções coletivas que incluem o conhecimento existente, recursos disponíveis e o contexto no qual o cuidado à saúde é realizado, pesando sempre os riscos associados ao não tratamento, ou outros tratamentos quando disponíveis (WHO, 2009). Em 2005 a Joint Commission International, o braço internacional da mais importante organização de certificação de qualidade em assistência médico-hospitalar, The Joint Commission, foi designada como o Centro Colaborador da OMS para segurança do paciente. As seis metas internacionais de segurança do paciente são soluções que tem como propósito promover melhorias específicas em áreas problemáticas na assistência: (i) identificar os pacientes corretamente: falhas no processo de identificação dos pacientes podem causar erros graves como a administração de medicamentos e cirurgias em pacientes errados ; (ii) melhorar a efetividade da comunicação entre profissionais da assistência: erros de comunicação entre os profissionais da assistência podem causar danos aos pacientes; (iii) melhorar a segurança de medicações de alta vigilância (high-alert medications): soluções de eletrólitos em altas concentrações para uso endovenoso são potencialmente perigosas; PROGRAMA DE APOIO ÀS ESCOLAS MÉDICAS 7 Caderno_CMIRA.indd 7 07/12/12 19:01

(iv) assegurar cirurgias com local de intervenção correto, procedimento correto e paciente correto: cirurgias ou procedimentos invasivos em locais ou membros errados são erros totalmente preveníeis decorrentes de falhas na comunicação e na informação; (v) reduzir o risco de infecções associadas aos cuidados de saúde: a OMS estima que, entre 5% e 10% dos pacientes admitidos em hospitais, adquirem uma ou mais infecções. A higiene das mãos, de acordo com as diretrizes atuais da OMS é uma medida primária preventiva fundamental; (vi) reduzir o risco de lesões ao pacientes, decorrentes de quedas. Interessante observar que todas as metas elencadas são absolutamente elementares e, frequentemente, negligenciadas. Numa visão complementar à idéia trazida pelas metas internacionais de segurança, o relatório Health Care in Canada, 2010, cita que é necessário alinhar os cuidados de saúde oferecidos com evidências científicas e segundo o conceito de cuidado apropriado. Cuidado apropriado diz respeito ao cuidado necessário, para a pessoa certa, no local adequado e no momento oportuno. Algumas vezes, oferecer o melhor cuidado será fazer menos, enquanto em outras situações será fazer mais ou fazer a mesma coisa de modo ajustado aos distintos cenários de cuidado à saúde. O Canadian Patient Institute trata desta questão na atenção primária a saúde - APS. Os dois tópicos principais que comprometem a segurança do paciente na APS são: (i) diagnósticos não realizados ou retardados e (ii) manejo inapropriado de medicações. Esses tópicos estão diretamente afetados por questões críticas tais como: a comunicação interpessoal, na equipe e com o paciente, processos administrativos e capacidades do médico. Assim, focalizando a preparação do futuro profissional médico para o enfrentamento desse cenário, o CMIRA dispõe de um conjunto de atividades educacionais voltadas ao desenvolvimento de capacidades cognitivas, habilidades e atitudes, articuladas e contextualizadas, segundo referenciais de qualidade do cuidado e segurança do paciente. 8 PROGRAMA DE APOIO ÀS ESCOLAS MÉDICAS Caderno_CMIRA.indd 8 07/12/12 19:01

O CMIRA pretende contribuir para o enfrentamento dos atuais desafios da formação de profissionais médicos para o XXI, em parceria com as escolas médicas e com cada participante do programa, dando especial atenção às mudanças nos conceitos de competência, saúde, cuidado e educação no sentido de concepções mais abrangentes e integradoras (ver Figura 1). Figura 1 Representação dos deslocamentos conceituais de competência, saúde, cuidado e educação, Programa CMIRA, IEP/HSL. PROGRAMA DE APOIO ÀS ESCOLAS MÉDICAS 9 Caderno_CMIRA.indd 9 07/12/12 19:01

