Infecção pelo HIV e AIDS



Documentos relacionados
Imunodeficiências: classificação e diagnóstico

INFECÇÃO PELO HIV E AIDS

AIDS Síndrome da Imunodeficiência Humana

FACULDADE CATÓLICA SALESIANA GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM DISCIPLINA DE DOENÇAS INFECTO-PARASITÁRIAS HIV/AIDS

VIROLOGIA RETROVÍRUS 1. HIV

Patologia Geral AIDS

HIV/AIDS Pediatria Sessão Clínica do Internato Revisão Teórica. Orientadora: Dra Lícia Moreira Acadêmico: Pedro Castro (6 Ano)

Síndrome da Imunodeficiência Adquirida

Seleção de Temas. Questionário - Proficiência Clínica. Área: Imunologia Rodada: Julho/2008. Prezado Participante,

AIDS TRANSMISSÃO FISIOPATOGENIA. Conceição Pedrozo

HIV como modelo de estudo de retrovírus e patogênese

Introdução. Infecção pelo HIV. Uma das mais devastadoras pandemias da história da humanidade. Profundas repercussões sociais

HIV no período neonatal prevenção e conduta

O MINISTRO DE ESTADO DA SAÚDE, Interino, no uso de suas atribuições, resolve:

PlanetaBio Artigos Especiais AIDS- SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA ADQUIRIDA

AIDS. imunodeficiência adquirida

Retrovírus: AIDS. Apresentador: Eduardo Antônio Kolling Professor: Paulo Roehe Pós doutorandos: Fabrício Campos e Helton dos Santos

VIROLOGIA HUMANA. Professor: Bruno Aleixo Venturi

AIDS e HIV AIDS NÚMERO ESTIMADO DE MORTES PROVOCADAS PELA AIDS NO MUNDO TODO ( ) A AIDS ou Síndrome da Imunodeficiência

HIV. O vírus da imunodeficiência humana HIV-1 e HIV-2 são membros da família Retroviridae, na subfamília Lentividae.

HEPATITE C PCR Qualitativo, Quantitativo e Genotipagem

env Glicoproteína de superfície gp120 gag Proteína da matriz associada à membrana p17 gag Proteína do capsídio p24

Diagnóstico Imunológico das Infecções Congênitas

Programa Nacional para a Prevenção e o Controle das Hepatites Virais

SISTEMA DE INFORMAÇÃO DE AGRAVO DE NOTIFICAÇÃO DICIONÁRIO DE DADOS SINAN NET

HEPATITES. Prof. Fernando Ananias HEPATITE = DISTÚRBIO INFLAMATÓRIO DO FÍGADO

Clique para editar o título mestre

PEP SEXUAL Recomendações para abordagem da exposição sexual ao HIV Um guia para profissionais de saúde

ANEXO II. 1 HEPATITE B VÍRUS DA HEPATITE B (Hepatitis B Vírus HBV)

UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ LUIZ SASSO FILHO PERFIL DOS PORTADORES DO VÍRUS HIV ATENDIDOS NO HOSPITAL DIA AIDS EM BRASÍLIA D.F.

Hepatites Virais. Carmen Regina Nery e Silva agosto 2011 Regina.nery@aids.gov.br

Atraso na introdução da terapia anti-retroviral em pacientes infectados pelo HIV. Brasil,

ENSAIOS IMUNOLÓGICOS NAS ENFERMIDADES VIRAIS ANTICORPOS MONOCLONAIS GENÉTICA MOLECULAR CITOMETRIA DE FLUXO

39º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica / Medicina Laboratorial. Flávia J. Almeida

Regulamenta o uso de testes rápidos para diagnóstico da infecção pelo HIV em situações especiais.

A i d s n a I n f â n c i a. Prof. Orlando A. Pereira FCM - UNIFENAS

Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) e AIDS

Doenças sexualmente transmissíveis

Formas de Transmissão. Fórum científico de Infecção pelo HIV/Aids

A Secretária de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, no uso de suas atribuições, e considerando:

Informação pode ser o melhor remédio. Hepatite

Mulher, 35 anos, terceira gestação, chega em início de trabalho de parto acompanhada do marido que tossia muito e comentou com a enfermeira que

Virulogia. Vírus. Vírus. características 02/03/2015. Príons: Proteína Viróides: RNA. Características. Características

ANTIFÚNGICOS MICOSES

Encerramentos de Casos de Hepatites Virais no SINAN. Lucia Mardini DVAS

GESTANTE HIV* ACOMPANHAMENTO PRÉ-NATAL. Profª.Marília da Glória Martins Recomendações do Ministério da Saúde

PLANEJANDO A GRAVIDEZ

NOTA TÉCNICA 04/08 ASSUNTO: UTILIZAÇÃO DOS TESTES RÁPIDOS ANTI- HIV EM SITUAÇÕES DE EMERGÊNCIA.

