Capítulo 4 Operação do Irrigâmetro Preparação da água de abastecimento Adicionar cinco litros de água filtrada em um balde e acrescentar apenas uma pitada de sulfato de cobre, misturando o suficiente para solubilizar o sal. O sulfato de cobre evita a formação de lodo que pode alterar o funcionamento do Irrigâmetro e dar aspecto desagradável ao aparelho. Entretanto, o excesso de sulfato de cobre contribui para formação de uma película na superfície da água do Evaporatório, podendo alterar a evaporação e a estimativa da evapotranspiração. Preparo do Irrigâmetro para operar pela primeira vez 1. Fechar as válvulas de Abastecimento (Fig.2-2), de Drenagem e a Interconectora (Fig.2-6) e abrir a Válvula de Escapamento (Fig.2-2).
80 Manual do Irrigâmetro 2. Adicionar a água do balde, preparada no item anterior, no Reservatório de Alimentação (Fig.2-1). 3. Abrir a Válvula de Abastecimento. Quando o nível de água no Tubo de Alimentação (Fig.2-4) atingir a marca vermelha acima do valor zero da escala laminar, fechar a Válvula de Abastecimento, mantendo a Válvula de Escapamento aberta. 4. Abrir rapidamente a Válvula Interconectora para expulsar o ar contido no interior do Tubo Flexível (Fig.2-10). 5. Fechar a Válvula Interconectora. 6. Abrir novamente a Válvula de Abastecimento para que a água seja reposta no Tubo de Alimentação até atingir a marca vermelha. Em seguida, efetuar o seu fechamento. 7. Fechar a Válvula de Escapamento. 8. Abrir a Válvula de Drenagem até esgotar a água do Tubo de Borbulhamento (Fig.2-2), fechando-a em seguida. Isto ocorre com o início de borbulhamento no interior do Tubo de Alimentação. 9. Posicionar a marca da Haste Deslizante (Fig.2-9) no valor indicado para a fase de desenvolvimento (Figuras 40 a 44) em que a cultura se encontra no campo, de acordo com a recomendação apresentada na Tabela 13.
Operação do Irrigâmetro 81 Figura 40. Logo após o plantio, a face G da Régua de Manejo deve ficar voltada para frente e o nível da água recomendado no Evaporatório deve ficar em 2 cm. Figura 41. Após a germinação, a face 1 da Régua de Manejo deve ficar voltada para frente, com o nível da água recomendado no Evaporatório em 2,5 cm.
82 Manual do Irrigâmetro Figura 42. Com 10% de cobertura do solo, a face 2 da Régua de Manejo deve ficar voltada para frente, com o nível da água recomendado no Evaporatório em 3,5 cm. Figura 43. Com 80% de cobertura do solo, a face 3 da Régua de Manejo deve ficar voltada para frente, com o nível da água recomendado no Evaporatório em 4,5 cm.
Operação do Irrigâmetro 83 Figura 44. Após início da maturação, se houver necessidade de irrigação, a face 3 da Régua de Manejo deve permanecer voltada para frente, com o nível da água recomendado no Evaporatório em 3,5 cm. Uma vez posicionado o Evaporatório (Fig.2-8) no nível adequado, apertar as borboletas para a sua fixação. 10. Com a Seringa, retirar a água do Evaporatório até o nível atingir o valor de 1 cm na sua régua interna. 11. Abrir a Válvula Interconectora (Fig.2-6). O borbulhamento irá ocorrer até que a água no Evaporatório (Fig.2-8) atinja o valor estabelecido na Régua de Nível (Fig.2-7), com tolerância de mais ou menos 1 mm. Caso isto não se verifique, deve-se rever o nivelamento do Braço. O ajuste na altura da água pode ser feito com ligeira movimentação da Barra de Fixação (Fig.2-12), efetuando-se posteriormente nova compactação do solo próximo à base.
