7 Fundamentos de Análise Econômico - Financeira Já vimos como é feito o registro contábil do patrimônio da nossa empresa, elaboramos uma equação a equação fundamental do patrimônio líquido financeiro (PFL) - para determinarmos o valor dela, elaboramos a sua Posição Financeira Inicial, observamos como as receitas e despesas surgem e apuramos o resultado econômico delas, no período, e, finalmente, vimos como as demonstrações finais o Balanço e a Demonstração do Resultado foram elaborados. Ou seja, vimos como o sistema contábil funciona em toda a sua extensão. Agora o que nos falta é saber analisar estas demonstrações para que possamos compreender, com propriedade, como a empresa, foco da nossa atenção, está se desenvolvendo econômica e financeiramente, com o objetivo de avaliar as suas perspectivas futuras e traçar as nossas estratégias para que a nossa empresa possa obter o melhor desempenho possível. Liquidez: Elaboração de Indicadores A primeira e maior preocupação do administrador de uma empresa é com a liquidez dela, isto é, com a capacidade de ela poder liquidar os seus compromissos financeiros, nas datas aprazadas. Portanto, procurará entender através da análise da Demonstração da Posição Financeira, da empresa, se ela estará preparada para isto. 1
Uma Visão Sistêmica da Contabilidade DEMONSTRAÇÃO DA POSIÇÃO FINANCEIRA ATIVO PASSIVO CORRENTE 151.000 CORRENTE 41.520 Disponível 41.400 Empréstimos 30.000 Valores a Receber 87.500 Fornecedores 10.000 Estoques 15.000 Contas a Pagar 1.520 Despesa Antecipada 7.100 NÃO CORRENTE 108.000 NÃO CORRENTE 100.000 Títulos a Receber 70.000 Financiamentos do BNDES 90.000 Imobilizado 38.000 Receitas Futuras 10.000 Computador: Valor Líq. 15.000 PLC 117.480 Computador 20.000 Capital 100.000 Deprec. Acm (5.000) Lucros Acumulados 14.530 Despesa Diferida 23.000 Lucro do Período 2.950 Total 259.000 Total 259.000 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO ECONÔMICO Receitas 30.000 CMV (15.000) Lucro Bruto 15.000 Despesas: (12.050) Depreciação (4.000) Seguros (50) Salários (8.000) Resultado do Exercício 2.950 2
Fundamentos de Análise Econômico - Financeira Através da Demonstração da Posição Financeira da empresa o administrador financeiro procurará construir indicadores financeiros que o ajudarão a entender, primeiramente, a situação de liquidez de curto prazo, pois esta é determinante para a continuação da empresa. E para isto ele calculará o índice de liquidez corrente da empresa desta maneira: LC = (Ativo Corrente Despesa Antecipada)/Passivo Corrente Quando o LC é igual a 2.0, por exemplo, diz-se que a empresa tem, a receber, 2 reais para cada 1 que tem a pagar. Vamos compreender melhor este índice: classifica-se no ativo circulante tudo que a empresa tem de valores disponíveis (caixa e bancos), todos os bens que possui e que deseja ou pretende vender imediatamente (Estoques) ou que pode vender a qualquer momento (material de expediente, outros bens, etc.) e todos os valores que tem a receber num prazo de até 360 dias (Duplicatas a Receber), a contar da data do levantamento do balanço. Por outro lado, classifica-se no passivo circulante todos os valores que ela tem a pagar num prazo de até 360 dias, a contar da data do mesmo balanço. Esse índice nos dá, em princípio, uma visão de um ano sobre a liquidez da empresa. Evidentemente, muitas análises complementares deverão ser feitas para que haja um acompanhamento da liquidez da empresa durante o ano, com o objetivo de evitar surpresas desagradáveis, por exemplo, vencimento de valores a pagar antes de valores a receber. Um dos instrumentos 3
