AMIANTO *Airlis Luis Ferracioli



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Transcrição:

*Airlis Luis Ferracioli 1. AMIANTO Amianto é a denominação dada a silicatos fibrosos abundantemente encontrados na natureza. Existem cerca de trinta minerais que se enquadram nessa terminologia, porém, comercialmente são explorados atualmente as variedades crisotila (amianto branco), que corresponde a 97% do consumo mundial, seguida da amosita (amianto marrom), e da crosidalita (amianto azul). A crisotila pertence ao grupo dos serpentinitos, e os demais tipos de amianto estão classificados no grupo dos anfibólios. A distinção que se faz entre eles é que as fibras da crisotila são sedosas e crespas, já os anfibólios possuem fibras retas e cilíndricas. As características físico-químicas peculiares do amianto são: elevada resistência mecânica à abrasão, flexibilidade, insulação térmica e elétrica, alta tensão à tração, resistência a ácidos e aos álcalis, fiabilidade e elevado poder filtrante. O amianto pode ser usado em mais de 3.000 produtos diferentes. A participação percentual das fibras de amianto no produto final pode variar de 1% a 100%. Entre suas aplicações destacam-se as de isolante térmico e acústico, refratários, cerâmicas, fibrocimento, principalmente telhas e caixas d água, juntas de vedação, matérias de fricção, como pastilhas de freio e embreagens, roupas especiais, papel e papelão, filtros industriais entre outros. Atualmente, o amianto tem enfrentado a concorrência de várias fibras substitutas, principalmente no setor de fibrocimento e fricção, porém, os substitutos têm impactado o consumo de amianto mais por pressões ecológicas e de saúde ocupacional, do que em função de custos de produção. Os principais produtos que concorrem com o amianto são: PVC, principalmente no segmento de tubos e caixas d água, fibra de vidro e recentemente o PVA (álcool polivinílico), um plástico produzido a partir do acetato de vinila, que é empregado em fibrocimento. 2. RESERVAS Para o ano de 2000, as reservas são da ordem de 270.734 mil toneladas de serpentinito. O Estado de Goiás detém 100% das reservas nacionais de amianto crisotila. Existe ainda inúmeros depósitos de amianto do tipo anfibólios, predominantemente da variedade antofilita. A Lei n 9.055 de 01/06/1995 proibiu a exploração, comercialização e uso dos amiantos desse grupo em todo o território nacional, em função de problemas de saúde ocupacional. O crescimento nas reservas em Goiás foi conseqüência de reavaliações ocorridas em 1992 e 1997, na mina de Cana Brava, no município de Minaçu. É a única mina em operação no País na atualidade, o teor de fibra contida no minério é em média de 6%. Considerando-se apenas as reservas da mina de Cana Brava, nos atuais níveis de produção, a mesma pode ser explorada por mais de 70 anos. As fibras são agrupadas em dois tipos, cross e slip. As fibras têm brilho sedoso, o comprimento é variável, indo de um a vinte milímetros, com média em torno de seis milímetros. Balanço Mineral Brasileiro 2001 1

Tabela 01 UF Reservas de Amianto - 2000 Medida Serpentinito Fibra Teor (%) Indicada Minério Inferida Minério Total Minério GO 270.733.644 16.325.405 6,03 287.059.049 Total 270.733.644 16.325.405 6,03 287.059.049 Unidade: t Fonte: DNPM/DIRIN 350.000 Gráfico 1 - Evolução das Reservas (Medida + Indicada + Inferida) de Amianto - 1988-2000 300.000 Em Mil toneladas 250.000 200.000 150.000 100.000 50.000 0 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 Fonte: DNPM/DIRIN 3. PRODUÇÃO A produção comercial de amianto no Brasil teve início em 1938, no Estado da Bahia, indo até 1967, com a exaustão da mina, através da empresa SAMA Mineração de Amianto Ltda. A partir desta data, a empresa intensificou investimentos no Estado de Goiás, onde foram descobertas as atuais jazidas, por volta de 1962. Ocorreu produção em pequena escala nos Estados de Alagoas, Minas Gerais, Piauí e São Paulo, até 1995. Com o desenvolvimento da mineração de amianto em Goiás, a produção nacional passou de 2.145 t/ano em 1965 para a auto-suficiência em 1985, com 165.062 t/ano, respondendo este Estado com 99% da produção. Atualmente, a produção gira em torno de 200.000 t/ano de fibra de amianto, extraída totalmente na mina situada no Município de Minaçu no Estado de Goiás. A mina de Cana Brava é a céu aberto, possui uma capacidade instalada de 240 mil toneladas/ano de fibra tratada, com recuperação de aproximadamente 88% das fibras no processo de tratamento. A extração e o beneficiamento é todo mecanizado, sendo produzidos quase todos os tipos de fibras. O Brasil é o quarto maior produtor mundial de amianto, exportando cerca de 30% de sua produção. Balanço Mineral Brasileiro 2001 2

