AULAS PRÁTICAS VIROLOGIA



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Transcrição:

Virologia Licenciaturas em Biologia 2006-2007 AULAS PRÁTICAS VIROLOGIA Parte I - Técnicas de cultura de células animais 1 Observação, manuseamento e obtenção de sub-culturas de células animais. 2 Determinação da concentração e da taxa de inviabilidade de uma suspensão celular. 3 Obtenção de sub-culturas de células VERO. Parte II - Técnicas de Virologia 1 Produção de vírus (EMCV, FV3 e outros iridovírus) em células Vero 2 Titulação dos vírus produzidos Parte III - Técnicas de Virologia molecular 1 Extracção e caracterização dos genomas virais 1.1 - Extracção dos genomas dos vírus produzidos 1.2 - Caracterização dos genomas virais 1.2.1 - Análise electroforética 1.2.2 - Tradução in vitro (apenas para o genoma do EMCV) 2 Extracção e caracterização de proteínas de células infectadas 2.1 - Marcação radioactiva e extracção de proteínas 2.2 - Caracterização dos polipéptidos celulares e virais 3 Extracção e caracterização de RNAs de células infectadas 3.1- Extracção de RNAs 3.2- Caracterização do RNA celular e viral 3.2.1- Análise electroforética do RNA 3.2.2 - Tradução do RNA in vitro 1

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Parte I TÉCNICAS DE CULTURA DE CÉLULAS ANIMAIS 3

1 OBSERVAÇÃO, MANUSEAMENTO E SUB-CULTURA DE CÉLULAS ANIMAIS Objectivos 1 - Observação de culturas de células VERO e de outras linhas celulares. 2 - Identificação de culturas confluentes. 3 - Obtenção de suspensões celulares. 4 - Determinação da concentração e da taxa de inviabilidade de uma suspensão celular. 5 - Obtenção de sub-culturas (passagem de células). Introdução Vão ser utilizadas diversas linhas celulares, que são cultivadas em meio de Eagle modificado por Dulbecco (DME) suplementado com soro fetal de bovino ( foetal calf serum ) a 10% (DME-FCS 10 ). O ph do meio é mantido numa atmosfera com CO 2 a 5% (obtida ou por gazeamento ou por colocação em estufa de CO 2 com atmosfera húmida). As células crescem em monocamada, aderentes à superfície do frasco/placa de cultura. A sub-cultura das células faz-se habitualmente a partir de culturas confluentes, enquanto que a infecção é efectuada preferencialmente com culturas subconfluentes. As células são subcultivadas, a partir de suspensões celulares obtidas por tripsinização das células da monocamada. Todas as operações envolvidas no manuseamento das células e respectivos meios são efectuadas em condições de assepsia, com material estéril, e em câmara de fluxo laminar. Procedimento 1 - Observar os frascos e placas com culturas celulares. 2 - Subcultivar as células de um frasco T25 (com 25cm 2 de área) para: 2 placas P35 (com 35mm de diâmetro - 9,6cm 2 de área) de forma a que possam ser infectadas daí a dois dias; 1 T25 que esteja óptimo (confluente) para ser subcultivado daí a 2 dias. 2.1 - Lavar a monocamada celular por duas vezes com 2ml de PBS-A. 2.2 - Adicionar 1ml de tripsina e rejeitar o excesso após passagem por toda a monocamada. 2.3 - Incubar a 37 ºC até que as células se destaquem do frasco (2 a 3 minutos). 2.4 - Adicionar 2ml de meio e ressuspender bem as células, por pipetagem. 2.5 - Contar o número de células presentes na suspensão celular (ver protocolo Determinação da concentração e da taxa de inviabilidade de uma suspensão celular ). 2.6 - Calcular os inóculos a distribuir pelas placas e frasco de cultura pretendidos (ver protocolo Obtenção de sub-culturas de células VERO ) 2.7 - Após distribuição dos inóculos, adicionar meio de cultura às P35 e ao T25 de forma a ficarem respectivamente com 2ml e 6ml de meio. Colocar a incubar na estufa de CO 2 (deixando o frasco mal rolhado). 4