Uma Visão Sistêmica da Contabilidade importantes para isto é a elaboração do Clash-Flow abrangendo todo o período. Para melhor entendimento da situação de liquidez atual da empresa, faz-se necessário uma análise histórica do LC atual comparando-o com os índices de pelo menos dois anos anteriores e, para complementar, faz-se uma análise comparativa, destes índices, com os de empresas concorrentes. Ao final da análise de liquidez o administrador financeiro estará perfeitamente conhecedor da situação de liquidez de curto prazo, porém precisará conhecer outros indicadores que o permita se assenhorar da capacidade pagamento da empresa. Um deles, por exemplo, é o nível de endividamento geral (NE) da empresa: NE = (Passivo Corrente + Passivo Não Corrente)/PLF Este índice mede a alavancagem financeira da empresa: se NE for igual a 2.0, por exemplo, significa que a empresa está usando o dobro de recurso de terceiros em relação aos seus recursos próprios. A depender da taxa de juros média paga pela empresa pelo uso de recursos de terceiros, este nível de alavancagem pode ser favorável ou não à empresa. Se a taxa de juros paga pelo uso de recurso for inferior a da rentabilidade dos negócios da empresa é claro que o nível de alavancagem é favorável pois está contribuindo com o aumento da rentabilidade geral da empresa. Mas se a taxa média de juros for maior a empresa estará trabalhando mais para os seus financiadores do que para os seus proprietários. 4
Fundamentos de Análise Econômico - Financeira Devemos observar que constantemente vimos na fórmula do NE, acima, o PLC no lugar do PLF e isto é um erro crasso: o uso do PLC é coerente quanto se trata de rentabilidade e não capacidade de pagamento da empresa. Outra grande preocupação do administrador é com a rentabilidade, neste caso, ele vai utilizar o seguinte índice: R = Lucro Líquido/ PLC Notaremos aqui que o divisor utilizado, nesta equação é, corretamente, o PLC. O lucro líquido é determinado em função do Regime da Competência do Exercício e, por isso, tem correlação direta com o PLC e, indiretamente com, o PLF. Aplicação Prática dos Indicadores LiQuidez Corrente (LC) Vamos agora aplicar estes nossos índices às demonstrações contábeis, acima: LC = (151.000 7.100)/ 41.520 LC = 3,47 Este resultado nos diz que a nossa empresa tem, no curto prazo, isto é, até o final do próximo exercício, 3,47 a receber para cada 1.00 que tem a pagar. Ou seja, em principio, até o 5
Uma Visão Sistêmica da Contabilidade inicio do próximo ano a situação de liquidez da empresa não traz maiores preocupações. Isto não quer dizer que o administrador financeiro pode sentar e relaxar. Deverá continuar buscando maneiras de acompanhar esta aparente folga de liquidez. Poderá, por exemplo, elaborar um fluxo de caixa do período. Nível de Endividamento (NE) NE = (41.520 + 90.000)/ 97.380 NE = 1,35 Este resultado nos indica que a nossa empresa está utilizando, nas suas atividades, mais de uma vez (1,35) recursos de terceiros do que recursos próprios. Se isso é bom, ou ruim, vai depender das suas respectivas taxas: de rentabilidade e juros pagos. Claramente precisamos explicar como chegamos ao valor do PLF que, lamentavelmente, não é apresentado nas demonstrações atuais, nem aqui no Brasil, nem em qualquer lugar do mundo. Acontece que nas Demonstrações da Posição Financeiras, atuais Leis 6.404 e 11.638, as contas de resultados pendentes (Despesa Antecipada, Diferidas, etc) foram misturadas, com as contas patrimoniais (Caixa, Estoque, Contas a Pagar, etc) e, ainda por cima, o valor do PLF não foi explicitado. 6
