Prevenção do Erro e o Medicamento



Documentos relacionados
SEGURANÇA NA MEDICAÇÃO. Câmara de Apoio Técnico- COREN SP PROJETO COREN SP 2010 SEGURANÇA DO PACIENTE

Dimensão Segurança do Doente. Check-list Procedimentos de Segurança

Check-list Procedimentos de Segurança

Procedimento Operacional Padrão (POP) Núcleo de Segurança do Paciente - COSEP - NUVISAH Título: Práticas seguras de distribuição de medicamentos.

TÍTULO: ERROS DE MEDICAÇÃO NA ENFERMAGEM: NO PACIENTE ADULTO HOSPITALIZADO INSTITUIÇÃO: CENTRO UNIVERSITÁRIO DAS FACULDADES METROPOLITANAS UNIDAS

Gerenciamento de Riscos a Saúde

Procedimento Operacional Padrão (POP) Núcleo de Segurança do Paciente - COSEP - NUVISAH Título: Segurança na prescrição de medicamentos.

INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER

DECLARAÇÕES EUROPEIAS DA FARMÁCIA HOSPITALAR

Aplicação do FMEA nas Centrais de Quimioterapia. Mario Luiz P. Ferreira Área da Qualidade

MATRIZ DE PRIORIZAÇÃO GUT ERRO DE MEDICAÇÃO. Rosangela Jeronimo

ERRO DE MEDICAÇÃO EM HOSPITAL PÚBLICO DA ZONA SUL DE SÃO PAULO

Definir protocolo para garantir a segurança no uso de medicamentos de alta vigilância no Hospital São Paulo.

Informação de segurança muito importante para os profissionais de saúde que prescrevem, dispensam e administram

Metas Internacionais de Segurança do paciente

APRESENTAÇÃO Elaine de Andrade Azevedo

SISTEMAS E TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO

SERVIÇO DE CLÍNICA FARMACÊUTICA SMS/CURITIBA Data: / /

Erro Relacionado com o Medicamento e Segurança do Paciente

Segurança na Cadeia Terapêutica Medicamentosa. Marinei Ricieri Farmacêutica Clínica

Check-list Procedimentos de Segurança

Implementação das metas internacionais de segurança do paciente da Joint Commission

A VIGILÂNCIA DE DISPOSITIVOS MÉDICOS: Conceitos e Objectivos

O Papel dos Protocolos Clínicos e das Recomendações Terapêuticas na Gestão Hospitalar

Prescrição Médica Versão de Sistema: Novembro 2014 Versão do documento: 3.0

TOTVS Gestão Hospitalar Manual Ilustrado Prescrição Médica x. julho de Versão: 4.0

Questões Frequentes sobre Medicamentos de dispensa exclusiva em farmácia

ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA. Flávia Soveral Miranda Luciana de Camargo

Programa do Medicamento Hospitalar. Projectos Estratégicos:

Deliberação n.º 939/2014, de 20 de março (DR, 2.ª série, n.º 75, de 16 de abril de 2014)

Seção 2: Atenção ao Paciente Subseções: Terapia Dialítica, Assistência Antineoplásica e Hemoterápica. Flávia Soveral Miranda Fabíola Raymundo

INVESTIGAÇÕES EM TECNOVIGILÂNCIA

ANEXO CONDIÇÕES OU RESTRIÇÕES RESPEITANTES À UTILIZAÇÃO SEGURA E EFICAZ DO MEDICAMENTO A SEREM IMPLEMENTADAS PELOS ESTADOS-MEMBROS

META 1. Identificar os pacientes corretamente

Resolução nº 492 de 26 de novembro de 2008

UTILIZAÇÃO DE TECNOLOGIAS: Atendimento das Prescrições por Lote e com Uso de Palmtop

FAQ s. Destinam-se a complementar as instruções constantes nas Circulares Informativas Conjuntas n.º 01/INFARMED/ACSS e n.

