Jeferson_Gonzalez. Resumo do Livro:

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Transcrição:

Resumo do Livro: ECHEVERRÍA, M. P. P.; POZO, J. I. Aprender a resolver problemas e resolver problemas para aprender. In: POZO, J. I. (Org.). A solução de problemas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. Introdução: a solução de problemas como conteúdo da educação básica Durante a execução da ação docente os professores aprendem que os problemas colocados por eles para os alunos em sala de aula diferenciam-se dos problemas que eles se deparam fora do ambiente escolar. Neste sentido, o que pode ser um problema significativo para um, pode ser entendido como algo trivial ou até mesmo carecer de sentido para o outro. A partir desta reflexão, o objetivo da Educação Básica é fazer como que os alunos não apenas coloquem determinados problemas, mas que principalmente, saibam resolvê-los. Ressalta-se que no final da Educação Básica o aluno deve ter adquirido as habilidades de elaborar e desenvolver estratégias pessoais de identificação e solução de problemas nas principais áreas de conhecimentos por meio de hábitos de raciocínio objetivo, sistemático e rigoroso, e que aplique espontaneamente estas habilidades de resoluções de problemas em situações da vida cotidiana. Entende-se que a solução de problemas deveria constituir enquanto um conteúdo necessário das diversas áreas do currículo obrigatório. Assim, os alunos estariam aptos para buscarem de estratégias apropriadas para resoluções de problemas, não dando somente respostas adequadas aos problemas escolares, mas também aos problemas que se deparam na realidade cotidiana. Ensinar os alunos a resolver problemas não significa somente dotar o aluno de habilidades e estratégias eficazes para lidar com questões matemáticas, significa também criar nestes alunos hábitos e atitudes de enfrentar a aprendizagem como um problema para o qual deve ser encontrada uma resposta. Apreender a resolver problemas não é uma questão apenas de se ensinar a resolver os problemas, mas também de ensinar a propor os problemas para si mesmo e a transformar a realidade em um problema que mereça ser indagado, questionado, estudado e resolvido, pois o verdadeiro objetivo da aprendizagem da solução dos

problemas é fazer com que os alunos adquiram o hábito de proporem-se problemas e resolvê-los como forma de aprender. Do exercício ao problema Por meio do exemplo de que consertar um circuito elétrico é um simples exercício para algumas pessoas, enquanto para outras é um problema bastante complexo e trabalhoso, surge à necessidade de distinção entre exercício e problemas. O exercício e o problema relacionam-se com o contexto da tarefa em que o aluno enfrenta. Podemos resumir a realização de um exercício à habilidades e técnicas foram apreendidas pelo aluno, as quais ele utiliza para a execução do problema. Durante a execução de um problema que desconhecemos a sua resolução, buscamos técnicas e procedimento que já dominamos para resolução do mesmo, ou seja, um problema que apresenta uma situação inédita requer a utilização de estratégias e técnicas já apreendidas. Ao resolver por diversas vezes um mesmo problema, este se tornará para o aluno um exercício. Assim, não é possível determinar se uma tarefa dada pelo professor em aula pode ser considerada um exercício ou um problema, pois isto depende da experiência e dos conhecimentos prévios dos alunos, assim como, dos objetivos que se estabelecem durante a realização tarefa. O exercício permite consolidar habilidades e instrumentos básicos, mas isto não pode ser confundido com a idéia que a soluções de problemas exige o uso de estratégias a serem seguidas. O que se procura apontar é o fato que se um problema é repetitivamente resolvido, acaba por tornar-se um exercício. Com isto, chama-se atenção dos professores para o fato de que em sala de aula deve existir uma distinção entre exercícios e problemas, pois é necessário que fique claro aos alunos que as tarefas não deve se resumir a exercícios repetitivos e sim ativação dos diversos tipos de conhecimentos que envolvem diferentes atitudes, motivações e conceitos. As técnicas sobreaprendidas, ou seja, as técnicas já apreendidas pelos alunos devem ser constituídas enquanto meio, recurso instrumental necessário, mas não suficiente, para alcançar soluções. Para a resolução dos problemas não caírem no automático é necessário indagar

sobre como os alunos resolvem os problemas, caso contrário, sempre estaremos diante de exemplos como o menino que sabe andar de bicicleta, mas não consegue explicar ao seu colega como se equilibrar sobre a mesma. As indagações sobre como resolver os problemas auxiliam os alunos a compreenderem melhor os processos que estão envolvidos na solução dos problemas. Não faz sentido falarmos em ensinar a resolver problemas, mas sim tratar os problemas em cada uma das áreas necessárias. O mais importante é incluirmos as soluções de problemas enquanto parte do currículo escolar. As soluções dos problemas como uma habilidade geral Existem inúmeras formas de se resolver problemas heterogêneos, mas que por trás da forma faz-se necessário estabelecer uma série de raciocínios e de habilidades comuns. Assim, maneiras diversas de resolução de problemas não se relacionam às diferenças de capacidades e sim a diferença na aprendizagem das pessoas que os resolvem. Tipos de Problemas Deparamo-nos com inúmeras classificações de possíveis estruturas dos problemas, sendo elas tanto em função da área as quais pertencem os conteúdos dos problemas, assim como, os tipos de operação e processos necessários para resolvê-los. Um fator que dificulta a resolução dos problemas é a má estruturação do mesmo, ou seja, quando o ponto de partida encontra-se obscuro ou quando as normas que estipulam os passos necessários à resolução não se encontram bem formulados. Presentes ou não estes fatores que dificultam a resolução, faz-se necessário que a resolução de qualquer problema acompanhe alguns requisitos básicos como prestar atenção em todos os elementos fornecidos, recordar alguns conhecimentos prévios e relacionar entre si certos elementos. Na maioria dos problemas estes elementos fazem parte de habilidades necessárias que nos levarão a resultados.

