PROTOCOLOS DE TRATAMENTO E DOENÇAS HEMATOLÓGICAS



Documentos relacionados
PROTOCOLOS DE TRATAMENTO DE DOENÇAS HEMATOLÓGICAS

PROTOCOLOS DE TRATAMENTO DE DOENÇAS HEMATOLÓGICAS

SELEÇÃO DE MÉDICOS RESIDENTES PARA 2017 ÁREA DE ATUAÇÃO COM PRÉ-REQUISITO GABARITO

COMISSÃO COORDENADORA DO TRATAMENTO DAS DOENÇAS LISOSSOMAIS DE SOBRECARGA

Aulas e discussão dos casos.

GABARITO RESIDÊNCIA MÉDICA R1-2017

Branco Azul Amarelo Questão nº Teor da reclamação A maioria dos candidatos argumenta que a alínea onde se refere que Análise

Alessandra Comparotto de Menezes IHOC-2013

GABARITO RESIDÊNCIA MÉDICA (UERJ-FCM) 2018 PROVA DISCURSIVA PRÉ-REQUISITO R3 TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA (307)

ESPECIALIZAÇÃO EM HEMATOLOGIA E BANCO DE SANGUE. Aulas Teóricas: On Line Práticas: Presenciais

Avaliação Hematológica, Interpretação e Importância em Nutrição

Leucemias Agudas: 2. Anemia: na leucemia há sempre anemia, então esperamos encontrar valores diminuídos de hemoglobina, hematócrito e eritrócitos.

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO-SENSU EM HEMATOLOGIA E BANCO DE SANGUE ( )

Diagnóstico diferencial de Policitemia Vera e Trombocitemia Essencial: Um artigo de revisão.

INDICAÇÕES PARA USO CLÍNICO DE HEMOCOMPONENTES. Concentrado de Hemácias (CH)

Hematologia Clínica : bases fisiopatológicas

TROMBOCITEMIA ESSENCIAL: APRESENTAÇÃO DE UM CASO CLÍNICO

ENFERMAGEM. DOENÇAS HEMATOLÓGICAS Parte 2. Profª. Tatiane da Silva Campos

1) Qual translocação é característica da Leucemia mielóide crônica? a) t(14;18) b) t(9,21) c) t(9;22) d) t(22,9) e) t(7;22)

Policitemia. Sandra Regina Loggetto. Mestre em Pediatria na área de Hematologia Pediátrica pela EPM-Unifesp

ENFERMAGEM EXAMES LABORATORIAIS. Aula 2. Profª. Tatiane da Silva Campos

O Cancro - Aspectos gerais O termo Cancro é aplicado e utilizado genericamente para identificar um vasto conjunto de doenças que são os tumores malign

2. METODOLOGIA 3. DIAGNÓSTICO LABORATORIAL

CARACTERÍSTICAS DA LEUCEMIA MIELOIDE CRÔNICA, COM ENFASE NO DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

Hemograma. Exame laboratorial que expressa a quantidade e a qualidade dos elementos figurados do sangue periférico em 1 microlitro

POLICITEMIA VERA EM ASCENSÃO NAS PESQUISAS POLYCYTHEMIA VERA ON RISE IN RESEARCH

CURSO DE FARMÁCIA Autorizado pela Portaria nº 991 de 01/12/08 DOU Nº 235 de 03/12/08 Seção 1. Pág. 35 PLANO DE CURSO

DISCIPLINA DE HEMATOLOGIA HEMATÓCRITO

- Condição adquirida caracterizada por alterações do crescimento e da diferenciação celular

2ª PARTE CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS HEMATOLOGIA. 22. Com relação aos basófilos, marque a alternativa ERRADA:

Peculiaridades do Hemograma. Melissa Kayser

PIROXICAM. Anti-Inflamatório, Analgésico e Antipirético. Descrição

Plaquetopenia. Felippe Schirmer

SERVIÇO DE CONTROLE DE INFECÇÃO HOSPITALAR PROTOCOLO DENGUE

ENFERMAGEM. DOENÇAS HEMATOLÓGICAS Parte 1. Profª. Tatiane da Silva Campos

I Curso de Choque Faculdade de Medicina da UFMG INSUFICIÊNCIA DE MÚLTIPLOS ÓRGÃOS MODS