84 Manual do Irrigâmetro Tabela 12. Valores do nível de água no Evaporatório de acordo com as fases de desenvolvimento da cultura Fase de desenvolvimento da cultura* Face da Régua de Manejo Faixa de valores do nível de água no Evaporatório (cm) Nível recomendável** (cm) Germinação G 1,0 a 2,5 2,0 1 1 1,5 a 3,0 2,5 2 2 2,5 a 4,0 3,5 3 3 3,5 a 5,0 4,5 4 3 2,5 a 4,0 3,5 * Germinação - do plantio até a emergência; Fase 1 da emergência até 10% de cobertura do solo; Fase 2 de 10 a 80% de cobertura do solo ou início do florescimento; Fase 3 após 80% de cobertura do solo ou do início do florescimento até o início da maturação; Fase 4 - do início da maturação até a colheita. ** O desenvolvimento de pesquisas regionais poderá indicar ajustes nos valores acima. Em geral, na época fria do ano, recomenda-se estabelecer o nível de água no Evaporatório com valor contido na metade inferior de cada faixa para a fase respectiva. Por outro lado, na época quente do ano, recomenda-se usar um valor contido na metade superior da faixa. Caso ocorra superestimativa da evapotranspiração, deve-se reduzir o nível da água no Evaporatório, elevando-o. No entanto, se for observada subestimativa da evapotranspiração, deve-se aumentar o nível da água no Evaporatório, abaixando-o. No caso de plantio direto, os valores dos níveis recomendáveis na Tabela 12 podem ser reduzidos em 0,5 cm. Esta redução também é recomendável em locais com umidade relativa do ar baixa e com maior velocidade do vento (> 3 m/s).
Operação do Irrigâmetro 85 12. Fechar a Válvula Interconectora e abrir a Válvula de Escapamento. Em seguida, abrir a Válvula de Abastecimento e fechá-la quando o nível da água no Tubo de Alimentação atingir a marca vermelha, acima do valor zero na escala laminar. Fechar a Válvula de Escapamento. 13. Abrir a Válvula de Drenagem, verificando a ocorrência de borbulhamento. Fechar esta válvula de maneira a estabelecer o nível da água no valor zero da escala laminar do Tubo de Alimentação. Com a prática, esse controle pode ser melhor efetuado pela visualização e contagem do número de bolhas liberadas no Tubo de Borbulhamento. Caso os níveis de água dos tubos de Alimentação e de Borbulhamento desçam juntos, é indicação que a Válvula de Escapamento não está devidamente fechada, provocando entrada de ar no interior do aparelho. 14. Abrir a Válvula Interconectora para iniciar o manejo da irrigação. 15. O procedimento descrito neste item é aplicável apenas nos casos de irrigação por gotejamento e microaspersão. Caso contrário deve-se ir para o próximo item Conduzindo o manejo da irrigação. No caso de irrigação localizada, quando a percentagem de área molhada e a percentagem de área sombreada forem menores que 60%, os valores do nível de água, apresentados na Tabela 12, devem ser corrigidos multiplicando-os por um fator da Tabela 13 e pela percentagem de área molhada ou sombreada, a que tiver maior valor.