Embora não exista nenhuma determinação quanto ao banimento do amianto no Brasil, alguns Estados e Municípios o estão adotando sem nenhum critério, proibindo o seu uso como também dos produtos que o contenham, o que pode comprometer o nível de atividade da indústria do amianto, conforme o ímpeto ecológico da época. Existe uma confusão entre os defensores do banimento do amianto, onde consideram o amianto crisotila com o mesmo nível de periculosidade que os anfibólios, este sim, com risco à saúde humana, sendo seu uso proibido no Brasil pela Lei n 9055. O potencial de risco que a crisotila tem é muito menor que os dos anfibólios, mesmo assim, a Lei regulamenta da extração ao produto acabado, o que permite que o amianto seja utilizado sem provocar riscos à saúde dos trabalhadores e do consumidor final. Tabela 02 Evolução da Produção de Amianto 1988-2000 ANOS SERPENTINITO FIBRA 1988 3.554.916 227.118 1989 3.747.734 206.296 1990 4.361.299 205.220 1991 4.787.686 238.852 1992 3.895.805 172.448 1993 3.799.388 186.662 1994 3.752.720 183.079 1995 3.705.629 210.352 1996 4.008.163 213.213 1997 3.701.840 208.447 1998 3.035.212 198.332 1990 2.485.807 188.386 2000 2.666.416 209.332 Unidade: t Fonte: DNPM/DIRIN 4. COMÉRCIO EXTERIOR As exportações brasileiras tiveram crescimento médio de 3,56% ao ano no período de 1988 a 2000. Foram exportados praticamente todos os tipos de fibra consumidas no mercado externo. No período, o País sempre foi superavitário, ingressando um montante de US$ 344 milhões, contra US$ 166 milhões despendidos com as importações. Os principais países importadores do amianto brasileiro foram: Índia, Tailândia, Japão, México, Indonésia, Chile, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Malásia, Angola, Turquia, Uruguai, Colômbia, Bolívia, Argentina entre outros, que demandaram em média 31% da produção de fibras nos últimos 12 anos. As importações de amianto no período analisado tiveram um crescimento médio de 17,31%, influenciadas principalmente pelos preços externos, que tiveram uma queda média Balanço Mineral Brasileiro 2001 3

de 7,74%, no período. Os principais países fornecedores foram: Canadá, África do Sul, Zimbábue, Suazilândia, Rússia e Estados Unidos. As importações, além do componente preço, também são decorrência do tipo de fibra, pois as fibras extralongas do grau 1 a 3 são escassas no mercado interno. Atualmente as importações de amianto são taxadas em 6,5%, podendo ser importadas apenas as fibras de amianto crisotila. Tabela 03 Comércio Exterior de Amianto - 1988/2000 ANOS EXPORTAÇÃO (A) Amianto (t) Valor US$/t FOB IMPORTAÇÃO (B) Amianto (t) Valor US$/t FOB Amianto (t) SALDO (A - B) Valor US$/t FOB 1988 41.514 13.475 5.220 4.186 36.294 9.289 1989 58.699 21.520 6.210 5.126 52.489 16.394 1990 53.141 18.597 10.467 6.797 42.674 11.800 1991 67.764 23.740 12.138 7.883 55.626 15.857 1992 66.527 26.372 16.029 8.984 50.498 17.388 1993 76.062 32.281 34.590 18.607 41.472 13.674 1994 75.631 32.390 32.805 15.640 42.826 16.750 1995 71.746 31.152 43.519 22.959 28.227 8.193 1996 78.294 34.791 31.765 16.516 46.529 18.275 1997 63.165 30.395 38.941 19.083 24.224 11.312 1998 51.239 27.055 39.597 19.849 11.642 7.206 1999 49.418 24.374 24.049 9.263 25.369 15.111 2000 63.134 27.478 35.491 10.818 27.643 16.660 Fonte: SRF SECEX, DNPM/DIRIN Gráfico 2 - Exportações de Amianto segundo Países - 1996-2000 40 35 30 25 Em % 20 15 10 5 0 1996 1997 1998 1999 2000 Índia Tailândia Japão México Indonésia Malásia Argentina Chile Outros Fonte: SRF-SECEX, DNPM/DIRIN Balanço Mineral Brasileiro 2001 4