4. Objetivos gerais O CMIRA oferece oportunidades educacionais para o desenvolvimento de capacidades e avaliação de competência médica que visam promover uma prática de excelência voltada à qualidade do cuidado e à segurança do paciente. O objetivo desta proposta é disponibilizar um sistema de apoio à aprendizagem e à avaliação de competência para estudantes de medicina e escolas médicas, sendo um referencial externo (nacional e internacional) para a inferência de competência profissional. O programa considera um processo permanente de autoria/atualização e de metaavaliação (ver Figura 2). Figura 2 10 PROGRAMA DE APOIO ÀS ESCOLAS MÉDICAS Caderno_CMIRA.indd 10 07/12/12 19:01

4.1 Objetivos específicos Apoio às escolas médicas e aos estudantes no desenvolvimento de capacidades para o cuidado às necessidades de saúde individuais da criança e adolescente, da mulher, do adulto e idoso, segundo uma abordagem de necessidades de saúde e integralidade do cuidado; Apoio à escola médica e ao estudante no desenvolvimento de capacidades para o cuidado das necessidades coletivas de saúde visando à priorização de problemas e gestão da clínica, segundo princípios de eficiência, efetividade, eficácia, qualidade do cuidado e segurança do paciente. A estrutura de apoio do CMIRA consiste na oferta de atividades educacionais de aprendizagem e de avaliação formativa e somativa de competência, com destaque para: (i) avaliação diagnóstica denominada front-end analysis que é uma análise ex-ante realizada previamente ao início do programa e a cada sessão interativa, que define a linha de base a partir da qual as intervenções educacionais serão posteriormente avaliadas (Evaluation Research Society - Standards Committee, 1983, p. 9-11); (ii) atividades interativas para a exploração de temas geradores e discussões problematizadoras, propostos a partir da relevância epidemiológica do país, do continente e do mundo, nas áreas de saúde da criança e adolescente, da mulher, do adulto e idoso; (iii) atividades interativas para a exploração de conteúdos inovadores e integradores, no formato de situações-problema, focalizando a qualidade do cuidado e segurança do paciente, integralidade do cuidado em saúde, gestão da clínica e saúde baseada em evidências; (iv) avaliação de meio de curso, no formato de teste de progresso - TPI, quando é possível obter uma curva de crescimento da capacidade cognitiva do estudante, nas grandes áreas clínicas, na medida em que ele avança na formação; (v) avaliação para certificação internacional, ao final do ano letivo. Nesse exame são avaliados conhecimentos médicos, habilidades para tomada de decisão, raciocínio clínico, e conceitos de ciências básicas aplicados à clínica. A prova, com questões de múltipla escolha, irá utilizar casos clínicos das grandes áreas da Medicina: Clínica Médica, Pediatria, Cirurgia, Ginecologia e Obstetrícia. (vi) avaliações formativas para as escolas médicas envolvidas, baseadas na reflexão e problematização dos resultados obtidos. PROGRAMA DE APOIO ÀS ESCOLAS MÉDICAS 11 Caderno_CMIRA.indd 11 07/12/12 19:01

5. Competência profissional Existe uma grande confusão relacionada à definição de competência, com várias definições e compreensões sobre o tema. A natureza de uma competência é complexa, pois se trata de uma combinação de pré-requisitos interligados como conhecimento -tácito e explícito-, habilidades psicomotoras, motivação, orientação de valores, atitudes e emoções (ver Figura 3). Figura 3 O termo competência tem caráter amplo e implica na combinação de conhecimento, atitudes, habilidades e atitudes que são colocadas em ação frente a uma situação da prática profissional, sendo inferida pelos desempenhos observáveis e as capacidades que os fundamentam. EPSTEIN & HUNDERT (2002) definem competência profissional a partir de uma ampla revisão da literatura, resultando na análise de 195 artigos relevantes em inglês sobre validade e confiabilidade das medidas de competência de médicos, estudantes de medicina e residentes. A competência foi definida nesse estudo como: 12 PROGRAMA DE APOIO ÀS ESCOLAS MÉDICAS Caderno_CMIRA.indd 12 07/12/12 19:01