86 Manual do Irrigâmetro N E = N R x F C x P em que N E = nível de água no Evaporatório em manejo de irrigação localizada, cm; N R = nível de água recomendado no Evaporatório de acordo com a Tabela 12, cm; F C = fator de correção do nível de água no Evaporatório, de acordo com a Tabela 13, e P = maior valor entre as percentagens de área molhada (P W ) e de área sombreada (P S ). Tabela 13. Fator de correção do nível de água no Evaporatório de acordo com as fases de desenvolvimento da cultura para irrigação localizada Fase de desenvolvimento Fc - Fator de correção da cultura 1 0,026 2 0,020 3 0,017 4 0,015 A Figura 45-A mostra a irrigação do coqueiro em que a área molhada pelo microaspersor é maior que a área sombreada pela planta jovem. Por outro lado, quando o coqueiro se encontra desenvolvido (Figura 45-B), a área
Operação do Irrigâmetro 87 sombreada pela planta adulta torna-se maior que a área molhada pelo microaspersor. (A) (B) Figura 45. Irrigação do coqueiro com área molhada maior que a área sombreada (A). Quando a planta está bem desenvolvida (B), a área sombreada pode se tornar maior que a área molhada pelo microaspersor. Exemplo 14. Uma lavoura de café plantada no espaçamento 3,0 x 1,0 m está sendo irrigada por gotejamento. A projeção da copa ao longo da fileira de plantas tem largura aproximada de 1,60 m. As plantas estão iniciando o florescimento e o irrigante precisa alterar a posição da face da Régua de Manejo e a posição do nível da água no Evaporatório. Ao longo de cada fileira de plantas existe uma linha lateral com gotejadores espaçados de 0,50 m e vazão de 2,75 L/h, formando uma faixa
88 Manual do Irrigâmetro molhada de 0,80 m de largura. Nesta condição, qual deve ser a posição do nível da água no Evaporatório? A cultura do café se encontra na fase de desenvolvimento número 3. Se esta cultura estivesse sendo irrigada por aspersão, o nível recomendado da água no Evaporatório seria 4,5 cm, de acordo com a Tabela 12. No entanto, como a cultura é irrigada por gotejamento, torna-se necessário fazer a correção do nível de água no Evaporatório porque a necessidade de água é menor. Na Tabela 13, observa-se que o fator de correção para a fase 3 é 0,017. As percentagens das áreas molhada (Pw) e sombreada (Ps) devem ser calculadas. No cálculo do valor do nível de água no Evaporatório deverá ser considerado o maior valor entre Pw e Ps. P w Aw = E E em que: G L 100 P W = percentagem de área molhada; A W = área molhada, m 2 ; E G = espaçamento entre gotejadores na linha lateral, m; e E L = espaçamento entre linhas laterais, m. A área molhada por gotejador é calculada por: A w = L x E G
Operação do Irrigâmetro 89 em que L é a largura da faixa molhada. Neste caso, L é igual a 0,80 m. Portanto: A w = 0,80 x 0,50 = 0,40 m A percentagem de área molhada é: P w 0,40 = x 100 = 26,7% 0,50 x 3,0 2 A percentagem de área sombreada é calculada dividindo-se a área sombreada por planta pela área por ela representada. P S AS = E E P em que: F 100 P S = percentagem de área sombreada; A S = área sombreada por planta, m 2 ; E P = espaçamento entre plantas na fileira, m; e E F = espaçamento entre fileiras de plantas, m. A área sombreada por planta é calculada por: A s = E P x L F em que L F é a largura da projeção da fileira de plantas. Neste caso, L F é igual a 1,60 m. Portanto: A s = 1,0 x 1,60 = 1,60 m 2
90 Manual do Irrigâmetro P S 1,60 = x 100 = 53,3% 1,0 x 3,0 Neste caso, a percentagem de área sombreada (53,3%) é maior que a percentagem de área molhada (26,7%). Sendo ambas menores que 60%, há a necessidade de se fazer a correção do valor 4,5 cm da Tabela 12. Assim, a posição do nível da água no Evaporatório (N E ) deverá ser de: N E = 4,5 x 0,017 x 53,3 = 4,1 cm. Exemplo 15. Uma produtora do Projeto Jaíba, localizado no Norte de Minas Gerais, está usando o Irrigâmetro no manejo da irrigação da cultura da atemóia que se encontra na fase de frutificação. Nesta época, a cultura está com percentagem de área sombreada igual a 78% e é irrigada por microaspersão, com percentagem de área molhada igual a 73%. Pergunta-se: a) Nessa condição, como deve estar instalada a Régua de Manejo e em que posição deve estar o nível de água no Evaporatório? Como a cultura se encontra na fase de desenvolvimento 3, de acordo com a Tabela 12, a Régua de Manejo deve estar com a face 3 voltada para frente. Como as percentagens de área molhada e sombreada são superiores a 60%, não há necessidade de corrigir o valor do nível de água recomendado no Evaporatório, que de acordo com a Tabela 12, deve ser de 4,5 cm. No entanto, como a umidade relativa do ar está baixa, recomenda-se reduzir 0,5
