Princípios da Administração Pública

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Transcrição:

Princípios da Administração Pública Regime Jurídico Administrativo Supraprincípios Supremacia do interesse público Princípios Constitucionais Princípios Infraconstitucionais RAD 2601 Direito Administrativo Professora Doutora Emanuele Seicenti de Brito

Importância dos Princípios Administrativos Direito Administrativo brasileiro não codificado Funções sistematizadora e unificadora de leis Princípio é, pois, por definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas, compondo-lhes o espírito e servindo de critério para exata compreensão e inteligência delas, exatamente porque define a lógica e a racionalidade do sistema normativo, conferindo-lhes a tônica que lhe dá sentido harmônico (Celso Antônio Bandeira de Mello).

Dupla funcionalidade dos princípios Função hermenêutica: facilitar a interpretação de normas Função integrativa: suprir lacunas

Regime Jurídico-Administrativo Conjunto formado por todos os princípios e normas pertencentes ao Direito Administrativo. Características: Prerrogativas ou privilégios: regalias usufruídas pela Administração, na relação jurídico administrativa, em razão de suas finalidades. Ex.: poder de polícia. Sujeições ou restrições: limitam atividade a determinados fins e princípios. Ex.: necessidade de realização de concurso público.

Supraprincípios do Direito Administrativo Princípios centrais dos quais derivam todos os demais princípios e normas do Direito Administrativo. Celso Antonio Bandeira de Mello: a) supremacia do interesse público b) indisponibilidade do interesse público

Supraprincípios do Direito Administrativo Noções centrais (supraprincípios) Supremacia do interesse público primário sobre o privado (reflete os poderes da Administração Pública) Indisponibilidade do interesse público (reflete os direitos dos administrados) Fonte: Mazza, Alexandre. Manual de Direito Administrativo. Saraiva, 2017. P. 69

Definição de interesse público de interesse do Estado: há interesses públicos que não são estatais. Ex.: terceiro setor. de interesse do aparato administrativo de interesse do agente público = interesse privado comum a todos os cidadãos. = interesse privado comum e homogêneo da maioria da população (tutela dos interesses das minorias) = interesse da sociedade, enquanto conjunto de indivíduos. (direitos supraindividuais) Não existe um interesse público, mas os interesses públicos.

Supraprincípios do Direito Administrativo 1) Princípio da supremacia do interesse público sobre o particular Em eventual conflito entre o interesse coletivo e o particular, o coletivo deve prevalecer. Art. 2º, Lei 9784/99 2) Princípio da indisponibilidade do interesse público O administrador não pode dispor do interesse público porque não é dele. Lei 9784/99, art. 2º, par. único, II

Supraprincípios do Direito Administrativo Exemplos de prerrogativas conferidas à Administração Pública: 1) desapropriação 2) requisição de bens 3) Requisição de serviço 4) Prazos processuais em dobro para contestar e responder recursos 5) Rescindir unilateralmente contratos administrativos 6) Dar passagem no trânsito Todos os princípios do Direito Administrativo são desdobramentos da supremacia do interesse público e da indisponibilidade do interesse público.

Princípios Constitucionais do Direito Administrativo Artigo 37, caput, da CRFB/88: A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Legalidade Impessoalidade Moralidade Publicidade Eficiência

Princípio da Legalidade A administração pública só pode fazer o que a lei permite ou determina. a) Legalidade pública: o Estado só pode fazer o que a lei determina b) Legalidade privada: o particular pode fazer tudo o que a lei não proíbe. Público Privado Ausência de lei = proibição Ausência de lei = permissão EXCEÇÕES: MP (art. 62, CR): tem força de lei, mas não é lei. Leis delegadas (art. 68, CR) Estado de defesa (art. 136, CR) Estado de sítio (art. 137-139, CR) Súmulas vinculantes Decreto autônomo

Princípio da Impessoalidade Dever de imparcialidade na defesa do interesse público Objetividade no atendimento do interesse público Com relação ao administrador (art. 37, 1º, CR): o administrador deve ter atuação neutra. Não pode se autopromover por meio das obras. - Vedação à promoção pessoal dos agentes. - Em razão da Teoria do Órgão: os atos de um agente devem ser imputados ao órgão. Com relação aos administrados: os administrados devem ser tratados de forma unipessoal, sem favoritismos ou perseguição. Ex.: concurso público, vagas em estacionamentos. Cf. as seguintes regras: Existência real e efetiva de diferença em duas situações; Critério diferenciador apto a avaliar as diferenças natureza do problema + qualidade dos bens e direitos objeto da decisão.

