FORMULÁRIO PADRÃO PARA APRESENTAÇÃO DE PROJETOS Título do Projeto: Frequência dos tipos sanguíneos A, B e AB dos felinos domésticos da encaminhados para o Hospital Veterinário UNISUL Área de Conhecimento - Grande área: Ciências Agrárias - Área de conhecimento: Patologia Clínica Animal Justificativa A tipagem sanguínea é importante na área de hemoterapia em qualquer espécie animal para evitar problemas transfusionais, mas em felinos pode também evitar a ocorrência de isoeritrólise neonatal (Knottenbelt et al., 1999). Os tipos sanguíneos são definidos por antígenos espécie específicos presentes na superfície dos eritrócitos. Os antígenos eritrocitários podem variar em imunogenicidade e significado clínicos, sendo sua detecção feita através de testes sorológicos de aglutinação (Lacerda et al., 2009). Atualmente em diversos lugares são feitos estudos para a determinação da prevalência dos diferentes tipos sanguíneos em felinos. A literatura descreve que existe 3 tipos sanguíneos A, B e AB, a frequência do tipo A em felinos domésticos é maior do que de B e AB. Recentemente ainda foi descrito o tipo Mik (Weinstein et al., 2007). No entanto, há possibilidade de uma maior prevalência destes em determinadas raças. Apesar da mesma nomenclatura dada aos tipos sanguíneos humanos, não existe nenhuma relação sorológica do sistema AB felino com o ABO humano (Hohenhaus, 2004). As transfusões realizadas sem a compatibilidade sanguínea podem levar a uma reação transfusional aguda, particularmente severa quando o sangue de tipo A é transfundido em um gato do tipo B, pois geralmente estes possuem altos níveis aloanticorpos naturais. Nestes casos mililitros de sangue é o suficiente para causa uma reação que pode ser eventualmente fatal. Já, o tipo AB não apresenta aloanticorpos contra A e B, o que segue a possibilidade de receber sangue de ambos os tipos. Entretanto, devido ao fato de gatos A, e principalmente, B poderem apresentar altos títulos de aloanticorpos, a transfusão de sangue A ou B em um gato AB poderia levar à destruição dos eritrócitos do receptor (Hohenhaus, 2004). Não existe um felino doador universal, e que por esse motivo, deve ser realizada tipagem sanguínea em todos os doadores e receptores. Felinos possuidores
do tipo sanguíneo AB, por não possuir aloanticorpos anti-a ou anti-b, são considerados doadores universais em casos de transfusões de células vermelhas emergenciais. Mas, independente do motivo da transfusão, caso não for realizado o teste de tipagem sanguínea a transfusão pode ser de alto risco para o receptor, podendo ocorrer reações como hemólise ou diminuição da sobrevida das células vermelhas (Tocci and Ewing, 2009) Este estudo representa um primeiro passo para popularizar conhecimentos de medicina transfusional felina para médicos veterinários e tutores da região Sul de Santa Catarina. Não há descrição da freqüência de tipos sanguíneos na região; o Banco de Sangue do Hospital Veterinário UNISUL é o único que tem desenvolvido pesquisas nas áreas de hemoterapia e imunohematologia no estado. Atualmente as transfusões são realizadas baseando-se somente na higidez do doador atestada por analises sorológicas, hematológicas e bioquímicas. E as reações transfusionais são prevenidas pela realização do teste de compatibilidade sanguínea (método de aglutinação em tubo) e acompanhamento intensivo do receptor durante e após a transfusão. O presente estudo trará informações sobre o Sul Catarinense, visto que os animais que chegam ao Hospital Veterinário da UNISUL em Tubarão vêm de diversas cidades que compõem o esta região e assim a pesquisa servirá de modelo para o desenvolvimento de estudos em outras regiões. Objetivos Objetivo Geral - Caracterização dos tipos sanguíneos de felinos atendidos no Hospital Veterinário da Universidade do Sul de Santa Catarina. Objetivos específicos - Confrontar os resultados laboratoriais observados com os existentes na literatura; - Caracterizar o tipo que tem mais prevalência nesta região; - Ao informar os médicos veterinários e tutores sobre o resultado da tipagem, atentálos sobre a importância desta informação para a saúde dos animais. Metodologia Será realizada uma avaliação da população de gatos encaminhados para avaliação hematológica no Laboratório de Patologia Clínica do Hospital Veterinário da Universidade do Sul de Santa Catarina (HVU), localizada na cidade de Tubarão, no período de março de 2017 a fevereiro de 2018.
