Contabilidade Geral e Tributária 9ª edição
LOURIVALDO LOPES DA SILVA Bacharel em Ciências Contábeis, Pós-Graduação em Administração Contábil e Financeira, Mestre em Contabilidade pela PUC/SP, Consultor de Empresas na área contábil e de tributos diretos e indiretos.
APRESENTAÇÃO À 9ª EDIÇÃO Esta edição contempla as últimas alterações introduzidas na contabilidade brasileira por meio da Lei nº 11.638/2007, da MP nº 449/2008, da Lei nº 11.941/2009 e da Lei nº 12.973/2014, e a sua regulamentação pela IN RFB nº 1.515, publicada no DOU em 26.11.2014. Vale lembrar aqui que a referida Instrução revoga, na sua plenitude, a IN RFB nº 93/1997 e que, em tese, aquilo que não sofreu alterações com as mudanças contábeis foram ratificadas pela IN RFB nº 1.515/2014 e, também, a regulamentação daquilo que representou mudanças. A publicação da Lei nº 12.973/2014 bem como da sua Instrução reguladora põe fim ao RTT (Regime Tributário de Transição), criado a partir de 2008, tendo em vista a regulamentação das novas regras tributárias oriundas das recentes alterações no cenário contábil brasileiro. O IFRS é uma tendência mundial, hoje mais de 130 países no mundo já aderiram às regras da Contabilidade Internacional e o Brasil dá os primeiros passos nessa direção por intermédio dos dispositivos legais acima. Podemos afirmar que esse é um caminho sem volta, e nós, profissionais de contabilidade, não temos alternativa, a não ser a busca pela contabilidade num padrão internacional. A presente obra traz em seu conteúdo as mudanças conceituais, alteração no reconhecimento e avaliação de determinados ativos e passivos, alteração na estrutura do balanço patrimonial e todas essas novas regras alinhadas com o mercado contábil internacional.
10 Lourivaldo Lopes da Silva Como professor universitário e professor de Entidades Contábeis (Sindicatos, Conselhos, Fundações, etc.) e outras instituições, a experiência empírica e de sala de aula contribuiu para que fosse produzido material em que a teoria e a prática fossem aplicadas da forma mais didática possível, com grande bateria de exercícios práticos ilustrativos, inclusive alguns de concursos públicos, que faz com que o leitor fixe e melhore os conceitos que são transmitidos por meio dessa obra. Esta 9ª Edição traz como novidades entre outras alterações, as regras para a contabilidade para Pequenas e Médias Empresas, introduzidas pela Resolução CFC nº 1.255, de 10.12.2009 e outros atos normativos. A contabilidade para pequenas e médias empresas dentre outras alterações, altera a estrutura da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), com evidenciação de operações continuadas e descontinuadas, bem como introduz uma nova Demonstração, a Demonstração do Resultado Abrangente (DRA). Esse livro contempla todas as demonstrações contábeis exigidas pela lei das Sociedades Anônimas, bem como pela Resolução CFC nº 1.255/2009 Contabilidade para Pequena e Média Empresa. Quero deixar aqui registrado meus agradecimentos ao Grupo IOB pela divulgação deste produto e em particular guerreira Viviane Caravieri pela paciência e compreensão e, também, pela dedicação nos trabalhos que teve nas edições anteriores e na atual. Este livro contempla todas as demonstrações contábeis exigidas pela Lei das Sociedades Anônimas, bem como pela Resolução CFC nº 1.255/2009 Contabilidade para Pequena e Média Empresa. Críticas e sugestões são sempre bem-vindas e solicito que as encaminhe para o seguinte endereço: Rua Coronel Sousa Reis, 72 Tatuapé São Paulo Capital CEP 03069-010 Fone (55) 11-2091-0757 lourivaldo@devout.com.br.
