Ementa e Acórdão DJe 23/05/2012 Inteiro Teor do Acórdão - Página 1 de 6 24/04/2012 SEGUNDA TURMA HABEAS CORPUS 106.942 GOIÁS RELATOR PACTE.(S) IMPTE.(S) COATOR(A/S)(ES) : MIN. JOAQUIM BARBOSA :SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA EMENTA: Habeas Corpus. Execução de pena privativa de liberdade. Cometimento de falta grave. Fuga. Regressão cautelar para regime prisional mais gravoso. Possibilidade. Inaplicabilidade da regra contida no 2º do art. 118 da Lei nº 7.210/84. Precedentes. Procedimento administrativo disciplinar. Ocorrência. Ordem denegada. A fuga do condenado justifica a regressão cautelar para o regime fechado, sendo certo que, por óbvio, se houve fuga não há como acenar com a oitiva prévia disposta no art. 118, 2º da Lei de Execução Penal (HC 84.112/RJ, rel. min. Ellen Gracie, DJ de 21.05.2004), a qual somente é exigida na hipótese de regressão definitiva. Ademais, constam dos autos informações acerca da regular realização de processo administrativo disciplinar destinado à apuração da falta grave e à regressão ao regime fechado para cumprimento da pena. Ordem denegada. A C Ó R D Ã O Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os ministros do, em Segunda Turma, sob a presidência do ministro Celso de Mello na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido de habeas corpus, nos termos do voto do Relator. Brasília, 24 de abril de 2012. Ministro JOAQUIM BARBOSA Relator Documento assinado digitalmente documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticardocumento.asp sob o número 2020757. sob o número 2027868
Relatório Inteiro Teor do Acórdão - Página 2 de 6 24/04/2012 SEGUNDA TURMA HABEAS CORPUS 106.942 GOIÁS RELATOR PACTE.(S) IMPTE.(S) COATOR(A/S)(ES) : MIN. JOAQUIM BARBOSA :SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA R E L A T Ó R I O O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA (RELATOR): Trata-se de habeas corpus impetrado em favor de JORGE MARLEY ALCÂNTARA BARROS contra acórdão proferido pela Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça no HC nº 173.193/GO. Consta dos autos que o paciente, durante o cumprimento da pena de 12 anos e 6 meses de reclusão pela prática dos crimes previstos nos artigos 168 e 171 (por 4 vezes), em regime semiaberto, cometeu falta grave (fuga) e, por conseguinte, o juízo da execução determinou a regressão ao regime fechado. No presente habeas corpus, o impetrante alega que não foi instaurado o necessário procedimento administrativo disciplinar destinado à apuração do cometimento da falta grave, conforme previsto no art. 59 da Lei nº 7.210/84 (LEP), e tampouco foi realizada a prévia oitiva do reeducando, nos termos do 2º do art. 118 da LEP, fatos estes que violam o princípio do devido processo legal. Por tais razões, o impetrante requer (I) a anulação da decisão que decretou a regressão ao regime fechado, (II) o imediato retorno do paciente ao regime semiaberto, e (III) a instauração do devido processo disciplinar para a apuração do cometimento da falta grave imputada ao paciente. O pedido de liminar foi indeferido pela Presidência desta Corte, informações foram prestadas (petições 18.443, 20.018 e 23.052), e o Ministério Público Federal opinou pela denegação da ordem. É o relatório. documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticardocumento.asp sob o número 2020758. sob o número 2027868
Voto - MIN. JOAQUIM BARBOSA Inteiro Teor do Acórdão - Página 3 de 6 24/04/2012 SEGUNDA TURMA HABEAS CORPUS 106.942 GOIÁS V O T O O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA (RELATOR): Ao contrário do que alega o impetrante, consta dos autos que o Juízo de Direito da 1ª Vara Criminal da Comarca de Formosa, ao ser informado da fuga do ora paciente, determinou a regressão cautelar ao regime fechado, a expedição de mandado de prisão em desfavor do paciente e designou a realização de audiência de justificação, conforme se verifica na seguinte transcrição da decisão proferida pelo juízo da execução: Compulsando os autos com maior acuidade, verifico que o reeducando não está cumprindo as condições impostas por este Juízo, vez que, por vários dias, deixou de comparecer ao albergue destinado aos presos do regime semiaberto. (...) Nutro giro, é importante deixar consignado que o reeducando em flagrante má-fé, ao notar o descuido do agente penitenciário, assinou a frequência de entrada e saída e logo após evadiu-se do albergue, conforme atesta o documento de fls. 246. Assim, por não estar cumprindo as condições impostas por este Juízo, determino a regressão cautelar do regime prisional do reeducando JORGE MARLEY ALCÂNTARA BARROS, do semiaberto para o FECHADO, bem como determino a expedição de mandado de prisão em seu desfavor para que, uma vez cumprido, seja designada a audiência de justificação". Na sequência, foram realizadas, com a presença do paciente e do seu defensor, as audiências de justificação (em 07.4.2010) e para oitiva dos agentes prisionais (no dia 03.05.2010), sendo proferida, em 03.08.2010, documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticardocumento.asp sob o número 2020759. sob o número 2027868