Profilaxia Pós-Exposição ao HIV. Alcyone Artioli Machado FMRP-USP

Imunidade Adaptativa Humoral

Linhas de Cuidado da Transmissão Vertical do HIV e Sífilis. 18 de junho de 2012

Diagnóstico Imunológico das Imunodeficiências Secundárias

TESTES RÁPIDOS: CONSIDERAÇÕES GERAIS PARA SEU USO COM ÊNFASE NA INDICAÇÃO DE TERAPIA ANTI-RETROVIRAL EM SITUAÇÕES DE EMERGÊNCIA

Diogo Penha Soares

Vírus - Características Gerais. Seres acelulares Desprovidos de organização celular. Não possuem metabolismo próprio

VIROSES. Prof. Edilson Soares

Nova vacina frente à cura para a AIDS

Imunidade aos microorganismos

PERFIL HEPATITE. Segurança para o diagnóstico e acompanhamento clínico.

VAMOS FALAR SOBRE. AIDS + DSTs

Suspeita clínic a de doença celíaca. + IgA sérica POSITIVO 3? Anti-gliadina IgG POSITIVO?

Teste de vacina contra Aids reduz risco de infecção 4

Trabalho de Biologia sobre HIV- AIDS Prof: César Fragoso Grupo: Arthur Mello nº2 Fernando Rodrigues nº12 Lucas Fratini nº24 Raffi Aniz nº32 Raúl Cué

Perguntas e respostas sobre imunodeficiências primárias

ALTERAÇÕES METABÓLICAS NO PERFIL LIPÍDICO E GLICÊMICO DE PACIENTES HIV POSITIVOS QUE FAZEM USO DE ANTIRETROVIRAIS

HIV/aids. Epidemiologia Fisiopatogenia Diagnóstico - Tratamento. Prof. Valdes R. Bollela. Divisão de Moléstias Infecciosas e Tropicais

Seminário estratégico de enfrentamento da. Janeiro PACTUAÇÃO COM GESTORES MUNICIPAIS. Maio, 2013

ESTA PALESTRA NÃO PODERÁ SER REPRODUZIDA SEM A REFERÊNCIA DO AUTOR

SIMPÓSIO INTERNACIONAL ZOETIS. Doenças Infecciosas e Parasitárias

ANÁLISE DO PERFIL IMUNOLÓGICO E VIRAL DOS PACIENTES HIV/AIDS ATENDIDOS NA UNIDADE DE SAÙDE JUNDIAÍ EM ANÁPOLIS GOIAS ENTRE OS ANOS 2002 E 2006.

DICIONÁRIO DE DADOS - SINAN NET - Versão 4.0

HEPATITES O QUE VOCÊ PRECISA SABER

PROCEDIMENTOS SEQUENCIADOS PARA O DIAGNÓSTICO, INCLUSÃO E MONITORAMENTO DO TRATAMENTO DA INFECÇÃO PELO VÍRUS DA HEPATITE C.

Doenças Infecciosas que Acometem a Cavidade Oral

DOENÇA PELO VÍRUS EBOLA (DVE) CIEVS/COVISA Novembro/2014

ACOMPANHAMENTO DA PUÉRPERA HIV* Recomendações do Ministério da Saúde Transcrito por Marília da Glória Martins

VÍRUS (complementar o estudo com as páginas do livro texto)

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DA INFECÇÃO PELO HIV

Imunologia da infecção pelo HIV

Prevenção da transmissão do HIV. Fórum científico de Infecção pelo HIV/Aids

Alexandre O. Chieppe

Hepatites Virais. Vírus da hepatite B (HBV); DNA de fita dupla, envelopado. Vírus da hepatite C (HCV); RNA de fita simples, envelopado

Dengue NS1 Antígeno: Uma Nova Abordagem Diagnóstica

INDICAÇÕES BIOEASY. Segue em anexo algumas indicações e dicas quanto à utilização dos Kits de Diagnóstico Rápido Bioeasy Linha Veterinária

Acidentes com materiais perfurocortantes

EXERCÍCIO E DIABETES

Papilomavírus Humano HPV

COMISSÃO DE PREVENÇÃO DE RISCOS DE ACIDENTES COM MATERIAIS PERFUROCORTANTES PROTOCOLO DE PRONTO ATENDIMENTO

Faculdades Einstein de Limeira Biomedicina. SÍFILIS Diagnóstico Laboratorial

Informe Epidemiológico CHIKUNGUNYA N O 03 Atualizado em , às 11h.