Operação do Irrigâmetro 91 cm, devendo-se ajustar a Régua de Nível em 4,0 cm, para evitar superestimativa da evapotranspiração da cultura. b) Para iniciar novo ciclo da cultura, foi feita uma poda drástica das plantas de atemóia. Neste caso, como deve estar posicionada a Régua de Manejo e em qual posição deverá ficar o nível da água no Evaporatório? Como se trata de cultura perene e as plantas de atemóia já atingiram a maturidade, o sistema radicular já se encontra desenvolvido. Assim, não há necessidade de alterar a posição da Régua de Manejo que deve ficar com a face 3 voltada para frente. Com a poda drástica, a percentagem de área sombreada ficou muito baixa por causa da pequena área foliar remanescente. Assim, a cultura retorna para a fase 1 com nível recomendável da água no Evaporatório igual a 2,5 cm, de acordo com a Tabela 12. Não há necessidade de corrigir esse valor, pois a percentagem de área molhada não muda, permanecendo superior a 60%. Se a condição climática continuar com umidade relativa baixa, é recomendável reduzir 0,5 cm, estabelecendo-se a marca vermelha da Haste Deslizante em 2,0 cm na Régua de Nível. Observação: Em casos de podas normais, com área foliar remanescente ainda expressiva, como é o caso de poda na cultura da goiaba, a Régua de Manejo também permanece com a face 3 voltada para frente, mas a cultura retorna para a fase de desenvolvimento 2. Portanto, o nível de água no Evaporatório deverá ser posicionada em 3,5 cm, conforme
92 Manual do Irrigâmetro Tabela 12. Em local com baixa umidade do ar e com vento forte, este valor também deve ser reduzido em 0,5 cm. Conduzindo o manejo da irrigação 1. Irrigação Preliminar O manejo da irrigação deve ser iniciado com o solo úmido. Para tanto, deve-se fazer uma irrigação preliminar visando elevar a umidade do solo à capacidade de campo. Para fins práticos, quando o solo estiver inicialmente seco, recomenda-se aplicar uma lâmina de água de 10 a 15 mm, no caso de solos arenosos, de 15 a 25 mm, no caso de solos de textura média, e de 25 a 40 mm, no caso de solos argilosos. O tempo de irrigação, nos casos de sistemas de aspersão convencional, gotejamento e microaspersão, ou a velocidade de deslocamento nos casos de pivô central e sistema linear, podem ser obtidos no próprio Irrigâmetro. Por exemplo, vamos considerar que o Irrigâmetro da Figura 46 esteja sendo usado no manejo da irrigação num solo de textura argilosa. Caso se deseje aplicar 20 mm numa irrigação preliminar, o tempo recomendável é de 2 horas (Figura 46-B).
Operação do Irrigâmetro 93 Figura 46. Irrigâmetro preparado para o início do manejo da irrigação.
94 Manual do Irrigâmetro Uma vez atendida a condição de solo úmido, o Irrigâmetro deve ser preparado de acordo com a fase ou estádio de desenvolvimento em que a cultura se encontra no campo. Duas situações podem ocorrer: (1) início do manejo com o plantio da cultura e (2) início do manejo com a cultura já implantada, em desenvolvimento. 2. Preparando o Irrigâmetro No caso de início do manejo com o plantio da cultura, de acordo com a Tabela 12, o Irrigâmetro deve ser preparado com a face G da Régua de Manejo (Figura 46-A) voltada para frente e com a marca da Haste Deslizante na direção do valor na Régua de Nível indicado para a fase de germinação da cultura (Figura 46-C). No caso de início do manejo com a cultura em desenvolvimento, deve-se certificar em qual fase ela se encontra. De acordo com a Tabela 12, se a cultura estiver na fase 1, o Irrigâmetro deve ser preparado com a face 1 da Régua de Manejo voltada para frente e com a marca de nível da Haste Deslizante na direção do valor indicado para a fase 1 de desenvolvimento da cultura. Se a cultura estiver na fase 2, o Irrigâmetro deve ser preparado com a face 2 da Régua de Manejo voltada para frente e com a marca de nível da Haste Deslizante na direção do valor indicado para a fase de desenvolvimento 2. Se estiver na fase 3, a face 3 da Régua de Manejo deve ficar voltada para frente e com a marca de nível da Haste Deslizante na direção do valor indicado para a fase de desenvolvimento 3 da cultura. Caso seja necessário irrigar na fase 4, deve-se apenas posicionar
