DECISÃO ISR/RO PASSAGEIRO: 48/TE/2006 JOSE ANDRADE RELATOR: matrícula 1.064.742 RELATÓRIO Trata o presente processo de auto de infração, lavrado no dia 02.04.2006, em Teresina, com fundamento no art. 302, III, p do Código Brasileiro de Aeronáutica, em decorrência de reclamação efetuada em 02.04.2006, pelo passageiro JOSE ANDRADE, por não ter a empresa aérea efetuado o embarque no vôo G3 1871, no dia 02.04.2006, por falha na emissão do bilhete de passagem fls. 06. O Relatório de Fiscalização informa que o atendente de balcão da companhia aérea informou que houve erro na emissão do bilhete de passagem e que desconfiava que o erro tenha origem na agência de viagem. Aduz, outrossim, que a companhia aérea vendeu o bilhete eletrônico e que a agência de viagem SOLETUR acompanhou o grupo de quatorze pessoas e que restou comprovado que a falha na emissão do bilhete de passagem ocorreu durante a expedição do mesmo, entendendo que a companhia aérea é responsável solidária com o agente de viagem fls. 05. Regularmente notificada, a empresa autuada apresentou defesa, esclarecendo que a reserva foi emitida com base nas informações prestadas pela agência de turismo e que o embarque foi recusado, estando o valor pago à disposição do passageiro para reembolso ou remarcação, com as devidas taxas previstas no contrato de transporte. Anexou mensagem eletrônica encaminhada pela agência de turismo - fls. 09/11. Em 01.12.2007, decide a Gerência Geral de Fiscalização de Serviços Aéreos pela manutenção da multa, fixada então em R$3.000,00 (três mil reais) fls.12. Em 18.04.2008, a empresa autuada apresenta recurso à Junta Recursal, postulando pela anulação da multa aplicada, reproduzindo os argumentos antes apresentados no processo. Não anexou documentos de prova fls.14. É o relatório. VOTO DO RELATOR PRETERIÇÃO DE PASSAGEIRO. NÃO ACOMODAÇÃO EM QUATRO HORAS. ART. 302, III, p e 226 e 297, CBA. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. Processo n. 616.071/08-9/ASA Página 1
Recurso interposto tempestivamente, conforme despacho de fls. 16. A autuação foi realizada com fundamento no art. 302, III, p, do Código Brasileiro de Aeronáutica, Lei n. 7.565, de 19 de dezembro de 1986, que dispõe o seguinte: Art. 302. A multa será aplicada pela prática das seguintes infrações: (...) III infrações imputáveis à concessionária ou permissionária de serviços aéreos: (...) p) deixar de transportar passageiro com bilhete marcado ou com reserva confirmada ou, de qualquer forma, descumprir o contrato de transporte. Com efeito, o passageiro não foi embarcado porque a empresa aérea constatou que o seu nome não constava no bilhete de passagem de forma exata. O passageiro JOSE GRACINDO ANDRADE portava bilhete em nome de JOSE GRACINDO OLIVEIRA. Aduz a empresa em sua defesa que o erro teve origem na operadora de turismo e produz prova nesse sentido, anexando cópia de mensagem eletrônica em que a agência solicita a emissão de passagem aérea em nome de JOSE GRACINDO OLIVEIRA. Ademais, sustenta que o bilhete de passagem é pessoal e intransferível, conforme expressamente dispõe o art. 2º das Condições Gerais de Transporte, aprovadas pela Portaria n. 616/CG-5/2000. Ocorre, porém, que o Código Brasileiro de Aeronáutica dispõe, em seu art. 226 que: Art. 226. A falta, irregularidade ou perda do bilhete de passagem, nota de bagagem ou conhecimento de carga não prejudica a existência e eficácia do respectivo contrato. A empresa aérea pretende isentar-se de qualquer responsabilidade alegando que o erro foi cometido pela agência de turismo. De toda a sorte, consta dos autos cópia de mensagem eletrônica da Sra. Patrícia Dias, solicitando tarifa de grupo para quatorze pessoas, entre elas o Sr. JOSE GRACIANO ANDRADE, recebida pela Sra. Cristiane Santos do Setor de Grupos da GOL (fls. 03). Acostado aos autos, também, mensagem eletrônica da GOL endereçada a Sra. Patricia Dias, constando entre os passageiros com reserva confirmada o Sr. JOSÉ GRACIANO ANDRADE fls. 04. No entanto, há ainda nos autos uma terceira mensagem eletrônica de AGM TOUR para o Setor de Grupos da GOL onde consta de forma equivocada o nome JOSE GRACINDO OLIVEIRA. Flagrante, portanto, o erro. No entanto, pela documentação analisada pelo fiscal no momento do embarque seria razoável supor que se tratava de mero desencontro de informações, passível de ser sanado. O próprio funcionário do balcão da companhia aérea suspeitava do equívoco, conforme noticiado pelo fiscal autuante. Processo n. 616.071/08-9/ASA Página 2
Assim, nada poderia justificar a negativa de embarque e o prejuízo causado ao passageiro, eis que dos quatorzes integrantes do grupo, apenas um teve o embarque negado pela companhia aérea, não obstante a presença do gerente da agência de turismo no local, conforme também registrado pelo fiscal autuante. Vale finalmente observar que o art. 297 do Código Brasileiro de Aeronáutica aponta para responsabilidade solidária da companhia aérea em virtude de atos praticados por seus agentes. Eis os termos do indigitado dispositivo legal: Art. 297. A pessoa jurídica empregadora responderá solidariamente com seus prepostos, agentes, empregados ou intermediários, pelas infrações por eles cometidas no exercício das respectivas funções. Assim, houve, de fato, violação à legislação que regula o contrato de transporte aéreo, com a prática de infração prevista no art. 302, III, p, do Código Brasileiro de Aeronáutico. Ausentes circunstâncias atenuantes ou agravantes, eis que não configuradas quaisquer das hipóteses do art. 22 da Resolução n. 25/08. Quanto ao valor da multa imposta pela autoridade competente R$3.000,00 (três mil reais), convém observar que foi fixada aquém do grau mínimo previsto no Anexo II da Resolução n. 25/08. Nesse sentido, deve ser mantida a multa, no valor aplicado pela autoridade fiscal. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo conhecimento e não provimento do recurso, mantendo-se o valor da multa aplicada pela primeira instância administrativa. É como voto. RELATORA Processo n. 616.071/08-9/ASA Página 3
CERTIDÃO DE JULGAMENTO AUTUAÇÃO ISR/RO PASSAGEIRO: 48/TE/2006 JOSE ANDRADE PRESIDENTE DA SESSÃO RELATOR: matrícula 1.064.742 ASSUNTO: Preterição de passageiros art. 302, III, p, CBA c/c art. 226 e 297 do CBA. CERTIDÃO Certifico que Junta Recursal da AGÊNCIA NACIONAL DE AVIAÇÃO CIVIL ANAC, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: A Junta, por unanimidade, conheceu do recurso, negando-lhe provimento, para que seja mantido o valor da multa aplicada, nos termos do voto da Relatora. Os Srs. Membros Sérgio Luís Pereira Santos e Edmilson José de Carvalho votaram com a Relatora. PRESIDENTE DA JUNTA RECURSAL Processo n. 616.071/08-9/ASA Página 4
DESPACHO ISR/RO PASSAGEIRO: 48/TE/2006 JOSE ANDRADE À Secretaria da Junta Recursal, para as providências de praxe. PRESIDENTE DA JUNTA RECURSAL Processo n. 616.071/08-9/ASA Página 5