O uso habitual e criterioso da comunicação, conhecimento, do raciocínio, da capacidade de integração de dados, habilidade técnica, emoções, capacidade reflexiva, e capacidade de se manter atualizado, que o médico lança mão para servir as pessoas e comunidades que dele necessitarem. Vale lembrar que competência profissional deve ser desenvolvida continuadamente, não é permanente ou estática e é contexto-dependente, ou seja, depende daquilo que a sociedade valoriza - o que indivíduos, grupos e instituições que compõem a sociedade consideram importante. 6. Conteúdos educacionais A seleção de conteúdos cognitivos, a serem explorados nas sessões interativas, foi orientada pelo perfil de competência que emana das diretrizes curriculares do Ministério da Educação para os cursos médicos. Para tanto, foram consideradas as prioridades de atenção à saúde baseadas na epidemiologia dos agravos e riscos à saúde no país e no mundo, por meio da utilização do Score Epidemiológico (Machado, 2011). O score epidemiológico é um instrumento que possibilita o uso dos dados e informações epidemiológicas para o estabelecimento de diretrizes para a seleção de conteúdos dos currículos em escolas médicas. É um diálogo entre a realidade e o mundo do ensino. Dessa forma, utiliza-se um banco de dados epidemiológicos com morbidade e mortalidade registrados como resumo de causas de morte e o Disability-Adjusted Life Year - DALY da Organização Mundial de Saúde. A pontuação que dará origem ao score foi desenvolvida a partir de probabilidades de mortalidade e morbidade, considerando-se seus quartis superior e inferior, que designam, respectivamente, maior e menor impacto na morbidade e mortalidade. As pontuações indicaram os temas relevantes a serem selecionados. PROGRAMA DE APOIO ÀS ESCOLAS MÉDICAS 13 Caderno_CMIRA.indd 13 07/12/12 19:01

7. Estrutura do programa 7.1 Processo ensino-aprendizagem A abordagem pedagógica proposta busca substituir os processos de memorização e de transferência unidirecional e fragmentada de informações e de habilidades pela construção e significação de saberes, a partir do confronto com situações simuladas e baseadas na realidade da prática profissional, estimulando as capacidades críticoreflexiva e de aprender a aprender. O trabalho em plenárias e pequenos grupos, em equipes de aprendizagem, é realizada de modo subseqüente, em momentos de concentração e dispersão, apoiados pela presença de um facilitador e de especialistas que poderão trabalhar presencialmente e à distância. 7.2 Papel das metodologias ativas As metodologias ativas e baseadas na aprendizagem de adulto estão fundamentadas na abordagem construtivista do processo ensino-aprendizagem que ocorre tanto no enfrentamento de situações reais como nas simulações. Nesse sentido, os papéis tradicionais de estudantes e docentes são reescritos numa perspectiva bilateralmente participativa, porém centrada no estudante. Essa centralidade é traduzida pela orientação e pelo foco do processo ensino-aprendizagem que se transfere do domínio dos conteúdos pelo docente para as necessidades de aprendizagem dos estudantes. Cabe aos docentes do programa, no papel de facilitadores do processo ensinoaprendizagem, o estímulo e a orientação dos estudantes na construção e articulação de capacidades para o desenvolvimento de competência. Aos especialistas/consultores, cabe a apresentação de questões-problemas motivadoras de discussão e de reflexão e a análise das necessidades de aprendizagem, oferecendo retornos aos grupos, em cada sessão, e feed-back para as escolas médicas. 14 PROGRAMA DE APOIO ÀS ESCOLAS MÉDICAS Caderno_CMIRA.indd 14 07/12/12 19:01

