Infecções congênitas Prof. Regia Lira 12 de maio de 2015
ADAPTAÇÃO IMUNOLÓGICA MATERNO-FETAL Interpretação de resultados dos imunoensaios: Feto ou necém-nascido: sistema imune em desenvolvimento (fora dos padrões) Mãe: imunossupressão devido enxerto semi-alogênico (metade self, metade non-self) Apresentação de Ag fetal, reconhecimento e tolerância Hormônios (progesterona) atividade NK Equilíbrio Th1/Th2 Ação de citocinas maternas sobre a placenta Bloqueio de LTc trofoblasto Trofoblasto: tecido embrionário que fica em contato com a circulação sanguínea materna
TRANSMISSÃO DE INFECÇÕES PARA O FETO Início da infecção fetal: inoculação na placenta durante a fase de viremia (bacteremia, parasitemia) materna atingindo o feto Infecção primária: Maior acometimento fetal - sequelas graves Infecção secundária ou recorrente: Maior taxa de transmissão menos grave Proteção parcial da imunidade prévia materna (previne ou limita a infecção placentária) Dano fetal grave Idade gestacional Taxa de transmissão fetal
PATOGÊNESE DA DOENÇA CONGÊNITA Resultado da infecção do embrião ou feto: Morte do embrião reabsorção Aborto Natimorto Prematuro (antes de 37 semanas) Sequelas ao nascer Assintomático Mecanismos: Vírus morte da célula hospedeira, alteração de crescimento celular, dano cromossômico Inflamações causadas por microrganismos (sem ação direta) anormalidades estruturais (ex.: sífilis, toxoplasma e herpes simples) Feto de 12-13 semanas: Sistema imune reconhece o agente como sendo self (tolerância imunológica) e sem resposta adequada
ASPECTOS CLÍNICOS Quando são observados os principais sinais e sintomas de uma infecção congênita? Durante a gestação (imagens) Nascimento Primeiros dias meses Anos depois O que fazer quando confirmada infecção primária na mãe? Iniciar o diagnóstico fetal considerar o momento da infecção materna e o tempo para o agente ser diagnosticado no feto ou placenta
ASPECTOS CLÍNICOS Quais os principais sinais e sintomas? Baixo peso (retardo do crescimento IU Toxoplasma, Rubéola, CMV) Teratogênese ao nascer Surdez e retardo mental (tardio) Púrpura, petéquias, Hidrocefalia, calcificação intracraniana (Toxoplasmose) Catarata, defeito cardíaco, lesão óssea, glaucoma (Rubéola) Microcefalia e calcificação (CMV) Vesículas na pele-mucosa e conjuntivite (HSV) Exantema maculopapular e lesão óssea (sífilis)
SISTEMA IMUNE HUMORAL MATERNO Resposta Primária Elevação rápida de IgM de forma exponencial (semanas meses) Declínio de IgM até se tornar indetectável IgG logo após IgM declínio lento e persiste por anos IgG de baixa avidez
SISTEMA IMUNE HUMORAL MATERNO Resposta Secundária Reexposição ao mesmo antígeno Resposta mais rápida expansão dos LB de memória Produção de Ac. Mais rápido Acentuada fase exponencial 10 x mais Ac. Ac. Mais duradouros Declínio mais lento Predomina IgG Alta avidez dos IgG Base dos testes para detecção de anticorpos no diagnóstico da infecção materna primária
DESENVOLVIMENTO DO SISTEMA IMUNE HUMORAL DO FETO E DO RECÉM-NASCIDO Tempos diferentes para cada classe de Ig Semana 8 Transporte de IgG Semana 10 produção pelo fígado fetal (IgG e IgM) Até 17 20 semanas IgG baixo (100 mg/dl) Ao nascer IgG 5-10% > IgG materno 2 meses IgG de origem fetal = IgG de origem materna 10-12 meses todo IgG produzido pela criança 8 anos níveis adulto IgA, IgM, IgE e IgD: Não atravessam a barreira placentária IgM ou IgA achado no soro do cordão umbilical ou do RN Estimulação antigênica IU decorrente de infecção congênita
