Estudos Mistos Estudos de Avaliação

Documentos relacionados
UNIVERSIDADE LUSÍADA DE LISBOA. Programa da Unidade Curricular MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO EM PSICOLOGIA CLÍNICA Ano Lectivo 2013/2014

ESTUDOS CORRELACIONAIS E ESTUDOS CAUSAL-COMPARATIVOS. Ana Henriques Carla Neves Idália Pesquita Mestrado em Educação Didáctica da Matemática

Estilo de Investigação: Survey (sondagem) Survey. Ana Melim Ana Rodrigues Ana Veiga Paula Costa. DEFCUL - Metodologia de Investigação I /2005

Observar (lat observare) vtd 2 Estudar, examinar, olhar com atenção, pesquisar minuciosamente. Bento, Maio de 2009

Formação continuada de educadores de infância Contributos para a implementação do trabalho experimental de ciências com crianças em idade pré-escolar

Investigação em Educação

Carla Tavares Dulce Martins Mestrado em Educação Formação Pessoal e Social. Metodologia da Investigação 2004/ DEFCUL

Mestrado em Educação Área de Especialização: Didáctica da Matemática Metodologia da Investigação I. A Entrevista

DEPARTAMENTO CURRICULAR: MATEMÁTICA E CIÊNCIAS EXPERIMENTAIS

Metodologia de Investigação Educacional

APRESENTAÇÃO. Metodologia da Investigação Científica. Documento de Apoio às aulas presenciais Documento de Apoio às aulas presenciais

O PROCESSO DE ORIENTAÇÃO DE UMA MONOGRAFIA GUIA PARA OS ORIENTADORES DE TCC DO CIS

Plano de Seminários TC I Prof. Marcos Procópio

Metodologia de Dissertação II. Renata Lèbre La Rovere IE/UFRJ

Plano de Seminários TC I Prof. Marcos Procópio

ESTILOS DE INVESTIGAÇÃO: ESTUDOS QUASI-EXPERIMENTAIS. José Abílio Gonçalves Maria Teresa Nunes Mestrado em Educação Didáctica das Ciências.

O FEEDBACK ESCRITO: COMO UTILIZAR OS NOSSOS INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DE FORMA FORMATIVA E REGULADORA

CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA CIENTÍFICA. Prof. Renato Fernandes Universidade Regional do Cariri URCA Curso de Tecnologia da Construção Civil

UNIVERSIDADE LUSÍADA DE LISBOA. Programa da Unidade Curricular ANÁLISE DE DADOS QUANTITATIVOS E QUALITATIVOS Ano Lectivo 2017/2018

A Entrevista Como método de recolha de dados em Investigação em Educação

NATÉRCIA MENEZES ORIENTAÇÃO: LUÍS BORGES GOUVEIA

Aprender a Observar...Observando!

PARTE I Os enfoques quantitativo e qualitativo na pesquisa científica

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE CORUCHE

O que é pesquisa? inquietações, ou para um problema;

Investigação em Educação

O trabalho de projecto e a relação dos alunos com a Matemática

METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA

ÍNDICE GERAL INTRODUÇÃO CAPÍTULO 1 (RE) PENSANDO A ESCOLA COM AS NOVAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E

Métodos quasi-experimentais

Investigação em Educação

Critérios Gerais de Avaliação. 1.º Ciclo 2016/2017

CENTRO de SAÚDE de SANTA MARIA da FEIRA PROJECTO. COM PESO e MEDIDA. Enfermeira. Lara F. C. Monteiro

M e t o d o l o g i a de I n v e s t i g a ç ã o I

JOÃO MANUEL FREIXO RODRIGUES LEITE O MÉTODO DA CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO: O MÉTODO QUADRIPOLAR

ANÁLISE DE DOCUMENTOS

CURSO DE MESTRADO CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO PESQUISA EM EDUCAÇÃO

Critérios de Credibilidade da Investigação Científica (em Educação)

Escola Superior de Educação Instituto Politécnico de Bragança. Resultados de Aprendizagem e Competências

Plano de Estudos. Escola: Instituto de Investigação e Formação Avançada Grau: Programa de Doutoramento Curso: Ciências da Educação (cód.

Como elaborar um relatório

Capítulo 1 Conceitos de Marketing e Marketing Research

Aula 5 Tipos de Pesquisas

Módulo A Aspectos gerais de Metodologia de Investigação

Pág. INTRODUÇÃO Problema e questões de investigação. 1 Pertinência e significado da investigação.. 2 Organização e apresentação da investigação.

