Prof.: Martha J. da Silva

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Transcrição:

Prof.: Martha J. da Silva

Os africanos trazidos para o Brasil eram povos de diferentes lugares da Áfricas com características físicas e culturais próprias, que trouxeram consigo hábitos, línguas e tradições que marcam profundamente o nosso cotidiano. A maioria dos africanos entrados no Brasil saiu da região localizada ao sul do Equador, pelos portos de Benguela, Luanda e Cabina. Outra parte considerável saiu da Costa da Mina, pelos protos de Lagos, Ajudá e São Jorge da Mina. E um número menor saiu pelo porto de Moçambique. No Brasil, os africanos não eram chamados pela sua etnia, mas sim pelo nome do porto ou da região onde tinham sido embarcados. Um africano de etnia congo, por exemplo, era chamado aqui de cabina, se esse fosse o nome do porto africano por onde ele tinha sido embarcado. Outro exemplo: os diferentes povos embarcados na Costa da Mina (África Ocidental) eram chamados simplesmente de minas.

Conseguir pessoas na África para vendê-las na América foi um negócio altamente lucrativo e que durou mais de 300 anos. Desse negócio participaram europeus, africanos e brasileiros de diferentes condições sociais. Entenda seu funcionamento acompanhando o esquema: I Passo: os traficantes forneciam tabaco, aguardente, pólvora e armas de fogo aos chefes africanos e, em troca, exigiam prisioneiros de guerra; II Passo: de posse dessas armas, os chefes africanos faziam guerras e obtinham prisioneiros. III os prisioneiros eram negociados com os traficantes, que os vendiam na América como escravos. Instalou-se na África, um verdadeiro círculo vicioso: guerras eram feitas para obter prisioneiros, trocados por armas de fogo e pólvora que eram usados em novas guerras. A consequência mais trágica da chegada dos europeus ao continente negro foi justamente o surgimento de um novo tipo de guerra entre os africanos: a guerra para obter e vender pessoas a traficantes especializados.

Cenas do Filme Amistad Capa do do DVD

Nas fortalezas do litoral africano, homens, mulheres e crianças eram forçados a embarcar em navios pequenos e frágeis, conhecidos como navios negreiros (ou tumbeiros). A viagem das praias da África ocidental para o Brasil durava de 30 a 45 dias, conforme o lugar de partida e o de chegada. As condições de viagem eram péssimas, a comida era pouca e má qualidade. As pipas de água também eram poucas para não ocupar lugar no navio. Assim, cada escravo recebia apenas um copo a cada dois dias. Alguns bebiam água do mar e adoeciam. Os africanos chegavam ao litoral brasileiro confusos e cansados, e sem saber onde estavam. Nos mercados do Rio de Janeiro, Salvador, Recife e São Luís eram examinados, avaliados e comprados. Um homem adulto valia o dobro de uma mulher e, geralmente, três vezes mais que uma criança ou um idoso. Como propriedade de outra pessoa, os escravizados podiam ser vendidos, alugados ou leiloados para pagar dívidas de seu dono. Não tinham nem mesmo o direito ao próprio nome.

Cenas do Filme 12 Ano de Escravidão

Os escravos trabalhavam de 12 a 15 hora por dia: começavam entre 4 e 5 hora da manhã e iam até o anoitecer. Por vezes, as manhãs dos feriados e domingos eram usados no conserto de cercas, estradas e em outros serviços. O homem trabalhava como agricultor, carpinteiro, ferreiro, pescador, carregador e em várias outras funções. A mulher cultivava a terra, cuidava dos doentes, colhia e moía a cana, lavava, passava fazia partos, vendia doces e salgados etc. Entre os trabalhadores afrodescendentes havia também libertos, nome que se dava àquele que tinham conseguido a carta de alforria documento de libertação obtido geralmente após longos anos de trabalho.

Nas grandes fazendas a maioria dos escravizados recebia uma cuia de feijão e uma porção de farinha de mandioca ou de milho. Vez por outra recebia também rapadura e charque. De modo geral a alimentação dos escravizado era insuficiente e pobre em proteínas, o que acarretava sérios problemas de saúde e envelhecimento precoce. Muitos eram descritos como tendo 60 anos, quando tinham de fato entre 35 e 40 anos. A Violência Os escravizados eram vigiados de perto por feitores, que quase sempre, os castigavam por qualquer pequena falta, como fazer uma pausa para descanso ou se distrair no trabalho. Os instrumentos usados nos castigos eram muitos a palmatória, gargalheira, o libambo, a máscara de flandres eram alguns deles.

Instrumentos utilizados para castigar os escravos

Nenhum grupo humano jamais aceitou ser escravizado. Onde houve escravidão houve resistência. No Brasil, não foi diferente. Havia razões de sobrea, como excesso de trabalho, disciplina rigorosa, castigos e o fato de o senhor não cumprir como a palavra quando um escravizado conseguia juntar dinheiro para comprar sua carta de alforria, negando-lhe a liberdade. Nesse casos, era comum o escravo fugir. Os escravizados, por sua vez, desenvolveram várias forma de resistência. A capoeira, foi uma delas, além da desobediência, fazer corpo mole no trabalho, quebrar ferramentas, incendiar plantações, suicídio, agredir feitores e senhores, negociando melhores condições de vida e trabalho, fugindo sozinho ou com companheiros e formando quilombo. Existiam quilombos por todo o território nacional, desde o Rio Grande do Sul até o Amazônia.

No Brasil de hoje ainda existem povoações habitadas pelos descendentes dos antigos quilombolas. Espalhados por todo o território nacional, essas comunidade são chamadas de Remanescentes de Quilombos. São mais de 80 mil pessoas vivendo de um jeito parecido como o de seus antepassados. Em algumas dessas comunidades a língua falada conserva termos africanos. A Constituição brasileira de 1988 reconheceu a propriedade definitiva das terras ocupadas por comunidades quilombolas. O artigo 68 diz: Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo os Estados emitir-lhes os títulos respectivos. Até agora forma concedidos poucos títulos de propriedade, pois há grande dificuldade em documentar a posse da área de forma juridicamente aceita. Além disso, muitas dessas terras são cobiçadas por fazendeiros e, por vezes, estão localizadas em áreas de mananciais e de reservas de extração vegetal e mineral. Muitos habitantes das atuais comunidades quilombolas vêm travando uma luta árdua para reunir provas de que são descentes de escravizados e de que as terras em que vivem lhes pertencem.

Professora: Martha J. da Silva Escola SESI de Campinas/Goiânia Fontes: APOLINÁRIO, Maria Raquel (org.). Projeto Araribá: História. 9 o Ano. Ed. Moderna: São Paulo, 2006. AZEVEDO, Gislane Campos; SERIACOPI, Reinaldo. História em movimento: Dos primeiros humanos ao Estado Moderno. Volume 2. São Paulo: Ed. Ática, 2010. BOULOS, Alfredo Jr. História: Sociedade & Cidadania. (Edição Reformulada) 8 º Ano. FTD: São Paulo, 2012. CONTRIM, Gilberto. História Global: Brasil e Geral. Volume Único. São Paulo: Saraiva, 2012. Sites: http://imagenshistoricas.blogspot.com.br/2009/08/escravos.html http://www.google.com.br/search?q=imagens+sobre+a+escravid%c3%a3o+ no+brasil&hl=pt- BR&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ei=mpdRUa_ONtG- 4APO1oGgDA&ved=0CCwQsAQ&biw=1680&bih=925