Segurança do Paciente e Atendimento de Qualidade no Serviço Público e Privado

Processo Clínico. O próximo passo

HEALTHCARE SOLUTIONS GESTÃO INTEGRADA DE MEDICAMENTOS PARA HOSPITAIS INOVADORES

VIGILÂNCIA DE DISPOSITIVOS MÉDICOS

Ambulatório. Circuito do Medicamento. Prescrição. Farmácia. Comunitária. Farmácia. Hospitalar. Validação Farmacêutica. Cirurgia de.

ENSAIO PROFICIÊNCIA: UMA FERRAMENTA PARA CONTROLE DA QUALIDADE ALINE MAGALHÃES DE MATOS

O Plano Terapêutico no Sistema de Gestão Integrada do Plano Terapêutico

ESPECÍFICO DE ENFERMAGEM PROF. CARLOS ALBERTO


Administração Central Unidade de Ensino Médio e Técnico - Cetec. Ensino Técnico. Qualificação: Técnico em farmácia

Indicadores do Programa Nacional de Segurança do Paciente

Oncologia. Aula 3: Legislação específica. Profa. Camila Barbosa de Carvalho

Projetos desenvolvidos para o Hospital e Maternidade Municipal de Uberlândia e a o Hospital Escola de Uberlândia - UFU

Genéricos - Guia Básico. Autor: Cesar Roberto CRF-RJ: 7461

Erro de medicação: estratégias e novos avanços para minimizar o erro

1.5. Dados pessoais que devem constar na receita médica Validade das receitas de medicamentos antimicrobianos

Lucas Garcia. Gerente de Produto EPIMED - Segurança do Paciente Departamento de Enfermagem SOTIERJ

Ministério da Saúde cria o Programa Nacional de Segurança do Paciente para o monitoramento e prevenção de danos na assistência à saúde

FARMACOVIGILÂNCIA ESTUDO DE CASO 1

HFMEA TIME DE FLUXO TAUBATÉ.xls O = Ocorrência pode ser 1 = baixa, 4 e 7 = média e 10= alta

Existe um contrato/plano de manutenção para os equipamentos de uso clínico

FARMACOVIGILÂNCIA MEDQUÍMICA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA MANUAL PARA PREENCHIMENTO DO FORMULÁRIO DE NOTIFICAÇÃO DE SUSPEITAS DE REAÇÕES ADVERSAS

Ministério da Saúde Agência Nacional de Vigilância Sanitária RESOLUÇÃO DA DIRETORIA COLEGIADA - RDC Nº 36, DE 25 DE JULHO DE 2013.

Os Profissionais da Enfermagem e a dispensação de medicamentos nas Unidades Básicas de Saúde do Município de Campinas

DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS

UTILIZAÇÃO DA ANÁLISE FARMACÊUTICA COMO FERRAMENTA DE GERENCIAMENTO DE RISCO

GERENCIAMENTO E USO SEGURO DOS MEDICAMENTOS. O papel da Farmácia no contexto hospitalar atual vai além da distribuição e dispensação de medicamentos.

Modelo de Gestão Metas Internacionais: Times Internacionais Setoriais CAROCCINI TP, RIBEIRO JC

CHECK - LIST - ISO 9001:2000

ANEXO III ALTERAÇÕES ÀS SECÇÕES RELEVANTES DO RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO E DO FOLHETO INFORMATIVO

INSTITUTO ESTADUAL DE DIABETES E ENDOCRINOLOGIA LUIZ CAPRIGLIONE SERVIÇO DE FARMÁCIA

PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO GERENCIAMENTO DE MEDICAMENTOS DE ALTO RISCO

MANUAL DE CONTROLO INTERNO

Ciclo de palestras Gerenciamento de Risco HCC

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 276, DE 2015

Gerenciamento de Problemas

Prescrição e Dispensação de Medicamentos Genéricos e Similares Destaques da Legislação Vigente

FARMÁCIA EM SERVIÇOS DE SAÚDE. Farm. Corina Keller 23ª GESAU Blumenau 2014

Assunto: Reprocessamento de Instrumentos Cirúrgicos reutilizáveis cedidos ao SNS em regime de empréstimo

Detalhamento Cód

MedicineOne. Melhorias de versão v x Copyright MedicineOne, life sciences computing SA

