MATEMÁTICA GINASIAL DE EUCLIDES ROXO



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Transcrição:

MATEMÁTICA GINASIAL DE EUCLIDES ROXO Heloisa Hernandez de Fontes Salvador Universidade Severino sombra helohsal@gmail.com Resumo: No presente artigo, buscamos analisar o livro Matemática Ginasial 1ª série, edição de 1947, escrito por Euclides Roxo, Cecil Thiré e Júlio Cesar de Mello e Souza, identificando os elementos que comprovem os ideais de Roxo na época em que propôs a unificação dos diferentes componentes (aritmética, álgebra e geometria), criando a disciplina matemática no Colégio Pedro II. Esperamos, através dessa análise sensibilizar a atual e futura geração de professores de matemática para a importância de se conhecer a história do ensino da nossa disciplina. Palavras-chave: Matemática; Euclides Roxo; História da Educação Matemática; Professor Introdução É na passagem do século XIX para as primeiras décadas do século XX que, sob a liderança de Félix Klein, ocorre o primeiro movimento de internacionalização da matemática escolar. O professor Euclides Roxo tem um papel fundamental na apropriação brasileira da proposta internacional nos anos que se seguiram a 1930. Segundo Otaiza Romanelli: A data é de fato a virada na história do Brasil, desses momentos raros na vida dos povos quando se assiste a um processo de mudança real, não só na quantidade como na qualidade. O País, há muito sentindo insuficiências, amadureceu sua realidade e passa a enfrentá-la com decisão: a data é o coroamento de longa trajetória de perguntas, perplexidades e lutas e o início de uma nova política, que se traduz em todos os planos: social, econômico, intelectual. (ROMANELLI, 1993, p.10) Foi ele quem propôs a unificação dos diferentes componentes ( aritmética, álgebra e geometria), criando a disciplina matemática no Colégio Pedro II. Essa iniciativa foi absorvida pelo recém criado Ministério dos Negocios da Educação e Saúde

Pública 1 que, através da primeira reforma do ensino brasileiro - a chamada Reforma Francisco Campos, de 1931- a disseminou a todo o país, transformando a matemática em um dos principais componentes curriculares. Entre nós, até 1929, o ensino de aritmética, de álgebra e de geometria eram feitos separadamente. O estudante prestava, pelo regime de preparatório que vigorou até 1925, um exame distinto para cada uma daquelas disciplinas (...). Em 1928, propusemos à congregação do Colégio Pedro II a modificação dos programas de matemáticas, de acordo com a orientação do moderno movimento de reforma e a consequente unificação do curso (...) sob a denominação de matemática (...) (ROXO, 1940, p.73-74) Roxo foi um homem de visão, moderno, que lutou contra as limitações do meio. Foi coerente e determinado em suas convicções. No presente artigo, buscamos analisar o livro Matemática Ginasial 1ª série, edição de 1947, escrito por ele, Cecil Thiré e Júlio Cesar de Mello e Souza, identificando os elementos que comprovem os ideais de Roxo. Análise do livro Sob o título único de Matemática e observando o índice percebemos a intenção de um ensino simultâneo dos vários campos da matemática: aritmética, álgebra e geometria, integrando-os na medida do possível. As figuras a seguir mostram a capa do livro didático analisado e o índice mencionado. 1 Decreto nº 19.402, de 14/11/1930.

Figura 1 Capa do livro Figura 2 Índice do livro 4ª edição, 1947 Percebemos ao longo de todo o livro a preocupação do autor com a fusão dos ramos da matemática. No capítulo V, ao apresentar várias situações problemas envolvendo frações, retoma conceitos geométricos trabalhados anteriormente: Figura 3 Problemas da p. 293 A primeira tendência defendida pelo movimento internacional de reforma do ensino da matemática foi a predominância essencial do ponto de vista psicológico. Essa tendência irá considerar a maturidade do aluno como requisito básico para a descoberta e compreensão das noções matemáticas, apoiando-se na intuição e na experiência. Segundo a psicologia de John Dewey, que Roxo utiliza para dar suporte a suas ideias em relação à matemática, a intuição é o fio condutor para novas descobertas.

