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RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº / DF

07/10/2016 SEGUNDA TURMA : MIN. DIAS TOFFOLI EMENTA

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Transcrição:

RECURSO EXTRAORDINÁRIO 714.204 MINAS GERAIS RELATOR RECTE.(S) ADV.(A/S) RECDO.(A/S) ADV.(A/S) : MIN. DIAS TOFFOLI :UNIMED BELO HORIZONTE COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO : SABRINA DINIZ REZENDE VIEIRA E OUTRO(A/S) :PAULA GUIMARAES :ALEXANDRE DE PAULA BARRÊTTO DECISÃO: Vistos. Unimed Belo Horizonte Cooperativa de Trabalho Medico interpõe recurso extraordinário, com fundamento na alínea a do permissivo constitucional, contra acórdão da Décima Primeira Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, assim ementado: CONTRATO DE PLANO DE SAÚDE. CLÁUSULA LIMITATIVA DE TRATAMENTO. REVISÃO PELO PODER JUDICIÁRIO. POSSIBILIDADE. VOTO VENCIDO. Mesmo que o contrato de plano de saúde obedeça às determinações da Lei 9656/98, ainda assim estará sujeito a revisões na sua concreta execução, com a possibilidade de invalidação das práticas e cláusulas abusivas, a fim de proteger o equilíbrio contratual. V.v.: Deve-se privilegiar o ato jurídico perfeito, quando se está diante de fatos que sequer de longe ferem o princípio constitucional da solidariedade. No âmbito de abrangência da solidariedade vão ser alcançadas tanto a boa-fé objetiva, quanto a função social do contrato, e somente quando o ato for praticado sem estes imperativos é que deve ser considerado o abuso de direito. A Lei 9.656, de 1998, aplica-se subsidiariamente ao CDC, e encontrando-se o contrato firmado entre as partes, em plena harmonia aos seus ditames não há que se falar em irregularidades ou abusividades, para fins de tornar obrigatória a cobertura de determinado procedimento não contratado. Os direitos fundamentais não são absolutos e ilimitados, encontrando obstáculos na própria Constituição da

República. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados. Alega o recorrente violação dos artigos 1, inciso IV, 5º, incisos II e XXXVI, 170 e 199, 1, da Constituição Federal, uma vez que o acórdão recorrido pisoteou o necessário ponto de equilíbrio econômico-financeiro do contrato e a consequente compatibilização do alcance intelectual das partes com a viabilidade econômica do plano objeto do acordo de vontades, tornando evidente a inobservância aos princípios mais comezinhos atinentes à ordem jurídicoeconômica, vistos frise-se sob o enfoque constitucional. Contra-arrazoado, o recurso extraordinário foi admitido. Decido. Anote-se, inicialmente, que o recurso extraordinário foi interposto contra acórdão publicado após 3/5/07, quando já era plenamente exigível a demonstração da repercussão geral da matéria constitucional objeto do recurso, conforme decidido na Questão de Ordem no Agravo de Instrumento nº 664.567/RS, Tribunal Pleno, Relator o Ministro Sepúlveda Pertence, DJ de 6/9/07. Todavia, apesar da petição recursal haver trazido a preliminar sobre o tema, não é de se proceder ao exame de sua existência, uma vez que, nos termos do artigo 323 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, com a redação introduzida pela Emenda Regimental nº 21/07, primeira parte, o procedimento acerca da existência da repercussão geral somente ocorrerá quando não for o caso de inadmissibilidade do recurso por outra razão. A irresignação não merece prosperar, uma vez que a jurisprudência desta Corte está consolidada no sentido de que as alegações de afronta aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório, dos limites da coisa julgada e da prestação jurisdicional, se dependentes de reexame de normas infraconstitucionais, podem configurar apenas ofensa indireta ou reflexa à Constituição da República, o que não enseja reexame em recurso extraordinário. Nesse sentido, anote-se: 2

