TEMA6: MOTIVAÇÃO DAS DECISÕES JUDICIAIS

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UNIVERSIDADE LUSÍADA DE LISBOA. Programa da Unidade Curricular LÓGICA E ARGUMENTAÇÃO JURÍDICAS Ano Lectivo 2016/2017

Transcrição:

HERMENÊUTICA JURÍDICA TEMA6: MOTIVAÇÃO DAS DECISÕES JUDICIAIS O julgador deve analisar criticamente as provas e especificar motivadamente as que considera decisivas para a sua convicção e as que têm valor probatório fixado por lei (Prof. Lebre de Freitas) PROF. CLODOVIL MOREIRA SOARES

1. CARACTERES COMPLEXOS DA MOTIVAÇÃO DAS DECISÕES JUDICIAIS: I. ATIVIDADE HUMANA COMPLEXA, INDIVIDUAL E VARIÁVEL; II. MATÉRIA EMINENTEMENTE SUBJETIVA; III. VERDADE REAL X VERDADE PROCESSUAL; IV. HERMENÊUTICA JURÍDICA: qual o método de interpretação deve ser utilizado? (interpretação e aplicação da lei); V. ANÁLISE E VALORAÇÃO DAS PROVAS (livre convencimento); FINALMENTE, TENDO O JUIZ TOMADO SUA DECISÃO, DEVERÁ, AO EXARÁ-LA, MOTIVÁ-LA CORRETAMENTE, CONFORME INSTITUI A GARANTIA CONSTITUCIONAL, EXPRESSANDO DEVIDAMENTE AS RAZÕES DE SUA DECISÃO.

MOTIVAÇÃO DAS DECISÕES JUDICIAIS 2. PRECEITO CONSTITUCIONAL: CRF. Art. 93, IX - todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei, se o interesse público o exigir, limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes; ISTO SIGNIFICA: 1. Os juízes devem sempre motivar suas decisões sob risco de produzir decisões nulas; 2. A decisão motivada implica em o juiz explicar o porquê da utilização daquela norma, ou o porquê de ter declarado o facto A como provado e o facto B como não provado.

3. O PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO DAS DECISÕES Torna-se um princípio por ter valores insertos nas regras jurídicas de posição privilegiada (SJCP), e estabelece-se como o limite objetivo estipulado em regra de forte hierarquia, que iluminam os caminhos desse setor normativo. LIGA-SE A OUTROS PRINCÍPIOS: (i) princípio da efetividade do direito de ação; (ii) princípio do devido processo legal; (iii) o princípio da Imparcialidade da autoridade judicial e do juiz natural; (iv) princípio da legalidade da decisão, que, por fim, possibilitará o exercício da (vi) ampla defesa e do (vii) contraditório, os quais dependem, todos, da legalidade para a inteireza do sistema processual.

4. PRINCÍPIOS QUE NORTEIAM O DEVER DE MOTIVAR: A. Princípio da Simplicidade e precisão da linguagem: o texto deve ser lido e compreendido pelo maior número possível de pessoas. É por isso que se buscam a clareza e a precisão da forma, assim a simplicidade e a concisão devem ser tomadas como marcas da linguagem judicial; B. Princípio da Coerência lógica: A decisão deve guardar coerência na linguagem e em meio aos fundamentos utilizados.

4. PRINCÍPIOS QUE NORTEIAM O DEVER DE MOTIVAR: C. Princípio da exaustão: o juíz deve conhecer só as questões efectivamente relevantes para a boa decisão da causa. A deficiente aplicação deste princípio contribui para a extensão das decisões e injustificado acréscimo do trabalho. O juiz deve ser exaustivo sem ser redundante; D. Princípio da concisão: Na contemporaneidade, o processo justo é o processo sucinto, organizado e célere. Nenhum direito é absoluto e sem medida.

5. FUNÇÕES DE GARANTIA DA MOTIVAÇÃO DAS DECISÕES JUDICIAIS DUPLO CONTROLE ENDOPROCESSUAL EXTRA PROCESSUAL A. ENDOPROCESSUAL: proporcionar às partes Conhecimento da Fundamentação para poder impugnar a decisão e permitir que os órgãos judiciários de segundo grau pudessem examinar a legalidade e a justiça da decisão. B. EXTRA PROCESSUAL: permitir que a comunidade, através da análise da motivação, tenha condições de verificar se o juiz, e por conseqüência a própria Justiça, decide com imparcialidade e com conhecimento de causa. É através da motivação que se avalia o exercício da atividade jurisdicional pelos demais órgãos. (v.g. CNJ)

