DIREITO ADMINISTRATIVO
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- Sara Santana Botelho
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1 DIREITO ADMINISTRATIVO PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Atualizado em 22/12/2015
2 PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Os princípios são aplicados em graus, e não sob a lógica do tudo ou nada, podendo apresentar soluções diversas a depender dos fatos envolvidos no caso concreto. Os princípios devem ser encarados como normas gerais coercitivas que orientam a atuação do indivíduo, definindo valores a serem observados nas condutas por ele praticadas. Os princípios do Direito Administrativo definem a organização e a forma de atuar do ente estatal, estabelecendo o sentido geral de sua atuação. Temos dois princípios principais que compõem o Regime Jurídico Administrativo. A doutrina afirma que deles decorrem todos os outros princípios da Administração Pública. São eles: Princípio da supremacia do interesse público: O interesse público é supremo sobre interesse particular, e todas as condutas estatais têm como finalidade a satisfação das necessidades coletivas; Acarreta a existência de poderes administrativos; Quando há conflito entre interesse público e interesse particular, prevalece o interesse público, pois este é o interesse da coletividade. Princípio da indisponibilidade do interesse público: Impõe limitações à atuação do agente público, segundo o princípio da legalidade. As limitações são justificadas no fato de os interesses tutelados serem os da coletividade. Agora, vamos estudar os princípios explícitos da Administração Pública (positivados na CF88, artigo 37) LIMPE. Art. 37. A Administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência [...]. Legalidade: Em sentido estrito. O agente público só pode fazer aquilo que a lei autoriza ou determina. Todos os atos administrativos pressupõem a existência de uma lei anterior. O administrador público só atua quando a lei permite; A Administração não é livre para fazer tudo o que a lei não proíba, mas pode fazer, apenas com base na lei, mas a lei não precisa necessariamente já predeterminar todo o conteúdo da ação administrativa; ou seja, não havendo previsão legal, está proibida a atuação do ente público e qualquer conduta praticada ao alvedrio do texto legal será considerada ilegítima; Retrata a exigência de subordinação da Administração Pública à soberania popular.
3 Impessoalidade: Impessoalidade significa não discriminação na atuação administrativa; Toda a atuação da Administração Pública deve perseguir o atendimento aos interesses da coletividade; Impõe aos agentes públicos que atuem sempre buscando o fim público, não criando vantagens ou restrições para os administrados que não sejam necessárias para tanto, tampouco com a finalidade de obtenção de benefícios pessoais, para si mesmo ou para terceiros; Os atos praticados pelos agentes públicos são imputados à Administração Pública e não ao próprio agente. Eventuais danos causados a terceiros por agentes públicos devem ser ressarcidos pela Administração Pública; A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas de órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolo ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos. Costuma-se apontar como violação ao princípio da impessoalidade a nomeação de parentes e cônjuge para assunção de cargos públicos, com funções de direção, chefia ou assessoramento, por se tratar de ato praticado com a clara intenção de beneficiar um particular, sem preocupação real com o interesse público. o O STF, em 2008, com a intenção de solucionar o tema, expediu a súmula vinculante nº 13: a nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive de autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica, investigo em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança, ou, ainda, de função gratificada na Administração Pública direta e indireta, em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal. o Ocorre que a jurisprudência da própria Corte Suprema já se manifestou no sentido da inaplicabilidade da vedação ao nepostismo quando se tratar da nomeação de agentes para o exercício de cargos políticos, como é o caso de secretário ou de ministro de estado, situação na qual a nomeação do parte não encontra óbice, desde que o sujeito tenha condições técnicas de exercer o múnus público a ele transferido por meio da nomeação. Isso decorre do fato de que a nomeação para o exercício de função política se reveste da qualidade de ato político, gozando, portanto, de uma discricionariedade ampla e não se submetendo às disposições da súmula. Moralidade: Honestidade, boa fé de conduta no trato com a atividade pública, lealdade, não corrupção; Deve ser objetiva (extraída da lei) e não depende da subjetividade do agente público; O agente público deve agir de boa fé, com lealdade, ética e probidade; Não se exige dos administradores públicos o mero cumprimento da lei. De todos os administradores, exige-se conduta impecável, ilibada e exemplar; Ações populares que visam tutelar (proteger) diretamente o princípio da moralidade: Ação Popular proposta por qualquer cidadão; Ação de Improbidade Administrativa regida pela lei
4 Publicidade: É dever do Estado garantir o direito de acesso à informação, que será franqueada, mediante procedimentos objetivos e ágeis, de forma transparente, clara e em linguagem de fácil compreensão; Viabiliza o controle dos atos administrativos pela sociedade; Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo geral, que serão prestados no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado; Os atos administrativos que produzam efeitos externos à Administração Pública ou que importem em ônus financeiro devem ser oficialmente publicados (requisito de eficácia dos atos administrativos); Exige uma atuação transparente da Administração Pública, impondo o dever de prestar informações de interesse dos cidadãos e de não praticar condutas sigilosas; Frise-se que o princípio não é absoluto, porquanto a própria CF88 ressalva que devem ser resguardadas a segurança nacional e o relevante interesse coletivo, o que poderá, de forma fundamentada, excepcionalizar o princípio da publicidade; Ademais, o texto constitucional determina que são invioláveis a vida privada, a imagem das pessoas, assim como a honra e a intimidade. Nesses casos, a Administração deve manter o sigilo de suas condutas sempre que a publicidade de seus atos for de encontro a alguma destas garantias constitucionais. Trata-se de situações em que estão em conflito dois princípios, devendo haver uma ponderação de interesses no caso concreto, para que se determine a prevalência de um, em detrimento do outro. Eficiência: Acrescentado na EC19/98; Busca-se a melhor equação entre forma e fim da organização; Consiste na análise dos custos e benefícios associados à adoção de medidas administrativas para a consecução de determinadas finalidades públicas previstas na lei considerando ainda a noção de eficácia, isto é, o grau de consecução dos objetivos visados pela medida administrativa; Visa adotar, no âmbito da Administração Pública, um modelo de administração gerencial (eficiente), abandonando o ultrapassado modelo de administração burocrática; Gera o direito dos usuários de serviço público a uma prestação com qualidade e rapidez; Atende a economicidade (produzir o maior número de resultados possíveis utilizando o mínimo de recursos) dentro da Administração Pública. Princípio do contraditório e da ampla defesa (art. 5º, LV, CF88): Garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio. É o direito de saber o que está acontecendo no processo administrativo e o direito de se manifestar acerca dessa atuação do processo administrativo.