Geogebra- uma visita aos Programas de Matemática dos 2º e 3ºciclos

UNIVERSIDADE LUSÍADA DE LISBOA. Programa da Unidade Curricular MÉTODOS DE OBSERVAÇÃO E ENTREVISTA Ano Lectivo 2014/2015

Ensinar e aprender Estatística com o ALEA. Emília Oliveira Pedro Campos

Avaliação de Aprendizagens em Matemática Profª Doutora Leonor Santos Grupo Patrícia Martins e Ruben Mandela

Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares

3. Metodologia Definição do Problema e das Perguntas da Pesquisa

O ROBÔ AJUDA? ESTUDO DO IMPACTO DO USO DE ROBÓTICA EDUCATIVA COMO ESTRATÉGIA DE APRENDIZAGEM NA DISCIPLINA DE APLICAÇÕES INFORMÁTICAS B

Construir o Futuro (I, II, III e IV) Pinto et al. Colectiva. Crianças e Adolescentes. Variável. Nome da prova: Autor(es): Versão: Portuguesa

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE EUGÉNIO DE CASTRO. Critérios Gerais de Avaliação 1.º Ciclo 2017/2018

RELATÓRIO DE AUTO-AVALIAÇÃO Professor

INSTITUTO POLITÉCNICO DE SANTARÉM ANEXO II AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DO PESSOAL DOCENTE RELATÓRIO DE AUTO AVALIAÇÃO. Identificação do avaliado

MESTRADOS. PARTE I (Aula comum) TRABALHO FINAL DE MESTRADO Trabalho Projecto Relatório de Estágio. ISEG PROGRAMA Tópicos Principais

Métodos de Amostragem. Carla Varão Cláudia Batista Vânia Martinho

Critérios de Uniformização da Avaliação dos Alunos

Ano lectivo Comissão de Coordenação de Avaliação do Desempenho do Agrupamento de Escolas Mosteiro e Cávado.

Critérios de Avaliação. 1.º Ciclo

Método fenomenológico de investigação psicológica

Ciclo de Seminários para Docentes. 1.º Seminário: «Como orientar um Trabalho de Fim de Curso»

Dissertação de Mestrado Aceitas o desafio?

Revisão da literatura. Guilhermina Lobato Miranda

DELINEAMENTO EXPERIMENTAL [1]

Transcrição:

Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa Departamento de Educação Mestrado em Educação Áreas de Especialização: Didáctica da Matemática Didáctica das Ciências Estudos Mistos Estudos de Avaliação Carmen Salvado Elisa Mosquito Inês Bruno Marta Nogueira

Estudos Mistos

Breve História Por altura dos anos 50 interesse em misturar diferentes formas de recolha dados quantitativos Por volta dos anos 70 expansão do número de estudos que incluíam dados qualitativos e quantitativos Anos 80 interesse ao nível dos procedimentos que caracterizam os Estudos Mistos Anos 90 obra escrita sobre metodologia mista O que são Estudos Mistos? Segundo diferentes autores são estudos que combinam técnicas de pesquisa qualitativa e quantitativa.

Questões do Processo Investigativo com recurso à Metodologia Mista Onde? Qual a ordem? Em que proporções? O uso de ferramentas/técnicas é diferente? Será que o tipo de dados recolhidos indica o tipo de análise? (Rocco, 2003)

Etapas de um estudo Misto 1ª etapa - tipo de projecto a investigar -Exploratórios - Confirmatórios 2ª etapa - tipo de recolha de dados 3ª etapa - análise e inferência dos dados (Rocco, 2003)

Tipos de Estudos Mistos Métodos Múltiplos (Triangulação?) Quantitativos + Qualitativos Dados e Resultados Interpretação Dados e Resultados Processos Híbridos - Modelo Explicativo Quantitativos Dados e Resultados Quantitativos Dados e Resultados Seguidos dos - Modelo Exploratório Justificação Qualitativos Dados e Resultados Qualitativos Dados e Resultados

Vantagens: Vantagens e Desvantagens - Ajuda a encontrar o desenho do problema em estudo - Ajuda a introduzir os dados qualitativos num estudo quantitativo - Permite a integração de duas metodologias de natureza diferente em que ambas mantém as suas qualidades intrínsecas Desvantagens: - Requer treino em metodologias de natureza diferente - Incide na articulação de resultados de diferente natureza - Requer grande quantidade de tempo e envolve muitos custos - A metodologia mista não é aceite por toda a comunidade

Estrutura de um Relatório de um Estudo Misto Justificação da existência dos dois tipos de dados Procedimento de recolha dos dois tipos de dados Apresentação detalhada do desenho em estudo Descrição da sequência pela qual se recolheram os dois tipos de dados Descrição do processo de análise dos dados Escrever as conclusões

ritérios para Avaliação de um Estudo Misto O estudo aplica pelo menos um método qualitativo e um método quantitativo? Faz sentido o investigador misturar os dois tipos de dados num único estudo? As questões levantadas conduzem à recolha dos dois tipos de dados? O investigador esclarece qual é o tipo de metodologia mista utilizada? O investigador menciona a importância dada a cada um dos tipos de dados? O interesse do estudo justifica o dinheiro gasto e o tempo dispendido? Os métodos de recolha dos dois tipos de dados estão descritos com clareza? A metodologia é coerente com o tipo de estudo misto apresentado?