Fundamentos de Análise Econômico - Financeira Do ponto de vista da análise financeira decisões, baseadas nestas demonstrações, são difíceis de serem entendidas e problemáticas para serem analisadas. Em relação aos índices de liquidez, as fórmulas tradicionais têm de ser modificadas para não incorrerem em resultados errados. Por exemplo, a fórmula tradicional de LC = Ativo Corrente/ Passivo Corrente deve ser alterada para LC = (Ativo Corrente Despesas Antecipadas)/Passivo Corrente. Por que? Porque Despesa Antecipada não é ativo, muito menos corrente, é apenas um registro de um consumo cujo benefício ainda não foi consumido. Em relação ao valor do PLF, conforme vimos, PLF = B + D O, portanto, na demonstração, acima, devemos desconsiderar Despesa Antecipadas, Diferidas e Receitas Futuras pois não são bens, nem direitos e nem obrigações. Desta maneira, o valor do PLF foi encontrado desta maneira: PLF = 259.000 7.100 23.000 (41.520 + 100.000 10.000) = PLF = 228.900 131.520 PLF = 97.380 Conforme afirmamos, o conceito de patrimônio líquido financeiro é muito importante para ser, completamente, negligenciado pela contabilidade. Esta é uma das grandes falhas das demonstrações contábeis atuais. 7
Uma Visão Sistêmica da Contabilidade Rentabilidade R = Lucro Líquido/ PLC R = 2.950/ 117.480 = 2,51 Evidentemente todos estes índices têm várias considerações a serem feitas. O de rentabilidade por exemplo, pode ser utilizado como divisor o patrimônio líquido médio do período. Mas este não é o propósito deste trabalho. Sugestão de Demonstrações Contábeis Primeira Sugestão Conforme vimos a análise econômico financeira das demonstrações contábeis se tornaram complicadas, trabalhosas e difíceis, simplesmente porque apresentam as contas de resultados pendentes, incorretamente, classificadas entre as contas patrimoniais. Em função desta nossa observação, apresentamos as seguintes formas de apresentação: 8
Fundamentos de Análise Econômico - Financeira DEMONSTRAÇÃO DA POSIÇÃO FINANCEIRA ATIVO PASSIVO CORRENTE 143.900 CORRENTE 41.520 Disponível 41.400 Empréstimos 30.000 Valores a Receber 87.500 Fornecedores 10.000 Estoques 15.000 Contas a Pagar 1.520 NÃO CORRENTE 85.000 NÃO CORRENTE 90.000 Títulos a Receber 70.000 Financiamentos do BNDES 90.000 Imobilizado 15.000 PLC 117.480 Computador: Valor Líq. 15.000 Capital 100.000 Computador 20.000 Lucros Acumulados 14.530 Deprec. Acm (5.000) Lucro do Período 2.950 Despesa Antecipada (7.100) Despesa Diferida (23.000) Receita Futura 10.000 (20.100) PLF 97.380 Total 228.900 Total 228.900 Conforme podemos ver, as vantagens de termos uma Demonstração da Posição Financeira, composta com as contas patrimoniais separadas das econômicas são enormes. Os índices podem ser calculados diretamente com a maior simplicidade possível. Vejamos: LC = 143.900/41.520 = 3,47 NE = (41.520 + 90.000)/ 97.380 = 1,35 R = 2.950/117.480 = 2,51 9
Uma Visão Sistêmica da Contabilidade É considerável a economia de tempo na elaboração dos índice, nesta nossa demonstração sugerida. Segunda Sugestão Esta outra sugestão é de minha preferência pelo fato de ela ser totalmente limpa, sem poluição alguma de números que poderão possibilitar o analista desavisado a cometer erros. A demonstração acima é dividida em duas partes e assim apresentadas: Primeira Parte Financeira DEMONSTRAÇÃO DA POSIÇÃO FINANCEIRA ATIVO PASSIVO CORRENTE 143.900 CORRENTE 41.520 Disponível 41.400 Empréstimos 30.000 Valores a Receber 87.500 Fornecedores 10.000 Estoques 15.000 Contas a Pagar 1.520 NÃO CORRENTE 85.000 NÃO CORRENTE 90.000 Títulos a Receber 70.000 Financiamentos do BNDES 90.000 Imobilizado 15.000 Computador: Valor Líq. 15.000 PLF 97.380 Computador 20.000 Deprec. Acm (5.000) Total 228.900 Total 228.900 A demonstração acima só apresenta as contas financeiras. 10
Fundamentos de Análise Econômico - Financeira Segunda Parte - Econômica DEMONSTRAÇÃO DA POSIÇÃO ECONÔMICA Patrimônio Líquido Contábil 117.480 Capital 100.000 Lucros Acumulados 14.530 Lucro do Período 2.950 Resultados Pendentes (20.100) Receitas Futuras 10.000 Despesas Antecipadas (7.100) Despesas Diferidas (23.100) Patrimônio Líquido Financeiro 97.380 A posição acima diz respeito tão somente à posição econômica. 11