VÍRUS LINFOTRÓPICO DE CÉLULAS T HUMANAS TIPO I E II: HTLV-I E HTLV-II 21/05/14 CARACTERÍSTICAS GERAIS. - Retrovírus da família Oncovirinae

MANUAL DE CONDUTAS EM EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL A MATERIAL BIOLÓGICO

AIDS & DST s. Prevenção e controle para uma vida sexual segura.

Transcrição:

Infecção pelo HIV e AIDS

Infecção pelo HIV e AIDS 1981: pneumonia por Pneumocystis carinii/jirovecii outros sinais e sintomas: infecção do SNC, infecção disseminada por Candida albicans, perda de peso, febre 1983: isolamento do HIV-1 1986: isolamento do HIV-2 HIV: human immunodeficiency virus

O VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA (HIV) Retrovírus, tropismo por células que expressam CD4 depleção de linfócitos T CD4 + outras células atingidas: macrófagos alveolares, células dendríticas, células da micróglia

Vírus da imunodeficiência humana (HIV)

EPIDEMIOLOGIA HIV presente em todos líquidos corporais (sangue, sêmen, secreções genitais, leite materno, saliva, urina, lágrimas) formas de transmissão: contato sexual, via parenteral, materno-fetal, ocupacional transmissão sexual: fatores que aumentam risco de transmissão em relação heterossexual sem preservativo: alta viremia, imunodeficiência avançada, relação anal receptiva, relação sexual durante a menstruação, presença de outras DST, principalmente as ulcerativas

Epidemiologia Transmissão materno-fetal: não associada a má-formação fetal risco reduzido de transmissão com tratamento da mãe durante a gravidez e parto, e do recémnascido (até 6 semanas de vida)

Classificação do HIV subtipos (genótipos) mais frequentes no Brasil: B 81%, F 7%, C 4% subtipos (genótipos) mais frequentes no Brasil: B, F1, B/F1

Formas recombinantes do HIV Um paciente pode ser portador de infecção mista (dois ou mais subtipos virais) Pode ocorrer troca de material genético entre os subtipos formas recombinantes (RF, do inglês recombinant forms)

Distribuição do HIV-1 e HIV-2 HIV-1: todos os países do mundo HIV-2: principalmente na África Ocidental, com alguns casos nas Américas e Europa Ocidental

Por que o HIV provoca deficiência do sistema imune??? Efeito citopático do vírus nos linfócitos T helper Brotamento das partículas virais morte celular Produção viral interfere na síntese de proteínas Ativação crônica de células não infectadas pelo HIV devido a outras infecções apoptose

Por que o HIV provoca deficiência do sistema imune??? Destruição de células TC4 + infectadas por linfócitos T citotóxicos e células NK (citotoxicidade celular dependente de Ac - ADCC) Desequilíbrio da resposta dos linfócitos T helper ( Th1 e Th2) maior susceptibilidade a micróbios intracelulares (citoplasmáticos) Macrófagos: redução da apresentação de Ag e da produção de citocinas

A infecção pelo HIV provoca morte e redução da função do linfócito T helper Mecanismos de morte do linfócito T CD4 +

FASES CLÍNICAS DA INFECÇÃO PELO HIV 1. Infecção aguda (síndrome da infecção retroviral aguda): ocorre em 50-90% dos pacientes viremia elevada, resposta imune intensa inversão da relação TCD4/TCD8

1- Infecção aguda pelo HIV sinais e sintomas mais comuns: febre, fadiga, exantema, linfadenopatia, faringite, mialgia e/ou artralgia, náusea, vômito e/ou diarréia, suores noturnos resolução da fase aguda estabilização da viremia (set point) set point fator prognóstico de evolução da doença

Achados laboratoriais da fase aguda linfopenia seguida de linfocitose, presença de linfócitos atípicos, plaquetopenia, elevação das enzimas hepáticas

Alguns achados laboratoriais HAART: highly active antiretroviral therapy

2. Fase assintomática (latência clínica) estado clínico mínimo ou inexistente presença de linfo adenopatia generalizada persistente em alguns pacientes acompanhamento laboratorial: hemograma, níveis bioquímicos, sorologia para doenças infecciosas, radiografia do tórax, Papanicolau, perfil imunológico e carga viral

Perfil imunológico e carga viral Determinação do nível de linfócito T helper e carga viral (viremia) Usos: estadiamento da infecção prognóstico avaliação da resposta ao tratamento uso de profilaxia para infecções oportunistas

3. Fase sintomática inicial sudorese noturna, emagrecimento, diarréia, candidíase oral e vaginal, leucoplasia pilosa oral, úlceras aftosas, herpes simples recorrente