De cada amostra de felinos enviada para avaliação hematológica será retirada uma alíquota para a realização da tipagem sanguínea através do teste de hemaglutinação. Será retirado o plasma das amostras e os eritrócitos serão diluídos em PBS (tampão fosfato, ph 7,2), homogeneizados por inversão, centrifugados a uma velocidade de 970 g por 3 minutos, o sobrenadante será retirado. Iniciar-se-á a lavagem de células, onde o processo de diluição com PBS e centrifugação devem ser repetido por mais duas vezes. Após lavagem das células, 50 μl de hemácias serão diluídos em 1mL de PBS. Desta solução, 25 μl serão adicionados em cada tubo contendo 50 μl de anti-soros específicos. Um tubo contendo soro felino conhecido do tipo B (Anti-A), outro contendo solução de lectina de Triticum vulgaris (Anti-B). Como controle negativo será usado um tubo contendo solução salina tamponada (PBS). Depois de 15 minutos de incubação a temperatura ambiente, os tubos serão centrifugados por 15 segundos a uma velocidade de 970g, e homogeneizados para a visualização da reação de hemaglutinação. Nas fichas clínicas dos animais serão colhidas informações como: idade, raça, sexo, ciclo reprodutivo, local de origem e dados do tutor. O tutor e o medico veterinário responsável terão acesso aos resultados da tipagem sanguinea. Serão excluídos animais anêmicos e que tenham recebido transfusão há um período inferior de 90 dias. Os dados obtidos serão tabulados e analisados estatisticamente. Será realizada analise comparativa correlacionando aos tipos sanguíneos dos animais. Resultados esperados Tipificar o sangue dos felinos desta região possui caráter primordial. O conhecimento sobre os tipos sangüíneos de diferentes espécies é de grande importância na medicina veterinária, visto que uma transfusão sangüínea incompatível pode resultar em uma reação transfusional hemolítica imuno-mediada severa e até levar o animal à morte. Espera-se que seja encontrada uma freqüência maior de felinos do tipo A, como já relatado em estudos realizados em outros estados brasileiros. Cronograma Orientador: atuará como coordenador do projeto, sendo responsável por todas as etapas previstas na metodologia do trabalho. Também será responsável pelo auxílio na elaboração dos relatórios trimestrais e relatório final. No âmbito executor, atuará no
processamento das amostras, e posterior compilação de dados para análise de resultados e produção técnica científica (Tabela 1). Bolsista: realizará a adequação e planejamento do projeto. Realizará um treinamento previamente ao inicio da fase experimental. No âmbito executor, atuará no processamento e análise das amostras destinadas a tipagem sanguínea. Será o redator dos relatórios. Posteriormente auxiliará na redação dos artigos científicos e trabalhos apresentados em eventos (Tabela 1). Tabela 1. Cronograma físico referente às atividades do projeto. Revisão Bibliográfica 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 X X X X X X X X X X X X Treinamento Avaliação de fichas clínicas Realização do teste Tipagem Análise Estatística dos Resultados Resultados Apresentação em Eventos e JUNIC X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Tabela 2. Cronograma financeiro referente às atividades do projeto. DESCRIÇÃO QUANT. VALOR UNIT. SUB TOTAL Tubo vidro 5mL 500 0,15 75,00 Ponteira 0-200 µl 500 Ponteira 1000 µl 500 PBS Tampão/Buffez 1 cx 32,00 Total Infraestrutura Infraestrutura já existente na UNISUL O projeto será realizado no Laboratório de Patologia Veterinária do Centro Diagnóstico Veterinário, localizado no Hospital Veterinário da Unisul. O soro conhecido do tipo B e a formula para manipulação do Triticum vulgaris serão fornecidos pelo apoiador externo (Centro Diagnóstico Blut s, Porto Alegre - RS) (Tabela 2).
Referências Bibliográficas HOHENHAUS, A. E. Importance of blood groups and blood group antibodies in companion animals. Transfus Med Rev, v. 18, n. 2, p. 117-26, Apr 2004. ISSN 0887-7963. Available at: < http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15067591 >. KNOTTENBELT, C. M. et al. Determination of the prevalence of feline blood types in the UK. J Small Anim Pract, v. 40, n. 3, p. 115-8, Mar 1999. ISSN 0022-4510. Available at: < http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10200921 >. LACERDA, L. A. et al. Prevalência dos tipos sangüíneos A, B e AB em gatos domésticos mestiços da cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science, v. 45, p. 46-53, 2009. TOCCI, L. J.; EWING, P. J. Increasing patient safety in veterinary transfusion medicine: an overview of pretransfusion testing. J Vet Emerg Crit Care (San Antonio), v. 19, n. 1, p. 66-73, Feb 2009. ISSN 1476-4431. Available at: < http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19691586 >. WEINSTEIN, N. M. et al. A newly recognized blood group in domestic shorthair cats: the Mik red cell antigen. J Vet Intern Med, v. 21, n. 2, p. 287-92, 2007 Mar-Apr 2007. ISSN 0891-6640. Available at: < http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17427390 >.