STOCK OPTION PLANS. Maio de 2015



Documentos relacionados
Planos de Opções de Compra de Ações Aspectos Tributários

ENECONT GERSON STOCCO DE SIQUEIRA

Multas e pagamentos baseados em ações

Júlio M. de Oliveira Mestre e doutor PUC/SP

Entendimento do CARF sobre a Incidência da Contribuição Previdenciária

Tributação nos Planos de Participação nos Lucros e Resultados, Stock Options, Hiring e Retainer Fee. Elidie Palma Bifano

Stock Optionse HiringBonus: sua tributação e a incidência de contribuições da seguridade social. Carla de Lourdes Gonçalves Mestre e doutora PUC/SP

MARISOL S.A. Companhia Aberta - CVM n 8486 CNPJ n / NIRE REGULAMENTO DO PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES

Conhecimentos Bancários. Item Mercado de Capitais

COMPANHIA PROVIDÊNCIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO Companhia Aberta. CNPJ/MF n / NIRE

Programa de Participação dos Empregados em Lucros ou Resultados

MARCOPOLO S.A. CNPJ Nº / NIRE PLANO DE OUTORGA DE OPÇÃO DE COMPRA OU SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES - REGULAMENTO -

A Questão da Incidência de Contribuições Previdenciárias sobre Parcelas Pagas a Título de Stock Options e de Hiring Bonus.

PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES DA GENERAL SHOPPING BRASIL S.A CNPJ/MF nº / NIRE

Plano de Outorga de Opção de Compra de Ações PLANO EXECUTIVO

PLANO DE OUTORGA DE OPÇÃO DE COMPRA OU SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES DA CAMBUCI S.A. CAPÍTULO I DOS OBJETIVOS

Anexo I à Ata de Assembléia Geral Extraordinária da Globex Utilidades S.A. realizada em 04 de janeiro de 2008

PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES DA LINX S.A.

PLANO DE OUTORGA DE OPÇÃO DE COMPRA OU SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES DA NATURA COSMÉTICOS S.A. ANO CALENDÁRIO DE 2010

PLANO GERAL PARA A OUTORGA DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES DA COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO AÇÕES COM AÇÚCAR

Título: Tributação nos Planos de Participação nos Lucros e Resultados, Stock Option, Hiring Bônus, Retainer Fee OSWALDO OTHON DE PONTES SARAIVA FILHO

Parecer Consultoria Tributária Segmentos Tipo M - Mudança de regime juridico estatutario

NO RADAR DA FISCALIZAÇÃO

COMO INVESTIR NO MERCADO A TERMO MERCADOS

Incidência de contribuição previdenciária e IRPF nos Planos de Stock Option

BANCO DO BRASIL. Profº Agenor paulino Trindade

PROGRAMA DE PROTEÇÃO AO EMPREGO ABRIL DE 2015

EVEN CONSTRUTORA E INCORPORADORA S.A.

BRASILAGRO COMPANHIA BRASILEIRA DE PROPRIEDADES AGRÍCOLAS CNPJ/MF n.º /

PLANO DE OPÇÕES DE COMPRA DE AÇÕES DA WEG S.A.

Plano de Outorga de Opção de Compra de Ações

GESTÃO DE INCENTIVO DE LONGO PRAZO NO BRASIL

GESTOR DA CARTEIRA DE INVESTIMENTO

T4F ENTRETENIMENTO S.A. CNPJ/MF N.º /

Empresas de Capital Fechado, ou companhias fechadas, são aquelas que não podem negociar valores mobiliários no mercado.

Anexo I da ata de Assembleia Geral Extraordinária da RUMO LOGÍSTICA OPERADORA MULTIMODAL S.A., realizada em 24 de abril de 2015.

Programa de Proteção ao Emprego (PPE) MP/ASSEC

Os dados apresentados na exposição de motivos demonstravam que:

LÂMINA DE INFORMAÇÕES ESSENCIAIS SOBRE O VIDA FELIZ FUNDO DE INVESTIMENTO EM AÇÕES CNPJ / OUTUBRO/2015

BANCO ITAÚ S.A. CNPJ /

Cotas de Fundos de Investimento em Participações - FIP

PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES RESTRITAS

Programa de Proteção ao Emprego PPE. Definição de regimento, critérios de adesão e funcionamento

PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES DA INTERNATIONAL MEAL COMPANY ALIMENTAÇÃO S.A. CNPJ/MF: / NIRE:

POLÍTICA DE NEGOCIAÇÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS DE EMISSÃO DA VIVER INCORPORADORA E CONSTRUTORA S.A.

