TEORIAS DA APRENDIZAGEM

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TEORIAS DA APRENDIZAGEM Professora Mônica Caetano Vieira da Silva

UNIDADE DE ESTUDO 08 HENRI WALLONS E A PSICOGÊNESE DA PESSOA Henri Wallon nasceu na França em 1879. Dedicou-se ao estudo da medicina, filosofia e psicologia. Atuou em instituições psiquiátricas como médico e foi a partir de estudos sobre psicopatias que Wallon iniciou os seus estudos sobre o desenvolvimento da criança. Para Wallon, o desenvolvimento da criança constitui-se no encontro das condições genéticas dela com suas condições de existência cotidiana, de uma determinada sociedade, cultura e época (NOGUEIRA e LEAL, p. 107), portanto compreende-se que o desenvolvimento ocorre na interação de predisposições genéticas com os fatores do ambiente. A teoria de Wallon preocupa-se com a totalidade do indivíduo, ou seja, considera o indivíduo nos seus aspectos motor, afetivo, cognitivo e social. Estes aspectos precisam ser considerados como representações de uma totalidade. Para este estudioso, os fatores orgânicos são os responsáveis pela forma como ocorre o desenvolvimento, porém é o meio social que favorece seu progresso. Isso significa que o simples amadurecimento biológico não é capaz sozinho, de determinar o curso do desenvolvimento humano. Esse desenvolvimento não é linear e tampouco contínuo; ocorre de forma progressiva, com rupturas e retrocessos, o que ele chamou de conflito. (RACY, 2010, p.52). 01 Os estágios de desenvolvimento, segundo Wallon, são: impulsivo emocional, sensório motor e projetivo, personalismo, categorial e adolescência. Em cada estágio de desenvolvimento temos a predominância de um ou mais campos funcionais, como por exemplo, no estágio categorial predomina o campo funcional inteligência (conjunto cognitivo), enquanto no estágio personalismo predomina a emoção (conjunto afetivo) e no estágio impulsivo-emocional há maior predominância do movimento e das emoções (conjunto motor e afetivo).

Em relação ao conjunto afetivo, Wallon destaca as emoções ao considerar que estas correspondem a primeira manifestação afetiva da criança e que possibilitam a interação da criança com o meio. O conjunto motor, está presente em todas as idades e apresenta a dimensão expressiva (postura corporal, gestos) e a instrumental (ação sobre o meio físico). Ao apresentar o conjunto intelectual, Wallon destaca o pensamento sincrético próprio da criança e o pensamento categorial. Ao conversar com crianças pequenas, é comum ouvir frases curiosas. Se você pergunta, por exemplo, por que a Lua aparece à noite, uma responde que "ela queria sempre estar de dia, mas brigou com o Sol", outra diz que "as estrelas resolveram quem ficava de dia e quem ficava de noite" e assim por diante. Esse jeito de pensar, que por vezes parece não ter lógica para os mais crescidos, é chamado de pensamento sincrético e é natural da infância. (SALLA, 2011, p. 98) O pensamento categorial ocorre, segundo Nogueira e Leal (2012, p. 134), quando a criança posiciona-se no mundo utilizando-se de categorias para ordenar a realidade. Este pensamento surge entre os 9 e 11 anos de idade da criança. Em relação à pessoa, Wallon destaca que a formação do EU ocorre a partir do outro, pois no momento em que a criança, por exemplo, começa a apresentar oposição, ou seja, ao negar o outro, ela começa a descobrir a si mesma. As contribuições de Wallon para o entendimento do desenvolvimento humano são inúmeras. Para melhor compreendê-las é necessário reconhecer as características principais de cada estágio do desenvolvimento. 02 Por Wallon acreditar que o desenvolvimento da criança é marcado por contradições e conflitos, resultantes da maturação orgânica e das condições ambientais [...], seus estudos mostram que em cada idade existe um tipo próprio de interação entre a criança e o seu meio e, assim, as etapas do desenvolvimento possuem um ritmo descontínuo, marcado por rupturas, retrocessos e reviravoltas que provocarão mudanças em cada etapa da vida. (NOGUEIRA e LEAL, 2012, p.126).

ESPECIFICIDADES DOS ESTÁGIOS: Estágio impulsivo-emocional (nascimento até 1 ano) Neste estágio o bebê precisa do adulto para sobreviver, não se percebe como um ser individual, não consegue diferenciar o eu e o outro. O desenvolvimento envolve questões motoras e emocionais, além de estar voltado para a construção do eu. Os adultos, segundo Nogueira e Leal (2012, p.127), cercam a criança de reações de cunho afetivo e de natureza emocional, que levam respostas às necessidades da criança, assim como estabelecem paulatinamente a interação da criança com o meio externo. A criança vai receber do meio respostas às suas necessidades. Neste estágio, segundo as mesmas autoras, existem dois momentos. O primeiro é marcado por atividades pautadas em reflexões e movimentos impulsivos e no segundo momento ocorre a comunicação da criança em que ela se comunica com o meio, sem relação intelectual mas essencialmente afetiva. Estágio sensório-motor e projetivo (até 3 anos) O estágio sensório-motor e projetivo, é o momento em que a criança se interessa pelo mundo físico. De acordo com Racy (2010, p. 53), é nesta fase que ocorre de forma marcante a exploração sensório-motora por parte da criança e predominam, portanto as relações cognitivas com o meio. Surge agora a marcha e a linguagem, que possibilitam que a criança explore o espaço físico e desenvolva uma inteligência prática. [...] o andar e a linguagem dão oportunidade à criança de ingressar em um mundo novo: O MUNDO DOS SÍMBOLOS. Entra em cena aqui, a segunda parte desse estágio, a PRO- JETIVA, em que o ato mental projeta-se em atos motores e, assim, inicia-se a organização do pensamento (NOGUEIRA e LEAL, 2012, p. 130). 03 É por meio da função simbólica que a criança poderá representar o real e ver o objeto a partir de seu significado.

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