II. Previdência Social



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Transcrição:

II. Previdência Social (a) MTAS - Ministério do Trabalho e Assuntos Sociais O Ministério do Trabalho e Assuntos Sociais MTAS spossui cinco secretarias e uma sub-secretaria, quais sejam: Secretaria de Estado da Segurança Social; Secretaria de Estado de Imigração e Emigração; Secretaria de Estado de Serviços Sociais, Família e Deficientes; Secretaria Geral do Emprego; Secretaria Geral de Políticas de Igualdade; e Sub-secretaria de Trabalho e Assuntos Sociais. À Secretaria de Estado da Segurança Social, por sua vez, pertencem a Direção Geral de Ordenação da Segurança Social; a Intervenção Geral da Segurança Social; e o Serviço Jurídico de Administração da Segurança Social. E, por fim, a ela vinculam-se a Tesouraria Geral da Segurança Social; a Gerência de Informática da Segurança Social; o Instituto Nacional de Segurança Social; e o Instituto Social da Marinha. (b) Administração da Segurança Social A Administração da Segurança Social é o conjunto de órgãos Administrativos e Organismos Públicos com faculdades e competências reguladoras, diretivas, planificadoras ou gestoras cujo objetivo é garantir aos cidadãos espanhóis, e se for o caso, aos estrangeiros residentes no país, o conjunto de prestações assistenciais, sanitárias, econômicas ou de outro tipo estabelecidas em lei. O Sistema de Segurança Social constitui um elemento essencial e um objetivo imprescindível da sociedade moderna, como sistema de proteção pública a qualquer situação de necessidade, acessível a os cidadãos, tal como consagrado no artigo 41 da Constituição espanhola. A gestão do Sistema de Segurança Social espanhol é atribuída, entre outros, a três entes públicos com personalidade jurídica própria, adscritos ao MTAS através da Secretaria de Estado da Segurança Social: o Instituto Nacional da Segurança Social (INSS), a Tesouraria Geral da Segurança Social (TGSS) e o Instituto Social da Marinha (ISM). A Tesouraria Geral da Segurança Social é um serviço comum onde se unificam todos os recursos econômicos e a administração financeira do Sistema da 1

Segurança Social, com competências em matéria de inscrição de empresas, filiação de trabalhadores, gestão e controle das cotações e arrecadação de quotas e demais recursos de financiamento. O Instituto Nacional da Segurança Social é entidade gestora com concorrências sobre: o reconhecimento e controle do direito às prestações econômicas do Sistema da Segurança Social em sua modalidade tributável e das prestações familiares, com exceção daquelas cuja gestão é atribuída ao Instituído Nacional de Emprego (prestações por desemprego) e ao Instituto Social da Marinha (prestações do Regime Especial dos Trabalhadores do Mar); o reconhecimento do direito à assistência sanitária; a participação na negociação e execução dos Convênios Internacionais de Segurança Social, bem como a filiação a associações e Organismos Internacionais; a gestão e funcionamento do Registro de Prestações Sociais Públicas; e a gestão das prestações econômicas e sociais relacionadas aos narcóticos. O Instituto Social da Marinha tem competência sobre a gestão, administração e reconhecimento do direito às prestações. Em colaboração com a Tesouraria Geral, realiza a inscrição de empresas e a afiliação, altas e baixas de trabalhadores, arrecadação e controle de cotações. Como entidade encarregada dos temas sociais do setor marítimo-pesqueiro, gere a assistência sanitária em terra, a bordo e no estrangeiro, a formação e promoção profissional, bem como o bem-estar dos trabalhadores. (c) Secretaria de Estado da Previdência Social Tem como principais funções: Direção e controle de Entidades Gestoras e da Tesouraria Geral da Segurança Social, com exceção das concorrências atribuídas a outros Departamentos. Impulso e direção da ordenação jurídica da Segurança Social. Direção e coordenação da gestão dos recursos financeiros e dos gastos da Segurança Social. Planejamento, coordenação e direção das prestações sociais tanto por parte do Estado como da Segurança Social. Tutela e controle da gestão exercida pelas Mútuas de Acidentes de Trabalho e Doenças Profissionais, Empresas Colaboradoras e Fundações Trabalhistas que atuem como complementares da Segurança social. Representação do Departamento por Delegação expressa do Ministro, se for o caso. Quaisquer outras competências que lhe sejam atribuídas por lei ou regulamento e as indicadas no art. 9.º do R.D. 2169/84, de 28 de Novembro (sobre concorrências em matéria de pessoal da Administração do Estado). 2