Sumário APRESENTAÇÃO... 7 APRESENTAÇÃO À 9ª EDIÇÃO... 9 INTRODUÇÃO... 21 Capítulo 1 A CONTABILIDADE BRASILEIRA E SEUS PRINCÍ- PIOS FUNDAMENTAIS... 23 1.1 Implementação às normas internacionais de contabilidade... 24 1.2 Resolução nº 750, de 29.12.1993, do CFC... 26 1.3 A contabilidade como ciência social... 27 1.4 O patrimônio objeto da contabilidade... 27 1.5 A essência dos princípios fundamentais de contabilidade... 29 I O princípio da entidade... 30 II O princípio da continuidade... 31 III O princípio da oportunidade... 31 IV O princípio do registro pelo valor original... 31 V O princípio da atualização monetária... 33 VI O princípio da prudência (conservadorismo)... 34 VII O princípio da competência... 34 1.6 Contabilidade para pequenas e médias empresas (PME.)... 35 1.6.1 Conceitos e princípios gerais... 36 Exercícios de fixação... 44
12 Lourivaldo Lopes da Silva Capítulo 2 Contabilidade Aspectos Societários e Fiscais... 53 2.1 Escrituração Contábil... 54 2.1.1 Normas Brasileiras de Escrituração... 55 2.2 Legislação Fiscal... 56 2.3 Conceituação Contábil... 60 Capítulo 3 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS... 63 Capítulo 4 REGISTROS CONTÁBEIS... 67 4.1 Livro diário, balanço e balancete... 67 4.1.1 Escrituração contábil eletrônica... 70 4.1.1.1 Escrituração digital substituição... 73 4.2 Razão contábil... 76 4.3 Sistemática de débito e crédito da conta... 76 4.4 Natureza dos saldos das contas... 77 4.5 Registro do encerramento das contas de resultado... 86 Exercício proposto... 98 4.6 Equação patrimonial... 99 4.7 Fórmulas de lançamentos contábeis... 99 4.8 Regime de competência e regime de caixa... 103 4.9 Fatos contábeis... 105 Exercícios de fixação... 108 Capítulo 5 ESCOLAS DE CONTABILIDADE... 113 5.1 Doutrinas, escolas e correntes do pensamento contábil... 113 5.1.1 Teoria personalística... 114 5.1.2 Teoria materialista... 115 5.1.3 Teoria patrimonialista... 115 Exercícios de fixação... 118 Capítulo 6 BALANÇO PATRIMONIAL... 125 6.1 Ativo... 130 6.1.1 Ativo circulante... 131 6.1.1.1 Disponível... 131 6.1.1.2 Créditos... 132 6.1.1.3 Estoques... 132
Contabilidade Geral e Tributária 13 6.1.1.4 Despesas antecipadas exercício(s) seguinte(s)... 134 6.1.1.5 Entendendo o ativo circulante ou de curto prazo... 137 6.1.2 Ativo não circulante... 139 6.1.2.1 Realizável a longo prazo... 139 6.1.2.1.1 Créditos com pessoas ligadas... 139 6.1.2.1.2 Empréstimos compulsórios... 140 6.1.2.1.3 Títulos a receber... 140 6.1.2.2 Investimentos... 140 6.1.2.3 Imobilizado... 143 6.1.2.4 Diferido... 151 6.1.2.5 Intangível... 155 6.1.2.5.1 Tratamento do ativo intangível... 158 6.2 Passivo... 160 6.2.1 Passivo circulante... 161 6.2.2 Passivo não circulante... 161 6.2.2.1 Passivo exigível a longo prazo... 161 6.2.2.1.1 Debêntures... 162 6.2.2.1.2 Obrigações com pessoas ligadas... 162 6.2.2.2 Ciclo operacional maior que o exercício social... 163 6.2.2.3 Resultados de Exercícios Futuros (REF)... 163 6.2.2.3.1 Receita futura... 164 6.2.2.3.2 Custo/despesa futura... 165 6.2.2.3.3 Reclassificação... 165 6.2.2.3.4 Extinção do grupo REF... 165 6.2.3 Patrimônio líquido... 166 6.2.3.1 Capital social... 167 6.2.3.2 Reservas de capital... 168 6.2.3.2.1 Utilização das reservas de capital... 169 6.2.3.3 Reservas de reavaliação... 169 6.2.3.4 Ajustes de elementos patrimoniais... 172 6.2.3.4.1 Ajuste de avaliação patrimonial... 172 6.2.3.4.2 Ajuste a valor presente... 175 6.2.3.5 Lucros ou prejuízos... 189 6.2.3.5.1 Lucros acumulados Destinação... 190 6.2.3.5.2 Participações nos lucros... 195 6.2.3.5.3 Dividendos obrigatórios... 195 6.2.3.5.3.1 Estatuto omisso... 197
