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Transcrição:

Q&A Campanha Sacolas Por que os supermercados estão substituindo as sacolas descartáveis? Os supermercados estão refletindo uma demanda da sociedade, que está cada vez mais atenta às questões ambientais. Pesquisa do Ministério do Meio Ambiente mostra que a redução de sacolas foi apontada pela sociedade como a principal ação que os supermercados podem fazer em favor do meio ambiente. As sacolas plásticas descartáveis são feitas de plástico filme produzido a partir de uma resina chamada polietileno de baixa densidade (PEBD). Esse material, que demora no mínimo 100 anos para se decompor, ocupa espaço nos aterros sanitários, entope bueiros e galerias. Não se pode ignorar o enorme volume desse material que vem sendo despejado no meio ambiente. Como forma de contribuir para amenizar estes problemas ambientais, os supermercados vem adotando várias medidas de restrição ao uso das sacolas plásticas descartáveis, incentivando o uso das sacolas reutilizáveis e como medida paliativa, oferecendo sacolas biocompostáveis. As medidas fazem parte de um processo de transformação da mentalidade neste novo milênio. Por que a APAS só está focada nas sacolas plásticas, sendo que embalagens de vários produtos comercializados nos supermercados também são nocivas ao meio ambiente? Por que a APAS não pressiona a indústria em geral a substituir embalagem de bebidas e materiais de limpeza, por exemplo? A campanha da APAS está alinhada com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que obriga toda a sociedade brasileira a rever seus conceitos sobre a questão do lixo. A APAS iniciou a campanha pela substituição das sacolas, mas este é só o início de um projeto mais amplo que envolve inclusive o estímulo aos supermercadistas de adotarem posturas sustentáveis até na construção da loja. As mudanças serão gradativas e deveriam começar por uma ponta. Optou-se pela substituição das sacolas por entender-se que este é o ponto mais sensível para cumprimento da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Ainda no âmbito da PNRS, a APAS já trabalha ativamente junto aos seus associados no cumprimento de todos os requisitos preconizados pela lei, que envolvem também outros tipos de embalagem. Como elas devem ser substituídas? O foco da ação está no fim da cultura do descarte e não na demonização do plástico, que sem dúvida tem dado grande contribuição à vida moderna. Por essa razão, a mensagem da

campanha é o uso de embalagens reutilizáveis. Por isso, a entidade incentiva a prática dos 4 Rs: Reduzir, Reutilizar, Reciclar e Repensar. No ano passado, em Jundiaí, foi implantando um projeto piloto em parceria com a prefeitura local, o Procon, os supermercados e a associação comercial da cidade, com grande sucesso, pois tem 77% de aprovação da população. Nesse caso, como alternativa, além dos estímulo ao uso de sacolas reutilizáveis e caixa de papelão, são oferecidas sacolas biodegradáveis compostáveis, feitas de amido de milho. O uso de milho para a fabricação de sacolas não vai encarecer os derivados desse produto? Não. O uso de amido de milho é marginal, ou seja, pequeno. Vale lembrar que esta é apenas uma alternativa, pois o foco da campanha é incentivar o uso de sacolas reutilizáveis e o fim da cultura do descarte. Isso faz com que o eventual volume de sacolas compostáveis fique em torno de 5%, como aconteceu em Jundiaí. De onde surgiu a ideia? A Prefeitura de São Paulo lançou, em agosto de 2007, a campanha Eu não sou de plástico para que os paulistanos reduzissem o uso de sacolas plásticas. A ideia da municipalidade era que o consumidor fosse às compras munido de sua própria sacola - de pano, de lona ou de material reciclável. A APAS aderiu e apoiou a campanha. Desde então, a luta contra o uso desenfreado de sacolas descartáveis passou a ganhar cada vez mais força no País, em especial em São Paulo. A APAS assumiu o protagonismo das ações visando buscar alternativas e passou a ajudar na implantação de medidas de adaptação visando à