HEMATOLOGIA E HEMOTERAPIA

DERRAME PLEURAL MARIANA VIANA- R1 DE CLÍNICA MÉDICA ORIENTADORES: FLÁVIO PACHECO MIRLA DE SÁ

POLICITEMIA VERA: CARACTERIZAÇÃO CLÍNICA E RELAÇÃO TROMBOLÍTICA

Identificando doenças hematológicas através da morfologia celular no hemograma

HEMOCENTRO RP PROCEDIMENTO OPERACIONAL SANGRIA TERAPÊUTICA

Prof. Dr. Jorge Eduardo F. Matias Serviços de Cirurgia do Aparelho Digestivo e Transplante Hepático Departamento de Cirurgia UFPR - HC

Sepse Professor Neto Paixão

Seminário Grandes Síndromes

EXAME HEMATOLÓGICO Hemograma

Neoplasias mieloproliferativas BCR-ABL negativas: a propósito de um caso clínico

ANEMIA EM CÃES E GATOS

Sessão televoter anemias. Joana Martins, Manuel Ferreira Gomes António Pedro Machado

PEDIDO DE CREDENCIAMENTO DO SEGUNDO ANO NA ÁREA DE ATUAÇÃO HEMATOLOGIA E HEMOTERAPIA PEDIÁTRICA

Cronograma de execução das disciplinas MFC-I, CMP-I e Habilidades específicas 5º período. Teórica Prática Teórica Prática Teórica Prática

ENFERMAGEM DOENÇAS CRONICAS NÃO TRANMISSIVEIS. Doença Cardiovascular Parte 4. Profª. Tatiane da Silva Campos

Diretriz Assistencial. Ataque Isquêmico Transitório

PROCESSO SELETIVO UNIFICADO DE RESIDÊNCIA MÉDICA 2018 PADRÃO DE RESPOSTAS PRELIMINAR PROVA PARA ESPECIALIDADES CLINICAS

INSUFICIÊNCIA HEPÁTICA AGUDA EM GATOS

ACADEMIA DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA

PROTOCOLO MÉDICO SEPSE E CHOQUE SÉPTICO

PATOLOGIA DO SISTEMA HEMATOPOIÉTICO

31/10/2013 HEMOGRAMA. Prof. Dr. Carlos Cezar I. S. Ovalle. Introdução. Simplicidade. Baixo custo. Automático ou manual.

ANEMIA NO PACIENTE IDOSO L A R I S S A T O R R E S

VARIZES DE MEMBROS INFERIORES. Dr Otacilio Camargo Junior Dr George Kalil Ferreira

HEMOGRAMA COMPLETO Material: Sangue Total Método : Automação: ABX MICROS 60 REFERÊNCIAS. Médico: Dr(ª) JOSE BERNARDO N. JUNIOR

Dr. Fabio Del Claro. Hemorragias Digestivas Alta Parte I INTRODUÇÃO INTRODUÇÃO. Dr. Fabio Del Claro. Hemorragias digestivas altas (HDA)

Tumores renais. 17/08/ Dra. Marcela Noronha.

Aterosclerose. Aterosclerose

HEMATOLOGIA. 3ºAno. Prof. Leonor Correia

CURSO: MEDICINA HEMATOLOGIA 2º ESTÁGIO TURMA A

Uso do AAS na Prevenção Primária de Eventos Cardiovasculares

Imunofenotipagem nas doenças hematológicas: Doenças linfoproliferativas crônicas. Dr. Edgar Gil Rizzatti Grupo Fleury

ANEXO II CONTEÚDO PROGRAMÁTICO EDITAL Nº. 17 DE 24 DE AGOSTO DE 2017

ENFERMAGEM DOENÇAS GASTROINTESTINAIS. Parte 2. Profª. Tatiane da Silva Campos

AULAS TEÓRICAS QUINTA- FEIRA HABILIDADES E ATITUDES MÉDICAS III - 3ª FASE 2010/2

Diagnóstico Laboratorial em Hematologia. Marcos K. Fleury Laboratório de Hemoglobinas Faculdade de Farmácia - UFRJ

Um caso de trombose venosa esplâncnica: dificuldades e particularidades. Vaz AM; Eusébio M; Antunes A; Queirós P; Gago T; Ornelas R; Guerreiro H.