6. FINALIDADE DA MOTIVAÇÃO DAS DECISÕES JUDICIAIS I- NECESSIDADE DE COMUNICAÇÃO VISUAL; II EXERCÍCIO DA LÓGICA E ATIVIDADE INTELECTUAL DO JUIZ; III- SUBMISSÃO, COMO ATO PROCESSUAL, AO ESTADO DE DIREITO E GARANTIAS CONSTITUCIONAIS; IV- EXIGÊNCIA DE IMPARCIALIDADE DO JUIZ; V PUBLICIDADE DAS DECISÕES JUDICIAIS; VI- LEGALIDADE DAS DECISÕES JUDICIAIS; VII INDEPENDÊNCIA JURÍDICA DO MAGISTRADO.

6. FINALIDADE DA MOTIVAÇÃO DAS DECISÕES JUDICIAIS A exigência de fundamentação das decisões judiciais ou da motivação de sentenças radica em três razões fundamentais: (1) controlo da administração da justiça; (2) exclusão do caráter voluntarístico e subjetivo do exercício da atividade jurisdicional e abertura do conhecimento da racionalidade e coerência argumentativa dos juízes; (3) melhor estruturação dos eventuais recursos, permitindo às partes em juízo um recorte mais preciso e rigoroso dos vícios das decisões judiciais recorridas. (CANOTILHO)

7. ESTRUTURA DA MOTIVAÇÃO DAS DECISÕES JUDICIAIS DISTINÇÕES CONCEITUAIS: a. Motivo (fundamento): é todo elemento de caráter objetivo (de fato ou de direito) capaz de ser considerado pelo magistrado na formação das suas decisões. b. Fundamentação (motivação): é a expressão ou a explicitação dos motivos de um negócio jurídico ou de um provimento. c. Decisão : que em síntese consiste na primeira etapa do raciocínio judicial, em que se escolhe (com base em elementos jurídicos de fato e de direito -, mas também em elementos extrajurídicos morais, políticos e ideológicos etc.) uma saída para o caso, entendendo ser ela a melhor. d. Motivação: configura-se como uma segunda etapa do raciocínio judicial, na qual se procura legitimar, validar, a escolha feita anteriormente (refere-se, assim, ao contexto de descoberta e contexto de justificação).

2º) Modelo Indutivo: opõe-se ao modelo dedutivo, negando o valor do silogismo como modelo de racionalidade decisória. Parte da consideração particular de cada caso concreto, cuja análise levará ao estabelecimento de uma norma geral. A vontade do legislador, destarte, é substituída pela criatividade do magistrado. MOTIVAÇÃO DAS DECISÕES JUDICIAIS A MOTIVAÇÃO, ENTÃO, ESTÁ RELACIONADA COM A JUSTIFICAÇÃO DA DECISÃO: ELA É UM DISCURSO JUSTIFICATIVO DA DECISÃO JUDICIAL. A MOTIVAÇÃO ENQUANTO JUSTIFICAÇÃO, PRESTA-SE A DEMONSTRAR A JUSTIÇA, A LEGITIMIDADE E A RACIONALIDADE DA DECISÃO. MODELOS DE RACIONALIDADE: 1º) Modelo Dedutivo: é o mais difundido. Baseia-se no silogismo judicial (premissa maior, premissa menor e síntese) Liga-se a uma empobrecida lógica formal, incapaz de dar conta de todos os procedimentos decisórios.

MODELOS DE RACIONALIDADE: 3º) Modelo Retórico: A retórica (como argumentação racional) tem papel essencial, sendo o instrumento pelo qual o juiz justifica sua decisão por maio de argumentos racionalmente válidos e controláveis. Não há espaço para a dedução e nem para a inferência dedutiva. Não há raciocínio jurídico: há argumentação. Os juristas apoiam-se não em provas demonstrativas, mas em argumentos.

ALÉM DOS REQUISITOS FORMAIS (LEGAIS: relatório, fundamentos e dispositivo ), PODE-SE AFIRMAR QUE AS DECISÕES POSSUEM QUATRO REQUISITOS TEÓRICOS: 1º) Verossimilhança fática: o Juiz procura convencer que escolheu a melhor prova para formar seu convencimento e desqualifica as demais; 2º) Efeito de legalidade: a solução escolhida encontra-se amparada no ordenamento jurídico; 3º) Adequação Axiológica: o juiz deve demonstrar quão estão adequados a solução à lei e aos valores da sociedade; 4º) Imparcialidade Judicial: o magistrado deve sustentar uma decisão imparcial ( pois, neutralidade não existe) como meio de preservar a posição das partes na relação jurídica, obtendo legitimidade e respeitabilidade para a solução.