redução do consumo e o fim da cultura do descarte. Por que Jundiaí foi a primeira cidade a implantar o projeto? Jundiaí foi a primeira cidade em que as conversações da entidade com o poder público se materializaram em campanha. A campanha Vamos Tirar o Planeta do Sufoco, idealizada pela Associação Paulista de Supermercados (APAS) com o apoio da Prefeitura da cidade, Sindicato do Comércio Varejista e Câmara de Dirigentes Lojistas, foi lançada em 1º de junho de 2010, durante a Eco Jundiaí - Semana do Meio Ambiente. Seu objetivo era engajar o comércio, que tem papel fundamental na conscientização e incentivo à população para utilizar sacolas reutilizáveis no lugar das sacolas plásticas descartáveis, as quais passaram a ser retiradas de circulação. O projeto foi implantado em 30 de agosto de 2010. A adesão dos empresários locais alcançou 95% e a aprovação da população alcançou 77%, conforme pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência. Em seis meses, mais de 240 toneladas de resíduos deixaram de ser geradas. O sucesso no projeto de Jundiaí despertou

o interesse de outras cidades, que passaram a estimular o uso de soluções alternativas. Por que foi escolhido o dia 25/01/2012 para a data da virada quando os supermercados de todo o estado deixarão de entregar sacolas? Essa data foi escolhida porque é o aniversário da cidade de São Paulo, a maior cidade brasileira, com grande volume de supermercados e onde está localizada a sede da APAS e das principais redes de supermercados do país. Existe alguma lei que proíbe a cobrança de sacolas pelos estabelecimentos? Entregar os produtos embalados é só uma convenção ou uma obrigação (não só para supermercados, mas para todo o varejo)? Não existe lei que obrigue a distribuição gratuita de sacolas. Esta prática se disseminou por convenção e por questões concorrenciais. De qualquer forma é um serviço voluntário, que está sendo repensado em virtude das fortes questões ambientais reclamadas pela sociedade. As leis que proíbem a distribuição de sacolinhas em vários municípios paulistas têm sido suspensas por liminares pelo TJ (Tribunal de Justiça), mas, mesmo assim, alguns municípios deixaram de distribuir essas embalagens, amparando-se na campanha de conscientização Vamos Tirar o Planeta do Sufoco. A APAS vai incentivar Projetos de Lei? A supressão da distribuição de sacolas descartáveis é uma medida voluntária dos supermercados em prol do meio ambiente. Não há lei que obrigue os estabelecimentos comerciais a oferecerem sacolas para o consumidor, mas evidentemente a APAS está atenta aos hábitos adquiridos e, por isso mesmo, está propondo uma estratégia escalonada para retirar as sacolas descartáveis de circulação a partir de 25 de janeiro de 2012. A lei é um complemento, mas a campanha Vamos Tirar o Planeta do Sufoco fundamenta-se na conscientização. Qual a diferença entre o projeto implantado por força de lei e por acordo? Em qual dos dois o resultado é melhor? As medidas resultantes de um acordo, endossadas ou não por força de lei, sempre têm o mérito de não serem impositivas, mas sim construídas em parceria pelos diversos setores da sociedade e o poder público, visando à conscientização da sociedade. Este é o modelo mais efetivo, por ser mais democrático. A indústria do plástico acredita que a campanha para substituir as sacolas descartáveis por reutilizáveis tira do

consumidor o direito de escolha, mesmo que tenha impacto ambiental. O que dizer sobre isso? Não oferecer sacolas descartáveis é ferir um direto do consumidor? O consumidor tem e sempre terá alternativa como, por exemplo, utilizar-se de sacolas biodegradáveis ou reutilizáveis, caixas de papelão ou plástico e carrinhos de feira. O que os supermercados estão fazendo é suprimir uma alternativa agressiva ao meio ambiente que vinha sendo encorajada por meio da distribuição de sacolas, mesmo que embutida nos preços dos produtos. Os supermercados entendem que o fim da cultura do descarte é uma demanda da sociedade, cada vez mais atenta às questões ambientais. Pesquisa do