INTERPRETAÇÃO DO HEMOGRAMA

Anexo III. Adenda às secções relevantes do Resumo das Características do Medicamento e Folheto Informativo

Mielofibrose Primária Metaplasia Mielóide Agnogênica

EMERGÊNCIA NO PRONTO ATENDIMENTO: MANEJO DOS PACIENTES COM LEUCEMIA PROMIELOCÍTICA AGUDA

TRANSPLANTES DE ÓRGÃOS DR WANGLES SOLER

ÁCIDO ACETIL SALICÍLICO

Responda às perguntas seguintes usando exclusivamente o glossário.

ENFERMAGEM DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS. DENGUE Aula 3. Profª. Tatiane da Silva Campos

Estabelecer os critérios para transfusão de hemocomponentes, otimizar o uso e aumentar a segurança transfusional.

Relato de Caso. Gabriela Azevedo Foinquinos

Neoplasias Mieloproliferativas crônicas Parte II. Anouchka Lavelle

Transcrição:

Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco - HEMOPE PROTOCOLOS DE TRATAMENTO E DOENÇAS HEMATOLÓGICAS NEOPLASIA MIELOPROLIFERATIVA, BCR ABL NEGATIVA, CLÁSSICA: POLICITEMIA VERA TROMBOCITEMIA ESSENCIAL MIELOFIBROSE PRIMÁRIA Versão 00/2015 Versão: 00/2015 Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco 1/20

ELABORAÇÃO Dra. Patricia Markman Versão: 00/2015 Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco 2/20

SUMÁRIO Pág. Policitemia Vera 04 1.1 Definição 04 1.2 Apresentação clínica 04 1.3 Exames ao diagnóstico 04 1.4 Critério diagnóstico 05 1.5 Critério diagnóstico para mielofibrose pós-policitemia vera 05 1.6 - Critérios adicionais 05 1.7 Estratificação de risco 06 1.8 Tratamento 06 1.8 Tratamento 06 1.8.1 Flebotomia (sangria terapêutica) 06 1.8.2 Hidroxiuréia 06 1.8.3 Interferon 06 1.8.4 Acido Acetil Salicilico 07 1.8.5 Tratamento de eventos 07 2 Trombocitemia Essencial 09 2.1 Definição 09 2.2 Apresentação clínica 09 2.3 Exames ao diagnóstico 09 2.4 Critério diagnóstico 09 2.5 Critério diagnóstico para mielofibrose pós-trombocitemia essencial 10 2.6 Estratificação de risco 12 Versão: 00/2015 Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco 3/20

2.7 Tratamento 12 2.7.1 Hidroxiuréia 12 2.7.2 Anagrelide 12 2.7.3 Interferon 12 2.7.4 Ácido Acetil Salicílico 12 2.7.5 Plaquetaférese 13 2.7.6 Sangramentos 13 2.7.7 Eventos trombóticos 13 2.7.8 Seguimento 14 3 Mielofibrose Primária 14 3.1 Definição 14 3.2 Apresentação clínica 14 3.3 Exames ao diagnóstico 14 3.4 Critério diagnóstico 15 3.5 Estratificação de risco 16 3.5.1 DIPSS 16 3.5.2 DIPSS Plus 16 3.5.3 Categoria muito alto risco (Clínica Mayo) 17 3.6 Tratamento 17 3.6.1- Transplante de células hematopoética alogênico 17 3.6.2 Hidroxiuréia 17 3.6.3 Interferon 19 3.6.4 Esplenectomia 19 3.6.5 Irradiação 19 3.6.6 Tratamento de anemia 19 3.6.7 Talidomida e Prednisona 20 Versão: 00/2015 Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco 4/20

3.6.8 - Inibidor JAK2 (Ruxolitinibe) 20 3.7 Seguimento 20 Versão: 00/2015 Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco 5/20

1 POLICITEMIA VERA 1.1 Definição Doença mieloproliferativa clonal que se caracteriza por aumento de produção de células da linhagem eritróide, independente dos mecanismos que normalmente regulam a eritropoese. 1.2 Apresentação clínica Prurido aquagênico (pode aparecer 03 anos antes do diagnóstico) Eritromelalgia ( cianose + eritema + dor mãos ou pés) Distúrbios visuais transitórios Trombose arterial ou venosa Sintomas gastro-intestinais (úlceras pépticas) 1.3 Exames ao diagnóstico Hemograma completo, função renal e hepática, ác. úrico, DHL, glicemia, lipidograma(triglicerídeos, colesterol total, HDL, LDL), coagulação(tp, TTPa, Fibrinogênio), sorologias (HIV, HTLV, hepatite B e C). Dosagem da eritropoetina e rearranjo BCR-ABL em sangue periférico Cariótipo e pesquisa de cromossomo Philadelphia Biópsia de medula óssea com coloração para reticulina Pesquisa da mutação JAK2V617F no sangue periférico ( >90% a positividade).se esta mutação negativa, pode ser investigado mutação no éxon 12 do gene JAK2 U.S.G. de abdômen. Investigação de eritrócitos e secundária (diagnóstico diferencial): raio X de tórax, prova de função pulmonar, ecocardiograma, gasometria arterial pra avaliação de hipóxia crônica (doença pulmonar, doença cardíaca), tumor produtor de eritropoetina (carcinoma hepatocelular, tumor renal, mioma, feocromocitoma, meningeoma, hemangioblastoma). 1.4 Critério diagnóstico O diagnóstico requer: 2 critérios maiores + 1 critério menor ou 1 critério maior (critério 1) + 2 critérios menores. Versão: 00/2015 Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco 6/20

