ACIDENTES DO TRABALHO

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Transcrição:

Gustavo Filipe Barbosa Garcia ACIDENTES DO TRABALHO doenças ocupacionais e nexo técnico epidemiológico De acordo com a Lei 13.429/2017 6ª edição, revista e atualizada 2017

II PREVENÇÃO CONTRA ACIDENTES DO TRABALHO Sumário 1. Introdução 2. Normas pertinentes à segurança e medicina do trabalho: 2.1. Deveres do empregador; 2.2. Deveres do empregado; 2.3. Competência da fiscalização do trabalho; 2.4. Inspeção prévia e interdição de estabelecimento; 2.5. Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT); 2.6. Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA); 2.7. Equipamento de proteção individual; 2.8. Medidas preventivas de medicina do trabalho (PPRA, PCMSO e ASO); 2.9. Edificações; 2.10. Iluminação; 2.11. Conforto térmico; 2.12. Instalações elétricas; 2.13. Movimentação, armazenagem e manuseio de materiais; 2.14. Máquinas e equipamentos; 2.15. Caldeiras, fornos e recipientes sob pressão; 2.16. Prevenção da fadiga; 2.17. Indústria de construção; 2.18. Trabalho a céu aberto; 2.19. Proteção contra incêndio; 2.20. Condições sanitárias; 2.21. Resíduos industriais; 2.22. Sinalização de segurança; 2.23. Segurança e medicina ocupacional nas relações de trabalho rural. 1. INTRODUÇÃO Nos diversos temas pertinentes aos acidentes do trabalho e doenças ocupacionais, a regra de ouro está justamente na prevenção. Todos os esforços devem ser direcionados à prevenção do infortúnio, no sentido de evitar que ocorra qualquer acidente do trabalho, ou que o empregado venha a adquirir alguma doença do trabalho.

24 ACIDENTES DO TRABALHO Doenças Ocupacionais Gustavo Filipe Barbosa Garcia O meio ambiente do trabalho (integrando o meio ambiente como um todo, conforme art. 200, inciso VIII, da CF/1988), desse modo, até porque inserido no rol dos direitos fundamentais, 1 merece todo o cuidado e empenho do empregador e do Poder Público, na manutenção da sua higidez e integridade, pois disso dependem a segurança, a saúde, a dignidade e a própria vida do trabalhador. Tanto é assim que, em conformidade com o art. 7.º, inciso XXII, da Constituição Federal de 1988, os trabalhadores urbanos e rurais têm direito à redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança. O Decreto 7.602/2011, por seu turno, dispõe sobre a Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho PNSST. Nesse sentido, a Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho PNSST tem por objetivos a promoção da saúde e a melhoria da qualidade de vida do trabalhador e a prevenção de acidentes e de danos à saúde advindos, relacionados ao trabalho ou que ocorram no curso dele, por meio da eliminação ou redução dos riscos nos ambientes de trabalho (I). Ademais, as ações no âmbito da PNSST devem constar do Plano Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho e desenvolver-se de acordo com as seguintes diretrizes: a) inclusão de todos trabalhadores brasileiros no sistema nacional de promoção e proteção da saúde; b) harmonização da legislação e a articulação das ações de promoção, proteção, prevenção, assistência, reabilitação e reparação da saúde do trabalhador; c) adoção de medidas especiais para atividades laborais de alto risco; d) estruturação de rede integrada de informações em saúde do trabalhador; e) promoção da implantação de sistemas e programas de gestão da segurança e saúde nos locais de trabalho; f) reestruturação da formação em saúde do trabalhador e em segurança no trabalho e o estímulo à capacitação e à educação continuada de trabalhadores; e g) promoção de agenda integrada de estudos e pesquisas em segurança e saúde no trabalho (IV). 1 Cf. ARAUJO, Luiz Alberto David; NUNES JÚNIOR, Vidal Serrano. Curso de direito constitucional. 10. ed. São Paulo: Saraiva, 2006. p. 506.