(d) Normativa de Interesse do Cidadão 1. Constituição Espanhola de 1978 (artigos 41 e 50): Art. 41: Os poderes públicos manterão um regime público de Segurança Social para todos os cidadãos, que garanta a assistência e prestações sociais suficientes ante situações de necessidade, especialmente em caso de desemprego. A assistência e as prestações complementares serão livres. Art. 50: Os poderes públicos garantirão, mediante pensões adequadas e periodicamente atualizadas, a suficiência econômica aos cidadãos durante a terceira idade. Assim mesmo, e com independência das obrigações familiares, promoverão seu bem-estar mediante um sistema de serviços sociais que atenderão seus problemas específicos de saúde, moradia, cultura e lazer. 2. Lei Geral da Previdência Social, de 29 de junho de 1994: aborda, entre outros, os princípios e fins da Previdência Social, as competências do Ministério do Trabalho e Assuntos Sociais e outros órgãos ministeriais, o campo de aplicação e a estrutura do Sistema de Previdência Social, e os modos de filiação, cotização e arrecadação. 3. Reforma da Lei Geral da Previdência Social, de 10 de dezembro de 2003: introduziu no texto da Lei Geral de Segurança Social importantes mudanças em matéria da gestão de arrecadação dos recursos do sistema, algumas delas muito inovadoras no âmbito da Segurança Social, como a aplicação do taxa de atraso. A Reforma possui três grandes objetivos: incentivar o pronto pagamento, estabelecendo um sistema de sobretaxa mais progressiva do que o anterior; favorecer a regularização das situações de morosidade, mediante a concessão de adiamentos de pagamento; e incrementar o custo para os devedores que não efetuam seus pagamentos no prazo, nem solicitam um adiamento. Para a consecução desses objetivos, foram implementadas as seguintes medidas: agravamento das conseqüências da falta de pagamento em prazo; modificação do sistema de responsabilidades dos sujeitos obrigados; eliminação de trâmites do procedimento de arrecadação; simplificação do sistema de impugnação; fomento da solicitação de adiamentos de pagamento, simplificando seu regime; e incremento da transparência do sistema de transferência, fomentando a participação de interessados nos leilões. (e) A Previdência Social na Espanha O atual sistema de Segurança Social espanhol constitui um dos mais importantes ativo da sociedade espanhola, pelo que em si representa para o bem-estar de todos os cidadãos, e pelo esforço de consenso que todos os agentes sociais implicados no processo de reformas realizadas nos últimos anos levaram a cabo. Essas reformas tiveram como objetivo acometer as necessidades que a mutante realidade social reclama e agrupar e direcionar os diferentes interesses sociais para o permanente 3

desenvolvimento de novas iniciativas de adaptação, responsáveis pela estabilidade do próprio Sistema. Dois instrumentos foram essenciais aos êxitos alcançados até o momento e o serão para o futuro do sistema: o Pacto de Toledo e o diálogo social. O primeiro porque desde sua consensual assinatura pelos partidos políticos, em 1995, converteu-se no melhor fiador e legitimador do Sistema de Segurança Social; e o segundo por ser um instrumento obrigatório quando se trata de acometer reformas fundamentais que afetam os assuntos da Segurança Social em seu conjunto. Sob estas premissas, em 9 de abril de 2003, o Governo de José Maria Aznar e representantes de partidos assinaram o denominado Acordo para a melhoria e o desenvolvimento do Sistema de Proteção Social, com o que ativam e desenvolvem novos mecanismos para a atualização do mencionado Pacto, que exerce a função de vigilante do Sistema, dotando-o do dinamismo necessário à sua sobrevivência. Este importante objetivo foi alcançado, como o ocorrido quando do Acordo sobre consolidação e racionalização do Sistema de Segurança Social de 1996, graças ao diálogo social e após árduas negociações, que destacaram a necessidade de suprir demandas que não admitiam mais demora. Busca-se, atualmente, consolidar o que já foi alcançado e enfrentar os desafios futuros, que advêm tanto da revolução tecnológica em marcha com fortes reflexos na configuração do mercado trabalhista, quanto do componente demográfico em transformação com sua reduzida natalidade e generosa longevidade. Os desafios que daí surgem irão reclamar, acima de tudo, imaginação e solidariedade social. A esse hipotético marco de futuro, cingiu-se o Acordo para a melhora e o desenvolvimento do Sistema de Proteção Social, para acometer as reformas cujos principais compromissos serão a seguir comentados. São quatro os princípios básicos sobre os quais pretende atuar o Acordo: a) garantir a estabilidade financeira do Sistema com a culminação do processo de separação de fontes e a dotação de um fundo de reserva de caráter permanente; b) em função dos princípios de contributividade, equidade e solidariedade, melhorar os níveis de cobertura, adaptando o conteúdo das prestações às necessidades específicas dos beneficiários; c) eliminar as discriminações para favorecer a inserção e manutenção no mercado de trabalho de mulheres e idosos; d) aumentar a eficácia na gestão do Sistema, favorecendo a convergência de regimes e adotando medidas contra a fraude; e (e) criar a Agência da Segurança Social, cujo projeto de lei o Governo então se comprometeu a remeter às Cortes Gerais. O Acordo supõe prosseguir com a aposta, feita pelo Governo, no diálogo social como instrumento para aprofundar as recomendações do Pacto de Toledo e, com isso, construir as bases que propiciem a modernização do Sistema de Proteção Social espanhol, para defrontar os futuros índices de envelhecimento populacional que terão de enfrentar todos os países europeus. Esse desafio é enorme, em especial para Espanha, que em longo prazo será, segundo previsões, o país mais afetado por este fenômeno, agravado pelo fato do país possuir uma taxa de atividade, sobretudo feminina, ostensivelmente mais baixa do que a taxa de atividade média européia. 4