4. AIDS (SIDA)

Critério CDC adaptado em indivíduos com treze ou mais anos de idade

Sarcoma de Kaposi

Leucoplasia pilosa oral Caquexia em paciente que morreu de AIDS

Cara de Cazuza ou Cara de Aids

Síndrome lipodistrófica do HIV Síndrome caracterizada por redistribuição anormal da gordura corporal, alterações no metabolismo glicêmico e resistência à insulina

Diagnóstico da infecção pelo HIV

DIAGNÓSTICO E ACOMPANHAMENTO DA INFECÇÃO PELO HIV 1- antes da soroconversão (aparecimento de Ac): cultura viral: a partir de sangue total ou plasma pesquisa de p24 presença da proteína p24 no plasma ou no sobrenadante de cultura de tecido maior prevalência no plasma: antes da soroconversão e nas fases avançadas da doença VIDAS HIV-DUO

Ensaio de 3ª geração para diagnóstico de infecção pelo HIV (por ELISA) Soroconversão: 22-25 dias

Ensaio de 3ª geração para diagnóstico de infecção pelo HIV (por ELISA) Soroconversão: 15 dias

Testes de amplificação do genoma viral Técnicas usadas: PCR (reação em cadeia da polimerase), NASBA (amplificação do ácido nucléico baseada na sequência). Usos: diagnóstico da infecção antes da soroconversão quantificação do RNA viral: maior carga viral, maior chance de evoluir para AIDS acompanhamento da resposta ao tratamento teste de resistência a medicamentos antirretrovirais: sequenciamento dos genes da protease e da transcriptase reversa do HIV identificação de mutações que podem levar a resistência às drogas

2. Após a soroconversão: técnicas citadas acima detecção de Ac anti-hiv: ELISA, MEIA, ELFA, Western-Blot

PORTARIA NO 112 MINISTÉRIO DA SAÚDE (30/01/2004) implantação dos testes de amplificação e de detecção de ácidos nucléicos (NAT) para HIV e HCV em pool de amostras de doadores de sangue diminuição do período de janela imunológica NAT deve ser associado a testes sorológicos: NAT não tem sensibilidade de 100% Presença, no plasma de alguns indivíduos, de substâncias inibidoras das enzimas usadas no NAT Eficácia e baixo custo das técnicas sorológicas

Portaria 151 de 14 de outubro de 2009

Metodologias que podem ser usadas na etapa I (triagem) Poderão ser usados nesta etapa testes que combinem a detecção simultânea de anticorpos e antígenos Não precisa decorar!!!!!!!!!!

Metodologias que podem ser usadas na etapa II (confirmatória)

Diagnóstico da infecção pelo HIV por Testes Rápidos

Western Blot

Critérios para o Western-Blot positivo: reatividade em pelo menos duas das seguintes proteínas virais usadas no ensaio: p24, gp41, gp120/160. negativo: ausência de reatividade indeterminado: qualquer padrão de reatividade diferente do anterior.

Western Blot

Fluxograma para diagnóstico de infecção pelo HIV O Manual Técnico para Diagnóstico de Infecção pelo HIV oferece 3 opções de fluxograma para testagem em laboratório clínico O fluxograma deve ser escolhido dependendo da capacidade do laboratório e do contexto clínico Alguns indivíduos são portadores do HIV, apresentam Ac anti HIV mas têm carga viral inferior ao limite de detecção dos testes, na ausência de tratamento antirretroviral Controladores de Elite

DIAGNÓSTICO NEONATAL IgM anti-hiv: não é usado, baixa sensibilidade cultura viral ou demonstração do ácido nucléico do HIV

PREVENÇÃO E CONTROLE DA INFECÇÃO PELO HIV uso de preservativos: redução do risco de aquisição do HIV e outras DST em até 95% prevenção em usuários de drogas injetáveis (UDI) controle da exposição ocupacional controle de sangue e derivados

Objetivos da terapia anti-retroviral Reduzir morbidade e mortalidade associadas à infecção Melhorar a qualidade de vida Preservar e quando possível restaurar o sistema imune

TRATAMENTO DA INFECÇÃO PELO HIV TDF: tenofovir (inibidor da transcriptase reversa análogo de nucleotídeo) 3TC: lamivudina (inibidor da transcriptase reversa análogo de nucleosídeo) EFV: efavirenz ((inibidor da transcriptase reversa não análogo de nucleosídeo)

Terapia anti retroviral (TARV) Estimular início de TARV para todas as pessoas vivendo com HIV/aids (PVHA) Todas as PVHA, independentemente da contagem de LT CD4+ Estimular início imediato da TARV, na perspectiva de redução da transmissibilidade do HIV, considerando a motivação da PVHA.