O Homem e o Conhecimento

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Transcrição:

O Homem e o Conhecimento Objetivos "O método são regras precisas e fáceis, a partir da observação exata das quais se terá certeza de nunca tomar um erro por uma verdade, e, sem aí desperdiçar inutilmente as forças de sua mente, mas ampliando seu saber por meio de um contínuo progresso, chegar ao conhecimento verdadeiro de tudo do que se é capaz." René Descartes Nesta apresentaremos os modos de aquisição do saber, mas dando especial atenção ao conhecimento do senso comum e ao conhecimento científico. Ao final de nosso encontro, esperamos que você seja capaz de destacar alguns aspectos importantes da natureza do saber científico e compará-los com o conhecimento proveniente da intuição ou da tradição.

1.1 Conhecimento e ciência Ao longo dos tempos, o homem, num processo lento, vem reunindo extensas informações que foram denominadas conhecimento. A necessidade levou o homem primitivo a observar as coisas que estavam próximas de si: as plantas, os animais, os fenômenos da natureza etc.; passou a criar objetos simples, a praticar a cura. E, por meio da imaginação e interpretação, criou mitos que explicavam certos acontecimentos. A partir de experiências cotidianas, criou culto mágico para se comunicar com os espíritos que, segundo suas concepções, controlavam as forças do mundo. Foram produzidos conhecimentos de astrologia, astronomia, numerologia etc.; o homem, por intermédio da observação e da experimentação, aos poucos foi desvendando os fenômenos que estavam ao alcance de sua inteligência. Os métodos foram aperfeiçoados e o conhecimento dos povos antigos foi aprimorado até chegar ao conhecimento contemporâneo. Os cientistas modernos provocaram um grande avanço nos métodos de pesquisa, nas técnicas, na ordenação formal da coleta de dados, produzindo novos conhecimentos em todas as áreas do saber. Em um curto espaço de tempo, os conhecimentos foram completamente alterados, portanto, o conhecimento não nasce pronto, ele é histórico; nada se apresenta como definitivamente pronto, sem que antes tenha sido germinado no tempo. Assim, o desenvolvimento da ciência, de maneira geral, é resultado da atividade humana; o homem cria as suas necessidades e, para resolvê-las, produz um conhecimento. A essa seqüência permanente de acréscimos de conhecimentos racionais e verificáveis da realidade, denominamos ciência. Por relacionar-se com o mundo de várias formas, o homem utiliza-se de diversas formas de conhecimentos, por intermédio dos quais evolui e faz evoluir o meio em que vive. O conhecimento, dependendo de como é representado, pode ser, de modo geral, classificado nos seguintes tipos: mítico, artístico, filosófico, teológico, senso comum, científico, dentre outros. Em nosso estudo, vamos analisar o conhecimento do senso comum e o científico, por constituírem as formas que mais interferem na vida cotidiana do homem. Atividade 1 Já na antigüidade existia a preocupação da divisão das ciências em função da dificuldade do domínio de todas as ciências e das proporções universais de suas ramificações. Assim, obedecendo a um esquema classificatório, as diversas ciências seriam agrupadas com seus objetos particulares e dentro de suas áreas específicas. Existem várias classificações, como por exemplo, a de Aristóteles, de Bacon, de Ampère, de Comte, de Spencer, a 2

1.2 moderna e outras. Classificação das Ciências Segundo Aristóteles A classificação de Aristóteles não tinha a preocupação em relacionar e formar com as ciências um só conjunto. TEÓRICAS: PRÁTICAS: POÉTICAS: têm por objeto o conhecimento puro Física, matemática e metafísica; têm por finalidade o comportamento humano Ética, economia e política; têm por objeto as obras produzidas pelo homem Faça uma pesquisa sobre as classificações das ciências ao longo dos tempos e publique o resultado na Galeria para que seus colegas também tenham acesso. Conhecimento do Senso Comun Também é chamado de conhecimento ordinário, comum ou empírico, o conhecimento do senso comum é a forma mais simples que homem utiliza para interpretar a si mesmo, o seu mundo e o universo como um todo, está fundamentado apenas em experiências vivenciadas ou transmitidas de pessoas para pessoas, podendo também ter origem em experiências casuais, por meio de erros e acertos, sem a fundamentação metodológica. :: empírico Baseado na experiência; é, muitas vezes, um movimento pré-lógico do pensamento, da ordem da intuição. Conheça mais navegando: Senso Comun: http://www.terravista.pt/mussulo/ 3226/senso_comum.html O conhecimento do senso comum tem as seguintes características: Espontaneidade: o senso comum surge em conseqüência da necessidade do homem em resolver problemas com os quais defronta em seu cotidiano pelo contato direto com os fatos e fenômenos que são percebidos principalmente através da percepção sensorial. Ele é, quase sempre, ligado à vivência, portanto, é elaborado de maneira espontânea e instintiva, sem seguir uma metodologia, permanecendo num nível superficial sem um aprofundamento crítico e racionalista. É utilizado sem a preocupação da explicação dos fundamentos teóricos que demonstram sua correção ou confiabilidade transformando-se assim, em convicções e crenças que são incorporadas à uma determinada cultura. Subjetividade: o conhecimento do senso comum, por estar ligado à vivência, à ação e à percepção orientadas pelo imediatismo e pelas crenças pessoais, é subjetivo e limitado, estabelecendo relações vagas e superficiais com a realidade, não existindo sobre ele, uma crítica sistemática. As interpretações são definidas pelos interesses, crenças convicções pessoais e expectativas presentes no sujeito que as elabora, fazendo com que as explicações e informações produzidas tenham um forte vínculo subjetivo estabelecendo relações vagas e superficiais com a realidade. 3