Princípio da Moralidade Impõe ao administrador público uma conduta ética, atrelada as noções de honestidade, probidade, boa fé. Violação a moralidade Improbidade Administrativa Um ato pode ser imoral sem ser legal. Ex. auxílio paletó

Princípio da Publicidade A administração deve dar conhecimento daquilo que faz. Efeitos buscados com a publicidade Dar conhecimento aos administrados da atuação da administração Produzir efeitos Para contagem de prazos Controlar a atuação do administrador. EXCEÇÕES: Art. 5º, X: intimidade, vida privada, honra e imagem. Art. 5º, XXXIII: segurança da sociedade e do Estado. Art. 5º, LX: defesa da intimidade + interesse social. O princípio da publicidade assegura o direito de obtenção de certidões. Dá a possibilidade de ser impetrado habeas data para obter conhecimento d a própria pessoa em banco de dados público.

Princípio da Eficiência Atuação eficiente: fazer o melhor com os recursos disponíveis alcançar resultados; respeitar relação custo-benefício. Prestação de serviços satisfatória quantitativa e qualitativamente. Economicidade, redução de desperdícios, qualidade, rapidez, produtividade e rendimento funcional são valores encarecidos pelo princípio da eficiência. Institutos correlatos Estágio probatório Contrato de gestão das agências executivas Duração razoável dos processos administrativos Parcerias da Administração Pública

Princípios Infraconstitucionais Lei nº 9.784/99 Lei do Processo Administrativo. A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência.

Princípio da razoabilidade e proporcionalidade Impõe a obrigação de os agentes públicos realizarem suas funções com equilíbrio, coerência e bom senso. Analisa adequação e necessidade = razoabilidade Analisa meios e fins compatíveis = proporcionalidade Ato desproporcional = NULO (não revogável) Atos que violem esses princípios são considerados ILEGAIS. Razoabilidade = princípio da proibição dos excessos. Ex.: exigência de curso superior para cargo de varredor de rua; candidato eliminado de concurso por ter tatuagem nas costas.

Princípio da autotutela Possibilita à administração pública controlar seus próprios atos, apreciando-os quanto ao mérito e à legalidade. Não exclui a possibilidade de apreciação da legalidade deles pelo Poder Judiciário. Controle pode ser exercido sob dois aspectos: Legalidade: a administração pode anular os seus atos ilegais Mérito: examina a conveniência e oportunidade de manter ou desfazer um ato legítimo, mediante revogação. - Conveniência = faço ou não? - Oportunidade = quando faço?

Princípio da continuidade A atividade administrativa não pode parar. CONSEQÜÊNCIAS: Proibição da interrupção na prestação de serviços públicos SALVO emergência, razões técnicas ou de segurança, inadimplemento do usuário. Limitação ao direito de greve dos servidores Suplência, delegação e substituição de servidor afastado. Aplicação relativizada da exceptio non adimpleti contractus.

Princípio da motivação Exige que a administração pública exponha os fundamentos de fato e de direito que embasaram a decisão. Objetivos: permitir o controle do ato quanto à legalidade e garantir ampla defesa e contraditório. Classificação: Prévia Concomitante Se a motivação for posterior ou inexistente, o ato é ilegal. Situações Excepcionais: Quando a própria lei autoriza que o ato não seja motivado. Ex. quando a autoridade pública contrata alguém de confiança. Quando o motivo é óbvio. Ex. Funcionário já adquiriu o direito e vai gozar de férias.

Princípio da hierarquia Necessidade de relação de subordinação e coordenação entre os órgãos da administrativos. Consequências principais: Subordinados devem obedecer às ordens dos superiores. Exceção: ordens manifestamente ilegais. Revisão dos atos dos subordinados Delegação e avocação de atribuições

Considerações Finais Regime Jurídico Administrativo: ramo do Direito Público que estuda princípios e normas reguladoras do exercício da função administrativa Supraprincípios: Todos os princípios do Direito Administrativo são desdobramentos da supremacia do interesse público e da indisponibilidade do interesse público. Princípios Constitucionais: L I M P E Princípios Infraconstitucionais: razoabilidade e proporcionalidade, autotutela, continuidade, motivação e hierarquia.