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Transcrição:

4 PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL Inicialmente foram realizadas algumas determinações para avaliar o efeito da concentração de KCl na mobilidade eletroforética das partículas de hidróxido de cromo para a determinação do seu ponto isoelétrico (PIE). Posteriormente, foram realizados testes tanto na presença de íons Cr 3+ como na de coletor dodecilsulfato de sódio (DSS) em diferentes concentrações com o objetivo de identificar e avaliar suas influências no potencial zeta das partículas de hidróxido de cromo. 4.1. Determinação do Potencial Zeta do Cr(OH) 3 4.1.1. Materiais Para as medidas de potencial zeta, obteve-se o Cr(OH) 3, fazendo sua precipitação a partir de uma solução de cloreto de cromo hexahidratado (Cr.Cl 3.6H 2 O) 0,1M, com adição de NaOH 1M, até alcançar ph=8, mantendo a solução agitada num agitador magnético (Fisaton) e obter o Cr(OH) 3 totalmente precipitado. Após as etapas acima citadas, houve a filtração da solução, com posterior lavagem do precipitado com água destilada e deionizada. Foi utilizado AgNO 3 0,1M para garantir a ausência de espécies contaminantes no precipitado. A secagem do precipitado se deu a uma temperatura de 60 o C na estufa (ICAMC, modelo 3), para sua posterior cominuição e homogeneização. Como eletrólito indiferente empregou-se cloreto de potássio (KCl), enquanto que a influência do coletor no potencial zeta das partículas de Cr(OH) 3 foi avaliada mediante a utilização de dodecilsulfato de sódio (DSS- C 12 H 25 NaOS, Merck).

49 Para a regulação do ph, foram empregados ácido clorídrico (HCl:0,02 e 2M) e hidróxido de potássio (KOH:0,01 e 0,1 %). Para o preparo das soluções utilizou-se água destilada e deionizada. 4.1.2. Aparelhagem seguir: Os equipamentos usados nos estudos de potencial zeta estão listados a o Aparelho Zeta Máster- Malvern Instruments, equipado com um microprocessador. o Agitador Magnético, IKAMAG RET. o Medidor de ph: phmetro Digimed, modelo DM-20. o Estufa: ICAMC, modelo 3. 4.1.3. Metodologia Experimental Inicialmente procedeu-se ao aquecimento do equipamento, seguido da preparação da amostra, para a medição do potencial zeta. Nos ensaios para a medição do potencial zeta, condicionou-se 0,1 g. de Cr(OH) 3, previamente preparado com 80 ml de solução de KCl (10-2, 10-3, 10-4 M), durante cinco minutos. O ajuste do valor de ph foi feito com o auxílio de base (hidróxido de potássio, KOH), para a faixa desejada. As medidas de potencial zeta foram geradas retirando-se 30 ml da suspensão e introduzida no equipamento com o auxílio de uma seringa. O valor de potencial zeta registrado representa a média de 10 valores medidos pelo aparelho o qual calcula a mobilidade eletroforética das partículas e converte esta para potencial zeta mediante a equação de Smoluchowski. Finalmente curvas de potencial zeta são construídas em função do ph para a determinação do ponto isoelétrico (PIE) do Cr(OH) 3 e avaliar a influência da concentração de coletor aniônico (dodecilsulfato de sódio - DSS) e dos íons Cr 3+.

50 4.2. Ensaios de Flotação de Precipitados 4.2.1. Materiais e Equipamentos A linha experimental dos ensaios de flotação de precipitados realizados por ar disperso é apresentada na Figura 14. Medidor de ph Figura 14 - Linha de Montagem da Coluna de Flotação Os ensaios de flotação de precipitados foram realizados em uma coluna de flotação feita em acrílico com as seguintes dimensões: 0,95 m de altura e diâmetro interno igual a 5,7 cm, constituída de cinco partes desmontáveis. A coluna foi construída de modo a permitir que alíquotas pudessem ser retiradas de qualquer ponto e com uma entrada para o eletrodo de ph de forma a controlar o ph durante todo o ensaio. Na parte superior da coluna foi adaptado um recipiente, também em acrílico, com o objetivo de suportar melhor a espuma gerada, com adaptação para drenagem da mesma. Em seu segundo flange foi colocada uma torneira de vidro, para que se tornasse possível a drenagem da solução, sem que a coluna precisasse ser aberta.