Ministério do Meio Ambiente mostra que a redução de sacolas foi apontada pela sociedade como a principal ação que os supermercados podem fazer em favor do meio ambiente. O setor supermercadista está atento à questão ambiental e acredita que deve assumir sua responsabilidade, alinhado ao que estabelece a Política Nacional de Resíduos Sólidos. O que os supermercados ganham com esta medida? Os supermercados ganham o mesmo que a sociedade, ou seja, um planeta mais sustentável. Hoje, os custos das sacolas são diluídos nos preços dos produtos. Ao economizar nas sacolas, este valor também será repassado para os produtos, pois este custo marginal será extinto da planilha de custos das lojas. Além disso, parte desse valor será utilizada em ações sustentáveis nas lojas, visando melhor atendimento aos consumidores. Há ainda um ganho de imagem, pois o setor de supermercados está se antecipando à Política Nacional de Resíduos Sólidos, que entrará em vigor em 2014. A lei exige que a empresa geradora de resíduos sólidos recolha quantidade equivalente. Esta iniciativa também se equipara ao que vem sendo feito em vários países, nos cinco continentes, que cessaram a distribuição de sacolas descartáveis. O País produz anualmente 135,9 bilhões de sacolas (503 mil toneladas). Calcula-se que cerca de 90% desse material, que demora no mínimo 100 anos para se decompor, acabem no lixo. Esse material ocupa espaço valioso nos aterros sanitários e consome recursos significativos das prefeituras em sua gestão. A reflexão sobre esse impacto levou a APAS a iniciar a campanha contra a cultura do descarte e a fomentar iniciativas que visem à conscientização para o uso de sacolas reutilizáveis. Por seu contato direto com o consumidor final, o setor supermercadista acredita que pode desempenhar importante papel na conscientização da população. Sem a sacola, os preços dos produtos vão ser mais baratos? Na planilha de custos dos supermercados estão todas as suas despesas com suprimentos, incluindo as sacolas. Sem as sacolas

plásticas descartáveis, este item vai sair da planilha. O custo médio de uma sacola hoje é dois centavos. Não há como medir o desconto nos produtos, porque o custo é diluído em todos os itens da loja e não apenas em um. A cobrança pela sacola compostável (feita de matéria-prima renovável) não vai gerar nenhuma rentabilidade para o supermercado, porque será revendida com margem zero. Por outro lado, a proposta não é vender sacola biodegradável e sim estimular o uso de sacolas reutilizáveis. Se o preço da sacola descartável já estava embutido nos preços dos produtos, por que o valor a sacola compostável também não pode estar embutido? O objetivo das iniciativas apoiadas pelo setor supermercadista e outros ramos do varejo não é substituir a sacola plástica descartável por outra de material biodegradável, que também gera resíduo. A intenção é que o consumidor se conscientize de que a cultura do descarte de resíduos sólidos prejudica o meio ambiente e passe a utilizar sacolas reutilizáveis de qualquer material ou outras embalagens que possibilitem acondicionar suas compras, como as sacolas reutilizáveis de todos os materiais, caixas de papelão ou plástico, carrinhos de feira, etc. O valor aproximado R$ 0,20 por uma unidade de sacola compostável não é muito alto para ser repassado ao consumidor, uma vez que o valor unitário de uma sacola descartável comum é R$ 0,02? A APAS defende que o supermercadista repasse o preço de custo das sacolas biodegradáveis compostáveis de acordo com o foco da campanha que é contra a cultura do descarte. Vale salientar que as sacolas biocompostáveis são apenas uma das alternativas, porém o consumidor terá de pagar por elas. O custo que os supermercadistas têm para a produção das alternativas disponíveis é apenas repassado ao consumidor, lembrando que o objetivo não é substituir a sacola descartável por outra biodegradável compostável. Repassar ao consumidor o custo da sacola é uma forma de desestimular o consumo desnecessário. A APAS estimula que o consumidor vá às compras munido de sua própria sacola reutilizável, seja de pano, lona, palha, TNT, plástico ou de outro material reciclável. O importante é defender o fim da cultura do descarte. A melhor alternativa às sacolas descartáveis produzidas a partir do petróleo é mesmo a feita com amido de milho? Dizem que a pegada de carbono (considerando a energia gasta na produção) desse material seria ainda maior. A sacola de amido de milho tem sido uma alternativa oferecida como ocorreu no projeto-piloto de Jundiaí enquanto o consumidor se adapta. A melhor alternativa é o uso de sacolas reutilizáveis, pois