Critério maior: 1. Hemograma > 18,5 g/dl em homem 16,5g/dl e mulher ou aumento do volume eritrocitário: Hb/Ht > percentil 99 para os valores de referência para idade e sexo; Hb > 17g/dl no sexo masculino ou 15g/dl no sexo feminino associado a um aumento documentado e sustentado de pelo menos 2g/dl em relação ao valor individual basal, desde que não atribuído à reposição de ferro; Aumento do volume eritrocitário acima 25% do valor normal (volume eritrocitário: 25-35 ml/kg (homens) e 20-30ml/kg (mulheres). 2. Presença da mutação JAK2V617F ou mutação no éxon 12 do gene JAK2 Critério menor: Biópsia de medula óssea mostrando hipercelularidade para a idade com aumento proeminente das três linhagens (panmielose). Dosagem sérica de eritropoetina abaixo dos valores de referência. Formação endógena de colônias eritróides in vitro. 1.5 Critério diagnóstico para mielofibrose pós-policitemia vera Critério requerido 1. Documentação de diagnóstico prévio de P.V. definido (WHO) 2. Fibrose de medula óssea Grau 2-3 (na escala 0-3) ou grau 3-4 (na escala 0-4) 1.6 - Critérios adicionais (02 são requeridos) 1. Anemia ou perda sustentada de flebotomias (na ausência de terapia citorredutora) ou requerimento de terapêutica citorredutora para eritrocitose 2. Características leucoeritroblástica no sangue periférico 3. Aumento da esplenomegalia definido com aumento da esplenomegalia palpável > 5cm do nível basal ou aparecimento de esplenomegalia palpável (achado novo) 4. Desenvolvimento de > 1 dos 03 sintomas constitucionais: > 10% perda de peso em 06 meses, sudorese noturna, febre inexplicada Versão: 00/2015 Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco 7/20

1.7 Estratificação de risco Alto risco: pacientes > 60 anos e/ou evento trombótico independente da idade Baixo risco: pacientes < 60 anos, sem evento trombótico, plaquetas < 1.000.000/mm 3 ( todos deverão estar presentes) OBSERVAÇÃO: Leucocitose > 15.000/mm 3 tem sido associada à maior risco de eventos trombóticos, principalmente infarto agudo do miocárdio, mas confirmação deste dado ainda é necessária. 1.8 Tratamento 1.8.1 Flebotomia (sangria terapêutica) Opção de primeira linha para manter hematócrito < 45% Retirada máximo de 500ml (9ml/kg para homem e 8ml/kg para mulher) em dias alternados ou a cada 03 dias. Não fazer reposição de ferro na ferropenia adquirida pelas sangrias, a não ser em caso de sintomatologia ou possível trombocitose reativa. 1.8.2 Hidroxiuréia Dose: 15 a 20mg/kg/dia objetivando HT <45% e plaquetas <400.000/mm 3 Indicação: o Pacientes de Alto Risco o Pacientes com contagem de plaquetas elevadas com trombose o Pacientes com plaquetas > 1.000.000/mm 3 e sangramento 1.8.3 Interferon Suprime a expressão do clone JAK2V617F,porém a toxicidade, permite a descontinuidade Dose: α interferon 3 a 5 milhões de unidades/dia/s.c. Indicação: o Mulheres gestantes e fase de lactação o Refratariedade ou intolerância hidroxiuréia Versão: 00/2015 Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco 8/20

