Breve histórico do movimento Pró Morro da Pedreira
A poucos quilômetros da vila Serra do Cipó, distrito do município de Santana do Riacho. Os visitantes que vêm de Belo Horizonte chegam à sede pela rodovia estadual MG-010; à altura do km 95, imediatamente antes da ponte sobre o rio Cipó, devese pegar uma estrada estreita e em geral precária com cerca de 3,5 km, que termina no Parque.
Mineração Extração em 1970
Começou na região por pressão de cientistas e ambientalistas (Machado, 1986), e teve como primeiro marco a Lei Estadual 6.605 de 14 de julho de 1975, que autorizava a criação do Parque Estadual da Serra do Cipó, com área de 27.600 hectares, abrangendo partes dos municípios de Santana do Riacho, Jaboticatubas e Conceição do Mato Dentro. A criação desta UC foi anunciada pelo Governador do Estado durante a reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência de 1976, demonstrando a importância da pressão exercida por cientistas na época. Nesta reunião o Governador autorizou a realização dos estudos que fundamentariam a criação da Unidade de Conservação. Em outubro de 1981, o IBDF (Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal) instituiu uma comissão para estudar a viabilidade de se transformar a unidade de conservação em Parque Nacional (IBAMA, 1994). Decidida a federalização da unidade, uma das tarefas desta comissão passou a ser a de adquirir amigavelmente a maior parte possível das terras que comporiam o Parque Nacional. Em 25 de setembro de 1984, através do decreto Nº 90.223, foi criado o Parque Nacional da Serra do Cipó, com área de 33.800 ha (estimativa da época), dos quais 14.400 hectares, cerca de 40% da área, já haviam sido adquiridos de forma amigável.
Plano de reativação das atividades de extração de mármore nos quatro grupos do Morro da Pedreira.
Noticia bomba! Por André Jack Belizário Caminhando de volta para o Hotel Veraneio, depois de um dia de escaladas no grupo 1, parei na antiga venda do "Seu Jair". Conversa vai, conversa vem, ele comenta com alegria, que a "Mármores e Granitos do Brasil" estaria para voltar a operar na antiga frente de lavra - na área hoje conhecida com grupo 1. Esta possibilidade, no fim dos, já distantes anos 80, representava para a imensa maioria dos moradores uma ótima noticia, pois com ela, vinha a possibilidade de mais empregos e de um impulso para a economia local carente de perspectivas de crescimento. Ao chegar em casa, comentei com meus familiares e a recepção não foi muito diferente, apesar da concordância de que a vocação maior da região fosse o turismo, na opinião deles, a retomada das atividades mineradoras seria praticamente impossível de ser bloqueada e talvez a sua importância fosse ate maior do que os possíveis aspectos negativos que atividade mineraria pudesse representar. Com esta situação em mente, liguei para o André Ilha para dar a notícia e imagino que tenha soado mais como um agente funerário do que como um ativista tal era o meu pessimismo. Somente a indignação e incrível otimismo que veio do outro lado da linha me fez começar a crer que ainda havia uma esperança de mudar o curso do futuro. Decidimos naquele dia que tínhamos que tentar começar a articular inicialmente junto aos grupos de espeleologia em Minas ( naquela época contávamos nos dedos de uma mão o número de escaladores ativos em Belo Horizonte) e junto Clubes excursionistas cariocas.
Estratégia Inicial: Mobilização da comunidade de escaladores para a inclusão do Morro da Pedreira no Parque Nacional. Durante o processo, envolvimento de outros atores (políticos, comunidade local, mídia).
Reuniões periódicas dos pontos focais nos estados (MG/PR/RJ). Reuniões dos pontos focais com pessoas envolvidas nos seus respectivos estados/regiões. Disseminação da estratégia através de: Mobilização pessoas nos clubes; Mobilização da população local; Contato com políticos, principalmente os que estavam ligados a defesa do meio ambiente.
Distância Comunicação era realizada através de correio e telefonia fixa (não existia internet e telefone celular). Comunidade local resistente a implantação de mais um parque. Defensores do meio ambiente eram os eco chatos.
Belo Horizonte 100 Rio de Janeiro 534 São Paulo 686 Curitiba 1104
Uma grande parte do trabalho de pré-mobilização envolveu excursões guiadas pelo Morro com o intuito de divulgar as riqueza cênica e o patrimônio que desejávamos preservar. O Túnel dos Ventos e a caminhada ao travessão foram, sem dúvida, os roteiros favoritos.
Foram realizados dois abraços ao Morro da Pedreira com a presença de aproximadamente 350 pessoas em cada um deles. Fizeram parte desses abraços, além dos montanhistas, muitos campistas que foram chamados a se juntar ao movimento bem como pessoas ligadas a política. No segundo abraço tivemos a participação de um presidenciável da época, atual senador Fernando Gabeira que colocou a importância da realização como início da real consciência ecológica no Brasil. Tivemos grande cobertura da imprensa escrita e falada, tanto no Rio quanto em Minas.
Em 26 de janeiro de 1990 foi criada a Área de Proteção Ambiental Morro da Pedreira, pelo Decreto No 98.891, também na esfera federal, com cerca de 100 mil hectares. O fato que desencadeou o processo de criação da APA foi um movimento liderado por montanhistas e espeleólogos, com vistas à proteção do maciço de mesmo nome contra a mineração, em função das numerosas grutas e da grande beleza cênica (Mariano & Melo-Júnior, 2002). O movimento popular foi tão expressivo que permitiu a criação de uma unidade de conservação muito mais abrangente que inicialmente proposto, e a delimitação final levou à proteção de diversos ecossistemas inseridos na Mata Atlântica e no Cerrado, visando a constituir uma zona de amortecimento a todo o perímetro do Parque Nacional. No entanto, até o presente trabalho, a APA carece ainda de zoneamento e normatização específica, que só virão quando da aprovação do Plano de Manejo da APA. A criação da APA Morro da Pedreira teve, portanto, um caráter inovador, já que ainda não existia em Lei a figura da zona de amortecimento. No decreto de criação da APA já foi determinado que seriam consideradas como zonas de vida silvestre as áreas de campos rupestres e a área abrangida pelo Morro da Pedreira, incluindo os chamados grupos (conjuntos de afloramentos rochosos) 1, 2, 3 e 4.
Por Dalton Chiarelli, Rosangela Gelly e Luigi Chiarelli
http://naodeixeomorromorrer.blogspot.com.br/2009/12/b ateu-saudades.html https://gestao.icmbio.gov.br/brasil/mg/parna-da-serrado-cipo/downloads/plano-demanejo/3%20preliminares.pdf Arquivo pessoal