Operação do Irrigâmetro 95 a marca de nível da Haste Deslizante na direção do valor indicado para a fase 4, mantendo-se a face 3 da Régua de Manejo. 3. Iniciando o manejo da irrigação O manejo deve ser iniciado logo após a ocorrência de uma irrigação preliminar, com aplicação de uma lâmina suficiente para repor o déficit de água no solo, de acordo com recomendação apresentada no item 1. Neste momento, o Irrigâmetro já deve estar preparado. 4. Quando irrigar O momento adequado para irrigar a cultura é indicado na Régua de Manejo, bastando-se observar o nível da água no Tubo de Alimentação em relação às faixas coloridas. Se o nível da água estiver na direção da faixa azul não se deve irrigar, pois sinaliza alta disponibilidade de água no solo. A irrigação nessa condição pode provocar encharcamento e perda de nutrientes para camadas mais profundas do solo. Se o nível da água estiver na direção da faixa verde, é sinal de que ainda há boa disponibilidade de água no solo e que também não é necessário irrigar a cultura. Entretanto, nos casos de irrigações efetuadas apenas no período noturno, pode ser necessário irrigar com maior freqüência e menor tempo de funcionamento. Assim, o operador pode decidir pela irrigação quando o nível da água se encontrar na direção da faixa verde.
96 Manual do Irrigâmetro Quando o nível da água descer a ponto de atingir o início da faixa amarela é um alerta do momento de irrigar. O comprimento da faixa amarela estabelece uma margem de segurança no indicativo do momento de irrigar. Neste caso, a decisão de irrigar ou não cabe ao irrigante. Havendo margem de segurança ou indício de possibilidade de ocorrência de chuva, o irrigante pode aguardar o dia seguinte. Caso o nível da água abaixe a ponto de atingir a faixa vermelha, o Irrigâmetro estará indicando baixa disponibilidade de água no solo, mostrando ao irrigante que o momento da irrigação já passou. Portanto, uma atenção maior neste sentido é importante, pois existem sérios riscos de redução significativa na produtividade da cultura, que se acentuam quanto mais baixo estiver o nível da água. 5. Quanto irrigar Havendo a decisão de irrigar, a quantidade de água necessária para a cultura estará indicada no Tubo de Alimentação do Irrigâmetro. De acordo com o sistema de irrigação do produtor, o Irrigâmetro estará equipado com uma régua apropriada que vai definir o tempo de irrigação ou a velocidade de deslocamento do equipamento. 5.1. Aspersão Convencional, Gotejamento e Microaspersão No caso de irrigação com um desses sistemas, o Irrigâmetro estará equipado com uma Régua Temporal, específica para as características do sistema de irrigação do
Operação do Irrigâmetro 97 produtor. O tempo que o sistema de irrigação deve funcionar para aplicar a quantidade de água indicada no Tubo de Alimentação é facilmente obtido na Régua Temporal, observando-se o valor do tempo de irrigação que coincide com o nível da água. Exemplo 16. Um produtor do município de Coimbra, MG, está cultivando feijão que se encontra na fase de florescimento, sendo irrigado por aspersão convencional. Os aspersores do sistema de irrigação aplicam no solo uma lâmina líquida média de 10 mm em uma hora. Assim, o modelo de Régua Temporal que equipa o Irrigâmetro deste produtor é a régua 10. Análises preliminares das características físicohídricas do solo indicaram uma disponibilidade total de água de 1,2 mm/cm de solo. Assim, o modelo da Régua de Manejo que equipa o Irrigâmetro é CS 1.2. a) Nesta situação, como deve estar posicionada a Régua de Manejo? Como as plantas estão florindo, a cultura do feijão se encontra na fase de desenvolvimento 3 e, de acordo com a Tabela 12, a Régua de Manejo deve estar instalada no Irrigâmetro com a face 3 voltada para a frente (Figura 47- A).