51 De acordo com suas dimensões, a coluna de flotação possui um volume interno suficiente para a realização de teste com soluções de um litro, ainda contando com a formação de uma grande coluna de espuma. O ar foi utilizado como fase gasosa e gerado através de um compressor. Para a geração de bolhas foi utilizada uma placa de vidro sinterizado porosa (porosidade 4/10-15 µm) e a vazão de ar foi controlada por um rotâmetro. A calibração do rotâmetro consistiu no tempo que a bolha levou para deslocar um volume de 60 ml num cilindro graduado (fluxímetro). A curva de calibração encontra-se no anexo. Os reagentes utilizados para a preparação das soluções para os ensaios de flotação de precipitados foram: o Fonte do íon coligante Cr 3+ : Cloreto de Cromo Hexahidratado (CrCl 3.6H 2 O), puríssimo, Vetec; o Coletor: Dodecilsulfato de Sódio (DSS - C 12 H 25 NaO 4 S), Merck; como coletor aniônico; o Espumante: Etanol (C 2 H 5 OH), 95% P.A., Reagen; o Reguladores do ph: Ácido Clorídrico (HCl, 0,1 M) e hidróxido de sódio P.A. (NaOH, 0,1M); o Acidificação de amostras e soluções: Ácido Nítrico, 65% P.A., Vetec. Todas as soluções foram preparadas com água destilada e deionizada. Depois de cada experimento foi realizada a drenagem da solução teste e lavagem da coluna e da placa porosa com água da torneira para retirar o excesso da solução teste, enxaguadas com uma solução de HCl (10%) de forma a decompor qualquer complexo metal-dodecilsulfato aderido à parede e à placa e enxaguados com água destilada e deionizada.

52 4.2.2. Metodologia Experimental dos Testes de Flotação de Precipitados 4.2.2.1. Preparo das Soluções Sintéticas Foram preparadas soluções estoque de Cr 3+ (0,05M) e do coletor (DSS- 0,01M). Para cada ensaio, a solução teste foi preparada combinando as soluções estoque de coletor, do sal do metal, e quantidade necessária de espumante de acordo com as condições desejadas de cada experimento, e água destilada para fazer um litro de solução. Todas as soluções teste continham 0,5x10-4 M de íons Cr 3+. O ph da solução foi ajustado para 8, e a solução foi condicionada por meio de um agitador magnético (marca-fisatom) por um período de 15 minutos. Após o condicionamento, o ph, quando necessário, foi novamente ajustado. 4.2.2.2. Testes de Flotação de Precipitados A solução foi, então, introduzida na coluna de flotação promovendo imediatamente a passagem de ar pela solução na vazão desejada, tornando-se turva a solução devido à ascensão das bolhas. Ocorreu, então, a formação de uma camada de espuma no topo da solução, criando uma interface bem distinta entre a solução e a espuma. Inicialmente o tempo de flotação foi de 90 minutos e as alíquotas foram retiradas nos tempos de 0, 5, 15, 20, 30, 60 e 90 minutos, através da janela de amostragem. O armazenamento das amostras foi feito em frascos de plástico, em ph abaixo de 4, realizando-se a acidificação do meio com ácido nítrico concentrado. A remoção do metal em determinado tempo de flotação foi calculada baseando-se na concentração inicial do íon metálico, isto é: Onde: C f (28) R(%) = 1 x100 C 0 C f : Concentração final do íon metálico C 0 : Concentração inicial do íon metálico R(%): Remoção de cromo

53 4.2.3. Caracterização das Amostras As amostras foram analisadas por Espectrometria por Plasma Acoplado (ICP) para verificar a concentração residual do cromo e, por conseguinte, a percentagem de remoção deste metal. Neste trabalho, o Microscópio Eletrônico de Varredura (MEV) foi utilizado para investigar a morfologia do precipitado obtido no topo da espuma e a Espectroscopia de Energia Dispersiva de raios-x (EDS) foi empregada para analisar qualitativamente sua composição. A preparação das amostras consistiu em retirar com um bastão de vidro o precipitado formado no topo da espuma, colocá-lo em uma placa de vidro e deixálo secando dentro de um dessecador, a vácuo. Estes substratos foram então submetidos a deposição de ouro e, em seguida, analisados no MEV/EDS.