DESENVOLVIMENTO DO SISTEMA IMUNE HUMORAL DO FETO E DO RECÉM-NASCIDO IgM Neonatos = 11 20 mg/dl 1 ano 60% do encontrado em adultos IgM total em RN > 20 mg/dl sugere o quê? infecção congênita IgA Sangue de cordão umbilical = 0,1 a 5,0 mg/dl 1 ano = 20% do encontrado em adultos Final do 1 trimestre o sistema imune fetal começa a reconhecer o self capaz de montar uma resposta imune infecção congênita Resposta celular e humoral (Ig G, M e A detectáveis no soro de cordão umbilical)
DESENVOLVIMENTO DO SISTEMA IMUNE HUMORAL DO FETO E DO RECÉM-NASCIDO Níveis de Imunoglobulinas séricas de acordo com a faixa etária Idade IgG (mg/dl) IgM (mg/dl) IgA (mg/dl) Recém-nascido 1.031 ± 200 11 ± 5 2 ± 3 1 2 anos 762 ± 209 58 ± 23 50 ± 24 Adulto 1.158 ± 305 99 ± 27 200 ± 61
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DA INFECÇÃO MATERNA A maioria das infecções TORSCH Infecção materna assintomática Efeitos devastadores para o feto Testes sorológicos para o pré-natal Soronegativas (nunca tiveram a infecção) Soropositivas (infectadas no PRESENTE ou PASSADO) Acompanhamento para possíveis infecções primárias futuras IgG para CMV, toxoplasmose herpesvírus e rubéola Infecção no passado com imunidade materna total ou parcial SEM RISCO IMPORTANTE PARA O FETO IgM e/ou IgA durante a gravidez Sugere infecção recente com probabilidade de transmissão Investigar!
Concentração relativa de anticorpos Concentração relativa de anticorpos DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DA INFECÇÃO MATERNA Cinética da resposta imunológica humoral de infecção PRIMÁRIA IgM IgG de baixa avidez IgA IgG de alta avidez IgG de alta avidez Reexposição IgA IgM Cinética da resposta imunológica humoral de infecção SECUNDÁRIA
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DA INFECÇÃO FETAL Materiais biológicos : ATENÇÃO À IDADE GESTACIONAL TEMPO PARA O TECIDO FETAL SER INVADIDO (4-5 semanas LA) Biópsias de vilosidade coriônicas 8 10 semana; ideal 10-11 semana Falso-positivo (contaminação por agentes infecciosos da mãe) Exames: NAT, IHC, detecção do agente Líquido amniótico (aminiocentese) 14 15 semanas 15 a 30 ml Exames: isolamento do agente e molecular
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DA INFECÇÃO FETAL Materiais biológicos : Sangue do cordão umbilical (cordocentese) 15 20 semans (22 semanas para rubéola) Pode ser repetido Cuidado para não contaminar com o LA ou sangue materno Falso-positivo Exames: detecção do agente, NAT, imunoensaios para anticoepos específicos Sorologia do feto / RN PRIMEIRO MÊS DE VIDA Detecção de IgM e IgA (mais comum) exclusivo do feto/rn infectado Competição dos IgG maternos (alta concentração) com IgM falso-negativo PRECIPITAÇÃO do IgG com soro de carneiro anti-igg humano Captura do IgM através de anticorpos monoclonais anti-igm fixados em fase sólida
Concentração relativa de anticorpos DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DA INFECÇÃO FETAL Cinética da resposta imunológica humoral de um feto COM INFECÇÃO CONGÊNITA
Concentração relativa de anticorpos DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DA INFECÇÃO FETAL Cinética da resposta imunológica humoral de um feto NÃO INFECTADO
REFERÊNCIA VAZ A.J., TAKEI K., BUENO E.C. Ciências farmacêuticas. Imunoensaios: fundamentos e aplicações. Guanabara Koogan, 2010.