Objetivo Principal. Objetivos Secundários

Net Business. Soluções Profissionais em SQL Server ao alcance da sua empresa. Venha conhecer as nossas soluções Solicite uma demonstração

Gerenciamento de Risco Paciente Oncológico. Sandra Abrantes Krug Seabra

SafePrescrition. Sistema de Prescrição Médica. Escopo do Projeto UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO CENTRO DE INFORMÁTICA. Professor: Augusto Sampaio

SERVIÇO DE FARMÁCIA DO HC/UFTM

Despacho n.º 15700/2012, de 30 de novembro 1 (DR, 2.ª série, n.º 238, de 10 de dezembro de 2012)

PALAVRAS-CHAVE: Uso Racional de Medicamentos. Erros de medicação. Conscientização.

Manual de Competências do Estágio dos Acadêmicos de Enfermagem-Projeto de Extensão

REAÇÃO ALÉRGICA AO CONTRASTE IODADO

PLANO DE SEGURANÇA DO PACIENTE NORMA Nº 648

Soluções de Gestão Integradas SENDYS ERP. Optimize a Gestão do Seu Negócio!

CAPACIDADE DE UM SERVIÇO DE DISPENSAÇÃO DE UMA FARMÁCIA UNIVERSITÁRIA EM IDENTIFICAR O RISCO DE INTERAÇÃO MEDICAMENTOSA: RELATO DE CASO

Transcrição:

Prevenção do Erro e o Medicamento Daniela Garcia 26 de março de 2015 Diretora dos Serviços Farmacêuticos

Erro de medicação Qualquer evento evitável que pode causar dano ao doente ou dar lugar à utilização inapropriada dos medicamentos, quando estes estão sob a responsabilidade dos profissionais de saúde, do doente ou consumidor. National Coordinating Council for Medication Error Reporting and Prevention, 1998-1999 2

A vergonha de confessar o primeiro erro leva a cometer muitos outros. Jean de La Fontaine 3

Porque é que o erro ocorre? 4

Causas do erro Fármaco Equipamento Ambiente Institucionais Equipa Individuais 5

Circuito do medicamento Transcrição da Prescrição Médica (Farmacêuticos e Enfermeiros) 6

Classificação de Erros de Medicação 7

Erro de decisão ou de redação não intencional no qual pode existir uma redução significativa da probabilidade do tratamento ser eficaz ou aumentar o risco de dano no doente. Exemplos: Diagnóstico incorreto; Prescrição inadequada do medicamento (dose / posologia / via / velocidade de administração); História prévia de reação adversa; Interações medicamentosas; Duplicidade de terapêutica; Prescrição ilegível; Uso de abreviaturas; Erro de monitorização da prescrição prescrita. 8

Estratégias de prevenção - Prescrição Implementar sistema de prescrição eletrónica, incluindo limites máximos de dose e interações medicamentosas; As prescrições devem ser completas. 9

Estratégias de prevenção Prescrição (2) Padronização de nomenclaturas (DCI) evitando a utilização de abreviaturas: Por extenso Evitar Unidades U ou u Unidades internacionais UI ou ui Microgramas ou mcg µg Zidovodina AZT Disponibilizar local adequado para a prescrição, sem fontes de distração; 10

Estratégias de prevenção Prescrição (3) Desencorajar a prescrição oral; Sempre que seja necessário instituir medicação em SOS : Protocolar situação clínica; Posologia; Dose máxima. 11

Estratégias de prevenção Prescrição (3) Disponibilizar acesso fácil a informações atualizadas sobre medicamentos; 12

Exemplos: Medicamento diferente do prescrito; Discrepância entre a prescrição médica e o medicamento dispensado pelos Serviços Farmacêuticos Medicamento dispensado e não prescrito; Dose diferente da prescrita; Forma farmacêutica errada ; Medicamento dispensado fora de prazo; Medicamento dispensado com problemas de rotulagem; Medicamento mal acondicionado; Medicamento com atraso na distribuição. 13

Estratégias de Prevenção- Dispensa Adotar sistema de distribuição de medicamento em Dose Unitária; Utilizar sistema de código de barras; Incluir o farmacêutico clínico na equipa multidisciplinar no apoio à prescrição/utilização dos fármacos; 14