há estudos que indicam serem as menos agressivas ao meio ambiente. Por que a APAS adotou a sacola biodegradável feita de amido de milho em detrimento a outras? Como foi o processo de escolha deste tipo de sacola? A escolha surgiu em função da possibilidade de oferecer como alternativa ao consumidor uma sacola menos nociva ao meio ambiente, considerando as tecnologias disponíveis. O que a sacola de amido de milho tem de diferencial em relação às outras à disposição do consumidor (a base de cana, oxibiodegradável, PEBD e polipropileno, etc)? Todos os polímeros considerados verdes, oriundos de fontes renováveis como o amido de milho e a cana de açúcar, são menos agressivos ao meio ambiente. Entretanto, se descartados no meio ambiente também demoram para se decompor e causam poluição. O amido de milho se decompõe mais rápido. O oxibiodegradável, embora tenha este nome, não tem nada de biodegradável. Trata-se do mesmo polímero plástico com um aditivo químico que quebra as moléculas depois de um determinado tempo exposto à oxidação (luz, calor, umidade, etc.). O PEBD e o polipropileno são polímeros plásticos comuns, à base de petróleo, que demoram centenas de anos para se decompor. Não é contraditório que o supermercado continue embalando seus produtos FLV em sacos plásticos? Os supermercados estão fazendo sua parte em favor do meio ambiente, com base na Política Nacional de Resíduos Sólidos, e na filosofia dos 4 Rs, ou seja, reduzir, reutilizar, reciclar e repensar. Hoje ainda usam sacos plásticos no FLV porque só agora começam a surgir tecnologias verdes, com polímeros de fontes renováveis, ainda com baixa produção e alto custo. Em pouco tempo, quando estas tecnologias estiverem mais disponíveis, haverá alternativas verdes para os sacos do FLV e para os sacos de lixo tradicional. Vale ressaltar que o grande volume está nas sacolas plásticas, totalizando 503 mil toneladas por ano no Brasil. Por que o supermercado não volta a entregar para os consumidores saco de papel como era no passado há cerca de 30 anos? A alternativa de sacos de papel nem foi considerada, pois trata-se de um material agressivo ao meio ambiente, uma vez que a fonte é a celulose, obtida da madeira, com implicação nas questões do desmatamento, ou seja no corte de árvores. Essa etapa já ficou no passado, pois os sacos plásticos surgiram no supermercado há 25 anos para substituir os sacos de papel, que também eram motivo de

campanhas contra seu uso devido ao desmatamento. Vale lembrar que o foco da campanha não é substituir um material por outro e sim o fim da cultura do descarte. O consumidor terá que comprar sacos para armazenar seu lixo doméstico e nem todos são compostáveis. O supermercado vende inclusive sacos oxibiodegradáveis, que comprovadamente são nocivos ao meio ambiente. A posição da APAS de não oferecer sacolas compostáveis gratuitamente não acabaria prejudicando ainda mais o meio ambiente já que outros tipos de sacolas de plástico serão adquiridas e igualmente descartadas em lixões e aterros? A orientação da APAS na campanha Vamos Tirar o Planeta do Sufoco está restrita às sacolas descartáveis, mas nada impede que, na continuidade do projeto, novas discussões se iniciem contemplando outras ações sustentáveis, que levem em consideração também os produtos à venda nas lojas. O que a APAS orienta é que os sacos de lixo são feitos de material já reciclado, conforme a filosofia do reutilizar e reciclar, isto é, é um