O facilitador e as equipes de estudantes Ao trabalhar com os estudantes em sala, o facilitador procura tornar as reuniões mais objetivas, fomentar a participação, gerar maior transparência, a fim de aumentar o entendimento sobre os temas e a interação entre estudantes/facilitador/especialistas, bem como construir uma base mais sólida para o trabalho coletivo. A atuação dos facilitadores do programa visa: (i) favorecer o entendimento dos estudantes acerca do trabalho, em grande grupo e em equipes, a ser realizado; (ii) mediar o processo ensino-aprendizagem nos encontros presenciais; (iii) mediar o processo ensino-aprendizagem à distância interagindo com estudantes em sala e com o especialista, à distância; (iv) avaliar o desenvolvimento de competência dos participantes. 7.3 Carga Horária O programa tem 128 horas/atividade: uma sessão de videoconferência por semana, de 4 horas, transmitidas a partir do IEP/HSL, com facilitadores presenciais junto as escolas médicas, Por meio de atividades educacionais interativas e dialogadas e de simulação serão desenvolvidos, junto aos estudantes, um conjunto de conteúdos, com foco no desenvolvimento de capacidades para o enfrentamento de situações de maior relevância social e incidência epidemiológica na prática médica. Os conteúdos selecionados para o desenvolvimento dessas capacidades foram agrupados segundo o cuidado às necessidades de saúde da criança e adolescente, da mulher e do adulto e idoso. As atividades educacionais de interação e simulação são coordenadas pelos membros do corpo clínico e do corpo docente do IEP/HSL, composto por especialistas no âmbito da assistência à saúde, ensino e pesquisa, com foco para a formação médica. PROGRAMA DE APOIO ÀS ESCOLAS MÉDICAS 15 Caderno_CMIRA.indd 15 07/12/12 19:01

7.4 Período e periodicidade O programa de 2013 será desenvolvido no período de março a novembro, semanalmente, durante 32 semanas. As atividades acontecem às quartas- feiras e as sessões são estruturadas das 19h:00 às 20h:30 TBL 20h:30 às 20h:45 - Intervalo 20h:45 às 22h:15 Casos Clínicos Integrados Programação das atividades educacionais Nas atividades educacionais, o estudante recebe orientações do facilitador, de modo a favorecer e apoiar sua participação no programa, inclusive em relação ao funcionamento da metodologia Aprendizagem Baseada em Equipes ou Team Based Learning TBL. TBL: duração de 90 minutos (1 hora e 30 minutos) Uma sessão de TBL admite diferentes modelos de abordagem. Abaixo um exemplo de abordagem: No início de cada sessão, os estudantes participam de uma (a) avaliação diagnóstica, no formato de teste, para verificação de seu conhecimento/capacidades prévias sobre o assunto a ser abordado na sessão. Na sequencia à divulgação do resultado dessa 1ª avaliação, (b) os estudantes trabalham em equipes de 5 a 10 participantes, nas quais produzem discussões que problematizam as respostas dos testes e buscam um novo alinhamento conceitual para melhor explicar ou intervir na situação. Em continuidade a sessão, (c) os estudantes respondem, novamente, os mesmos testes apresentados inicialmente, recebendo um retorno do especialista sobre o resultado, com comentários às repostas dadas. Casos Clínicos Integrados: duração de 90 minutos (1 hora e 30 minutos) Na segunda parte da sessão, cada equipe de aprendizagem recebe e processa um caso clinico semi-estruturado ou situação-problema integradora que recebe do facilitador já com três a cinco questões de aprendizagem. Cada grupo trabalha nas questões de aprendizagem apresentadas e formula uma a ser encaminha para 16 PROGRAMA DE APOIO ÀS ESCOLAS MÉDICAS Caderno_CMIRA.indd 16 07/12/12 19:01