14 Lourivaldo Lopes da Silva 6.2.3.5.4 Distribuição antecipada de lucros... 197 6.2.3.5.5 Distribuição de lucros Restrições... 198 6.2.3.5.6 Reservas de lucros... 207 6.2.3.5.6.1 Reservas para contingências... 208 6.2.3.5.6.2 Retenção de lucros... 208 6.2.3.5.6.3 Reservas estatutárias... 208 6.2.3.5.6.4 Reserva legal... 208 6.2.3.5.6.4.1 Percentual obrigatório em cada exercício... 209 6.2.3.5.6.4.2 Limite da reserva legal... 209 6.2.3.5.6.4.3 Reserva legal Opcional... 210 6.2.3.5.6.5 Reservas de lucros a realizar... 211 6.2.3.5.6.6 Novas reservas de lucros Doações e subvenções... 212 6.2.3.5.6.7 Limite do saldo das reservas de lucros... 217 6.2.3.6 Prejuízo do exercício Amortização... 218 6.2.3.7 Ações em tesouraria... 218 Exercícios de fixação... 221 Capítulo 7 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍ- CIO (DRE)... 227 7.1 Receita líquida de vendas... 230 7.1.1 Vendas canceladas (anuladas)... 231 7.1.2 Abatimentos... 232 7.1.3 Descontos concedidos (incondicionalmente)... 233 7.1.4 Tributos sobre Vendas... 234 7.1.4.1 ICMS... 235 7.1.4.2 O IPI é ou não Imposto sobre Vendas?... 235 7.1.4.3 ISS Imposto Sobre Serviços... 239 7.1.4.4 PIS e Cofins Cobrança cumulativa e não cumulativa.. 240 Déb.: Desp. Depreciação... 252 7.1.4.4.1 Empresas que possuem receitas cumulativas e não cumulativas... 257 7.1.4.4.2 O ICMS e o IPI no crédito do PIS/Pasep e Cofins 258 7.1.4.4.3 PIS e Cofins com alíquotas inalteradas... 260 7.1.4.4.4 Ajuste a Valor Presente... 263 7.1.4.4.5 Caso prático do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos... 265
Contabilidade Geral e Tributária 15 7.2 Lucro bruto resultado com mercadorias... 274 7.3 Resultado operacional (lucro ou prejuízo)... 276 7.3.1 PIS/Pasep e Cofins Despesa operacional... 278 7.4 Resultado antes da contribuição social sobre o lucro... 279 7.4.1 Receitas e despesas não operacionais... 279 7.4.2 Correção monetária do balanço... 280 7.4.3 Cálculo da contribuição social sobre o lucro... 281 7.4.3.1 Alíquota da CSLL... 283 7.5 Resultado antes do imposto de renda... 284 7.5.1 Alíquota e cálculo do imposto de renda... 285 7.6 Resultado antes das participações societárias... 287 7.7 Lucro ou prejuízo líquido do exercício... 296 7.8 Lucro por ação... 297 7.9 Nova demonstração do resultado do exercício e demonstração do Resultado abrangente... 298 7.9.1 Nova DRE... 298 7.9.1.1 Tributos sobre o lucro... 300 7.9.2 Demonstração do resultado abrangente (DRA)... 306 Exercícios de fixação... 310 Capítulo 8 OPERAÇÕES COM MERCADORIAS... 319 8.1 Controle permanente de estoque... 319 8.2 Controle periódico de estoque... 320 8.3 ICMS e IPI na compra e venda de mercadorias... 321 8.3.1 Compra/Devolução de compra/vendas/vendas canceladas. 322 8.3.2 ICMS e IPI na aquisição para não contribuintes... 334 8.4 Avaliação de estoque... 335 8.4.1 Critérios de avaliação... 337 8.4.2 Legislação fiscal Avaliação... 342 8.4.3 Conta mista... 346 Exercícios de fixação... 349 Capítulo 9 COBRANÇA BANCÁRIA... 363 9.1 Cobrança simples... 363 9.2 Duplicatas descontadas... 365