material que já teve outros usos e que seu descarte junto com o lixo doméstico não tem o mesmo impacto do que as sacolinhas feitas de resina virgem. Em outras palavras, usar resina virgem apenas uma vez e jogar no lixo é um grande desperdício. Há ainda a questão do uso racional. Como se paga o saco de lixo, o aproveitamento é bem maior, o que também contribuirá para reduzir a quantidade desse material nos aterros. A campanha Vamos Tirar o Planeta do Sufoco tem o mérito, inclusive, de conscientizar sobre a importância da separação do lixo. O consumidor que for ao supermercado para realizar uma compra grande não vai onerar muito seu custo? Se forem usadas 40 sacolas biodegradáveis, a um custo de R$ 0,20 cada, o consumidor gastaria em sua compra R$ 8,00 a mais. Ou se ele utilizasse 5 sacolas de TNT caso ele precisasse comprar seria necessário desembolsar quase R$ 10 a mais na compra. Para as compras de maior volume, o consumidor sempre tem a alternativa de utilizar caixas de papelão disponíveis nos supermercados, resultantes do fornecimento dos produtos. Se tiver que comprar as sacolas, o consumidor tem o discernimento de que as reutilizáveis ele vai usar várias vezes e que o custo será amortizado ao longo do tempo. Ele vai perceber que é muito mais vantajoso comprar as sacolas reutilizáveis do que as biodegradáveis de amido de milho. Esta será apenas uma alternativa para quando o consumidor esquecer a sacola reutilizável e comprar pequeno volume, sendo necessárias uma ou duas sacolas no máximo.

Os consumidores costumam usar as sacolas dos supermercados como sacos de lixo. Com a implantação desta medida, a indústria que produz sacos específicos para lixo vai sair ganhando? Esse setor vai passar a produzir sacos de tamanho diferentes para atender aos diferentes tamanhos de cestinhos de lixo que o consumidor tem em casa, como por exemplo, lixinho de cozinha? As sacolas descartáveis, que foram distribuídas nos supermercados nas últimas décadas, de fato passaram a ser utilizadas pelo consumidor para embalar o lixo doméstico. Isso é parte do problema: esse material, que demora no mínimo 100 anos para se decompor, ocupa espaço nos aterros sanitários, entope bueiros e galerias e asfixia animais, quando descartado no meio ambiente. Os sacos de lixo, normalmente já resultantes de material reciclado, são utilizados mais racionalmente pelo consumidor, uma vez que há um investimento direto para sua aquisição. Por outro lado, nada impede que as indústrias de embalagens biodegradáveis desenvolvam esse tipo de sacos de lixo para todos os usos, em vários tamanhos, e por preços acessíveis à medida que aumentar a escala de produção. É importante ressaltar que a coleta seletiva vem ganhando espaço nos municípios brasileiros e que o consumidor deve fazer a correta separação, o que diminuiu a quantidade de sacos de lixo. Para um país carente de reciclagem como o Brasil, não seria ideal o consumidor receber gratuitamente a sacolinha biodegradável compostável e ter a consciência de que é por este lado que se começa o processo de reciclagem? É importante reafirmar que o objetivo do setor supermercadista não é substituir a sacola descartável por outra biodegradável. A campanha visa o fim da cultura do descarte e não contempla distribuir sacolas gratuitamente. Há um consenso entre vários estudos de que o consumidor valoriza mais aquilo que tem um custo para ele e que, portanto, ao pagar pela sacola, ele fará uso mais racional. A proposta da APAS é conscientizar a população para substituir as sacolas descartáveis por reutilizáveis. Se a indústria do lixo não oferecer uma medida ao consumidor tamanhos de sacos para lixo, ele pode passar a comprar sacolinhas biodegradáveis para fazer de lixo em sua casa? As sacolinhas biodegradáveis produzidas como alternativa não tem objetivo de ser utilizadas para embalar o lixo doméstico. A APAS entende que, na medida em que aumentar a demanda, haverá produção em larga escala de sacos de lixo e outros usos a partir das tecnologias biodegradáveis e de material reciclado.