discussão com especialista. O facilitador presencial e o especialista - à distância dão feedback comentando as respostas e complementando conceitos, esclarecendo incompreensões, compartilhando experiências ou adicionando outros aspectos não destacados e que se revelam importantes para a melhor compreensão ou intervenção no caso/situação. 8. Avaliação A avaliação é considerada uma atividade permanente e crítico-reflexiva do processo de ensino-aprendizagem. Permite o acompanhamento deste processo, visualizando avanços, detectando dificuldades e, por fim, realizando as ações necessárias no sentido da melhoria do desempenho de professores, participantes e da organização do curso. A avaliação do programa CMIRA está baseada nos princípios: (i) critério-referenciada; (ii) contínua, dialógica, ética, democrática e co-responsável; e (iii) formativa e somativa. A avaliação é critério-referenciada quando o perfil desejado é utilizado como critério ou referência para a avaliação de desempenho dos participantes. Os desempenhos observados são comparados com os critérios de excelência estabelecidos, contemplando as áreas de competência profissional. Cada participante recebe retornos - feed back de avaliação, de modo contínuo e sistematizado, que permitem analisar seu desenvolvimento e suas necessidades de melhoria. As informações são provenientes de vários instrumentos e fontes e requerem um diálogo entre observadores e avaliado, primando pela postura ética, democrática e co-responsável. A avaliação tem caráter formativo quando realizada durante o desenvolvimento das atividades, objetivando a melhoria do processo e do aproveitamento dos participantes. A avaliação tem caráter somativo quando utilizada para definir a aprovação ou reprovação no programa, sendo atribuídos, respectivamente, os conceitos satisfatório e insatisfatório e critérios internacionais para certificação de desempenho/competência. PROGRAMA DE APOIO ÀS ESCOLAS MÉDICAS 17 Caderno_CMIRA.indd 17 07/12/12 19:01

8.1 Avaliação de facilitadores A avaliação dos facilitadores é realizada a partir de um diálogo entre a perspectiva dos estudantes, registrada em formato específico e do cumprimento das atividades de capacitação e programadas com os estudantes. O objetivo é a identificação de fortalezas e dificuldades e o intercâmbio de capacidades entre facilitadores, visando à melhoria no processo para beneficiar os participantes por meio da construção de uma prática educativa ética e construtivista. A avaliação de desempenho dos facilitadores, na perspectiva do estudante, consiste no julgamento sobre o desempenho desses professores na mediação e favorecimento do processo ensino-aprendizagem. A avaliação de desempenho dos especialistas, na perspectiva do estudante, diz respeito ao julgamento da contribuição desses professores na problematização e esclarecimento de questões de aprendizagem e respostas dos estudantes frente aos temas geradores. 8.2 Avaliação do Programa A avaliação do programa será processual, permitindo intervenções de melhoria contínuas e imediatas. A liberdade de expressão e as análises críticas são estimuladas para todos os envolvidos no Programa: professores, autores, facilitadores, coordenadores, especialistas/consultores, apoiadores e outros. Esse exercício faz parte do processo de aprendizagem e de democratização das relações. A avaliação quantitativa do Programa é realizada ao final de cada módulo e consiste na emissão de conceitos sobre a organização do programa e o desempenho dos professores. O formato específico deverá ser preenchido e enviado eletronicamente à Secretaria Acadêmica, até cinco dias úteis após o término do módulo. Uma avaliação qualitativa será aplicada na metade e ao final do curso no sentido de caracterizar e interpretar a natureza dos critérios utilizados na emissão dos juízos de valor. 18 PROGRAMA DE APOIO ÀS ESCOLAS MÉDICAS Caderno_CMIRA.indd 18 07/12/12 19:01

