IMUNOLOGIA BÁSICA Tópicos de Imunologia Celular e Molecular (Parte 2) Prof. M. Sc. Paulo Galdino
Os três outros tipos de hipersensibilidade ( II, III e IV) têm em comum uma reação exagerada do sistema imunológico a um antígeno, resultando em sintomas; Uma reação de Hipersensibilidade tipo II ocorre quando um anticorpo ou complemento se fixa a células ou tecidos da própria pessoa. (Tipos sanguíneos A,B,AB ou O).
Numa transfusão de sangue o fato de um indivíduo receber um tipo de sangue que pode ser encarado como estranho pelo sistema imunológico; Haverá fixação de anticorpos aos glóbulos vermelhos do sangue doado e sua consequente destruição; Esta é uma reação de incompatibilidade de transfusão, uma forma de hipersensibilidade do tipo II.
Outros exemplos de Hipersensibilidade do tipo II : Anemias imuno-hemolíticas (anemias hemolíticas Coombs-positiva presentes no linfoma de Hodgkin, leucemias crônicas, reações a medicamentos); Rejeição hiperaguda de órgãos transplantados
As reações de hipersensibilidade tipo II são citotóxicas, significando que as células do corpo são destruídas sem distinção; Ocorrem em transfusão de sangue incompatível, incompatibilidade de Rh, miastenia grave; todas envolvendo anticorpos IgG ou IgM e complemento.
Uma reação típica de hipersensibilidade do tipo II deve seguira seguinte sequencia: 1. Um fármaco em particular se liga à superfície de uma célula; 2. Os anticorpos anti-fármacos se ligam ao fármaco específico; 3. Isto inicia a ativação do complemento na superfície celular; 4. A cascata do complemento leva à lise celular.
Hipersensibilidade do tipo III Quando a invasão de um antígeno causa a produção de anticorpo, os dois se juntam em um complexo antígeno-anticorpo que é consumido por macrófagos; Doença do soro, lúpus, artrite reumatóide, doenças renais;
Na doença do soro, a reação de hipersensibilidade tipo III clássica, um antígeno como a penicilina entra no corpo e provoca a produção de anticorpos, geralmente do tipo IgG; Os complexos Ag/Ac circulantes se depositam em capilares sanguíneos nos rins e demais órgãos atraindo células inflamatórias que secretam substancias lesivas aos órgãos.
Hipersensibilidade do tipo IV Em uma reação desse tipo, também chamada de tipo tardio, a sensibilização acontece quando um macrófago apresenta um antígeno como a resina da urtiga ou tecido transplantado a uma célula T; No caso da urtiga as células inflamatórias criam erupções e bolhas características.
Como o Corpo Diferencia o Próprio do Não- Próprio
O termo próprio é aplicado a qualquer órgão que seja identificado pelo sistema imunológico como um tecido nativo e é deixado em paz, enquanto que um tecido não-próprio é tido como estranho e atacado pelo mesmo. O exemplo clássico do tecido não próprio que desencadeia uma resposta imunológica é o transplante de um órgão doado para outro corpo.
O sistema imunológico do receptor o reconhece imediatamente como estranho e o rejeita.
IMUNIDADE AOS TUMORES
Há muito acredita-se que o sistema imune pode ser capaz de reconhecer e destruir tumores, do mesmo modo que faz com transplantes alogênicos ou um parasita; Em sua relação com o hospedeiro, uma célula tumoral assemelha-se a um parasita agressivo, dotado de características adicionais especiais; A maioria dos cânceres humanos comuns resulta de um acúmulo bastante lento e gradual de mutações que envolvem genes codificadores de proteínas que regulam o ciclo celular.
Algumas dessas mutações são herdadas, enquanto outras podem resultar da exposição a substâncias químicas presentes no meio ambiente; As formas mutantes dessas proteínas podem atuar como possíveis antígenos específicos para o sistema imune adaptativo, em especial para a célula T citotóxica.
Presume-se que a maioria dos antígenos reconhecidos pela resposta imune celular do hospedeiro são proteínas próprias normais, expressas em concentrações acima do normal nas células tumorais; Infelizmente, parece que os tumores são bastante heterogêneos, e os antígenos comuns a um grande número de tumores, difíceis de identificar. Seria a vez da Imunoterapia específica?
Cinco formas importantes de câncer estão firmemente ligadas aos vírus (DNA): Linfoma de Burkitt; Carcinoma nasofaríngeo (EBV); Sarcoma de Kaposi (HHV-8); Hepatocarcinoma (HBV); Câncer cervical (papilomavirus). Todos esses tumores apresentam freqüência aumentada em indivíduos imunossuprimidos.
Assim, a Doença de Marek (tumor dos frangos) foi o primeiro exemplo de uma introdução de vacina antitumoral bem sucedida; A vacina contra o HBV diminui o risco de desenvolvimento de carcinoma hepatocelular, ao prevenir a infecção viral; A vacina contra o papilomavírus, recentemente introduzida, promoveu uma enorme diminuição da incidência de câncer cervical em triagens clinicas de larga escala.
Tentativas foram feitas de usar o BCG (bacilo da tuberculose atenuado) contra o melanoma, sarcoma e outros tumores, combinado a outros tratamentos, sem muito sucesso; Seu efeito imunológico mais significativo parece ser a ativação de macrófagos e células NK; Quanto as Citocinas, apenas o IFN-ἀ e a IL-2 são utilizados clinicamente contra alguns cânceres, direcionada ao sítio tumoral.
Os macrófagos (NK) quando ativados podem prevenir o crescimento de alguns tumores in vitro, ou de fato, destruí-los. Os linfócitos, estão presentes em grande número, muitas vezes no tumor (linfócitos tumor infiltrantes) e sua quantidade pode predizer a taxa de progressão tumoral; Espera-se para o futuro, implantar o uso de terapia genética para produzir células T dotadas de receptores específicos para os antígenos tumorais.