E a indústria do plástico vai demitir funcionários com a substituição da sacolinhas descartáveis por reutilizáveis nos supermercados? A indústria do plástico poderá usar sua capacidade de produção para desenvolver outros produtos que sejam úteis à população, como por exemplo a produção de sacolas reutilizáveis e caixas plásticas. Além disso, as sacolas biocompostáveis são produzidas nas mesmas máquinas que produzem as sacolas de plástico convencional. De toda forma, a adoção de práticas sustentáveis deve gerar muitos empregos em vários setores, incluindo o setor supermercadista e seus fornecedores. Nessa questão ambiental, cada cidadão terá de fazer a sua parte. Esse segmento da indústria sabe da utilidade do plástico para a sociedade, mas também sabe o quanto esse material é danoso à natureza se descartado no meio ambiente. A APAS entende que o bom senso deva prevalecer e que este segmento da indústria irá redirecionar a produção e usar sua força de trabalho para produzir outros itens não descartáveis. É possível que haja um movimento do consumidor em guardar as atuais sacolas descartáveis para que, quando a medida entrar em vigor, ele leve para fazer as compras e trazer os produtos nas sacolas convencionais, já que elas são fáceis de serem transportadas? É possível que essa solução seja adotada provisoriamente por alguns consumidores e já será um avanço: sacolas que eram descartáveis serão utilizadas mais de uma vez. Entretanto, elas não são concebidas com a resistência necessária para ser adotadas como reutilizáveis nem têm o tamanho ou o formato necessário para isso. O objetivo da APAS é acabar com a cultura do descarte. Se a indústria das sacolinhas resolver produzir sacolas reutilizáveis, certamente terá espaço nos supermercados para vender seus produtos. Os fabricantes afirmam que 100% das sacolinhas são reutilizadas quando chegam à casa do consumidor. A reutilização também não é um dos pilares dos 4Rs? O pilar fundamental é a redução, primeiro dos Rs (Reduzir, Reutilizar, Reciclar e Repensar). Esse é o propósito da campanha de substituição das sacolas descartáveis por reutilizáveis. Mesmo depois da reutilização, calcula-se que cerca de 90% das sacolas descartáveis, que demoram no mínimo 100 para se decompor, acabem como lixeiras ou no meio ambiente com lixo. Essa reutilização que os fabricantes dizem, trata-se do reúso de apenas uma vez para acondicionar o lixo. Entre os muitos temas abordados na Política Nacional de Resíduos Sólidos está contemplado o esgotamento dos aterros sanitários e a responsabilidade da indústria e do varejo pelos resíduos que suas

atividades ajudam a produzir a denominada responsabilidade pósconsumo. Dois aspectos diretamente impactados pela distribuição de sacolas pelo varejo. A indústria de sacolas descartáveis afirma que os consumidores não escolheram o fim dessa sacola e utilizam dados do Ibope para se amparar. Os supermercados estão só fazendo uma jogada de marketing para se livrar de um custo? Desconhecemos os dados e a metodologia da pesquisa utilizada pela indústria de sacolas descartáveis, mas dispomos em contrapartida de uma pesquisa desenvolvida pelo Ministério do Meio Ambiente ente isento nesse debate que demonstra que a redução de sacolas foi apontada pela sociedade como a principal ação que os supermercados podem fazer em favor do meio ambiente. A pesquisa feita pelo Ibope Inteligência em Jundiaí, depois de um ano de implantação do projeto piloto Vamos Tirar o Planeta do Sufoco, mostra claramente o que pensam os consumidores. O levantamento mostrou que 77% da população aprovaram a iniciativa e 73% não querem a volta do modelo antigo. O custo das sacolinhas sempre foi repassado ao consumidor embutido no preço das mercadorias. Ou seja, entre os vários custos da operação supermercadista, como folha de pagamento, luz, água, impostos, etc., também consta o custo das sacolas, que resultam na formação do preço dos produtos. Portanto, não há nenhuma base nessa argumentação. As pessoas reutilizam as sacolas de supermercado para embalar o lixo doméstico. É a forma mais adequada de descartar o lixo, por evitar contaminações. A abolição das sacolas não pode gerar um problema de saúde pública para as camadas mais humildes, que não poderão adquirir sacolas? Pelo contrário. A saúde pública piora com as enchentes causadas pelas sacolas descartadas no meio ambiente, que entopem bueiros e galerias, espalhando muitas doenças. Com degradação estimada em no mínimo 100 anos, as sacolas descartáveis ocupam espaço nos aterros sanitários e trazem muitos problemas para a gestão das prefeituras em todo o país. Por isso, seu uso em ambientes comerciais passou a ser cada vez mais contestado. Em nenhum dos países que suprimiram a distribuição gratuita de sacolas descartáveis foi registrado aumento de doenças. O setor supermercadista, por seu contato direto com o consumidor final, pode desempenhar um importante papel na conscientização da população. É preciso que o consumidor perceba que a mudança de hábitos é essencial para a proteção do meio ambiente e para a garantia de um mundo melhor para as futuras gerações.