LÂMINA DE INFORMAÇÕES ESSENCIAIS SOBRE O SPINELLI FUNDO DE INVESTIMENTO EM AÇÕES CNPJ / SETEMBRO/2015

GOL LINHAS AÉREAS INTELIGENTES S.A. C.N.P.J./M.F. n.º / N.I.R.E

PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES

Política de Exercício de Direito de Voto em Assembléias

MERCADO À VISTA. As ações, ordinárias ou preferenciais, são sempre nominativas, originando-se do fato a notação ON ou PN depois do nome da empresa.

SÃO CARLOS EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A. CNPJ/MF N / NIRE

ACORDO COLETIVO DE TRABALHO 2014

Letras Financeiras - LF

INSTRUÇÃO CVM Nº 565, DE 15 DE JUNHO DE 2015

Está em vigor a Medida Provisória n. 680, de 6 de julho de 2015, que institui o Programa de Proteção ao Emprego.

PROGRAMA DE PROTEÇÃO AO EMPREGO (PPE)

PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES II

BRASIL BROKERS PARTICIPAÇÕES S.A. CNPJ/MF nº / NIRE PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES

Política de Exercício de Direito de Voto em Assembleias Março / 2014

O VALOR DO CONTROLE PARTE 2

LISGRÁFICA IMPRESSÃO E ARTES GRÁFICAS, S.A. ( ) PROPOSTA RELATIVA AO PONTO 8 DA ORDEM DE TRABALHOS

Fundos de Investimento Imobiliário Workshop para jornalistas. Nov 2011

MANUAL DE INSTRUÇÃO PARA DIVULGAÇÃO DE ATOS OU FATOS RELEVANTES

COMPRAR E VENDER AÇÕES MERCADO A VISTA

Anexo I TECNISA S.A. CNPJ/MF N.º / PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES

CONTAX PARTICIPAÇÕES S.A. Companhia Aberta CNPJ/MF nº /

MANUAL DO PGMEI. 1 Introdução. 1.1 Apresentação do Programa

REGULAMENTO SOBRE REMUNERAÇÃO VARIÁVEL DE CURTO E MÉDIO PRAZO ZON OPTIMUS, SGPS, S.A. ( Sociedade ) Artigo 1º. (Objeto e Objetivos)

Aplicação de recursos

PLANO DE OPÇÕES DE AÇÕES A FUNCIONÁRIOS BRF S.A.

Diretrizes de Governança Corporativa

AULA 4 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DE AÇOES

Tributação. Mercado de Derivativos, Fundos e Clubes de Investimentos, POP e Principais Perguntas

REGIMENTO INTERNO DO COMITÊ DE PESSOAS DE LOJAS RENNER S.A. Capítulo I Dos Objetivos

9) Política de Investimentos

( ZON Optimus ou Sociedade ) Assembleia Geral Anual de 23 de abril de 2014

COMPRAR E VENDER AÇÕES MERCADO A VISTA

ANEXO I à Ata da Assembléia Geral Extraordinária da RENOVA ENERGIA S.A., de 18 de janeiro de 2010

PLANO PARA OUTORGA DE OPÇÕES DE AÇÕES (aprovado pela Assembleia Geral Extraordinária de )

O QUE É A CVM? II - a negociação e intermediação no mercado de valores mobiliários;

RESOLUÇÃO Nº 4.263, DE 05 DE SETEMBRO DE 2013 Dispõe sobre as condições de emissão de Certificado de Operações Estruturadas (COE) pelas instituições

PROJETO DE LEI Nº de 2007 (Da Deputada Luiza Erundina)

MODELO PARA ENVIO DE CONTRIBUIÇÕES REFERENTE À AUDIÊNCIA PÚBLICA Nº 42 / 2009

Deveres e Responsabilidades dos Membros do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal. Os Deveres dos Conselheiros na Instrução CVM nº 358/02