o Prurido refratário 1.8.4 Acido Acetil Salicilico Todo paciente deverá fazer uso. Dose: 75 a 100 mg/dia Outras indicações: o Sintomas vasomotor(parestesia acral ou eritromelalgia) o Prurido o Trombose arterial o Fatores de risco cardiovascular(hipertensão, tabagismo, diabetes mellitus,dislipidemia) e mutação JAK2V617F o Pode ser usado em gestantes Contraindicação o Se cofator de riscocetina < 30% nos pacientes com plaquetas>1.000.000/mm 3 ou sangramento 1.8.5 Tratamento de eventos 1.8.5.1 Prurido Cimetidine 300mg 4 vezes dia Paroxetina 20 mg/dia ou fluoxetina 10mg/dia Danazol dose 200-400mg 2 vezes dia Interferon Aspirina baixa dose 1.8.5.2 Sangramentos Os sangramentos são mais comuns em pacientes com contagem de plaquetas > 1.000.000/mm 3, os quais podem apresentar uma Doença de Von Willebrand adquirida. Quando os pacientes apresentarem sangramento associado à plaquetose extrema, discutir a necessidade de investigação laboratorial da Doença de Von Willebrand adquirida. Deve-se evitar drogas anticoagulantes ou antiplaquetárias em pacientes que já apresentaram sangramentos prévios ou naqueles que apresentem condições anatômicas favoráveis à ocorrência de sangramento (úlcera gástrica ou varizes esofágicas, por exemplo). Versão: 00/2015 Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco 9/20

O tratamento dos eventos hemorrágicos deve consistir de retirada de qualquer medicação antitrombótica e correção da plaquetose. A redução da contagem de plaquetas deve ser preferencialmente realizada com hidroxiuréia, mas nos casos de emergência, pode ser necessário a plaquetaférese terapêutica. 1.8.5.3 Eventos trombóticos Os eventos vasculares agudos devem ser manejados de acordo com a conduta estabelecida para cada tipo de trombose (venosa ou arterial). A profilaxia secundária nestes casos deve ser considerada. Mudanças do estilo de vida(descontinuar tabagismo,controlar obesidade) buscando minimizar os riscos cardiovasculares.todos os pacientes,principalmente Alto Risco, devem ser tratados com Ácido Acetil Salicílico 81 a 100 mg/dia, desde que não tenham contraindicações. 1.8.5.4 Seguimento 1. Sangria terapêutica Após estabilização do hematócrito, manter retornos com hemograma a cada 1 a 3 meses, a depender do uso de terapia citorredutora concomitante. 2. Hidroxiuréia Acompanhar pelo menos mensalmente com hemograma até que contagem de plaquetas e leucócitos estabilizem, mantendo neutrófilos > 1000/mm 3. Se paciente estável, seguimento clínico-laboratorial a cada 3 meses, a depender da necessidade da sangria. 2 TROMBOCITEMIA ESSENCIAL 2.1 Definição Doença mieloproliferativa clonal que envolve primariamente a linhagem megacariocítica, caracterizada por trombocitose mantida no sangue periférico. 2.2 Apresentação clínica Sintomas vasomotores: Versão: 00/2015 Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco 10/20

o Cefaléia, síncope, dor torácica atípica, parestesia acral, livedo reticulares, distúrbios visuais transitórios, eritromelalgia (cianose, eritema, dor em mãos e pés). Trombose (venosa ou arterial) ou hemorragia. 2.3 Exames ao diagnóstico Hemograma completo, função renal e hepática, ác. úrico, DHL, glicemia, lipidograma(triglicerídeos, colesterol total, HDL, LDL), coagulação(tp, TTPa, Fibrinogênio), sorologias (HIV, HTLV, Hepatite B e C) Cariótipo e pesquisa do cromossomo Philadelphia Pesquisa de rearranjo BCR-ABL em sangue periférico Mutação JAK2V617F(50% positivo) em sangue periférico.mutações no éxon 10 do gene MPL ou no gene CARL devem ser investigados quando JAK2V617F for negativo, se disponível. Biópsia de medula óssea com coloração para reticulina e colágeno 2.4 Critério diagnóstico Diagnóstico requer os quatro critérios: Contagem de plaquetas persistentemente acima ou igual a 450.000/mm 3 ; Biópsia de medula óssea mostrando proliferação principalmente da linhagem megacariocitária com número aumentado de megacariócitos grandes e maduros e sem aumento significativo da série eritrocitária ou granulocitária; Ausência de critérios para policitemia vera a, mielofibrose primária b, leucemia mieloide crônica c, síndrome mielodisplásica d ou outra neoplasia mielóide; Demonstração da mutação JAK2V617F ou outro marcador clonal ou, na ausência de marcador clonal, nenhuma evidência de trombocitose reacional e. a) Requer a ausência de elevação da Hb para níveis de policitemia vera com reposição de ferro na presença da diminuição da ferritina sérica b) Requer a ausência de fibrose reticulínica ou de colágeno difusa, reação leucoeritroblástica no sangue periférico ou hiperplasia da medula óssea com megacariócitos típicos da mielofibrose. c) Requer a ausência do rearranjo BCR-ABL. Versão: 00/2015 Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco 11/20