Linguagem vaga: a linguagem usada no conhecimento do senso comum contém termos e conceitos vagos, que não delimitam a classe de coisas, idéias ou eventos designados. O significado dos conceitos é resultado do uso individual, subjetivo e espontâneo que se enriquece e se modifica ptinamente em função da convivência num determinado grupo. As palavras adquirem sentidos diferenciados de acordo com as pessoas e grupos que as utilizam, os termos têm significado dependendo do momento e do contexto no qual são utilizados e ainda da intenção de quem os utiliza. Validade: quase sempre as técnicas e informações são utilizadas desconhecendo-se as razões que justificam as suas correta aplicação ou aceitação. O senso comum é útil, eficaz e correto quando as informações acumuladas aplicam-se ao mesmo tipo de fatos que se repetem e se transformam em rotina e quando as condições e fatores determinantes desses fatos forem constantes. Porém, quando as circunstâncias ou condições são alteradas, ficase sem saber explicar as causas do insucesso. 1.3 Atividade 2 A intuição é uma forma de conhecimento imediato que não recorre ao raciocínio, é espontâneo. Dê exemplos de um saber construído modo intuitivo. Atividade 3 Na família, na comunidade em diversas escalas, a tradição lega saber que parece útil a todos e que se julga adequado conhecer para conduzir a vida. Do mesmo modo, sem provas metodicamente elaboradas, autoridades se encarregam da transmissão da tradição. Dê exemplos de um saber proveniente da tradição ou da autoridade. O Conhecimento Científico Conheça mais navegando: O Espírito Científico: http://sites.uol.com.br/ scm2000/espiritocientifico.html :: intuição Forma de conhecimento imediato que não recorre ao raciocínio; é por excelência, o tipo do saber espontâneo. :: sujeito Nossa mente, nossa consciência :: objeto conhecido Os fatos, acontecimentos, objetos e fenômenos da realidade O homem verificou que o saber fundamentado na intuição, no senso comum ou na tradição era muito frágil o que o levou a construir um conhecimento mais confiável, que fosse metodicamente elaborado: o conhecimento científico. Todo conhecimento representa uma relação entre o sujeito e o objeto conhecido. Assim, o conhecimento pode significar tanto o processo de conhecer como o produto desse processo. O conhecimento científico é um produto resultante da investigação científica; surge não apenas da necessidade de encontrar soluções para problemas de ordem prática da vida cotidiana - senso comum, mas também do desejo de fornecer explicações sistemáticas que possam ser testadas e criticadas através de provas. Exige demonstrações, submete- 4

se à comprovação, ao teste; consiste no conhecimento causal e metódico dos fatos, dos acontecimentos e dos fenômenos; estabelece a relação sujeito-conhecimento, colocando uns em relação aos outros de modo que é possível descobrir a uniformidade das suas causas e de seus efeitos. Portanto, o conhecimento científico se caracteriza pela presença do acolhimento metódico e sistemático dos fatos da realidade. Por meio da classificação, comparação, da aplicação dos métodos, da análise e síntese, o pesquisador extrai do contexto social, ou do universo, princípios e leis que estruturam um conhecimento rigorosamente válido e universal. Podemos citar as seguintes características para o conhecimento científico: Racionalidade: que corresponde a sistematização coerente do conhecimento presente em todas as suas leis e teorias, expressa através dos enunciados que confrontados entre si. Tais enunciados devem apresentar um elevado nível de consistência lógica entre suas afirmações que proporciona a sua aceitação ou rejeição por parte da comunidade científica. Objetividade: que se fundamenta em dois fatores, a possibilidade de um enunciado, construído mediante hipóteses fundamentadas em teorias, ser testado através de provas fatuais e a possibilidade dessa testagem e seus resultados poderem passar pela avaliação crítica. Portanto a objetividade garante que uma teoria seja verdadeira, evidente, impessoal, passível de ser submetida a testes experimentais e aceitas pela comunidade científica como provadas em sua veracidade. Ao contrário do senso comum, o conhecimento científico não aceita a opinião ou o sentimento de convicção como fundamento para justificar a aceitação de uma afirmação, exige a possibilidade da testagem experimental e da avaliação de seus resultados de forma intersubjetiva. Linguagem específica: ao contrário do senso comum, a linguagem do conhecimento científico utiliza enunciados e conceitos com significados bem específicos e determinados. Os conceitos são definidos à luz das teorias que servem de marcos teóricos da investigação, proporcionando-lhes, dessa forma, um sentido único, universal e consensual. Validade: o conhecimento científico é produzido a partir de uma metodologia rigorosamente articulada que permite que se chegue às mesmas conclusões quando reproduzido nas mesmas condições, se orienta na direção da localização e eliminação do erro, através da discussão objetiva de suas explicações, dos seus enunciados e de suas teorias. É construído através de procedimentos que demonstram atitude científica e que, por proporcionar condições de experimentação de suas hipóteses de forma sistemática, controlada e objetiva e ser exposta à crítica, oferece maior segurança e confiabilidade nos seus resultados e maior consciência dos limites de validade de suas teorias. 5