Voto - MIN. JOAQUIM BARBOSA Inteiro Teor do Acórdão - Página 4 de 6 HC 106.942 / GO decisão que determinou a regressão definitiva do paciente ao regime fechado. Diante de tais constatações, não há que se falar em falta do devido processo administrativo disciplinar para a regressão ao regime fechado. Já em relação à alegada falta de oitiva prévia do reeducando para a regressão cautelar, é da jurisprudência desta Corte que a fuga do condenado justifica a regressão cautelar para o regime fechado, sendo certo que, por óbvio, se houve fuga não há como acenar com a oitiva prévia disposta no art. 118, 2º da Lei de Execução Penal, a qual somente é exigida na hipótese de regressão definitiva (HC 84.112/RJ, rel. min. Ellen Gracie, DJ de 21.05.2004). No mesmo sentido: Recurso ordinário em "habeas corpus" - execução de pena privativa de liberdade - regime aberto - cometimento de falta grave - fuga - regressão cautelar para regime prisional mais rigoroso - possibilidade - inaplicabilidade, ao caso, da regra contida no 2º do art. 118 da lei de execução penal - precedentes - recurso ordinário a que se nega provimento (RHC 92.282/RJ, rel. min. Celso de Mello, DJe nº 107, publicado em 13.06.2008). Se até antes da condenação, pode o denunciado ser preso preventivamente, para assegurar a aplicação da lei penal, não é de se inferir que o sistema constitucional e processual penal impeça a adoção de providências, do Juiz da Execução, no sentido de prevenir novas fugas, de modo a se viabilizar o cumprimento da pena já imposta, definitivamente, com trânsito em julgado. Essa providência cautelar não obsta a que o réu se defenda, quando vier a ser preso. O que não se pode exigir do Juiz da Execução é que, diante da fuga, instaure a sindicância, intime o réu por edital, para se defender, alegando o que lhe parecer cabível para justificar a fuga, para só depois disso determinar a regressão ao regime anterior de cumprimento de pena. 2. Essa determinação pode ser provisória, de natureza 2 documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticardocumento.asp sob o número 2020759. sob o número 2027868
Voto - MIN. JOAQUIM BARBOSA Inteiro Teor do Acórdão - Página 5 de 6 HC 106.942 / GO cautelar, antes mesmo da recaptura do paciente, para que este, uma vez recapturado, permaneça efetivamente preso, enquanto justifica a grave quebra de dever disciplinar, como o previsto no art. 50, inc. II, da Lei de Execuções Penais, qual seja, a fuga, no caso. 3. Tal medida não encontra obstáculo no art. 118, inc. I, 1 e 2 da mesma Lei. É que aí se trata da imposição definitiva da sanção de regressão. E não da simples providência cautelar, tendente a viabilizar o cumprimento da pena, até que aquela seja realmente imposta. 4. "H.C." indeferido (HC 76.271/SP, rel. min. Sydney Sanches, DJ de 18.09.1998). Por todo o exposto, não há qualquer ilegalidade nas decisões proferidas pelas instâncias inferiores, as quais encontram respaldo nos precedentes deste, razão pela voto pela denegação da ordem. 3 documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticardocumento.asp sob o número 2020759. sob o número 2027868
Decisão de Julgamento Inteiro Teor do Acórdão - Página 6 de 6 SEGUNDA TURMA EXTRATO DE ATA HABEAS CORPUS 106.942 PROCED. : GOIÁS RELATOR : MIN. JOAQUIM BARBOSA PACTE.(S) : JORGE MARLEY ALCÂNTARA BARROS IMPTE.(S) : JORGE MARLEY ALCÂNTARA BARROS COATOR(A/S)(ES) : SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Decisão: A Turma, por votação unânime, indeferiu o pedido de habeas corpus, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Gilmar Mendes. 2ª Turma, 24.04.2012. Presidência do Senhor Ministro Celso de Mello. Presentes à sessão os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Cezar Peluso, Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski. Subprocurador-Geral da República, Dr. Francisco de Assis Vieira Sanseverino. p/ Fabiane Duarte Secretária Documento assinado digitalmente conforme MP n 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infra-estrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticardocumento.asp sob o número 1984077 2027868