16 Lourivaldo Lopes da Silva Capítulo 10 IMOBILIZADO AVALIAÇÃO... 369 10.1 Reconhecimento do ativo... 369 10.2 Depreciação acelerada Aspectos fiscais... 375 10.3 Depreciação de bens adquiridos usados... 375 10.4 Contabilização... 376 10.5 Mensuração e redução ao valor recuperável... 378 10.6 Baixa de ativo imobilizado... 383 Exercícios de fixação... 385 Capítulo 11 PROVISÕES, ATIVOS E PASSIVOS CONTIN- GENTES... 389 11.1 Definições... 389 11.2 Provisão e outros passivos... 392 11.3 Ativo contingente... 396 11.4 Passivo contingente... 397 11.5 Férias a pagar... 397 11.6 Décimo terceiro salário a pagar... 399 11.7 Ajuste para perdas de créditos... 399 11.7.1 créditos inadimplidos a partir de outubro de 2014... 403 11.8 Ajuste para perdas de investimentos... 404 11.9 Ajuste por perdas de estoques... 407 11.10 Salários a pagar... 407 11.11 Tributos sobre o lucro... 414 Capítulo 12 TRIBUTAÇÃO NO BRASIL... 427 12.1 Livros fiscais Contabilidade paralela... 428 12.2 Simples Nacional... 439 12.3 Lucro Presumido... 443 12.3.1 Forma de tributação Regime de apuração... 445 12.3.2 Opção pela forma de tributação... 445 12.3.3 Entendendo o lucro presumido... 445 12.3.4 Pessoa jurídica exclusivamente prestadora de serviços... 448 12.3.5 Determinação do lucro presumido... 449 12.3.5.1 Atividades diversificadas... 454 12.3.6 Prejuízo fiscal Compensação... 457 12.3.7 Escrituração contábil... 457 12.3.8 Distribuição de lucros ou dividendos... 458
Contabilidade Geral e Tributária 17 12.3.9 Distribuição de lucro fictício... 459 12.3.10 Lucros ou dividendos Isenção... 460 12.3.11 Contabilização da distribuição de lucros antes do encerramento... 460 12.3.12 Mudança de regime Lucro real para lucro presumido ou arbitrado... 461 12.4 Lucro Real... 462 12.4.1 Pessoas jurídicas obrigadas ao lucro real... 462 12.4.2 Forma de tributação Regime de apuração... 463 12.4.3 Lucro real trimestral... 463 12.4.4 Lucro real anual... 465 12.4.5 Opção pela forma de tributação... 465 12.4.6 Pagamento por estimativa... 465 12.3.7 IRPJ e CSLL pagos indevidamente ou a maior... 480 12.5 Lucro arbitrado... 484 12.5.1 Arbitramento do lucro Receita bruta conhecida... 486 12.5.2 Vantagens ou desvantagens do Lucro Arbitrado... 490 12.5.3 Arbitramento do lucro Receita bruta não conhecida... 492 12.5.4 Deduções permitidas... 493 12.5.5 Lucros e dividendos... 493 Exercícios de fixação... 496 Capítulo 13 REMUNERAÇÃO DO CAPITAL PRÓPRIO... 501 13.1 Dedutibilidade dos juros... 501 13.2 Cálculo dos juros sobre patrimônio líquido... 502 13.3 Lucro real trimestral... 504 13.4 Lucro real anual Balanço de suspensão/redução... 505 13.5 Taxa utilizada para fins de dedutibilidade TJLP... 507 13.6 Variação do patrimônio líquido no período-base... 516 13.6.1 Com aumento do patrimônio líquido... 516 13.6.2 Com redução do patrimônio líquido... 517 13.7 Tributação dos juros sobre capital próprio IRF... 519 13.8 Tratamento dos juros e irf s/capital próprio... 519 13.9 Registro contábil dos juros... 520 13.10 Capitalização dos juros sem patrimônio líquido... 522 13.11 Encargos financeiros cobrados sobre os juros... 523 13.12 O JSPL e o regime de competência... 523 13.13 Ajuste para fins de preço de transferência... 523