98 Manual do Irrigâmetro Figura 47. Irrigâmetro instalado para manejar a irrigação do feijoeiro, na fase 3, com aspersão convencional (10 mm/h) (A), mostrando o momento de irrigar (faixa amarela), a lâmina líquida (12 mm) e o tempo de irrigação (1 h e 12 min) (B).
Operação do Irrigâmetro 99 b) De acordo com a Figura 47-B, após quatro dias da última irrigação do feijoeiro, o nível da água no Tubo de Alimentação do Irrigâmetro estava em 12 mm, na direção da faixa amarela, indicando que a cultura precisa ser irrigada. Nesta situação, por quanto tempo o sistema de irrigação deverá funconar para suprir o déficit de água no solo? O tempo de irrigação é facilmente observado na Régua Temporal do Irrigâmetro, igual a 1 hora e 12 minutos (Figura 47-B). Por exemplo, se o irrigante ligar o equipamento de irrigação às oito horas, o sistema deverá funcionar até as nove horas e doze minutos, e assim sucessivamente, se houver mais parcelas na área irrigada. Ao iniciar o funcionamento do sistema de aspersão deve-se zerar o Irrigâmetro, preparando-o para a irrigação seguinte. 5.2. Pivô Central e Sistema Linear No caso de irrigação com um desses sistemas móveis, o Irrigâmetro estará equipado com uma Régua Percentual, específica para as características do sistema de irrigação do produtor. A velocidade de deslocamento do sistema, para aplicação da quantidade de água indicada no Tubo de Alimentação, é facilmente obtida na Régua Percentual. Para isto basta observar o valor percentual que vai coincidir com o nível da água. Este valor vai definir a posição do percentímetro do equipamento de irrigação, para que seja aplicada a quantidade de água necessária à cultura.
100 Manual do Irrigâmetro Exemplo 17. Um produtor do município de São Gotardo, MG, está cultivando cenoura que está na fase inicial de desenvolvimento e sendo irrigada por pivô central. O pivô aplica no solo uma lâmina líquida média de 2,52 mm, regulado na velocidade percentual de 100. Assim, o modelo de Régua Percentual que equipa o Irrigâmetro desse produtor é a régua 2.5/100. As características físico-hídricas do solo foram avaliadas e a disponibilidade total de água foi determinada, sendo encontrado o valor de 1,63 mm/cm de solo. Assim, o modelo de Régua de Manejo que equipa o Irrigâmetro é CMS 1.6 (Tabela 4), a qual se encontra com a face 1 voltada para frente (Figura 48-A). Após dois dias da última irrigação, o nível da água no Tubo de Alimentação do Irrigâmetro se encontrava no valor de 4,5 mm, na direção da faixa amarela, indicando necessidade de irrigação. A velocidade do pivô central para suprir o déficit de água no solo está indicada na Régua Percentual, com valor de 56% (Figura 48-B). Nesse processo, assim que o pivô central iniciar a aplicação de água na lavoura, o Irrigâmetro deve ser zerado para o controle da irrigação seguinte.
Operação do Irrigâmetro 101 Figura 48. Irrigâmetro instalado para manejar a irrigação da cenoura, na fase 1, com pivô central (2,5 mm a 100%) (A), mostrando o momento de irrigar (nível de água na faixa amarela), a lâmina líquida a ser aplicada (4,5 mm) e a velocidade percentual de deslocamento do pivô (56%) (B).