8. AS POSSIBILIDADES DE VIOLAÇÃO AO DEVER DE MOTIVAR A. DECISÃO OMISSA: É limite mínimo da motivação que o enunciado descritor das questões de fato e de direito revele os dados relevantes e discrimine as regras de escolha, exarando a inteireza material ou substancial da motivação. A omissão de qualquer questão processual implica limites aos efeitos da decisão. B. CARÊNCIA DA MOTIVAÇÃO : quando na constituição do fato jurídico motivador são lançadas todas as afirmações relativas às questões de fato e de direito, enunciadas detalhadamente com o fim de constituição do antecedente normativo da decisão judicial, porém, faltam-lhe as descrições (ou são obscuras) das fontes de prova de que decorre o acertamento das questões afirmadas no enunciado descritor.

8. AS POSSIBILIDADES DE VIOLAÇÃO AO DEVER DE MOTIVAR C. MOTIVAÇÃO SUBENTENDIDA OU IMPLÍCITA: Fala-se em motivação subentendida ou implícita quando ela é pressuposta e não expressada na decisão judicial, sendo dedutível por processo lógico-mental. A doutrina cita exemplificativamente três situações que ela considera como hipóteses principais de motivações implícitas, sendo: a) quando o juiz deixa de referir-se a um ou alguns dos pontos do processo, por serem estes supérfluos em relação a outro ou outros pontos já expressamente considerados; b) quando, diante de teses contrapostas, a aceitação motivada de uma deixa implícitas as razões da rejeição de outra; c) quando a solução de uma questão resulte em precluir o exame das questões e pontos sucessivos, ou da própria causa principal.

8. AS POSSIBILIDADES DE VIOLAÇÃO AO DEVER DE MOTIVAR D. MOTIVAÇÃO REFERENCIADA: No caso da motivação referenciada ( per relationem ), habitualmente empregada nos julgamentos de recursos em segunda instância, embora boa parte da doutrina e da jurisprudência entenda que é possível o seu emprego, temos a fazer um alerta quanto ao limite de sua utilização.

9. MOTIVAÇÃO: Quando o juiz se põe a pensar e sentir. O Juiz passa a assumir uma relevante função de garantidor, que não pode ficar inerte ante violações ou ameaças de lesão aos direitos fundamentais constitucionalmente consagrados como no superado modelo positivista. O papel do juiz é de alguém que deve sentir (sentenciar) e eleger significados válidos da norma e das versões trazidas pelas partes, fazendo constantemente juízos de valor. O sentire implica, essencialmente, a atividade (s)eletiva do juiz, que deverá eleger entre as teses apresentadas qual delas irá acolher, isso na dimensão probatória. Já no plano jurídico, incumbe ao juiz eleger a norma aplicável e, principalmente, o significado válido da norma.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. ATIENZA, Manuel. As Razões do Direito: teorias da argumentação jurídica. São Paulo: Landy Editora, 2006. 2. BOBBIO, Norberto. Teoria do ordenamento jurídico. 9. ed. Tradução Maria Celeste C. J. Santos. Brasília: Universidade de Brasília, 1997. 3. ELÍSIO DE SOUZA, Anderson Chalita (Autores)...[ et al]; Organizadoras: CAVALIERI, Néli Luiza Fetzner, PALADINO, Valquíria da Cunha. Argumentação Jurídica: teoria e prática -3ª.ed.rev. E ampl. Rio de Janeiro: Freitas bastos Editora, 2008. 4. FERNANDES, Antônio Scarance. Processo Penal Constitucional. 2. ed. São Paulo: RT, 2000. 5. LOPES Junior, Aury. Introdução Crítica ao Processo Penal. Fundamentos da Instrumentalidade Constitucional. 4.ª edição 316 páginas. Editora: Lumen Juris. 2006. 6. SAÍK, Silvio Luís de Camargo. A norma jurídica da motivação das decisões judiciais. Rev. Jur., Brasília, v. 9, n. 88, p.01-17, dez./2007 a jan./2008 - www.presidencia.gov.br/revistajuridica. 7. HARTMANN, Érica de Oliveira. A Motivação das decisões penais e a garantia do artigo 93, IX, da Constituição da República. Acesso: http://www.buscalegis.ufsc.br/revistas/files/journals/2/articles/323 35/public/32335-38819-1-PB.pdf (em 30 de abril de 2010)