18 Lourivaldo Lopes da Silva Capítulo 14 DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS... 533 Capítulo 15 DEMONSTRAÇÕES DAS ORIGENS E APLICA- ÇÕES DE RECURSOS... 539 15.1 DRE x DOAR... 539 15.2 Obrigatoriedade de elaboração da DOAR... 540 15.3 Estrutura da DOAR... 541 15.4 Entendendo o ativo e o passivo não circulante... 542 Exercício prático de DOAR Resolvido... 544 capítulo 16 demonstração do Fluxo de caixa (DFC)... 549 16.1 Elaboração do fluxo de caixa... 557 Exercícios de fixação... 570 Exercício de fixação Resolver... 575 Capítulo 17 DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRI- MÔNIO LÍQUIDO... 577 17.1 Elaboração da DMPL... 577 17.2 DMPL e demonstração do resultado abrangente... 582 Exercícios de fixação... 591 Capítulo 18 DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO (DVA)... 593 18.1 Conceito... 593 18.2 Legislação societária... 595 18.3 Estrutura, formação de riqueza e sua distribuição... 597 18.3.1 Riqueza criada pela própria entidade... 603 18.3.2 Valor adicionado recebido em transferência... 605 18.3.3 Distribuição da riqueza... 605 18.4 Exigências complementares da NBC T 3.7... 611 18.5 Roteiro a seguir para a elaboração da DVA... 611 Exercícios de fixação... 631 Capítulo 19 NOTAS EXPLICATIVAS... 643 Capítulo 20 PLANO DE CONTAS... 647
Contabilidade Geral e Tributária 19 Capítulo 21 ENCERRAMENTO PERIÓDICO... 663 APÊNDICE... 671 BIBLIOGRAFIA... 681
INTRODUÇÃO A Contabilidade sempre ocupou um lugar de destaque no mundo dos negócios. No mundo globalizado e na velocidade como as coisas acontecem, esta ciência tem colaborado como instrumento fundamental no processo de mensuração e de informações para tomada de decisões. À medida que as coisas vão evoluindo, a Contabilidade também passa por seu processo evolutivo. É oportuno lembrar que a Lei nº 6.404/1976 (Lei das Sociedades Anônimas), apesar de carecer de algumas reformulações, trouxe grandes melhorias e um significativo avanço nas informações contábeis por meio dos demonstrativos contábeis por ela exigidos. O presente trabalho foi escrito com a finalidade de poder servir de texto-base para a disciplina de Contabilidade Geral nos cursos de graduação em Ciências Contábeis, Administração, Economia, cursos preparatórios para concursos públicos, além de ser útil ao estudo da Contabilidade como um todo, tomando como base a Lei nº 6.404/1976, Lei das Sociedades Anônimas. Vale lembrar que a partir de 2008, a Contabilidade brasileira sofreu expressivas mudanças, com a alteração da referida Lei, pelas Leis n os 11.638/2007 e 11.941/2009, no sentido de Convergência com as regras internacionais de contabilidade International Financial Reporting Standards (IFRS), com ênfase a partir de 2010 mediante a publicação da Resolução CFC nº 1.255, de 10 de dezembro de 2009, que entrou em vigor em janeiro de 2010. As mudanças estão contempladas neste livro, e podemos afirmar, que a partir de 2010 os profissionais de contabilidade passarão a viver uma nova realidade contábil.
