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Transcrição:

Processamento digital de imagens Agostinho Brito Departamento de Engenharia da Computação e Automação Universidade Federal do Rio Grande do Norte 11 de novembro de 2016

Fluxo óptico Usado para estimar movimento de pixels entre quadros de uma sequência. Aplicações Rastreio de objetos Estabilização de vídeo Compressão de imagens Recuperação de formas a partir do movimento Algumas assunções são realizadas: As intensidades de cor de um pixel ou grupo de pixels não mudam drasticamente entre dois quadros da sequência. A vizinhança do pixel tem movimento similar.

Fluxo óptico Considere um pixel de intensidade I(x, y, t) que se move de x, y e t entre dois quadros consecutivos. Assumindo um movimento pequeno, percebe-se constância de brilho no pixel, de sorte que I(x, y, t) = I(x + x, y + y, t + t) Por expansão em série de Taylor, pode-se concluir que I(x + x, y + y, t + t) = I(x, y, t) + I x x + I y I y + t + OrdemSuperior t Para os pequenos deslocamentos considerados e descartando-se os termos de ordem superior, produz-se a equação I I I x + y + x y t t = 0 Dividindo-se a equação por t chega-se a I x x t + I y y t + I t t t = 0

Fluxo óptico Reescrevendo a equação anterior, chega-se a I xv x + I yv y = I t V x e V y representam o vetor que provocou o deslocamento do ponto entre os dois quadros. I x = I I e Iy = representam a taxa de variação espacial do pixel nas direções x e y, x y respectivamente. I t representa a mudança de cor percebida na posição do pixel ao longo da sequência. Nesta equação, I x, I y e I t pode ser determinados. Entretanto, as V x e V y permanecem incógnitas, de sorte que a equação não pode ser resolvida. As técnicas de fluxo óptico visam inserir restrições adicionais de modo a permitir que tal equação seja resolvida. A solução normalmente existe quando se é possível contornar o problema da abertura.

Fluxo óptico - problema da abertura O problema da abertura é a situação que ocorre quando o observador avalia o movimento de um objeto por uma janela de pequena abertura. A abertura impossibilita que o observador identifique com precisão a direção do movimento. Na ilustração abaixo, apenas o movimento horizontal é percebido pela câmera.

Fluxo óptico Seleção de pontos para rastreio, evitando o problema da abertura. Técnicas de fluxo óptico esparso. Técnicas de fluxo óptico denso.

Fluxo óptico esparso Técnicas de fluxo óptico esparso operam para um subconjunto de pontos de uma imagem selecionados para rastreio. Necessitam de inicialização para escolha dos pontos de rastreio. A escolha dos pontos deve minimizar o problema da abertura.

Fluxo óptico esparso - método de Harris-Shi-Tomasi Propõe uma técnica para detecção de cantos (esquinas). Cálculo da matriz Hessiana determinada para um ponto da imagem. ] H(p) = [ 2 I x 2 2 I x y 2 I x y 2 I y 2 Cálculo da matriz Hessiana pela matriz da autocorrelação das imagens das derivadas segundas em uma pequena janela I 2 x (x + i, y + j) I x(x + i, y + j)i x(x + i, y + j) K i,j K K i,j K H(p) I x(x + i, y + j)i x(x + i, y + j) Ix 2 (x + i, y + j) K i,j K P K i,j K A matriz de autocorrelação possui autovalores elevados naqueles pontos com arestas detectáveis por derivadas segundas em pelo menos duas direções. Harris propôs que se tomar o determinante dessa matriz e subtrair do traço, pode-se comparar essa diferença com um limiar pré-determinado. Shi e Tomasi propôem que tomando o menor dos dois autovalores e comparando com um limiar pré-estabelecido é suficiente para determinar se o ponto é rastreável (ponto de esquina).