102 Manual do Irrigâmetro 6. Considerando a chuva no manejo da irrigação O Irrigâmetro também permite ao irrigante saber se a chuva foi ou não suficiente para atender as necessidades de água da lavoura. Isto possibilita reduzir o consumo de água e de energia. No caso de ocorrer uma chuva, o operador do Irrigâmetro deve medir a lâmina precipitada no Pluviômetro e verificar, em seguida, se ela foi suficiente ou não para repor o déficit hídrico que existia no solo antes da ocorrência da chuva. Isto deve ser feito de acordo com o procedimento mostrado nos exemplos a seguir. Exemplo 18. No município de Águas Formosas, MG, um produtor está cultivando milho, na fase de florescimento, irrigado por um sistema de aspersão convencional que aplica 10 mm/h. No transcorrer do manejo da irrigação ocorreu uma chuva. No dia seguinte, o irrigante observou que o consumo de água indicado no Tubo de Alimentação do Irrigâmetro era de 9 mm (Figura 49-A). Para quantificar a água de chuva no manejo da irrigação, deve-se proceder da seguinte maneira: Passo 1. Medir a precipitação na Proveta do Pluviômetro. No exemplo, observa-se na Figura 49-B uma lâmina precipitada de 12,5 mm. Passo 2. Retirar a Proveta do Pluviômetro, suspendendo-a e deslocando lateralmente a sua base. Passo 3. Posicionar o fundo da Proveta no mesmo nível da água do Tubo de Alimentação do Irrigâmetro (Figura 50).
Operação do Irrigâmetro 103 Figura 49. Irrigâmetro instalado para manejar a irrigação do milho, na fase 3, com aspersão convencional (10 mm/h), mostrando o nível da água no Tubo de Alimentação (9 mm) em (A), e a chuva medida na Proveta do Pluviômetro (12,5 mm) em (B).
104 Manual do Irrigâmetro Figura 50. Posicionamento da base da Proveta do Pluviômetro no mesmo nível da água (9 mm) no Tubo de Alimentação.
Operação do Irrigâmetro 105 Passo 4. Verificar se a posição do nível da água da Proveta ficou acima do valor zero da escala laminar do Tubo de Alimentação do Irrigâmetro (Figura 50). Passo 5. Incluir a lâmina precipitada no manejo da irrigação. Neste caso, a lâmina precipitada (12,5 mm) foi suficiente para repor o déficit de água que existia no solo antes da ocorrência da chuva (9 mm), pois o nível da água na Proveta do Pluviômetro ficou acima do valor zero no Tubo de Alimentação do Irrigâmetro (Figura 50). Depois disso, deve-se esvaziar a Proveta do Pluviômetro e colocá-la novamente no suporte. Em seguida deve-se retirar a água da chuva captada no Evaporatório do Irrigâmetro, com uso da Seringa (Figura 51). A retirada da água deve ocorrer até que o ar fique na extremidade inferior do Tubo de Borbulhamento. Isto deve ser feito com cuidado, a fim de evitar o borbulhamento e conseqüente saída de água do Tubo de Alimentação. Após a retirada da água de chuva do Evaporatório, deve-se acrescentar água no Tubo de Alimentação até que o nível fique na marca vermelha acima do zero da escala laminar (Figura 52). Para isso, deve-se fechar a Válvula Interconectora e abrir as válvulas de Abastecimento e Escapamento localizadas na parte superior do Irrigâmetro. Assim que a água atingir este nível, devem-se fechar as válvulas de Abastecimento e de Escapamento.
106 Manual do Irrigâmetro Figura 51. Retirada do excesso de água no Evaporatório, em decorrência de chuva, com uso da Seringa. A água existente no interior do Tubo de Borbulhamento deve ser retirada abrindo-se a Válvula de Drenagem até que o nível da água no Tubo de Alimentação fique no zero da escala laminar, como mostrado na Figura 53. Depois, deve-se abrir a Válvula Interconectora, colocando novamente o Irrigâmetro em operação, para dar continuidade ao manejo da irrigação.
