VAMOS PRAGA! ACABAR COM ESTA

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Profa. Lis Andréa Soboll. Doutora em Medicina Preventiva (USP) Professora na UFPR. Professora no Mestrado da FAE PR. 1

Transcrição:

VAMOS ACABAR COM ESTA PRAGA!

Af inal, o que aconteceu com Roger, Carlos, Luciana, Beatriz e Pedro? QUEM É O RESPONSÁVEL? Roger sempre sentiu muito orgulho de vestir a camisa do banco, mas tudo mudou após a troca da equipe gestora em sua diretoria. Após a mudança os colegas foram adoecendo e saindo, sem serem substituídos. Roger acumulou o serviço dos colegas afastados e tem receio de cometer uma falha pelo cansaço resultante da sobrecarga. O gestor o pressiona por resultados e diz que ele não dá conta do serviço porque faz corpo mole. O ambiente é de tensão e Roger tem medo de perder sua comissão. Logo ele, que sempre foi muito elogiado pelo seu trabalho, sente agora que nunca será bom o suficiente. Os colegas são instruídos a não se aproximar de Roger. Apesar de extremamente qualificado para desempenhar sua função, com graduação e pós-graduação relacionadas à área, tem se sentido cada vez mais desmotivado: não tem vontade de se levantar para trabalhar quando acorda, tem dificuldade para se concentrar, se sente triste e muito irritado. Tem se afastado de sua esposa e filhos, e também evitado os amigos. Roger não aguenta mais e pensa em deixar sua comissão, em pedir demissão. Chora no carro enquanto dirige do trabalho até sua casa. Se sente ainda mais incompetente por se sentir assim e se pergunta: onde está aquele bancário cheio de gás que sempre deu conta de driblar os obstáculos do dia-a-dia? Carlos sempre foi muito produtivo e tinha orgulho de desenvolver seu trabalho. Após apresentar uma opinião contrária à de seu gerente, sentiu que passou a ser tratado diferente por todos no local de trabalho. Ninguém o convida para almoçar, não recebe mais tarefas e os projetos que desenvolvia foram passados para outras pessoas. Seus e-mails ao gerente solicitando tarefas são ignorados e Carlos passa o dia sem receber demandas ou ser contatado em seu serviço. Carlos tem medo de ser demitido por não estar mostrando serviço, não consegue dormir, tem se sentido inútil e invisível. Carlos é um fantasma no local de trabalho ninguém o vê ou fala com ele.

Luciana sempre foi destaque como gerente. Por sua posição diferenciada no mercado, ela é convidada a trabalhar em outro banco e aceita. Se sente valorizada e finalmente reconhecida com o convite da nova empresa, mas com o passar do tempo, o gerente geral, antes solícito e receptivo, passa a gritar e xingar os funcionários a todo momento. As metas são surreais e os produtos do banco ruins. O gerente geral pressiona para que os funcionários vendam cada vez mais e Luciana se vê obrigada a enganar os clientes para vender seus produtos. Luciana trabalha no banco para viver e vive para trabalhar no banco. Sente sua cabeça se inundando de pensamentos sobre o banco o tempo todo e não consegue falar de outro assunto. Sente taquicardia, tremores, suas mãos suam e a respiração fica ofegante só de pensar em uma reunião com o gerente geral. Luciana não entende como alguém que nunca teve problemas psicológicos e sempre foi tão ativo possa estar passando por isso. Beatriz acabou de ser promovida para um segmento especial em seu banco e se sente muito entusiasmada. Começa a se destacar em sua nova função e logo sente mudanças na maneira como é tratada. Percebe que seus clientes não são mais encaminhados para ela e fica cada dia mais sem o que fazer. A gerente diz que em função disso será mandada para realizar atividades fora da agência. Beatriz aceita porque teme ser demitida em função na sua queda de desempenho, mas quando retorna ao local de trabalho no dia seguinte não tem mais seu mobiliário. Sua mesa não está mais lá e não tem mais lugar dentro da agência. Beatriz se sente triste, inútil e tem sentimentos de culpa. Não dorme mais sem o auxílio de remédios e se sente agitada e tem vontade de sumir. Beatriz não sabe como isso começou, mas se pergunta se um dia isso tudo vai passar. Pedro tem observado que na sua agência o clima está cada vez mais tenso. O gerente faz piadas que geram constrangimento e criam um clima de tensão. Pedro percebe que seus colegas também estão incomodados e um dia se reúne com eles para falar sobre o assunto e pensar em uma providência. Os colegas chegam a um acordo de que a denúncia desse comportamento abusivo será melhor para todos, mas quando chega o momento de denunciar, apenas Pedro apresenta sua queixa para os níveis regionais do banco. Seus colegas voltaram atrás e sozinho é visto como encrenqueiro por realizar a denúncia. O gerente o chama para conversar e diz que vai abrir um processo para investigar a sua conduta que está perturbando a harmonia do ambiente de trabalho. Seus colegas, antes solidários, se mostram apáticos e nada fazem. Pedro se sente isolado, triste e injustiçado. Pedro, que sempre foi tão simpático e amigável com seus colegas, não entende por que lhe viraram as costas quando o problema era de todos e pensa em desistir do trabalho no banco.