Fluxo óptico esparso - método de Lucas-Kanade Proposto em 1981(!!!) para realizar cálculo de fluxo óptico denso. Suas propriedades permitem o uso em fluxo óptico esparso. Pode ser aplicado em um subconjunto de pontos da imagem. Cada ponto define um retalho (patch) para ser rastreado. Usado para avaliar a movimentação de pontos em uma pequena janela ao redor do ponto de interesse. Assunções realizadas para funcionamento: Constância de brilho: pixels não sofrem mudança de cor entre os quadros da cena Pequenos movimentos: o retalho de superfície rastreada não sofre deslocamentos abruptos no tempo. Coerência espacial: pontos do retalho possuem movimento similar de entre os quadros.

Fluxo óptico esparso - método de Lucas-Kanade A equação de fluxo óptico I xv x + I yv y = I t pode ser reescrita como onde I T = [ Ix I y ] e v = [ ] x. y I T v = I t Análise do fluxo óptico em uma dimensão. Aproximações sucessivas pelo método de Newton. Muitas incógnitas para uma só equação.

Fluxo óptico esparso - método de Lucas-Kanade Derivada temporal Derivada espacial

Fluxo óptico esparso - método de Lucas-Kanade Derivada temporal na 2a. iteração anterior Converge em cerca de 5 iterações Mantém a mesma estimativa para a derivada espacial

Fluxo óptico esparso - método de Lucas-Kanade Uma possível solução para resolver o problema das incógnitas é resolver a equação de movimento para uma vizinhança em torno do ponto. Exemplo: janela 5 5. I x(p 1) I y(p 1) [ ] I t(p 1) I x(p 2) I y(p 2) x... = I t(p 2) y... I x(p 25) I y(p 25) I t(p 25) A solução de sistemas como esse (A x = b) pode ser obtida utilizando o método dos mínimos quadrados (encontrando min( A x b 2 )) Pelo método dos mínimos quadrados, A solução para essa equação será (A T A) x = A T b x = (A T A) 1 A T b

Fluxo óptico esparso - método de Lucas-Kanade Para a solução de x = (A T A) 1 A T b existir, a matrix (A T A) deve ser inversível. A inversão é possível se todas as linhas da matriz A são linearmente independentes (full rank). Isso ocorre se ela tiver dois autovalores de valores elevados. Tal característica somente é obtida em regiões da imagem que possuem bordas ocorrendo em duas direções simultâneas. A situação onde a inversão da matriz não pode ser obtida leva ao problema da abertura.

Fluxo óptico esparso - método de Lucas-Kanade Para a maioria das câmeras de custo acessível, movimentos coerentes de um retalho não são comuns. O uso de pirâmides de imagens minimiza esse problema. Toma-se a imagem original e obtém-se uma versão escalada de menor tamanho possível para rastrear os pontos. Realiza-se a correspondência e refina-se em uma versão da imagem em escala maior até que o tamanho da imagem original seja atingido.

Fluxo óptico denso Computado sobre toda a imagem, pixel a pixel. Processo lento...

Fluxo óptico denso Método de Farneback Aproxima a vizinhança de um pixel por um polinômio quadrático. f (x) x T Ax + bx T + c onde A é uma matriz simétrica, b é um vetor e c é um escalar, todos estimados por mínimos quadrados em uma vizinhança. Estimativa do deslocamento Cálculo dos coeficientes f 1(x) = x T A 1x + b 1x T + c 1 f 2(x) = f 1(x d) = (x d) T A 1(x d) + b 1(x d) T + c 1 = x T (A 1)(x) + (b 1 2A 1d) T (x) + d T A 1d b T 1 d + c 1 = x T A 2x + b 2x T + c 2 A 2 =A 1 b 2 =b 1 2A 1d c 2 =d T A 1d b T 1 d + c 1 Conclusão d = 1 2 A 1 1 (b 2 b 1)

Fluxo óptico denso Na prática, normalmente não é possível verificar as igualdades entre as matrizes A 1 e A 2. Usa-se então uma aproximação A(x) = A1(x) + A2(x) 2 para montar a equação de cálculo do deslocamento A(x)d(x) = b(x) A estimativa de d(x) é calculada minimizando um funcional que avalia a vizinhança I de um ponto w( x A(x + x)d(x) b(x + + x) 2 x I