Passos para a solução de um problema Para se resolver um problema é necessário estabelecer uma disposição para alcançar sua resposta. Sendo necessário também estabelecer alguns passos como compreender o problema, conceber um plano para resolvê-lo executar o plano estabelecido e ter uma visão retrospectiva sobre o que se fez, como é o que foi alcançado. Existem algumas técnicas que ajudam na resolução de problemas como realizar perguntas do tipo: O que entendi e não entendi relacionado ao enunciado do problema Qual a dificuldade do problema? Qual a meta? Quais dados utilizados como ponto de partido? Como concretizar o problema utilizando exemplos? Como agir quando o problema é muito específico? Procedimento como realizar tentativas por meio de ensaio ou erro, dividir o problema em subproblemas, procurar problemas análogos e ir do conhecido para o desconhecido também fazem parte da resolução dos problemas. Estes são alguns exemplos que mostram que a solução dos problemas se baseia em um processo relativamente geral e independente do conteúdo que devem ser ensinados aos alunos, pois fazem parte de habilidades e estratégias necessárias para alcançarmos alguns resultados. A solução dos problemas como um processo específico: diferenças entre especialistas e principiantes A regra do bom pensar exclusivamente não garante a resolução do problema se não estivermos acompanhados de um conhecimento contextual específico. Assim, a maior eficiência na solução de um problema pelos especialistas não seria devido a uma maior capacidade cognitiva do sujeito e sim pelos seus conhecimentos específicos. Para resolver os problemas é necessário que o treinamento técnico seja complementado por um conhecimento estratégico que possibilite a utilização das técnicas de modo deliberativo nos contextos das tarefas, ou seja, no contexto dos problemas. A eficiência

na solução dos problemas depende muito da disponibilidade e da ativação de conhecimentos conceituais adequados. Para tanto, defende-se que os alunos devem adquirir uma perícia específica em diversas áreas do currículo, pois assim, eles conseguirão resolver com eficiências os problemas surgidos. As estratégias pessoais de especialistas e principiantes e as especificidades das áreas de conhecimento A superioridade dos especialistas em resolver problemas relaciona-se à diferente maneira com que eles se relacionam com os mesmos, ou seja, eles adotam estratégias diferentes de resoluções comparadas com as dos principiantes. O domínio de alguns procedimentos está condicionado pelos conteúdos conceituais das tarefas aos quais são aplicados, necessitando estabelecer uma grande conexão entre aquisição, reestruturação dos conceitos e soluções dos problemas, ou seja, entre conhecimentos procedimentais e declarativos no desempenho de especialistas comparado com o de principiantes. O treinamento enquanto estratégia de resolução de problemas específicos para cada área do currículo relaciona-se às formas de raciocínio, com procedimentos adotados e ao tratamento com as informações. A aquisição de hábitos do raciocínio objetivo Atualmente modelos de raciocínio formal e lógico são substituídos por modelos de racionalidade pragmática, na qual o bom pensar está vinculado ao contexto e pelas as metas estabelecidas e buscadas durante o processo de solução dos problemas, deixando de lado concepções que estabelecem formas universais do bom pensar. A psicologia do raciocínio trabalha com a racionalidade pragmática, intuitiva (conhecida também como procedimentos heurísticos), levando o aluno a estabelecer novas formas de raciocinar, de pensar. Isto gera uma contraposição entre o raciocínio cotidiano e cientifico, porém ressalta-se que a melhor forma de se resolver um problema encontra-se oriundo em critérios pragmáticos, ligados à vida dos alunos.

A transferência para a solução de problemas cotidianos A transferência de um conhecimento adquirido para um novo contexto ou domínio constitui-se um entrave. Isto decorre do trabalho escolar segregado do cotidiano do aluno. Transferir uma habilidade ou um conhecimento adquirido em aula para um contexto mais informal é uma tarefa que exige maior semelhança entre o contexto de aprendizagem e o contexto vivenciado pelo aluno, ou seja, o contexto o qual será aplicado à transferência. É necessário que ocorra a transferência do uso técnico do conhecimento para seu uso estratégico, ou seja, é necessário que o aluno apreenda a solucionar problemas que possam ter utilidade em seu dia-a-dia. Para tanto, é necessário rompermos com soluções de problemas que treinamos alunos para as soluções prontas, construindo um processo de aprendizagem que os envolva de forma significativa nas resoluções de problemas. Jeferson Gonzalez é Pedagogo (FFCLRP/USP), Especialista em EaD (Faculdade Interativa COC) e Mestrando em Educação (FE/UNICAMP). Professor na educação básica (Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto) e no ensino superior (Faculdade Filadélfia).