d) Requer a ausência de diseritropoese ou disgranulopoese. e) Requer ausência de causas reacionais de trombocitose tais como ferropenia, esplenectomia, cirurgia, infecção, inflamação, colagenoses, neoplasia metastática, doença linfoproliferativa. Entretanto, a presença de uma condição associada à trombocitose reacional não exclui TE na presença dos primeiros três critérios. 2.5 Critério diagnóstico para mielofibrose pós-trombocitemia essencial Critério requerido 1. Documentação de diagnóstico prévio de T.E. definido (WHO) 2. Fibrose de medula óssea Grau 2-3 (na escala 0-3) ou grau 3-4 (na escala 0-4) Critérios adicionais (02 são requeridos) 1. Anemia ou diminuição em >2g/dL da Hb basal 2. Características leucoeritroblástica no sangue periférico 3. Aumento da esplenomegalia definido com aumento da esplenomegalia palpável > 5cm do ível basal ou aparecimento de esplenomegalia palpável (achado novo) 4. Aumento do DHL(acima do nível de referência) 5. Desenvolvimento de > 1 dos 03 sintomas constitucionais: > 10% perda de peso em 06 meses, sudorese noturna, febre inexplicada 2.6 Estratificação de risco Alto risco: pacientes > 60 anos e/ou evento trombótico prévio independente da idade. Baixo risco: pacientes < 60 anos, sem evento trombótico, plaquetas < 1.000.000/mm 3 (todos essas características deverão estar presentes). 2.7 Tratamento Pacientes jovens(<60anos) sem história prévia de trombose ou risco cardiovascular podem ser observados se não tiverem a mutação JAK2 Versão: 00/2015 Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco 12/20

2.7.1 Hidroxiuréia Opção de primeira linha para manter plaquetas < 400.000/mm 3 Dose: 15 mg a 20 mg/kg/dia, ajustando a dose na manutenção Indicação: o Pacientes de Alto Risco o Pacientes jovens com evento trombótico 2.7.2 Anagrelide Indicação: o Trombocitose refratária a hidroxiuréia Dose: iniciar com dose baixa até no máximo 10mg/dia, com no máximo 2,5mg/dose Maior incidência para mielofibrose em comparação hidroxiuréia e em pacientes idosos ou com doenças cardiovasculares aumenta o risco de arritmias,retenção hídrica,icc e hipertensão. 2.7.3 Interferon Dose: α interferon 3 a 5 milhões unidades/dia/s.c. Indicação: o Mulheres gestantes e fase de lactação o Refratariedade e intolerância a hidroxiuréia o Prurido refratário 2.7.4 Ácido Acetil Salicílico Dose: 75 a 100 mg/dia Indicação: o Sintomas vasomotor (parestesia acral ou eritromelalgia) o Prurido o Trombose arterial o Fatores de risco cardiovascular e mutação JAK2V617F, mesmo sendo jovem o Pode ser usado em gestantes Versão: 00/2015 Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco 13/20

Contra-indicação o Se cofator de riscocetina < 30% em pacientes com plaquetas > 1.000.000/mm 3 ou sangramento 2.7.5 Plaquetaférese Indicação: o Disfunção severa de órgão ou risco de vida: AVC, TEP ou necrose digital isquêmica. 2.7.6 Sangramentos Os sangramento são mais comuns em pacientes com contagem de plaquetas > 1.000.000/mm 3, os quais podem apresentar uma Doença de Von Willebrand adquirida caracterizada pela perda dos multimeros de alto peso molecular e deficiência funcional da proteína. Quando os pacientes apresentarem sangramento associado à plaquetose extrema, discutir a necessidade de investigação laboratorial da Doença de Von Willebrand adquirida. Deve-se evitar drogas anticoagulantes ou antiplaquetárias em pacientes que já apresentaram sangramentos prévios ou naqueles que apresentem condições anatômicas favoráveis à ocorrência de sangramento (úlcera gástrica ou varizes esofágicas, por exemplo). O tratamento dos eventos hemorrágicos deve consistir de retirada de qualquer medicação antitrombótica e correção da plaquetose. 2.7.7 Eventos trombóticos Os eventos vasculares agudos devem ser manejados de acordo com a conduta estabelecida para cada tipo de evento. A profilaxia secundária nestes casos deve ser considerada. Recomendação: o Pacientes com T.E. devem ser avisados para descontinuar tabagismo, controlar obesidade e outros fatores de risco cardiovascular para evitar trombose. Versão: 00/2015 Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco 14/20