2 DETERMINAÇÃO DA CONCENTRAÇÃO E DA TAXA DE INVIABILIDADE DE UMA SUSPENSÃO CELULAR Objectivos 1 - Determinação da concentração de uma suspensão celular. 2 - Determinação da taxa de inviabilidade de uma suspensão celular. Introdução O número de células de uma cultura pode ser contado. É necessário obter primeiro uma suspensão celular devidamente homogeneizada, da qual se retira uma alíquota para aplicar numa câmara de contagem. Quando também se pretende conhecer a taxa de inviabilidade dessa cultura, utiliza-se para a contagem uma alíquota da suspensão celular diluída numa solução de azul de tripano em PBS-A. O azul de tripano é um corante de exclusão que apenas entra em células permeabilizadas (inviáveis). Após a entrada na célula atravessa o invólucro nuclear e acaba por se localizar nos núcleos, que ficam corados de azul. Procedimento 1 - Retirar 0,1ml da suspensão celular para um microtubo 2 - Adicionar 0,2ml de azul de tripano em PBS-A e misturar bem. (Nesta alíquota a suspensão celular fica diluída 1:3) 3 - Pipetar uma amostra para uma câmara de contagem (hemacitómetro), após montar devidamente a lamela. 4 - Contar os números de células viáveis e inviáveis presentes nos dois campos da câmara de contagem. (distinguem-se as células inviáveis por apresentarem os núcleos corados de azul). Calcular as médias dos dois valores obtidos: n v e n i, respectivamente. 5 Cálculos: 5-1 - Calcular a concentração de células viáveis (C v ) presentes na suspensão celular C v = n v X 10 4 X 3 5-2- Calcular a concentração de células inviáveis (C i ) presentes na suspensão celular C i = n i X 10 4 X 3 5-3 - Calcular o número de células viáveis (N v ) presentes na suspensão celular N v = C X V 5-4 Calcular a taxa de inviabilidade (T i ) da suspensão celular T i = (n i / n v ) X 100 % - C (concentração) é o número de células existentes em 1 mililitro de suspensão celular - n v é a média do número de células viáveis observado por campo da câmara de contagem (10-4 cm 3 ) - N v é o número de células viáveis presentes na suspensão celular - V é o volume da suspensão celular 5

3 OBTENÇÃO DE SUB-CULTURAS DE CÉLULAS VERO Objectivos: Tendo em consideração o tipo de frasco/placa a utilizar e o tempo de cultura pretendido, determinar os inóculos adequados para preparação de sub-culturas destinadas a: i) passagem de células / manutenção da linha celular ii) inoculação com um vírus, tendo em vista a sua produção Introdução As células VERO são uma linha contínua com origem em células de rim de macaco verde africano. São células fibroblásticas, que crescem em monocamada, a 37ºC, em meio de Eagle modificado por Dulbecco (DME) suplementado com soro fetal de bovino ( foetal calf serum ) a 10% (DME-FCS 10 ). O ph do meio é mantido numa atmosfera com CO 2 a 5% (obtida ou por gazeamento ou por colocação em estufa de CO 2 com atmosfera húmida). Uma cultura confluente tem cerca de 2,5 X 10 5 células por cm 2. O ciclo de replicação celular é de cerca de 24 horas, após uma taxa de crescimento de apenas 1,25X no primeiro dia de cultura. A subcultura das células faz-se habitualmente a partir de culturas confluentes, enquanto que a infecção é efectuada preferencialmente em culturas subconfluentes. As células são subcultivadas a partir de suspensões celulares obtidas por tripsinização das células da monocamada (ver protocolo Observação, manuseamento e subcultura de células animais ). Procedimento Utilizar a seguinte tabela para calcular os inóculos adequados à obtenção das sub-culturas pretendidas SUB-CULTURA DE CÉLULAS VERO Frasco/Placa a preparar Área (cm 2 ) Nº de células na confluência Inóculo para utilizar ao 3º dia T25 = T24 24 6x10 6 1,2x10 6 P T75 = T83 83 2x10 7 4x10 6 P T180 = T175 175 4,5x10 7 9x10 6 P, 4,5x10 6 I placa de 24 poços 45 107 10 6 I P35 = P40 8,8 2,2x10 6 2,2x10 5 I P60 = P58 20,8 5,2x10 6 5,2x10 5 I P100 = P92 56,7 1,4x10 7 1,4x10 6 I P150 = P144 145 3,6x10 7 3,6x10 6 I Utilização pretendida ao 3º dia: P - Passagem - 5x10 4 células/cm 2 I - Infecção - 2,5x10 4 células/cm 2 6