Cap. II PREVENÇÃO CONTRA ACIDENTES DO TRABALHO 25 Cabe ainda registrar que a Lei 13.103/2015, no art. 2.º, inciso V, c, prevê o direito dos motoristas profissionais (de veículos automotores de transporte rodoviário de passageiros e de transporte rodoviário de cargas), se empregados, de ter benefício de seguro de contratação obrigatória, assegurado e custeado pelo empregador, destinado à cobertura de morte natural, morte por acidente, invalidez total ou parcial decorrente de acidente, traslado e auxílio para funeral, referentes às suas atividades, no valor mínimo correspondente a 10 vezes o piso salarial de sua categoria ou valor superior fixado em convenção ou acordo coletivo de trabalho. 2. NORMAS PERTINENTES À SEGURANÇA E MEDICINA DO TRABALHO O sistema jurídico prevê diversas normas pertinentes à segurança e medicina do trabalho, estabelecendo deveres ao empregador, ao empregado, bem como fixando atribuições dos órgãos de fiscalização do trabalho. 2 Essas regras são voltadas, de forma substancial, justamente para obter e manter um meio ambiente de trabalho saudável, prevenindo os riscos à saúde e à segurança dos trabalhadores. Vejamos, assim, as principais disposições sobre o tema. 2.1. Deveres do empregador No que tange à segurança e medicina do trabalho, cabe às empresas, e mesmo aos empregadores por equiparação: a) cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho; 2 Cf. GARCIA, Gustavo Filipe Barbosa. Curso de direito do trabalho. 5. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2011. p. 1.045-1.097.

26 ACIDENTES DO TRABALHO Doenças Ocupacionais Gustavo Filipe Barbosa Garcia b) instruir os empregados, por meio de ordens de serviço, quanto às precauções a tomar no sentido de evitar acidentes do trabalho ou doenças ocupacionais; c) adotar as medidas que lhes sejam determinadas pelo órgão regional competente; d) facilitar o exercício da fiscalização pela autoridade competente (art. 157 da CLT). Como é evidente, o fiel cumprimento dos referidos deveres exerce importante destaque na prevenção de acidentes do trabalho e doenças ocupacionais. 2.1.1. Deveres nos casos de trabalho temporário e terceirização As relações de trabalho na empresa de trabalho temporário, na empresa de prestação de serviços e nas respectivas tomadoras de serviço e contratante regem-se pela Lei 6.019/1974, com as modificações decorrentes da Lei 13.429/2017, que passou a tratar, assim, também da terceirização. O contrato celebrado pela empresa de trabalho temporário e a tomadora de serviços deve ser por escrito, ficará à disposição da autoridade fiscalizadora no estabelecimento da tomadora de serviços e conterá: qualificação das partes; motivo justificador da demanda de trabalho temporário; prazo da prestação de serviços; valor da prestação de serviços; disposições sobre a segurança e a saúde do trabalhador, independentemente do local de realização do trabalho (art. 9. da Lei 6.019/1974, com redação dada pela Lei 13.429/2017). Ainda no trabalho temporário, é responsabilidade da empresa contratante (tomadora) garantir as condições de segurança, higiene e salubridade dos trabalhadores, quando o trabalho for realizado em suas dependências ou em local por ela designado (art. 9., 1.º, da Lei 6.019/1974, acrescentado pela Lei 13.429/2017). Do mesmo modo, na terceirização, é responsabilidade da contratante (tomadora) garantir as condições de segurança, higiene e sa-

Cap. II PREVENÇÃO CONTRA ACIDENTES DO TRABALHO 27 lubridade dos trabalhadores, quando o trabalho for realizado em suas dependências ou local previamente convencionado em contrato (art. 5.º-A, 3.º, da Lei 6.019/1974, acrescentado pela Lei 13.429/2017). Logo, se o empregado terceirizado prestar serviço no estabelecimento da empresa tomadora ou em outro local pactuado entre as partes, esta responde pela higidez do meio ambiente de trabalho, inclusive em casos de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais. A contratante deve estender ao trabalhador da empresa de trabalho temporário o mesmo atendimento médico, ambulatorial e de refeição destinado aos seus empregados, existente nas dependências da contratante, ou local por ela designado (art. 9., 2.º, da Lei 6.019/1974, acrescentado pela Lei 13.429/2017). Na terceirização, a contratante pode estender ao trabalhador da empresa de prestação de serviços o mesmo atendimento médico, ambulatorial e de refeição destinado aos seus empregados, existente nas dependências da contratante, ou local por ela designado (art. 5.º-A, 4.º, da Lei 6.019/1974, acrescentado pela Lei 13.429/2017). Essa previsão tem caráter meramente facultativo, diversamente da mencionada determinação cogente relativa ao trabalho temporário (art. 9.º, 2.º, da Lei 6.019/1974). 2.2. Deveres do empregado Na mesma matéria, aos empregados, por sua vez, cabe: a) observar as normas de segurança e medicina do trabalho, inclusive as instruções expedidas pelo empregador; b) colaborar com a empresa na aplicação das normas sobre medicina e segurança do trabalho (art. 158 da CLT). Constitui ato faltoso do empregado a recusa injustificada: a) à observância das instruções expedidas pelo empregador, pertinentes à medicina e segurança do trabalho; b) ao uso dos equipamentos de proteção individual fornecidos pela empresa.