Neste sentido, diversas são as medidas relacionadas no Acordo, tanto em relação ao problema do envelhecimento e seu corolário das pensões, quanto à necessidade de aumentar o volume de população ativa para elevar a relação cotistabeneficiário. Para enfrentar estes problemas futuros, é mister introduzir os conceitos de gradualidade, progressividade e flexibilidade na idade de aposentadoria. Por outro lado, exonera-se do pagamento de cotações por contingências comuns o trabalhador de sessenta e cinco ou mais anos. No âmbito da solidariedade com os entes mais desprotegidos, será elevada gradualmente a percentagem aplicável à base reguladora dos atuais 45% a 52% - das prestações de viuvez; nas de orfandade, se ampliará o limite de idade para seu recebimento, para 22 ou 24 anos, segundo os casos e observando-se as pensões mínimas. Além destas medidas, o Acordo auspicia duas questões fundamentais: uma referente à sobrevivência do sistema, ou seja, a sua estabilidade econômico-financeira; e a outra, à sua coesão, já que este Acordo foi possível através do respaldo de agentes sociais que participaram do processo de negociação. Somam-se a ele o Acordo sobre Trabalho em Tempo Parcial e Fomento de sua Estabilidade e o Acordo para a Revalorização das Pensões Mínimas do Sistema de Segurança Social para o ano 2000, assinados na legislatura anterior e que supõem a continuação e consolidação do diálogo social como condição sine qua non a todas as medidas de alcance social. Tudo isso dentro de um acordo com vocação de permanência: o Pacto de Toledo. (f) Medidas do Pacto de Toledo Grupo de medidas Descrição Separação e As prestações universais serão financiadas com recursos clarificação orçamentários e as tributáveis, com cotações. de fontes de O financiamento excepcional das primeiras cotações cessará em 2000. financiamento Os complementos de mínimos são prestações não tributáveis (a revisar em 2000). Dotação de um Se nutrirá com os recursos liberados pela medida anterior. A situação fundo de reserva do fundo será avaliada no ano 2000. Cotizações Eliminação gradual dos tetos de cotização abaixo do limite. Atualização deste último com o IPC. Revisão discricionária do teto de cobertura das pensões. Normalização dos direitos e obrigações dos trabalhadores com contratos não ordinários. Contributividade Gradualmente, e até o dia 1 o de janeiro de 2002, o número de anos e solidaridade para o cálculo da base reguladora da pensão será aumentado para até 15 anos. Carência qualificada de dois anos nos últimos 15 anos. A base reguladora se modifica com a cotação linear: 50% com 15 anos, 80% com 25 anos e 100% com 35 anos. Ampliação do limite de idade para órfãos desempregados em 1999 (21 ou 23 anos, segundo o caso). Equiparação de pensões para viúvas e viúvos menores de 60 anos com ônus familiares com maiores de 60 anos. Possibilidade de gratificações por aposentadoria após 65 anos. 5

Grupo de medidas Revalorização de pensões Regimes especiais Aposentadorias antecipadas Incapacidade permanente Descrição Todas as pensões serão reajustadas pelo IPC previsto, revisando-se correspondentemente em caso de divergência entre este e o anterior. Recomenda-se a gradual equiparação contributiva com o regime geral. Não serão incentivadas aposentadorias voluntárias antecipadas; no entanto, o coeficiente redutor será limitado a 7% ao ano para aposentadorias involuntárias com 40 ou mais anos de cotização. Melhor definição orçamentária e controles mais severos. Pensão de aposentadoria com 65 anos. (g) Referências Bibliográficas ADMINISTRACIÓN de la Seguridad Social. Disponível em: <http://www.segsocial.es/inicio/?mival=cw_usr_view_folder&lang=1&id=35083>. Acesso em: 22 fev. 2006. GASCÓN, José Luis Gómez-Calcerrada. El acuerdo para la mejora y el desarrollo del sistema de protección social en el marco del Pacto de Toledo. Disponível em: <http://oiss.org/contenido/acd/revista_bip/26/pdf/ 08_firmas_invitadas.pdf>. Acesso em: 22 fev. 2006. HERCE, José Alonso; MESEGUER, Javier Alonso. La Reforma de las pensiones ante la revisión del Pacto de Toledo. Colección Estudios Económicos, Barcelona, nº 19, 2000. Disponível em: <www.ehu.es/agorostiaga/docs/ herce.pdf> e <www.estudios.lacaixa.es>. Acesso em: 22 fev. 2006. MINISTÉRIO do Trabalho e Assuntos Sociais MTAS. Disponível em: <www.mtas.es>. Acesso em: 22 fev. 2006. SECRETARÍA de Estado de la Seguridad Social. Disponível em: <www.segsocial.es>. Acesso em: 22 fev. 2006. 6