Tecnologias em Educação. Estudos e investigações. (2002) Comunicação no X Colóquio AFIRSE 2000, Universidade de Lisboa Clara Pereira Coutinho & José H. Serrano Chaves Totais Percentagens Experimental 31 39% Survey/levantamento 25 Quantitativos Descritivo Correlacional Ex.post facto 5 0 31 39% Psicométricos 1 Qualitativo 6 8% Mistos Avaliação Investigação-acção 1 11 14% Desenvolvimento 6 4 79 100%

Estudos de Avaliação

Estudos de Avaliação: Introdução O que são? Processos que culminam em juízos de valor acerca do mérito e do valor de determinados programas educacionais. Para que servem? Ao fornecerem dados acerca dos custos, benefícios e problemas de programas alternativos, permitem uma tomada de decisão política consciente e fundamentada.

Relação entre Estudos de Avaliação e Inicia-se por vontade Objectivo: compreender um determinado fenómeno Grau de generalização: grande (quando se pretende generalizar relações entre variáveis) Finaliza com a descoberta, com novo conhecimento Investigação Investigação Educacional Estudos de avaliação Semelhanças Metodologia: desenho da investigação, instrumentos de medida, técnicas de análise de dados Diferenças Inicia-se por necessidade Objectivo: colher informações que facilitem a tomada de decisões Grau de generalização: muito específico Finaliza com um juízo de valor

Os passos de um Estudo de Avaliação Clarificar as razões pelas quais se está a realizar o estudo Identificar os intervenientes Decidir o que é que vai ser avaliado e como - Objectivos do programa - Recursos e procedimentos - Gestão do programa Identificar as questões de avaliação Desenvolver o desenho da avaliação e um calendário Colher e analisar os dados da avaliação e discutir os seus resultados Redigir o(s) relatório(s) da avaliação

Aproximações quantitativas à Avaliação 1) Avaliação do Indivíduo 2) Avaliação baseada em Objectivos Avaliação de discrepâncias Análise de custos Objectivo comportamental Avaliação sem objectivos 3) Avaliação de necessidades 4) Modelo CIPP Context evaluation (avaliação do contexto) Input evaluation (avaliação de entradas) Process evaluation (avaliação do processo) Product evaluation (avaliação do produto)

Aproximações qualitativas à avaliação 1) Avaliação de Resposta 2) Avaliação quasi- legal Avaliação por adversidade Avaliação judicial 3) Avaliação baseada em peritos Modelo de peritagem e crítica

Erros nos Estudos Avaliativos Exploração insuficiente das razões que estão na origem do pedido da avaliação; Erro ao identificar os intervenientes ou não envolver intervenientes significativos; Erro ao avaliar todos os aspectos do programa a serem avaliados; Não estar receptivo a novas questões que surjam durante o procedimento avaliativo; Não apresentar relatórios direccionados às necessidades específicas dos diferentes grupos de intervenientes; Não considerar modelos alternativos de avaliação ao organizar/desenhar o seu estudo; Não utiliza medidas que estão directamente relacionadas com as finalidades do programa; Ignorar possíveis efeitos secundários não incluídos na apresentação formal das finalidades do programa.

Bibliografia Estudos Mistos Rocco, T., Bliss, L., Gallagher, S., & Prado, A. (2003). Taking the next Step: Mixed Methdos: Research in Orgazational Systems. Performance Journal, 21, 19-29. Lourenço, M. (1998). Contexto Regulador e Ensino das Ciências: Um estudo com crianças dos estratos sociais mais baixos. Tese de Doutoramento, Universidade de Lisboa, Departamento de Educação da Faculdade de Ciências. Nápoles, A. (2002). A Escola e a Educação Sexual uma Aposta na Formação de Professores. Tese de Mestrado, Universidade de Lisboa, Departamento de Educação da Faculdade de Ciências. Coutinho, C., & Chaves, J. (2001, Novembro). Tecnologias em Educação: Estudos e Investigações. Comunicação apresentada no X Colóquio AFIRSE 2000. Universidade de Lisboa, Lisboa.

Bibliografia Petter, S., & Gallivan, M. (2004). Toward a Framework for Classifying and a Guiding Mixed Method Research in Information Systems. Comunicação apresentada na XXXVII Conferência Internacional em System Sciences no Havai, Georgia. http://www.contemporarynurse.com/17-3p10a.php http://www.researchsupport.com.au/mmworkshop.htm http://www.aom.pace.edu/rmd/2002forum/editorial.pdf http://www.fpce.ul.pt/conferencias/afirse2000/

Bibliografia Estudos de Avaliação Gall, M., Borg, W., & Gall, J. (1999). Educational Research: An Introdution (6.ª ed.). USA: Longman Publishers. Mertens, D. (1998). Research Methods in Education and Psychology. USA: Sage Publications. http://www.pisa.oecd.org/docs/download/executivesummarypisaplus.pdf http://timss.bc.edu/timss2003.html