5. CONSUMO APARENTE O consumo de amianto nos últimos anos não apresentou mudanças significativas quanto ao seu uso. O principal emprego do amianto tem sido no fabrico de artefatos de fibrocimento, como telhas, caixas d água, tubos, entre outros, que representam cerca de 90% da utilização. Aproximadamente 9% do amianto consumido no País são empregados em materiais de fricção. O restante 1% é distribuído entre as indústrias de papelão, têxteis, filtros, isolantes, entre outros. Os principais consumidores nacionais de amianto são: ETERBRAS Tec. Industrial Ltda., BRASILIT S.A, ETERNIT S.A, ISDRALIT Ind. e Com. Ltda., MULTILIT Fibrocimento Ltda., PRECON Indústria S.A, FRAS-LE S.A, SANO S.A, INFIBRA Ltda., CONFIBRA Ind. e Com. Ltda., entre outras. Nos últimos anos verificou-se uma ligeira queda no consumo de amianto em todo o mundo, principalmente em decorrência das campanhas pró-banimento do amianto, desencadeadas pelos chamados Partidos Verdes e Associações de Contaminados pelo Amianto. Em termos de custos de produção e qualidade do produto final, a concorrência direta de fibras alternativas não faz frente às fibras de amianto. Podem substituir o amianto em alguns produtos: as fibras de carbono, celulose, cerâmicas, vidro, aço, orgânicas, outras substâncias como o kevlar, polietileno, polipropileno, álcool polivinílico (PVA), porém oferecem os mesmos riscos ou até maior que o amianto à saúde do trabalhador. Tabela 04 Evolução do Consumo Aparente de Amianto 1988-2000 ANOS AMIANTO (1) 1988 190.824 1989 148.137 1990 169.581 1991 170.581 1992 118.602 1993 143.528 1994 140.182 1995 182.653 1996 166.683 1997 184.224 1998 186.690 1999 163.017 2000 181.689 Unidade: t Fonte: SRF-SECEX, DNPM/DIRIN (1) Produção + Importação - Exportação Balanço Mineral Brasileiro 2001 5

Gráfico 3 - Consumo Setorial de Amianto - 2000 BRASIL EUA 89,76% 20% 4% 0,53% 9,40% 0,30% 14% 62% Fibrocimento Fricção Vedação Outros Fibrocimento Vedação Fricção Outros Fonte: DNPM/DIRIN 6. PREÇOS Os preços do mercado interno foram coletados dos relatórios apresentado pela empresa responsável pela produção nacional ao longo dos últimos anos. Para tanto, foram listadas as vendas (FOB mina) diretas aos consumidores no mercado interno, extraindo-se assim os preços médios das fibras vendidas, sendo estes transformados em reais e atualizados pelo IGPM, a preços de 2000, e finalmente convertidos em dólar, também atualizados para valores constantes de 2000. Para os preços externos das fibras, foram utilizados os declarados ao MICT-SECEX, (FOB - País de origem). Os preços do mercado doméstico são determinados pelo único produtor nacional. Apesar do monopólio do produtor, verifica-se na série histórica uma oscilação considerável dos preços praticado pela empresa, que pode ser explicada pelos níveis de inflação do período analisado. Apesar das variações nos preços, verifica-se na série de preços médios uma tendência de crescimento, no período compreendido entre 1988 a 1997, com crescimento médio anual de 9,91%. Essa tendência é revertida a partir de 1998, apresentando uma queda média anual de 22,97% até 2000. Os preços da fibra no mercado externo apresentaram pequenas variações. Porém, mantêm tendência de queda desde 1988 com queda de 10,67% ao ano, ao contrário do que ocorreu com os preços internos, que só acompanham essa tendência mundial nos últimos três anos. Verifica-se, também, que os preços internos superaram os preços externos a partir de 1992, permanecendo assim até a presente data. Embora essa diferença nos preços seja significativa, os consumidores internos optaram pela garantia de fornecimento, além de evitarem a burocracia para importação, entenda-se, impostos, taxas alfandegárias, armazenagem, etc. Balanço Mineral Brasileiro 2001 6