2.7.8 Seguimento Hidroxiuréia o Acompanhar pelo menos mensalmente com hemograma até que contagem de plaquetas < 600.000/mm 3, ideal < 400.000/mm 3 e até que leucócitos estabilizem, mantendo neutrófilos > 1000/mm 3. Se paciente estável, seguimento clínicolaboratorial a cada 3 meses. 3 MIELOFIBROSE PRIMÁRIA 3.1 Definição Doença mieloproliferativa clonal caracterizada por vários graus de fibrose medular. 3.2 Apresentação clínica Fadiga (50 a 70% dos casos) Sintomas relacionados a hepato-esplenomegalia com hipertensão portal (ascite, varizes de esôfago) Sintomas constitucionais: febre, sudorese noturna, perda de peso. Prurido Trombose ou sangramento Hematopoese extramedular: o Coluna vertebral (compressão medular), efusões pleural e abdominal, cavidades no pulmão, linfoadenomegalias, sistema genito-urinário e retroperitônio podem ser atingidos. 3.3 Exames ao diagnóstico Hemograma completo, função renal e hepática, ác. úrico, DHL, coagulação(tp, TTPa e Fibrinogênio), sorologias (HIV, HTLV, hepatite B e C) Tipagem HLA para pacientes < 60 anos Mielograma, cariótipo e pesquisa do cromossomo Philadelphia Versão: 00/2015 Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco 15/20

Biópsia de medula óssea com coloração para reticulina e colágeno Pesquisa da mutação JAK2V617F no sangue periférico(50% positivo) e pesquisa no éxon 10 do gene MPL(10% positivo). Aqueles negativos para estes genes podem ser positivos para mutação em CARL (50% destes pacientes) e estes tem uma sobrevida melhor. Paciente triplo negativo tem maior transformação leucêmica. 3.4 Critério diagnóstico Diagnóstico requer 03 critérios maiores e 02 critérios menores Maior o Presença de proliferação e atipia a dos megacariócitos, geralmente acompanhada de fibrose reticulínica ou de colágeno (fase fibrótica), ou, na ausência de fibrose significativa, alterações megacariocitárias acompanhadas de hipercelularidade da medula óssea caracterizada por proliferação granulocitária e geralmente eritropoese diminuída (fase celular pré-fibrótica). o Ausência de critérios para PV b, LMC c, SDM d ou outra neoplasia mielóide. o Demonstração da mutação JAK2V617F ou outro marcador clonal (ex. MPLW515L/K) ou, na ausência de marcador clonal, nenhuma evidência de fibrose da medula óssea secundária à doença inflamatória ou neoplásica e. Menor o Reação leucoeritroblástica no sangue periférico f o Aumento de DHL f o Anemia f o Esplenomegalia palpável f a Megacariócitos pequenos a grandes com relação núcleo-citoplasmática aberrante e núcleo hipercromático ou com lobulação irregular. b Requer a ausência de elevação da Hb para níveis de policitemia vera com reposição de ferro na presença de níveis baixos de ferritina. Versão: 00/2015 Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco 16/20

c Requer ausência do rearranjo BCR-ABL. d Requer a ausência de diseritropoese ou disgranulopoese. e Tais como: infecção, doença autoimune, tricoleucemia ou outra doença linfoproliferativa crônica, neoplasia mestastática ou mielopatia tóxica crônica. A presença de uma condição associada à fibrose reacional não exclui MFP e este diagnóstico deve ser considerado se os outros critérios estiverem presentes. f Grau de anormalidade poderia ser limite ou marcada. 3.5 Estratificação de risco 3.5.1 DIPSS Características Pontos Idade > 65 anos 01 Leucócito > 25.000/mm 3 01 Hemoglobina < 10g/dl 02 Blastos circulantes 01 Sintomas constitucionais 01 Score Pontos Baixo risco 0 Intermediário risco 1 1 a 2 Intermediário risco 2 3 a 4 Alto risco 5 a 6 3.5.2 DIPSS Plus DIPSS Pontos Baixo risco 0 Intermediário risco 1 1 Intermediário risco 2 2 Alto risco 3 Cariótipo não favorável (1) 1 Versão: 00/2015 Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco 17/20