JUNTE-SE A NÓS! Vamos COMBATER ESTA PRAGA! Você sabe o que é Assédio Moral? O assédio moral é toda e qualquer conduta abusiva, hostil, destrutiva e vexatória. É um tipo de violência que ocorre de maneira deliberada e sistemática, direta ou indiretamente, com pressão e intimidação, em múltiplos níveis e de distintas formas, afetando negativamente a comunicação, as relações interpessoais, a dignidade, a identidade, a saúde, a integridade física, profissional, social, emocional e moral do trabalhador. Como identificar o assédio moral? O assédio moral se manifesta em comportamentos, palavras, atos, gestos, escritos que possam trazer dano à personalidade, à dignidade ou à integridade física ou psíquica de uma pessoa, pôr em perigo seu emprego ou degradar o ambiente do trabalho. Confira, abaixo, as principais formas de ataques dos assediadores: NO ATO DE SE COMUNICAR: pouca ou nenhuma comunicação com determinado colega; incomunicabilidade física; proibição de conversar com os companheiros de trabalho; transmissão intencional de informações erradas; ocultação de informações importantes. NO CONVÍVIO SOCIAL: isolamento; violação da privacidade; exclusão de atividades sociais organizadas pela empresa; comentários maliciosos, desrespeitosos; atitudes e referências maldosas sobre determinado trabalhador. NO CONSTRANGIMENTO MORAL: desprezo, engano, descrédito; designação de tarefas degradantes, impossíveis ou normalmente desprezadas pelos outros; responsabilização por erros cometidos por outras pessoas; rebaixamento injustificado de função; contagem do tempo ou a limitação do número de vezes e do tempo em que o trabalhador permanece no banheiro; advertência em razão de atestados médicos ou de reclamação de direitos.

Quais são as consequências do assédio moral? A vítima pode apresentar sintomas psicossomáticos como cefaleias, transtornos digestivos e cardiovasculares, fadiga crônica, insônia ou hipersonia, entre outros. O padrão fisiológico se caracteriza pela irritabilidade, ansiedade, estresse, obsessões, fobias, apatias, desinteresse, mal-estar geral, crises de choro, dificuldades de atenção, de memória e planejamento das atividades cotidianas e de trabalho, sentimento de indefesa e culpabilidade, vergonha, injustiça e desconfiança, perplexidade, confusão e desorientação, crises de auto-estima, aumento de peso ou emagrecimento exagerado, aumento da pressão arterial, problemas digestivos, tremores e palpitações, redução da libido, déficit de motivação para o trabalho e de implicação com a organização, sentimento de culpa e pensamentos suicidas, propensão ao abuso de fumo, álcool ou outras drogas, pensamentos negativos, desesperança e pessimismo. Nas organizações, as consequências do assédio moral envolvem: O aumento do absenteísmo e dos acidentes de trabalho; A diminuição da eficácia e eficiência, da produtividade e da competitividade organizacional; O déficit na qualidade de produtos e serviços; A deterioração da imagem da empresa; A ruptura do contrato psicológico e ameaça de sanções econômicas pela responsabilidade por assédio. Para a sociedade, o assédio resulta em: Precarização das condições de qualidade de vida; Crises de relações familiares e comunitárias; Custos sociais por enfermidade; Aumento do mal-estar; Riscos de suicídio, de aborto e divórcios; Desemprego. Quem pode ajudar? Se você é testemunha e/ou vítima de assédio moral, você pode procurar o Sindicato dos Bancários de Brasília. A equipe de psicologia e a equipe jurídica estão prontas para atendê-lo e orientá-lo.