Tabela 05 Evolução dos Preços de Amianto em Fibras 1988-2000 BRASIL MERCADO EXTERNO ANOS Corrente US$/t FOB (1) Constante US$/t FOB (3) Corrente US$/t FOB (1) Constante US$/t FOB (3) 1988 248,00 365,00 802,00 1.180,00 1989 254,00 356,00 825,00 1.159,00 1990 385,00 513,00 649,00 865,00 1991 350,00 447,00 649,00 830,00 1992 668,00 828,00 560,00 695,00 1993 531,00 640,00 538,00 648,00 1994 643,00 755,00 477,00 560,00 1995 633,00 724,00 528,00 603,00 1996 643,00 713,00 520,00 577,00 1997 788,00 854,00 490,00 531,00 1998 720,00 764,00 501,00 532,00 1999 452,00 467,00 385,00 398,00 2000 453,00 453,00 305,00 305,00 Fonte: (1) DNPM/DIRIN - Sumário Mineral: Preço médio FOB/mina (2) DNPM/DIRIN - Sumário Mineral: Preço médio FOB importação nacional (3) Valores deflacionados pelo IPC-USA (ano base 2000 = 100) 1.400 1.200 1.000 Gráfico 4 - Evolução dos Preços Constantes do Amianto 1988-2000 Em US4/t FOB 800 600 400 200-1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 BRASIL Mercado Externo Fonte: SRF-SECEX, DNPM/DIRIN Balanço Mineral Brasileiro 2001 7

7. BALANÇO CONSUMO/PRODUÇÃO O Brasil é superavitário na oferta de amianto. O consumo interno foi nos últimos anos em média 165 mil ton/ano. As exportações para o mesmo período foram em média 62 mil ton/ano e as importações foram de 25 mil ton/ano. O consumo de 1988 a 2000 apresentou queda média anual de 0,41%. As importações tiveram crescimento de 3,56% no mesmo período. A produção apresentou queda média anual de 0,68%. Com a intensificação das campanhas de banimento do uso do amianto nos últimos anos e das medidas adotadas pela União Européia determinando o banimento do amianto a partir de 2005, não estão havendo investimentos pela indústria em ampliação, nem em novas plantas. Aliado a esse problema, a estabilização no nível de atividade da construção civil tem forçado a queda do consumo no Brasil. Persistindo esta situação, a tendência de queda no consumo de fibras de amianto deve se acentuar até 2010, permanecendo apenas o consumo nas aplicações onde tecnicamente não haja substitutos com a mesma qualidade que o amianto. De qualquer forma, as reservas nacionais e a capacidade produtiva brasileira são suficientes para atender à demanda, mesmo que esta venha a crescer nos próximos cinco anos. Para os próximos dez anos, as reservas são suficientes para atender o mercado, porém em caso de crescimento do consumo, será necessário investimentos na capacidade produtiva. Hoje o destino da indústria do amianto está indefinido, não se pode investir sem correr o risco de perder todo o investimento caso ocorra a proibição do uso no País. Não se pode promover a substituição por outro produto até que se tenha certeza que os novos produtos não causarão danos à saúde dos operários e do consumidor final, pois todos os substitutos conhecidos até a presente data, também oferecem os mesmos riscos ou até mais que o amianto. As projeções apontam para um declínio no consumo, mesmo considerado às melhores perspectivas. Considerando os diversos cenários que se apresentam, acredita-se que até 2005, o consumo fique estabilizado entre 165 a 172 mil/ton. Sendo a proposta de banimento rejeitada, o consumo deve permanecer no patamar de 173 mil/ton., até 2010, ou até nos atuais níveis, em decorrência do desempenho da economia. Visto que se avolumam pressões por moradia, principalmente para a população de baixa renda, devendo ser este um dos grandes problemas a ser encarado nesta década, além é claro, do saneamento básico e infra-estrutura, que pressionarão o consumo de amianto nesse decênio. Vislumbram-se, também, novas aplicações para o amianto, principalmente em processos industriais, o que, com certeza provocará crescimento da demanda. Pesquisas realizadas na UNICAMP, desenvolveram aplicações em diversas áreas, destacando-se duas de especial interesse para o País: o uso do amianto na produção de álcool por fermentação contínua, o que reduziria consideravelmente os custos de produção em 20% a 50%, além de praticamente eliminar a geração de vinhoto, resíduo altamente tóxico, e o uso na despoluição de rios. Embora promissoras, toda essa tecnologia corre o risco de ficar apenas como artigos acadêmicos, caso seja aprovado o banimento do amianto no País, e ainda, o Brasil passará de exportador para importador de matéria prima e produtos de qualidade duvidosa para atender a demanda advinda da substituição dessa importante fibra natural. Balanço Mineral Brasileiro 2001 8