O consumidor pode esperar que gradativamente as sacolas descartáveis venham a desaparecer? Esta é a tendência. O mundo todo está atento às questões ambientais e sabe que o descarte sem controle prejudica o meio ambiente. As sacolas plásticas demoram centenas de anos para se decompor e ficam no meio ambiente causando danos, como a contaminação do solo, asfixia de animais, entupimento de bueiros, entre outros. De que maneira os estabelecimentos devem se preparar para quando a mudança entrar em vigor? A APAS preparou um cronograma de atividades para a mudança. Distribuiu cartazes para serem fixados em locais visíveis nas lojas e os supermercados vão disponibilizar para venda sacolas reutilizáveis, além de caixas de papelão recebidas dos fornecedores. Os supermercados deverão manter estoque de sacolas reutilizáveis para venda, pois vai aumentar consideravelmente a procura a partir de 25 de janeiro de 2012. O que muda na vida do consumidor sem o fornecimento de sacolas descartáveis pelos supermercados? O consumidor, naturalmente, terá de se adaptar e levar sua sacola reutilizável ao supermercado. Quem tem carro, vai se acostumar a ter no porta-malas sacolas reutilizáveis, caixas de papelão ou plástico para acomodar suas compras. Além disso, como as sacolas reutilizáveis são bem maiores e acomodam uma quantidade maior de produtos, aos poucos eles vão perceber a praticidade de usá-las para fazer as compras. As caixas de papelão, não contaminam os produtos? Não. Os produtos estão muito bem acondicionados em suas embalagens e não há qualquer possibilidade de contaminação. Os produtos in natura (FLV, açougue e frios) todos são embalados com saquinhos, bandeja e papel filme, de forma que também estão protegidos. Caixas de papelão não são difíceis de carregar? As sacolas reutilizáveis são mais fáceis para quem leva as compras a pé ou de ônibus, mas quem opta pela caixa são pessoas que vão ao supermercado em seu próprio carro. Campanha da indústria do plástico divulga que as sacolas de pano são foco de contaminação. Qual é o fundo de verdade nesta propaganda? As sacolas, assim como as roupas, são reutilizáveis. Usamos várias vezes, mas precisam ser lavadas e higienizadas. A contaminação só acontecerá se não houver cuidado nessa manutenção. No site

www.vamostiraroplanetadosufoco.org.br, há dicas para limpar e higienizar as sacolas. Quais ações a APAS está adotando para divulgar a campanha e promover a conscientização da população? Será feita uma campanha publicitária? Qual o investimento previsto? A campanha está sendo veiculada nas rádios e na imprensa tanto na capital quanto no interior. Há ainda peças de marketing disponíveis no site www.vamostiraroplanetadosufoco.org.br para o empresário supermercadista reproduzir e utilizar sua área de vendas para informar a população. Complementa esse trabalho, a excelente cobertura da mídia, que há um ano vem divulgando as ações da campanha Vamos Tirar o Planeta do Sufoco. Como o supermercado pode aderir à campanha Vamos Tirar o Planeta do Sufoco? O acesso às informações sobre a implantação da campanha na sua loja está disponível no blog www.vamostiraroplanetadosufoco.org.br. Todo o material necessário para a comunicação nas lojas pode ainda ser solicitado pelo serviço 0800-5805000 que a APAS mantém para esclarecer todas as dúvidas dos empresários supermercadistas sobre a campanha Vamos Tirar o Planeta do Sufoco.