Operação do Irrigâmetro 107 Importante: Caso ocorra chuva prolongada, com encharcamento do solo, recomenda-se zerar o Irrigâmetro um a dois dias após a chuva, dependendo do tipo de solo e das suas condições de drenagem, a fim de evitar que haja indicação de irrigação com solo ainda úmido. Exemplo 19. No transcorrer do manejo da irrigação do milho cultivado em Águas Formosas, MG, houve outra chuva. No dia seguinte, o irrigante observou que o consumo de água indicado no Tubo de Alimentação do Irrigâmetro era de 16,7 mm (Figura 52-A). Para considerar a efetividade da água de chuva no manejo da irrigação, deve-se proceder da seguinte maneira: Passo 1. Medir a precipitação na Proveta do Pluviômetro. Neste exemplo, observa-se que choveu 9,3 mm (Figura 54- B). Passo 2. Retirar a Proveta do Pluviômetro, suspendendo-a e deslocando lateralmente a sua base. Passo 3. Posicionar o fundo da Proveta no mesmo nível da água do Tubo de Alimentação do Irrigâmetro (Figura 55- A). Passo 4. Verificar a posição do nível da água da Proveta. Neste caso ficou na direção do valor 7,4 mm na escala laminar do Tubo de Alimentação do Irrigâmetro (Figura 55-B). Memorizar este valor.
108 Manual do Irrigâmetro Figura 52. Reposição de água no Tubo de Alimentação até atingir a marca vermelha.
Operação do Irrigâmetro 109 Figura 53. Irrigâmetro preparado para a irrigação seguinte, com nível da água em zero no Tubo de Alimentação.
110 Manual do Irrigâmetro Passo 5. Incluir a lâmina precipitada no manejo da irrigação. Nesse caso, a lâmina precipitada não foi suficiente para repor o déficit de água que existia no solo antes da ocorrência da chuva, pois o nível da água na Proveta ficou abaixo do nível zero no Tubo de Alimentação do Irrigâmetro (Figura 55-B). Inicialmente, deve-se esvaziar a Proveta do Pluviômetro e colocá-la no suporte. O procedimento seguinte é retirar a água da chuva captada no Evaporatório do Irrigâmetro, com uso da Seringa (Figura 51). A retirada da água deve ocorrer até que o ar fique na extremidade inferior do Tubo de Borbulhamento. Isto deve ser feito com cuidado, a fim de evitar o borbulhamento e conseqüente saída de água do Tubo de Alimentação.
Operação do Irrigâmetro 111 Figura 54. Nível da água no Tubo de Alimentação (16,7 mm) (A) e a chuva medida na Proveta do Pluviômetro (9,3 mm) (B).
112 Manual do Irrigâmetro Figura 55. Posicionamento da base da Proveta do Pluviômetro no mesmo nível da água (16,7 mm) no Tubo de Alimentação (A) e o nível que a água da proveta atinge no Tubo de Alimentação (7,4 mm).
Operação do Irrigâmetro 113 Em seguida, deve-se acrescentar água no Tubo de Alimentação até que o nível atinja aproximadamente 3,0 cm acima do valor 7,4 mm (Figura 56). Para isso, deve-se fechar a Válvula Interconectora e abrir as válvulas de Abastecimento e de Escapamento, localizadas na parte superior do Irrigâmetro. Assim que a água atingir, aproximadamente, a altura de 3,0 cm acima do valor 7,4 cm, devem-se fechar as válvulas de Abastecimento e de Escapamento. A água existente no interior do Tubo de Borbulhamento deve ser retirada abrindo-se a Válvula de Drenagem até que o nível da água no Tubo de Alimentação atinja o valor 7,4 mm na escala laminar, como mostrado na Figura 57. Em seguida, deve-se abrir a Válvula Interconectora para colocar novamente o Irrigâmetro em operação e dar continuidade ao manejo da irrigação. Neste exemplo, observa-se que, embora a chuva não tenha sido suficiente para repor integralmente o déficit de água no solo, não há necessidade de irrigar a cultura, pois o nível da água no Tubo de Alimentação ficou na direção da faixa de cor verde (Figura 57). Nos dois exemplos anteriores mostrou-se que a inclusão da água de chuva no manejo da irrigação foi feita facilmente, uma vez que não houve necessidade de efetuar qualquer tipo de cálculo.
114 Manual do Irrigâmetro Figura 56. Reposição da água no Tubo de Alimentação cerca de 3 cm acima do valor memorizado (7,4 mm).
Operação do Irrigâmetro 115 Figura 57. Nível da água no Tubo de Alimentação do Irrigâmetro (7,4 mm), após incluir a lâmina precipitada de 9,3 mm.
116 Manual do Irrigâmetro