28 ACIDENTES DO TRABALHO Doenças Ocupacionais Gustavo Filipe Barbosa Garcia Como se nota, os empregados também exercem relevante papel na prevenção de acidentes do trabalho e doenças ocupacionais. 2.3. Competência da fiscalização do trabalho Compete às Delegacias Regionais do Trabalho (art. 156 da CLT), que são os órgãos competentes em matéria de inspeção do trabalho: 3 a) promover a fiscalização do cumprimento das normas de segurança e medicina do trabalho; b) adotar as medidas que se tornem exigíveis, em virtude das disposições sobre segurança e medicina do trabalho, determinando as obras e reparos que, em qualquer local de trabalho, se façam necessárias; c) impor as penalidades cabíveis por descumprimento das normas de segurança e medicina do trabalho, nos termos do art. 201 da CLT. Fica clara a importância dos órgãos competentes em matéria de inspeção e fiscalização do trabalho, no caso, exercendo a atividade preventiva de infortúnios. 2.4. Inspeção prévia e interdição de estabelecimento Nenhum estabelecimento pode iniciar suas atividades sem prévia inspeção e aprovação das respectivas instalações pela autori- 3 O Decreto 6.341, de 3 de janeiro de 2008 (DOU 04.01.2008), ao alterar o Anexo I do Decreto 5.063/2004, passou a prever que: Art. 21. Às Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego, unidades descentralizadas subordinadas diretamente ao Ministro de Estado, compete a execução, supervisão e monitoramento de ações relacionadas a políticas públicas afetas ao Ministério do Trabalho e Emprego na sua área de jurisdição, especialmente as de fomento ao trabalho, emprego e renda, execução do Sistema Público de Emprego, as de fiscalização do Trabalho, mediação e arbitragem em negociação coletiva, melhoria contínua nas relações do trabalho, e de orientação e apoio ao cidadão, observando as diretrizes e procedimentos emanados do Ministério. Assim, foi alterada a nomenclatura, de modo que as Delegacias Regionais do Trabalho (DRTs) foram transformadas em Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego. Com a mudança, os órgãos passam também a supervisionar as políticas públicas do Ministério do Trabalho e Emprego implantadas nos Estados e no Distrito Federal. As Subdelegacias do Trabalho, por sua vez, passam a se chamar Gerências Regionais do Trabalho e Emprego.

Cap. II PREVENÇÃO CONTRA ACIDENTES DO TRABALHO 29 dade regional competente em matéria de segurança e medicina do trabalho (art. 160 da CLT). Essa medida tem como objetivo principal justamente a preservação da segurança e da saúde dos trabalhadores. Nova inspeção deve ser feita quando ocorrer modificação substancial nas instalações, inclusive equipamentos, que a empresa fica obrigada a comunicar, prontamente, à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, na atualidade. É facultado às empresas solicitar prévia aprovação, pela Delegacia Regional do Trabalho, dos projetos de construção e respectivas instalações. De acordo com a NR 2, instituída pela Portaria 3.214/1978, a empresa poderá encaminhar ao órgão regional do Ministério do Trabalho uma declaração das instalações do estabelecimento novo, conforme modelo anexo à NR 2, que poderá ser aceita pelo referido órgão, para fins de fiscalização, quando não for possível realizar a inspeção prévia antes de o estabelecimento iniciar suas atividades. O atualmente denominado Superintendente Regional do Trabalho e Emprego, à vista do laudo técnico do serviço competente que demonstre grave e iminente risco para o trabalhador, pode interditar estabelecimento, setor de serviço, máquina ou equipamento, ou embargar obra, indicando na decisão, tomada com a brevidade que a ocorrência exigir, as providências que deverão ser adotadas para prevenção de infortúnios de trabalho (art. 161 da CLT). Essas medidas, embora mais drásticas (interdição de estabelecimento e embargo de obra), também possuem o relevante objetivo de evitar acidentes e doenças do trabalho, preservando a segurança e a saúde dos empregados. Nesse sentido, de acordo com a NR 3 da Portaria 3.214/1978, que regula o embargo ou interdição, considera-se grave e iminente risco toda condição ambiental de trabalho que possa causar acidente do trabalho ou doença profissional com lesão grave à integridade física do trabalhador.