Plaquetas < 100.000/mm 3 1 Necessidade transfusional 1 DIPSS Plus Pontos Baixo risco 0 Intermediário risco 1 1 Intermediário risco 2 2 a 3 Alto risco 4 a 6 (1) Cariótipo não favorável: +8, -7/7q-, i (17q), -5/5q-, 12p-, inv (3) ou 11q23 3.5.3 Categoria muito alto risco (Clínica Mayo) Monossomia ou inv (3),i (17q) ou qualquer 02 características: o Blastos circulantes > 9% o Leucócitos 40.000/mm 3 o Cariótipo complexo ou 2 anormalidades incluindo (+8, -7/7q-, inv (3), i (17q), 12p-, 11q23). 3.6 Tratamento Pacientes de Baixo Risco devem somente ser tratados na presença de sintomas 3.6.1- Transplante de células hematopoética alogênico Pacientes < 60 anos com doador HLA compatível com DIPSS Plus Intermediário 2 ou Alto Risco, incluindo também o Muito Alto Risco (classificação Clínica Mayo) 3.6.2 Hidroxiuréia Na fase celular pré-fibrótica: Dose: 15mg a 20mg/kg/dia, ajustando dose na manutenção Indicação: o Esplenomegalia sintomática o Trombocitose o Prurido Versão: 00/2015 Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco 18/20

o Leucocitose o Dor óssea 3.6.3 Interferon Dose: 3 a 5 milhões unidades/dia/sc Indicação: o Mielofibrose hiperproliferativa refratária a hidroxiuréia. 3.6.4 Esplenectomia Indicação: o Esplenomegalia sintomática acentuada o Episódios recorrentes de infarto esplênico o Hipertensão portal Procedimento de risco substancial por complicações pós-operatórias (Taxa de mortalidade de 10%): o Sangramento intra-abdominal o Abscessos subfrênico e sepsis o Trombocitose extrema e risco trombose o Hepatomegalia progressiva (metaplasia mielóide hepática) 3.6.4 Irradiação 3.6.5.1 Esplênica (benefício transitório 3 a 6 meses), indicado para pacientes que não podem ser submetidos a cirurgia. 3.6.5.2 Sítios sintomáticos de hematopoese extra-medular Medula espinhal, pulmão, cloromas com dor óssea ou periostite, fígado. 3.6.6 Tratamento de anemia Danazol, dose 200 a 800mg/dia( geralmente 600 mg/dia), variando dependendo da resposta, por pelo menos 6 meses. Versão: 00/2015 Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco 19/20

Eritropoetina se dosagem de eritropoetina baixa( < 125 U/L) e Hb < 10 g/dl. Considerar terapia quelante de ferro quando indicado. Prednisona 0,5 mg/kg/dia (15 a 30 mg/dia) 3.6.7 Talidomida e Prednisona Dose: Talidomida 50mg/dia e Prednisona 0,5mg/kg/dia por 03 meses Estudos mostram melhora de anemia, redução de tamanho do baço. 3.6.8 - Inibidor JAK2 (Ruxolitinibe) - Indicado para Mielofibrose JAK2 positivo ou negativo com risco Intermediário e Alto Risco e Mielofibrose pós- PV e TE com sintomas constitucionais debilitantes ou esplenomegalia sintomática severa Dose: plaquetas > 200.000/mm 3-20 mg 2 vezes dia 100.000 a 200.000/mm 3-10 mg 2 vezes dia 50.000 a 100.000/mm 3 5 mg 2 vezes dia Contra-indicado em infecções ativas e pacientes com tuberculose 3.7 Seguimento Hidroxiuréia o Acompanhar pelo menos mensalmente com hemograma até que contagem de plaquetas e leucócitos estabilizem, mantendo neutrófilos > 1000/mm 3. Se paciente estável, seguimento clínico-laboratorial a cada 3 meses, a depender da necessidade transfusional. Versão: 00/2015 Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco 20/20