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE COBRANÇA. DESPESAS CONDOMINIAIS. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. 1. Impossibilidade da análise da legislação infraconstitucional e do reexame de provas na via do recurso extraordinário. 2. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal firmou-se no sentido de que as alegações de afronta aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, dos limites da coisa julgada e da prestação jurisdicional, se dependentes de reexame de normas infraconstitucionais, podem configurar apenas ofensa reflexa à Constituição da República (AI nº 594.887/SP AgR, Primeira Turma, Relatora a Ministra Cármen Lúcia, DJ de 30/11/07). AGRAVO DE INSTRUMENTO - ALEGAÇÃO DE OFENSA AO POSTULADO DA MOTIVAÇÃO DOS ATOS DECISÓRIOS - INOCORRÊNCIA - AUSÊNCIA DE OFENSA DIRETA À CONSTITUIÇÃO - RECURSO IMPROVIDO. O Supremo Tribunal Federal deixou assentado que, em regra, as alegações de desrespeito aos postulados da legalidade, do devido processo legal, da motivação dos atos decisórios, do contraditório, dos limites da coisa julgada e da prestação jurisdicional podem configurar, quando muito, situações de ofensa meramente reflexa ao texto da Constituição, circunstância essa que impede a utilização do recurso extraordinário. Precedentes (AI nº 360.265/RJ - AgR, Segunda Turma, Relator o Ministro Celso de Mello, DJ de 20/9/02). Ademais, o Tribunal de origem decidiu a controvérsia acerca da cobertura do precedimento médico em questão amparado, também, nas disposições do Código de Defesa do Consumidor, na interpretação das cláusulas do contrato celebrado entre as partes e nos fatos e provas que compõem a lide, cujo reexame é vedado em sede de recurso extraordinário. Incidência das Súmulas nº 279, 454 e 636 desta Corte. Nesse sentido, destaco os seguintes precedentes: 3

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. DIREITO DO CONSUMIDOR. CONTRATO DE PLANO DE SAÚDE. IMPOSSIBILIDADE DO REEXAME DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL, DAS CLÁUSULAS CONTRATUAIS E DAS PROVAS (SÚMULAS N. 279 E 454). OFENSA CONSTITUCIONAL INDIRETA. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO (AI nº 822.898/RJ-AgR, Primeira Turma, Relatora a Ministra Cármen Lúcia, DJe de 21/2/11). AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. PLANO DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. REALIZAÇÃO DE CIRURGIA. SISTEMA CO- PARTICIPATIVO. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL. OFENSA REFLEXA. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO- PROBATÓRIO DOS AUTOS E ANÁLISE DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. SÚMULAS 279 E 454 DO STF. AGRAVO IMPROVIDO. I A apreciação dos temas constitucionais, no caso, depende do prévio exame da legislação infraconstitucional aplicável à espécie (Código de Defesa do Consumidor), do reexame dos fatos e provas constantes nos autos e do contrato celebrado entre as partes. A afronta à Constituição, se ocorrente, seria indireta. Incabível, portanto, o recurso extraordinário. Precedentes. II Agravo regimental improvido (AI nº 805.960/MG- AgR, Primeira Turma, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, DJe de 23/2/11). CONSUMIDOR. CONTRATO DE PLANO DE SAÚDE. CONTROVÉRSIA DECIDIDA COM FUNDAMENTO NA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL. SÚMULAS STF 279 E 454. 1. Concluir de forma diversa do assentado no julgado do Tribunal de origem demandaria a prévia análise de fatos, 4

provas, cláusulas contratuais (Súmulas STF 279 e 454) e da legislação infraconstitucional aplicável à espécie (CDC e Lei 9.656/98), hipóteses inviáveis em sede extraordinária. Precedentes. 2. Agravo regimental improvido (AI nº 761.879/ES-AgR, Segunda Turma, Relatora a Ministra Ellen Gracie, DJe de 24/9/10). Agravo regimental em agravo de instrumento. 2. Matéria prequestionada. 3. Contrato. Plano de saúde. Cláusula contratual. Aplicação da Súmula 454 do STF. Ofensa reflexa à CF/88. 4. Agravo regimental a que se nega provimento (AI nº 498.374/SP-AgR, Segunda Turma, Relator o Ministro Gilmar Mendes, DJe de 14/3/08). Ante o exposto, nos termos do artigo 557, caput, do Código de Processo Civil, nego seguimento ao recurso extraordinário. Publique-se. Brasília, 30 de abril de 2013. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente 5