1.4 Atividade 4 Dê exemplos de um saber construído cientificamente. Atividade 5 Dê exemplos de noções e/ou preconceitos do senso comum que foram desmentidos pelas ciências. Conduta na Produção do Conhecimento Produzir conhecimento é uma capacidade e uma necessidade do homem; para tanto, dispomos de certos recursos lógicos e metodológicos que nos auxiliam a obter um conhecimento mais adequado e mais revelador dos significados que podem ter uma manifestação no mundo real. A conduta na produção do conhecimento é orientada por princípios que apresentam certos elementos metodológicos e de conduta moral, são eles (evidentemente, não são os únicos): Orientar-se pelo espírito crítico: que significa analisar rigorosamente as circunstâncias e fenômenos, buscando observar se as conclusões e/ou afirmações emitidas sobre os mesmos resistem a um confronto com os dados. Portanto, consiste na busca de ver, o mais objetivamente possível, a realidade; analisá-la; escolher, num processo reflexivo, as possibilidades de encaminhamento que a própria realidade exige. O espírito crítico na produção do conhecimento está diretamente associado à busca do sentido da prova, a opor-se ao dogmatismo e à firmeza. Orientar-se pelo senso de realidade: que significa uma atitude de abertura à realidade, na disponibilidade constante de apreendê-la como ela é, mesmo que isso não se apresente como conveniente. É esta abertura que faz com que o pesquisador seja capaz de não somente superar seus próprios esquemas, preconceitos e interesses, como também de constatar se suas verdades e certezas estão fundamentadas no real. Orientar-se pela humildade: que corresponde a coragem de reconhecer que as explicações hipotéticas, até então consideradas válidas, não eram suficientemente convincentes; é reconhecer que a realidade é diferente daquilo que se imaginava que ela fosse; é ser igualmente capaz de constatar que a explicação levantada é válida e aceitável. Agir corajosamente: não colocar o conhecimento a serviço de um poder repressor e destruidor de valores, e sim a serviço da liberdade e do crescimento do homem. Agir com capacidade de comunhão: espírito de abertura e de união aos outros na busca da verdade, considerando que o conhecimento não é fruto do esforço isolado de uma pessoa, nem o resultado de um determinado momento histórico. 6 :: dogmatismo Dogmatismo significa de um lado, a incapacidade de ver e interpretar a realidade diferente da indicada pelos esquemas, interesses, valores e conveniências pessoais; de outro, significa, também, a tentativa de impor este mesmo conjunto de valores e interesses aos outros.

Agir de modo questionador e criativo: considerando que nenhum conhecimento é definitivo e que nenhum resultado é exaustivo e que todo e qualquer conhecimento é relativo e, deste modo, insuficiente e imperfeito, o questionamento e a criatividade é que movem a mente humana na direção da descoberta. Agir com perseverança e tenácia: o resultado final de uma investigação, nunca é ocasional, é sempre fruto de um processo intencional, longo, cansativo e, muitas vezes, desgastante. A perseverança e a tenacidade muitas vezes nos revelam os modos de não fazer. Síntese Podemos dizer que a Ciência é uma forma de conhecimento que procura, com rigor, utilizando-se de um instrumental metodológico, buscar um entendimento do mundo que auxilie o ser humano a viver melhor e mais adequadamente, desde que torne o mundo mais compreensível e, por isso mesmo, mais transformável segundo suas necessidades. Assim, podemos afirmar que o conhecimento, em primeiro lugar e antes de tudo, é uma forma teórico-prática de compreensão do mundo. 7

História da Ciência Prof. Carlos Honório