Tabela 06 Balanço Produção - Consumo de Amianto 1988-2010 ANOS PRODUÇÃO (A) CONSUMO (B) SALDO (A - B) HISTÓRICO 1988 227.118 190.824 36.294 1989 206.296 148.137 58.159 1990 205.220 169.581 35.639 1991 238.852 170.581 68.271 1992 172.448 118.602 53.846 1993 186.662 143.528 43.134 1994 183.079 140.182 42.897 1995 210.352 182.653 27.699 1996 213.213 166.683 46.530 1997 208.447 184.224 24.223 1998 198.332 186.690 11.642 1999 188.386 163.017 25.369 2000 209.332 181.689 27.643 PROJEÇÃO 2005 198.000 172.000 26.000 2010 199.000 173.000 26.000 Unidade: t Fontes: DNPM/DIRIN 300 Gráfico 5 - Balanço Produção-Consumo de Amianto - 1988-2010 250 200 Em Mil toneladas 150 100 50 0 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2005 2010 Fonte: DNPM/DIRIN Produção Consumo Saldo Balanço Mineral Brasileiro 2001 9

8. APÊNDICE 8.1. Bibliografia Brasil. Departamento Nacional de Produção Mineral. Anuário Mineral, Brasília DNPM, 1989 a 2001. Brasil. Departamento Nacional de Produção Mineral. Sumário Mineral, Brasília DNPM, 1989 a 2001 Giroto, Antônio Carlos / Pixão, José Elísio. Perfil Analítico do Amianto, Rio de Janeiro, DNPM, 1974. Principais Depósitos Minerais do Brasil, Brasília DNPM/CPRM Vol. IV Mineral Commodity Summaries. Asbestos, U.S. Geological Survey, Washington, 1994 a 2001. Minerals Yearbook, asbestos, U.S. Geological Survey, Washington, 1994 a 2001. World Mineral statistics, asbestos, British Geological Survey, Keyworth, 2001. 8.2. Posições da TAB Tarifa Aduaneira Brasileira. 25240010 Amianto (asbestos) em fibras, não trabalhadas 25240090 Outras formas de Amianto (asbestos) 8.3. Siglas Fibras - Cross transversais à parede do veio Slip longitudinais à parede do veio UNICAMP Universidade de Campinas SECEX Secretaria do Comercio Exterior MICT Ministério da Indústria Comércio e Turismo FOB Free on Board IGP-M Índice Geral de Preços de Mercado 8.4. Metodologia das projeções A projeção da demanda interna foi elaborada em função de cinco variáveis, utilizandose para tanto do Método dos Mínimos Quadrados de dois estágios, ajustada pela forma bilogarítimaca. Foram utilizadas como variáveis explicativas: INCC Índice Nacional da Construção Civil IU Intensidade de Uso PIB Produto Interno Bruto Balanço Mineral Brasileiro 2001 10

PIB_CAP PIB per capita TEC Tecnologia Visto que o produtor nacional tem condições de atender bem mais que os valores estimados para o consumo, a produção foi estimada tomando-se por base o percentual de atendimento médio dos últimos quatro anos. *Geólogo do 7º Distrito do DNPM-BA Tel. (071) 371-4010, Fax: (071) 371-5748 E-mail:dnpm3@cpunet.com.br Balanço Mineral Brasileiro 2001 11