5 PRINCÍPIOS INFRACONSTITUCIONAIS DA LEI 9784/99 E O PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE Art. 2º. A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Princípio da segurança jurídica: Garantia de estabilidade, ordem, paz social e previsibilidade das atuações estatais; As decisões administrativas devem guardar um mínimo de coerência, não se admitindo, por isso, tratamento diferenciado para hipóteses rigorosamente idênticas; Proibição de aplicação retroativa de novas interpretações de dispositivos legais e normas administrativas. É vedada a aplicação retroativa das mudanças de interpretação da lei pela Administração Pública. Princípio da proporcionalidade: Garante a relação de equivalência entre a conduta do particular e a ação do Estado; Proíbe exageros no exercício da função administrativa; Dica: não se mata passarinho com canhão os meios aplicados devem ser proporcionais aos fins estabelecidos. Princípio da razoabilidade: É a adequação e a necessidade da medida adotada pelo Estado; Limita a discricionariedade da Administração Pública. Princípio da finalidade: É uma aplicação do princípio da impessoalidade (Toda a atuação da Administração Pública deve perseguir o atendimento aos interesses da coletividade); Sempre em busca da defesa do interesse público. Princípio da especialidade: Sempre que possível, as funções administrativas devem ser desempenhadas por pessoas jurídicas autônomas; É concretizado (aplicado) no fenômeno da descentralização administrativa, que é a criação de novas pessoas jurídicas que passarão a titularizar determinadas atividades. OUTROS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Princípio da continuidade (lei 8987/95): A ideia é de que a atividade administrativa deve ser ininterrupta; A Administração Pública não deve parar de exercer sua atividade.
6 Princípio da autotutela (Súmula 473 STF): A Administração Pública tem o poder de controlar os atos praticados por ela mesma; Impõe o controle interno dos atos administrativos pelo próprio ente no qual ele foi editado, incluindo a revogação dos atos administrativos, quando eles deixarem de atender ao interesse público subjacente à sua edição; a sua anulação, quando eles apresentarem vícios de legalidade, e revisão de interpretações já adotadas no passado, de forma a melhor atender ao interesse público; É um poder e ao mesmo tempo um dever; A Administração DEVE anular seus próprios atos, quando eivados de vícios de legalidade, e PODE revogá-los por motivo de conveniência e oportunidade, respeitados os direitos adquiridos; Aspecto de legalidade: ato deve ser anulado; Aspecto de interesse público (oportunidade e conveniência): ato pode ser revogado. Princípio da motivação (art. 50, lei 9784/99): Princípio implícito na CF, mas tem regulamentação expressa em lei; Como elemento do ato administrativo, a ausência de motivação impõe a sua nulidade; A veracidade do motivo passa a ser condição de validade do ato administrativo; Não basta somente motivar, é necessário que a motivação expendida seja adequada, suficiente para fundamentar a medida proposta. Toda vez que a Administração Pública atua ela tem o dever de fundamentar a sua atuação; Assim como os outros princípios, este não é absoluto (ex: cargos comissionados são de livre nomeação e exoneração). Princípio da Proteção à confiança É entendido como a exigência de atuação leal e coerente do Estado, proibindo comportamentos administrativos contraditórios." No âmbito do Direito Administrativo, esse princípio ganhou notoriedade no caso conhecido como Viúva de Berlim. O princípio da proteção à confiança surgiu no Direito Alemão ligado ao debate sobre a conveniência da preservação de determinados atos inválidos. O assunto ganhou notoriedade a partir de uma decisão proferida pelo Superior Tribunal Administrativo de Berlim, em 14 de novembro de 1956, no caso conhecido como o da Viúva de Berlim. A viúva de um funcionário público transferiu-se de Berlim Oriental para Berlim Ocidental porque lhe prometeram determinado benefício. Após receber a vantagem por um ano, o benefício foi retirado devido à incompetência do servidor que assinara o ato. O Tribunal, entretanto, ponderando a proteção à confiança e a legalidade violada, considerou que o primeiro princípio incidiria com mais força, de modo a afastar o vício de incompetência.
7 Evidenciou-se nesse famosíssimo julgado a necessidade de manter-se um ato inválido, preservando situação consolidada em favor de particular que confiou na manifestação legítima da Administração Pública. Hoje é compreendido pela doutrina como uma exigência de atuação leal e coerente do Estado, de modo a proibir comportamentos administrativos contraditórios. Assim, os cidadãos devem esperar da Administração Pública a adoção de posturas que preservem a paz social e a tranquilidade. As decisões estatais devem ser tomadas sem sobressaltos ou mudanças abruptas de direção. Todos os princípios da Administração Pública são princípios implícitos/explícitos da Constituição, pois dela decorrem. Aos autores não referenciados, todos os direitos reservados.
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