22 Lourivaldo Lopes da Silva Na elaboração desta obra, a metodologia utilizada foi a seguinte: Em primeiro lugar, teceremos comentários sobre a Nova Contabilidade Brasileira, as novas regras contábeis e adoção às Normas Internacionais de Contabilidade, bem como os Princípios Fundamentais de Contabilidade, para que o leitor possa se familiarizar com a disciplina, com destaque para o patrimônio e a sua composição. Nos capítulos 2 e 3 foram abordados a Contabilidade em seus os aspectos societários e fiscais; nos capítulos 4 e 5 foi tratado dos registros contábeis, onde o leitor possa entender a conceituação de débito e crédito das contas, os regimes de caixa e competência, bem como uma introdução às Escolas do Pensamento Contábil. No capítulo 6, o objetivo foi elucidar a estrutura do Balanço Patrimonial, discorrendo sobre todos os grupos e subgrupos de contas do ativo, passivo e patrimônio líquido. No capítulo 7 a preocupação foi demonstrar como se elabora uma DRE (Demonstração do Resultado do Exercício e Demonstração do Resultado Abrangente), pelas regras antes e depois da introdução do Brasil na Contabilidade Internacional. A partir daí, foi discorrido sobre como deve se avaliar os estoques pelas regras brasileiras, forma de cobranças de títulos, avaliação de imobilizado provisões, forma de tributação no Brasil e a estrutura e elaboração das demais demonstrações contábeis, tais como DOAR, DFC, DMPL, DVA e NE, além de um modelo de plano de contas que pode ser utilizado em qualquer empresa, independentemente da atividade da mesma. Fazem parte desta obra numerosos exercícios, intercalados nos capítulos, que, ao serem resolvidos, inegavelmente ajudarão o leitor na fixação dos conceitos. O autor
Capítulo 1 A CONTABILIDADE BRASILEIRA E SEUS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS As Normas Internacionais de Contabilidade International Accounting Standard (IAS), atualmente conhecidas como normas IFRS (International Financial Reporting Standard) representam um conjunto de pronunciamentos contábeis publicados e revisados pelo International Accounting Standards Board (IASB). As normas IFRS foram adotadas pelos países da União Europeia, a partir de 31 de dezembro de 2005, com o objetivo de harmonizar as demonstrações financeiras consolidadas publicadas pelas empresas abertas daquele continente. A iniciativa foi internacionalmente acolhida pela comunidade financeira e atualmente mais de cem países do mundo já aderiram a essas regras contábeis, inclusive o Brasil e outros tantos têm projetos oficiais de adesão. O objetivo é a de convergência das normas contábeis para o padrão de contabilidade internacional. Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), criado pela Resolução CFC nº 1.055/2005, tem como meta o estudo, o preparo e a emissão de pronunciamentos técnicos sobre procedimentos de contabilidade e a divulgação de informações dessa natureza, levando em conta a convergência da contabilidade brasileira aos padrões internacionais. Em 30 de outubro de 2009, foi divulgado o Pronunciamento Técnico CPC 37 Adoção Inicial das Normas Internacionais de Contabilidade, que teve como objetivo garantir que as primeiras demonstrações contábeis de uma entidade de acordo com as Normas Internacionais de Contabilidade emitidas pelo International Accouting Standards Board
24 Lourivaldo Lopes da Silva (IASB), doravante referenciadas como International Financial Reporting Standards (IFRS), e as demonstrações contábeis intermediárias para os períodos parciais cobertos por essas demonstrações contábeis contenham informações de alta qualidade e que: a) sejam transparentes para os usuários e comparáveis em relação a todos os períodos apresentados; b) proporcionem um ponto de partida adequado para as contabilizações de acordo com as IFRSs; e c) possam ser geradas a um custo que não supere os benefícios. As normas reguladoras para a inserção do Brasil no Padrão Internacional de Contabilidade, iniciadas com a alteração da Lei nº 6.404/1976 citada anteriormente, são as seguintes, além de outras tantas: 1) Pronunciamento Técnico CPC 37 30.10.2009; Adoção Inicial das Normas Internacionais de Contabilidade. 2) Resolução do Conselho Federal de Contabilidade nº 1.253 10.12.2009 Adoção Inicial das Normas Internacionais de Contabilidade. 3) Resolução do Conselho Federal de Contabilidade nº 1.255 10.12.2009 Contabilidade para Pequenas e Médias Empresas (PMEs). 4) Resolução do Conselho Federal de Contabilidade nº 1.282 28.05.2010 Atualiza e consolida dispositivos da Resolução nº 750/1973 que dispõe sobre os Princípios Fundamentais de Contabilidade. A Resolução nº 1.282/2010 passa a denominar os Princípios Fundamentais de Contabilidade como: Princípios de Contabilidade (PC). 1.1 IMPLEMENTAÇÃO ÀS NORMAS INTERNACIONAIS DE CON- TABILIDADE Para que a contabilidade esteja no novo padrão contábil exigido, discorremos sobre itens que provavelmente envolvem questões que são