Curso Preparatório CPA20

Transcrição:

STOCK OPTION PLANS Maio de 2015

CONCEITO E OBJETIVO: Opção de compra ou subscrição de ações: Outorga de opções de compra ou subscrição de ações de acordo com critérios pré-estabelecidos; e ganho financeiro para o empregado/executivo quando se verificar a valorização das ações de sua empregadora em determinado período de tempo. Objetivo: alinhamento de interesses com os acionistas = engajamento dos empregados como sócios do empreendimento, interessados diretamente na valorização das ações da empresa. 1

BASE LEGAL: Artigo 168, 3º, da Lei das S.A.: O estatuto pode prever que a companhia, dentro do limite de capital autorizado, e de acordo com plano aprovado pela assembleiageral, outorgue opção de compra de ações a seus administradores ou empregados, ou a pessoas naturais que prestem serviços à companhia ou a sociedade sob seu controle. O texto da lei se refere apenas à compra, o que sugere que a opção seria apenas para a aquisição de ações já emitidas, mas o entendimento pacífico atual é o de que abrange também a subscrição de novas ações. Artigos 166, III, e 171, 3º, também da Lei das S.A., tratam do aumento de capital, e da exclusão do direito de preferência dos demais acionistas, na hipótese de exercício da opção. 2

FUNDAMENTOS DO INSTITUTO E ANÁLISE ECONÔMICA: A opção de compra ou subscrição de ações se insere no contexto lógico da Lei das S.A. que é o de promover e resguardar o interesse maior da companhia, que é o interesse econômico de gerar lucros para os seus acionistas. Os planos de opção de compra de ações buscam promover o alinhamento de interesses entre acionistas e empregados/executivos: risco x ganho. Contrapartida pelo esforço gerador de bons resultados, com a consequente retenção de talentos. Objeto de obter a valorização das ações no mercado. 3

CARACTERÍSTICAS: Natureza de contrato preliminar. Prazo de Carência (Vesting Period): lapso temporal dentro do qual as opções de compra de ações não poderão ser exercidas; são consideradas não maduras (not vested). Prazo de Validade: limite temporal para que o empregado possa exercer seu direito de opção de compra de ações. Ultrapassado tal prazo, perece seu direito e este nada terá a reclamar em relação às opções não exercidas. Opção é pessoal e intransferível: diferentemente do bônus de subscrição, que é valor mobiliário e portanto dotado de circularidade. Tipos de Stock Option: com desembolso do valor de compra pelo empregado (com ou sem desconto); e sem desembolso do valor de compra (phantom stock option). 4

TIPOS DE STOCK OPTION: Stock Option em Sentido Estrito: Efetiva compra e venda de ações. O empregado realmente participa de um plano de stock option, podendo ser da empregadora ou de uma empresa do mesmo grupo econômico daquela na qual presta serviços. Phantom Stock Option: exercício fictício da opção de compra de ações. Cálculo matemático, com o pagamento do valor equivalente ao benefício como uma gratificação ou mesmo como participação nos lucros e resultados da empresa. o empregado não chega a se tornar proprietário das ações. O pagamento equivale à valorização de um lote de ações, que serve, assim, como mero indexador. 5

PREÇO DE EXERCÍCIO: Fixação inicial do preço de exercício (strike price) para as opções onerosas deve ter em conta, no caso das companhias listadas, o valor de mercado das ações, e o benefício estimado com a valorização das ações entre o momento da outorga e o início do período de exercício. Há casos em que: (a) se outorga descontos no preço de emissão; (b) se permite a utilização de eventual bônus a que o empregado/executivo faria jus para que adquira mais ações da companhia; ou (c) há desconto progressivo sobre o preço de exercício na hipótese de atingimentos de metas superiores. Em qualquer caso, há de se manter uma relação entre o resultado da companhia e a outorga da opção, não podendo o plano constituir mera liberalidade Instrução CVM 323/200. 6

PREÇO DE VENDA: Definido a mercado. Ganho dependerá da valorização das ações contra o preço de compra pré-estabelecido. Se o mercado estiver em baixa, a opção pode ficar abaixo da linha d água. Nas companhias fechadas, as outorgas são geralmente para aquelas que almejam se tornar públicas, o que permitirá ao beneficiário da opção sair no evento de liquidez, geralmente logo no IPO. 7