Deve haver uma passagem lenta e gradativa da base do conhecimento já adquirido intuitivamente para a organização lógica da matemática. Roxo, Thiré e Mello e Souza afirmam: Podemos dizer que as crianças às quais vamos apresentar estes conteúdos já têm formadas muitas intuições em relação ao espaço e ao movimento e, também sobre outros conteúdos. (Ibid, p.72) O fato de Roxo iniciar seu livro pelo estudo do espaço para só mais tarde se voltar para o estudo do plano, nos leva a crer que considerou a ideia de espaço, de sólidos geométricos, mais próxima da vivência do aluno. Faz com que este se remeta às formas da natureza e às coisas feitas pelo homem. Figura 4 Introdução à geometria Roxo parte do intuitivo, do concreto para o abstrato e formal. Busca ajuda em materiais concretos, auxiliado pela imaginação visual, antes da exposição do assunto de um modo mais formal. Vejamos como aborda a soma dos ângulos de um triângulo:

Sempre que possível buscou, por meio de inúmeros exemplos e exercícios desenvolvidos de forma contextualizada, evidenciar para o aluno que a matemática era um assunto útil e prático; que ela poderia e deveria ser aplicada na resolução de problemas que ocorrem no cotidiano. Utilizou-se de temas relacionados à geografia, ciências, física, entre outras disciplinas, visando proporcionar ao aluno uma visão mais abrangente da matemática, voltada para a realidade. Acreditava que [...] os conhecimentos matemáticos armam o homem para a vida, a Matemática é a base de todos os conhecimentos humanos; ninguém pode discutir o valor prático de tal disciplina. (Ibid, p.106). Sua intenção não era reduzir a matemática e seu currículo a conteúdos práticos e diretamente utilizáveis, mas contextualizá-los à realidade do aluno. Vejamos alguns exemplos: Figura 5 Soma dos ângulos de um triângulo, p. 55

Figura 6 Exemplos de contextualização p. 129,130,141,170 É interessante ainda observar que para Euclides Roxo, mais importante do que a definição, é mostrar, por meio de exemplos concretos, o que vem a ser determinado conceito. Vejamos como ele iniciou o estudo da divisão: Figura 7 Introdução à divisão p. 174,175 A partir da resolução de problemas e utilizando os conhecimentos prévios dos alunos, Roxo os prepara para a definição. Nota-se, também, que os autores se esforçam por manter um diálogo com o leitor. Assim, verificamos nessa obra uma preocupação por parte dos autores em preparar as definições, procurando primeiramente familiarizar o aluno, por meio de noções intuitivas e de exemplos concretos, obtendo um conhecimento advindo de exemplos retirados de seu cotidiano.

Considerações finais Vimos que Euclides Roxo propôs para o ensino uma metodologia atenta à parte psicológica do estudante, enfatizando o aspecto intuitivo. Buscou um ensino mais vivo e produtivo, tornando-o mais próximo das necessidades reais, afastando-se do abstrato, do formalístico, do sistematizado. Sintetizando as ideias apresentadas no artigo, apresentaremos uma tabela que estabelece um antagonismo entre o que existia na época de Roxo e seus ideais, com o objetivo de comprovar seu espírito revolucionário: Na época de Roxo Divisão rígida em matérias aritmética, álgebra, geometria cada uma das quais tinha que ser completada antes que a outra começasse. Ensino centrado no professor. Apresentação seca, abstrata e lógica do ensino. Programas organizados sob a ótica da lógica formal dos adultos. Ensino limitado aos conhecimentos teóricos. Grande sobrecarga de estudo, cujo interesse é puramente formalístico. Disciplina de conteúdo definitivo e acabado, sem que fosse possível haver dúvidas ou discussões em relação ao seu conteúdo cristalizado A luta de Roxo Ensino simultâneo dos vários campos da matemática em cada série, integrando-os na medida do possível. Ensino centrado no aluno. Partir do intuitivo, do concreto, para o abstrato e formal. Sistematização de atividades com a lógica psicológica da criança. Importância ao que seja imediatamente utilizável na prática. Ensino mais vivo e mais produtivo. Existe certeza em relação ao seu conteúdo, mas muitas dúvidas sobre como ensinar, e que, para quem, para que e quando. Através dessa análise percebemos como características do ensino, praticadas em décadas passadas, ainda estão muito presentes hoje. E que grande parte dos problemas vividos pelos professores de matemática nos dias atuais têm alguma correspondência com situações vividas no passado. Logo, é muito importante chamar atenção e sensibilizar a atual e futura geração de professores de matemática para a importância de se conhecer a história do ensino da nossa disciplina.

Referências bibliográficas ROMANELLI, O. O. História da Educação no Brasil. 15. ed. Petrópolis: Vozes, 1993. ROXO, E.; THIRÉ, C.; MELLO E SOUZA, J. C. Matemática Ginasial- 1ª série. 4. ed. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1947. VALENTE, W. R. (Org.). O nascimento da matemática do ginásio. São Paulo: Annablume; FAPESP, 2004.. Euclides Roxo e a modernização do ensino da matemática no Brasil. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2004.