30 ACIDENTES DO TRABALHO Doenças Ocupacionais Gustavo Filipe Barbosa Garcia As autoridades federais, estaduais e municipais devem dar imediato apoio às medidas determinadas pelo Superintendente Regional do Trabalho e Emprego. A interdição ou embargo podem ser requeridos pelo serviço competente da Delegacia Regional do Trabalho e, ainda, por agente da inspeção do trabalho ou por entidade sindical. Da decisão do Superintendente Regional do Trabalho e Emprego podem os interessados recorrer, no prazo de dez dias, para o órgão de âmbito nacional competente em matéria de segurança e medicina do trabalho, ao qual será facultado dar efeito suspensivo ao recurso. Responde por desobediência, além das medidas penais cabíveis, quem, após determinada a interdição ou embargo, ordenar ou permitir o funcionamento do estabelecimento ou de um dos seus setores, a utilização de máquina ou equipamento, ou o prosseguimento de obra, se, em consequência, resultarem danos a terceiros. O Superintendente Regional do Trabalho e Emprego, independente de recurso, e após laudo técnico do serviço competente, pode levantar a interdição. Durante a paralisação dos serviços, em decorrência da interdição ou embargo, os empregados devem receber os salários como se estivessem em efetivo exercício. 2.5. Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) As empresas, de acordo com normas expedidas pelo Ministério do Trabalho, estão obrigadas a manter serviços especializados em segurança e em medicina do trabalho (art. 162 da CLT), com a finalidade de promover a saúde e proteger a integridade do trabalhador no local de trabalho. As referidas normas do Ministério do Trabalho estabelecem disposições pertinentes aos seguintes tópicos:

Cap. II PREVENÇÃO CONTRA ACIDENTES DO TRABALHO 31 a) classificação das empresas segundo o número de empregados e a natureza do risco de suas atividades; b) o número mínimo de profissionais especializados exigido de cada empresa, segundo o grupo em que se classifique, na forma da alínea anterior; c) a qualificação exigida para os profissionais em questão e o seu regime de trabalho; d) as demais características e atribuições dos serviços especializados em segurança e em medicina do trabalho, nas empresas. As regras sobre o SESMT encontram-se previstas na NR 4 da Portaria 3.214/1978. O dimensionamento do SESMT vincula-se à gradação do risco da atividade principal e ao número total de empregados do estabelecimento, constantes dos Quadros I e II, anexos, observadas as exceções previstas na NR 4. No âmbito do trabalho rural, cabe destacar o Serviço Especializado em Segurança e Saúde no Trabalho Rural (SESTR), de acordo com a NR 31, item 31.6 (conforme Portaria 86/2005). 2.6. Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) É obrigatória a constituição de Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), de conformidade com instruções expedidas pelo Ministério do Trabalho, nos estabelecimentos ou locais de obra nelas especificados (art. 163 da CLT). O Ministério do Trabalho regulamenta as atribuições, a composição e o funcionamento das CIPAs. Cada CIPA é composta de representantes da empresa e dos empregados, de acordo com os critérios que vierem a ser adotados na regulamentação do Ministério do Trabalho (art. 164 da CLT). As regras sobre CIPA encontram-se previstas na NR 5 da Portaria 3.214/1978.

32 ACIDENTES DO TRABALHO Doenças Ocupacionais Gustavo Filipe Barbosa Garcia A CIPA tem como objetivo a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, de modo a tornar compatível permanentemente o trabalho com a preservação da vida e a promoção da saúde do trabalhador. A CIPA tem por atribuição: a) identificar os riscos do processo de trabalho e elaborar o mapa de riscos, com a participação do maior número de trabalhadores, com assessoria do SESMT, onde houver; b) elaborar plano de trabalho que possibilite a ação preventiva na solução de problemas de segurança e saúde no trabalho; c) participar da implementação e do controle da qualidade das medidas de prevenção necessárias, bem como da avaliação das prioridades de ação nos locais de trabalho; d) realizar, periodicamente, verificações nos ambientes e condições de trabalho visando a identificação de situações que venham a trazer riscos para a segurança e saúde dos trabalhadores; e) realizar, a cada reunião, avaliação do cumprimento das metas fixadas em seu plano de trabalho e discutir as situações de risco que foram identificadas; f) divulgar aos trabalhadores informações relativas à segurança e saúde no trabalho; g) participar, com o SESMT, onde houver, das discussões promovidas pelo empregador, para avaliar os impactos de alterações no ambiente e processo de trabalho, relacionados à segurança e saúde dos trabalhadores; h) requerer ao SESMT, quando houver, ou ao empregador, a paralisação de máquina ou setor onde considere haver risco grave e iminente à segurança e saúde dos trabalhadores; i) colaborar no desenvolvimento e implementação do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e de outros programas relacionados à segurança e saúde no trabalho; j) divulgar e promover o cumprimento das normas regulamentadoras, bem como cláusulas de acordos e convenções coletivas de trabalho, relativas à segurança e saúde no trabalho; k) participar, em conjunto com o SESMT, onde houver, ou com o empregador, da análise das causas das doenças e acidentes de trabalho e propor medidas de solução dos problemas identificados;