8.3 Instrumentos de Avaliação do Programa Teste de Progresso Individual (TPI) O teste de progresso é uma avaliação de conhecimento médico constituída por testes de múltipla escolha que são elaborados para fornecer uma avaliação longitudinal do progresso do estudante durante o programa, em todas as áreas da ciência médica pertinentes à formação profissional. Tecnologias como: testagem adaptativa computadorizada, teoria de resposta ao item e aplicação da psicometria permitem a construção de um teste de segurança na avaliação de aprendizagem. O teste será aplicado anualmente em todas as escolas parceiras. IFOM/NBME O IFOM e o NBME são siglas do International Foundations of Medicine e do National Board of Medical Examiners. O programa NBME pertence ao IFOM e oferece, às faculdades de medicina dos Estados Unidos e de outros países, uma avaliação em relação ao grau de entendimento dos examinados em relação às ciências médicas. O exame de ciências clínicas do IFOM avalia os conhecimentos médicos e o entendimento das ciências clínicas consideradas essenciais para a prestação de cuidados seguros e eficientes ao paciente. O teor do exame de ciências clínicas da IFOM tem origem no Step 2 Clinical Knowledge CK, exame de conhecimentos clínicos do passo 2, do United States Clinical Licensing Examination - USMLE. Os resultados da prova são enviados individualmente a cada estudante, e servem para ajudá-los a reconhecer seus pontos fortes e aquilo que precisam melhorar em termos de conhecimentos clínicos. A gestão do Curso de Medicina também recebe um relatório com o desempenho global dos estudantes que pode ser utilizado para a melhoria contínua do seu currículo. Além disso, esta experiência serve como uma oportunidade para as escolas médicas terem contato com um modelo de exame de referência de qualidade em avaliação, em todo o mundo, além de propiciar aos estudantes considerados proficientes no exame, a oportunidade de estagiar, durante o internato, em Hospitais e Universidades de outros países em um programa de intercâmbio apoiado pela AAMC (American Association of Medical Colleges); A prova será aplicada em todas as escolas parceiras. PROGRAMA DE APOIO ÀS ESCOLAS MÉDICAS 19 Caderno_CMIRA.indd 19 07/12/12 19:01

Pontuações do exame clínico da IFOM As pontuações do exame clínico da IFOM de 2010 foram escalonadas para uma média de 500 e um desvio padrão de 100, com base no grupo de referência. O grupo de referência foi definido como uma amostra mista internacional de examinados provenientes da Ásia, Europa, América do Norte e América do Sul, no último ano do curso de medicina. A grande maioria das pontuações varia entre 200 e 800. Feedback sobre o exame A cada examinado é fornecido um relatório de pontuação contendo o total das suas pontuações no exame, juntamente com um Perfil de Desempenho do Examinado, identificando os seus pontos fortes e pontos fracos. A Pauta das Classificações reporta a pontuação total obtida no exame de ciências clínicas da IFOM para cada examinado. Se 20 ou mais examinados de uma dada faculdade fizerem o exame, será disponibilizado um Perfil resumido do desempenho da Faculdade. 9. Mobilização estudantil O programa CMIRA aposta na vivência do aluno em diferentes cenários da prática e do ensino médico e no intercâmbio de experiências nacionais e internacionais como parte integrante do desenvolvimento da competência médica. Nessa direção, o CMIRA articula diferentes oportunidades ao aluno, com possibilidades amplas de estudo, no âmbito nacional e internacional e em diferentes cenários da pratica e do ensino médico, possibilitando ao estudante enriquecer seu processo de aprendizagem e à Escola integrar uma rede colaborativa e internacional de ensino médico. No âmbito internacional, a prova IFOM/NBME possibilita ao aluno que atingir score determinado, pleitear estágios e realizar parte de seu internato em Escolas Médicas do mundo que participam da prova IFOM. A Escola, ao participar da prova, passa a integrar essa rede e se relacionar com outras Escolas Médicas e alunos estrangeiros. 20 PROGRAMA DE APOIO ÀS ESCOLAS MÉDICAS Caderno_CMIRA.indd 20 07/12/12 19:01