Estratégias de Prevenção- Dispensa Local adequado para a dispensa de medicamentos; Dupla conferência dos medicamentos preparados; Adotar métodos seguros de armazenamento; Verificar os rótulos de medicamentos e conferi-los com a prescrição; Atenção aos medicamentos LASA; 15

Estratégias de Prevenção- Dispensa Rotulagem adicional; Disponibilizar acesso com informações atualizadas sobre medicamentos; Promover informação individualizada aos doentes sobre o seu esquema terapêutico; Promover a disponibilidade de serviços Farmacêuticos 24h/dia. 16

Alteração na preparação e administração de Medicamentos mediante prescrição médica. Não observância das recomendações ou guias hospitalares ou das instruções técnicas do fabricante do produto. Exemplos: Doente errado; Falha na técnica de administração; Administração por via/local/velocidade erradas; Associação de medicamentos física ou quimicamente incompatíveis; Administração do medicamento prescrito incorretamente ou administração de medicamento não prescrito; Hora de administração incorreta; Falha nos equipamentos de administração. 17

Estratégias de Prevenção- Administração (1) Implementar os certos ; 18

Estratégias de Prevenção- Administração (2) Implementar sistema de deteção de doentes com alergias conhecidas (sistema de alerta no programa de prescrição eletrónica, pulseira identificativa); 19

Estratégias de Prevenção- Administração (3) Disponibilizar local adequado para preparação e manipulação de medicamentos; Se prescrição incompleta ou dúbia, esclarecer antes da administração; Instituir a prática da dupla confirmação dos cálculos de diluição e administração de medicamentos; 20

Estratégias de Prevenção- Administração (4) Disponibilizar acesso fácil a informações atualizadas e idóneas sobre medicamentos; Implementar o uso de código de barras, que permita a dupla conferência automática; Não utilizar abreviaturas, acrónimos e símbolos; 21

Estratégias de Prevenção- Administração (5) Seguir protocolos de administração; Preparar o medicamento imediatamente antes da sua administração; Nunca deixar medicação junto dos doentes não identificada; Utilizar rótulos nos medicamentos preparados. 22

Estratégias de Prevenção- Administração (6) Registar corretamente a administração do medicamento e imediatamente após a sua execução; Estabelecer meios de comunicação eficazes entre os vários elementos da equipa; 23

Estratégias de Prevenção- Administração (7) Alteração do horário de administração relatar omissão no processo do doente; Utilizar instrumentos de medida padrão (seringas milimétricas e copos graduados); Nunca utilizar seringas de administração IV para administração de soluções orais. 24

Estratégias de Prevenção- Administração (8) Identificar corretamente os medicamentos preparados; Conhecer o funcionamento dos equipamentos de administração de medicamentos e os seus constrangimentos (bombas e seringas de infusão); 25

Estratégias de Prevenção- Administração (9) Padronizar armazenamento adequado, estruturado e com identificação completa e clara de todos os medicamentos utilizados (especial atenção Medicamentos de Alto Risco M.A.R.); - Cloreto de potássio injetável - Cloreto de sódio hipertónico injetável (> 0,9%) -Sulfato de magnésio 50% injetável - Fosfato mono/dipotássico injetável - Amiodarona injetável -Opióides - Cloreto de cálcio 10% 26

Estratégias de Prevenção- Administração (10) Segregar ampolas/frascos de M.A.R: armazená-los em local resguardado e com etiquetas de alerta; Incorporar alertas de segurança nos sistemas informáticos de prescrição e dispensa; 27

Quando Ocorre o Erro Facultar ao doente, sempre que necessário, terapêutica corretiva; Contactar imediatamente o médico assistente, enfermeiro e farmacêutico; Documentar e registar o erro imediatamente (SNIEA no GGR); Tratamento da notificação GGR. 28

Conclusão Instituir uma cultura de segurança e não uma cultura de punição; As organizações e os profissionais de saúde devem ser encorajados a participar em sistemas voluntários de comunicação de erros; Identificar pontos críticos dos processos e direcionar os programas de prevenção. 29

Obrigada 30