APROVAÇÃO DO PLANO: Necessidade de aprovação do plano pela assembleia geral conforme artigo 168, 3º, da Lei das S.A. Possibilidade de delegar a outro órgão societário (em geral o Conselho ou um comitê específico) a tomada de decisões dentro da estrutura do plano. Se o plano envolver a subscrição de novas ações, necessidade de previsão estatutária de capital autorizado; se o plano envolver a negociação privada com ações em tesouraria, necessário observar as normas específicas da CVM sobre o tema, em se tratando de companhia aberta (Instrução CVM 10/80). Entendimento da CVM de que as opções integram a remuneração dos administradores (e, portanto, devem ter seu valor aprovado em assembleia Geral). 8

ESTRUTURA DO PLANO: O plano deve conter as diretrizes mestras para a outorga das opções e funcionamento geral, e deve permitir flexibilidade para que o órgão administrador possa aplicá-lo no caso concreto da forma mais eficiente possível. Em geral, as principais cláusulas do plano são: Cláusulas gerais sobre a administração do plano; Critérios gerais sobre a fixação do preço de exercício; e Percentual ou número máximo de ações a serem emitidas e consequente diluição máxima do acionista. A adesão ao programa de opções se dá normalmente pela assinatura de um contrato ou termo de adesão. 9

REGRAS APÓS O EXERCÍCIO / HIPÓTESE DE DESLIGAMENTO: Possibilidade de instituição de lock-up: Período de vedação de negociação das ações adquiridas. Liberação antecipada em situações excepcionais. Desligamento durante o Vesting Period: Plano pode prever regras aplicáveis à perda do direito dos executivos que se desligarem ou forem demitidos por justa causa durante o Vesting Period (mera expectativa de direito). Desligamento após o Vesting Period: Maior dificuldade de restringir o direito dos executivos que se desligarem após o Vesting Period (opção já conferida e, eventualmente, exercida). Planos em geral preveem à perda do direito apenas na hipótese de demissão por justa causa. Claw back: Instituto implementado por uma série de companhias no exterior após a crise de 2008. 10

PRINCIPAIS QUESTÕES JURIDICAS: Tributário: Tributação diferenciada = 15% no ganho de capital auferido com a venda das ações. Trabalhista: Discussão quanto à integração ao salário (caráter aleatório do benefício). Natureza remuneratória x natureza mercantil / opção onerosa x opção não onerosa (doação de caráter remuneratório). Elementos que sustentam a natureza mercantil: presença de fatores aleatórios (valorização da ação) e negociação no mercado afastariam a natureza salarial. Previdenciário: Discussão quanto à incidência de encargos na folha (INSS e FGTS). 11

PRINCIPAIS PRECEDENTES: Para determinar se o mecanismo de stock options é uma complementação à remuneração (sendo portanto devida a contribuição previdenciária sobre eventual ganho auferido pelo empregado), o CARF avalia se o mecanismo é facultativo aos empregados, a existência de efetiva carência, se há onerosidade (desembolso do preço de exercício) e se o adquirente tem risco com a operação (oscilação do preço da ação). Houve algumas decisões desfavoráveis no CARF aos contribuintes GAFISA, ALL, Anhanguera Educacional e Cosan. BRF, Itaú Unibanco e BMF Bovespa tiveram decisões favoráveis, onde se entendeu que os valores auferidos pelos empregados se tratavam de ganhos de capital e não de remuneração pelo trabalho. No caso da BRF um dos elementos que pesou em favor da cia foi o fato de que o valor pago pelo empregado na aquisição da ação não era muito inferior ao de mercado ou que tivesse o mercado como referência. 12

PRINCIPAIS RISCOS: Incentivo à manipulação de resultado para elevar a cotação das ações lições da crise de 2008. Incentivo à busca de resultados de curto prazo, independente dos riscos e efeitos de longo prazo. Rápida perda da capacidade de retenção dos principais executivos, na hipótese de baixa valorização das ações em bolsa. 13

OBRIGADO! Marcos Medeiros Coelho da Rocha