FUNDAMENTOS DA TERAPIA DO ESQUEMA

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Transcrição:

FUNDAMENTOS DA TERAPIA DO ESQUEMA Denise Rodrigues Mestre em Psicologia Professora, supervisora e coordenadora do Serviço de Psicologia Aplicada da Universidade Estácio de Sá E-mail: deniserodriguespsi@hotmail.com

O termo personalidade aqui usado se referirá às características, mais ou menos constantes, que todas as pessoas apresentam ao longo de sua vida, e que fazem com que as mesmas sejam percebidas, pelos outros e por si mesma, como estáveis, previsíveis, ou como possuindo uma identidade.

O termo personalidade se referirá a um conjunto complexo de componentes. A estes componentes nos referiremos como componentes comportamentais, cognitivos, afetivos e sociais da personalidade. Assim, quando dizemos que uma pessoa tem um traço de personalidade extrovertido, por exemplo, estamos nos referindo a uma pessoa que apresenta comportamentos de aproximação social, acompanhados de uma forma de interpretar sua realidade priorizando o intercâmbio social, e experimentando sentimentos de atração em relação a outras pessoas, e se inserindo com relativa facilidade nos grupos sociais a que tem acesso.

A noção de personalidade utilizada aqui implica também na aceitação de que a mesma tem, na sua formação, origens constitucionais, inatas, que, em contato com influências sociais, ambientais, históricas, culturais e físicas, se modificam.

A personalidade tem como uma de suas possíveis origens a herança filogenética do indivíduo e sua espécie, ou seja, as estratégias geneticamente determinadas que poderiam facilitar a sobrevivência e a reprodução seriam, presumivelmente, favorecidas pelo processo de seleção natural.

Estas estratégias dependem, entre outros fatores, da avaliação que o indivíduo realiza acerca das demandas de uma situação, e que precede e desencadeia uma estratégia específica (seja ela adaptativa ou não).

Além disto, a maneira pela qual esta avaliação se configura depende, em parte, de crenças que são relevantes para o indivíduo, e estas estão inseridas em estruturas cognitivas relativamente estáveis, denominadas esquemas, cujas funções são selecionar e sintetizar as experiências do indivíduo, e desencadear uma excitação afetiva.

O conceito de esquema se refere a uma estrutura cognitiva básica, fundamental da personalidade, cujo conteúdo é composto por dados fornecidos pela experiência do indivíduo, junto com seus aspectos constitucionais, e se referem aos fatores mais importantes que ele desenvolve, e que norteiam a sua compreensão de si mesmo, do mundo e de suas vivências.

Tais esquemas, ao serem construídos ao longo da vida, tendem a nortear não somente a avaliação cognitiva, como também as reações emocionais e estratégias comportamentais manifestadas pela pessoa no seu cotidiano.

Neste sentido, os chamados traços de personalidade poderiam ser considerados a expressão manifesta dos esquemas cognitivos.

Os esquemas são construídos a partir das experiências da criança com os membros de sua família e, posteriormente, com outras crianças e adultos.

A noção de esquema implica na consideração da forma como a criança lida com as suas tarefas desenvolvimentais primárias (tarefas com que ela se depara ao longo do seu desenvolvimento) que, posteriormente, se transformam nos chamados domínios básicos dos esquemas

AMOR ESTABILIDADE ATENÇÃO ACEITAÇÃO EMPATIA PROTEÇÃO VALIDAÇÃO DE SENTIMENTOS

Desconexão Rejeição: refere-se à noção de ser amado e aceito pelos outros. È desenvolvida a partir da experiência de cuidados parentais seguros.

Autonomia Desempenho Prejudicado: refere-se à noção da capacidade de poder funcionar de forma autônoma. É desenvolvida a partir do estímulo dos pais da independência.

Limites Prejudicados: refere-se à noção de ter a capacidade de controlar-ser, levando em conta as limitações da realidade e as necessidades dos outros.

Orientação para o outro: refere-se à capacidade de expressar as próprias necessidades e afetos sem medo. Para isto a criança precisa ser encorajada desde muito cedo pelos pais, sem que esta sua expressão seja punida com a retirada do afeto ou atenção.

Supervigilância e Inibição: complementa o domínio anterior, no sentido da pessoa poder se expressar sem pensar que pode estar cometendo um erro ou uma falha.

Ao serem ativados, os esquemas levam ao surgimento de estratégias cognitivas e comportamentais que atuam no sentido de fazer com que a pessoa acabe por estruturar sua vida, seus relacionamentos e sua forma de interpretar o que lhe acontece de maneira rígida e, portanto, pouco adaptativa e saudável.

Estratégias de adesão do esquema: reforçam o esquema, mantendo-o intacto e atuante.

Estratégias de evitação do esquema: evitam ativar o esquema, protegendo a pessoa de entrar em contato com o mesmo.

Estratégias de compensação do esquema: implicam, aparentemente, em estilos (cognitivos ou comportamentais) opostos ao esquema ativado, de forma que a pessoa novamente não se dá conta da existência do esquema.

Tais estratégias não são, em si, positivas ou negativas. Elas surgem da necessidade da criança de se ajustar às demandas do ambiente e de si mesmas, e visam promover a melhor adaptação possível.

Ao permanecerem inflexíveis e se tornarem repetitivas, tais estratégias podem contribuir para a manutenção de esquemas cujos conteúdos são negativos, inflexíveis e, portanto, não adaptativos.

Exploração das origens na infância Foco na Relação Terapêutica Reparação Parental Confrontação Empática Enfatiza o insight e o processamento do trauma Transferência e Contratransferência Estrutura da personalidade

Problemas atuais Pesquisas - Índices altos de recidivas Pacientes não se livram dos sintomas ao término da terapia Apresentam problema vagos e difusos. Não há desencadeadores claros Dificuldades nos relacionamentos em geral

OBRIGADA BOM DIA E BOM SIMPÓSIO