Contabilidade Geral e Tributária 25 específicas para os adotantes pela primeira vez do IFRS, sem o aprofundamento na questão, visto que o objetivo deste livro não é discorrer exclusivamente sobre a Contabilidade Internacional, mas sim tecer comentários sobre essa expressiva mudança. Para uma contabilidade dentro de um padrão internacional, é necessário observar o tratamento dado aos itens seguintes, com o correspondente pronunciamento técnico, para que o leitor possa fazer a sua pesquisa e efetuar a correta aplicação nos registros contábeis. Guia de Adoção das Normas Internacionais de Contabilidade (amostra) IAS/IFRS CPC Descrição 10 24 Events after the Reporting Period Evento Subsequente 12 32 Income Taxes Tributos Sobre o Lucro 16 27 Property, Plant and Equipment Ativo Imobilizado 17 06 Lease Operações de Arrendamento Mercantil 18 30 Revenue Receitas 19 33 Employee Benefits Benefícios a Empregados 21 02 The Effects of Change in Foreign Exchange Rates Efeitos das Mudanças nas Taxas de Câmbio e Conversão de Demonstrações Contábeis. 3 15 Business Combinations Combinação de Negócios 27 35/36 Consolidated and Separate Financial Statements Demonstrações Contábeis Separadas e Demonstrações Contábeis Consolidadas 32 39 Financial Instruments: Presentation Instrumentos Financeiros: Apresentação 34 21 Interim Financial Reporting Demonstrações Intermediária 39 38 Financial Instruments: Recongnition and Measurement Instrumentos Financeiros: Reconhecimento e Mensuração 40 28 Investment Property Propriedade para Investimento É importante lembrar que, para se afirmar que as demonstrações contábeis consolidadas estão conforme as Normas Internacionais de Contabilidade do IASB é obrigatório que sejam sempre adotados todos os documentos emitidos por aquela entidade, mesmo quando ainda não emitidos pelo nosso Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC).
26 Lourivaldo Lopes da Silva 1.2 RESOLUÇÃO Nº 750, DE 29.12.1993, DO CFC Os princípios fundamentais de contabilidade representam a essência das doutrinas e teorias relativas à ciência da contabilidade consoante o entendimento predominante nos universos científico e profissional de nosso País. Concernem, pois, à contabilidade, em seu sentido mais amplo de ciência social, cujo objeto é o patrimônio das entidades. Procuramos iniciar a presente obra pelos Princípios Fundamentais de Contabilidade, visto que a palavra princípio, em nosso idioma, possui diversos significados, tais como: começo, origem, surgimento, etc. Cabe, no entanto, destacar que princípio em Contabilidade tem seu próprio significado; acreditamos que o leitor, ao assimilar e familiarizar- -se com os referidos princípios, seguramente conseguirá, assim, grande facilidade e sólidos conhecimentos nesta magnífica ciência. Conforme referido, os Princípios Fundamentais de Contabilidade representam a essência das doutrinas relativas à ciência da Contabilidade e, assim, reproduzimos aqui o seu significado mais apropriado, que é o de norma, preceito, regra, alicerce, requisitos primordiais, conforme preceitua o art. 1º, 1º, da Resolução nº 750/1993: A observância dos Princípios Fundamentais de Contabilidade é obrigatória no exercício da profissão e constitui condição de legitimidade nas Normas Brasileiras de Contabilidade. Lembramos que a referida Resolução CFC foi atualizada e consolidada pela Resolução CFC nº 1.282, de 28 de maio de 2010. Inicialmente, procuramos abordar os princípios de forma resumida, no objetivo de facilitar o entendimento em alguns aspectos conceituais, à medida que o assunto vai tomando corpo. São Princípios Fundamentais de Contabilidade: I o da Entidade; II o da Continuidade; III o da Oportunidade; IV o do Registro pelo Valor Original (Custo Histórico); V o da Atualização Monetária; VI o da Prudência ou Conservadorismo; VII o da Competência.