Sociedade Mineira de Pediatria



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Transcrição:

Sociedade Mineira de Pediatria Ética, Profissionalismo e Judicialização da Saúde José Carvalhido Gaspar Pediatra do Hospital Márcio Cunha Ipatinga Membro do Comitê de Ética e Bioética da SMP Conselheiro do CRMMG

Conflito de interesses Declaro não haver conflito de interesses nesta apresentação, pois minha presença neste evento foi patrocinada pela Sociedade Mineira de Pediatria, Associação Médica de Minas Gerais, sem prejuízo para a minha fala.

Ética Estudo dos atos voluntários da pessoa, praticados no uso de sua razão, com total liberdade, após suficiente conhecimento, análise e escolha, suscetível de qualificação do ponto de vista do bem ou do mal, do que é bom e correto, ou não. Função do ego (sujeito). Origina-se do grego ethos, que significa modo de ser.

Ética Avaliação ética da conduta da pessoa requer: Que a conduta seja livremente assumida, diante de uma determinada situação (conflitos, etc.), em função dos valores que ela carrega dentro de si e pelos quais acha que valeu a pena assumir. Ética não se impõe; cada pessoa escolhe seus valores e ideiase é responsável por suas ações.

Ética O Três pré-requisitos para o agir ético: 1. Percepçãodas opções possíveis diante de uma determinada situação, um conflito (uso da razão;) 2. Autonomia: liberdade de escolha; 3. Coerênciaentre a escolha e a conduta livremente adotada.

Ética Ética é a ação que se todos praticarem, nada de mal acontece. I. Kant No exercício da Medicina, agir com ética é indispensável em toda ação.

Ética A Ética baseia-se em uma filosofia de valores compatíveis com a natureza e o fim de todo ser humano; por isso, o agir da pessoa humana está condicionado a duas premissas consideradas básicas pela Ética: o que é o homem? e para que vive? Prof. Motta J.A.

Ética Toda capacitação científica ou técnica precisa estar em conexão com os princípios essenciais da Ética. Prof. Motta J.A.

Eticidade Aptidão ou condição própria que cada pessoa possui e desenvolve, possibilitando-lhe posicionar de forma livre e coerente face aos conflitos, de acordo com sua escala de valores. Aptidão e possibilidade de exercer a função ética.

João Guimarães Rosa

Eticidade Mire, veja: o mais importante e bonito do mundo é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas -mas que elas vão sempre mudando, afinam ou desafinam. Verdade maior. É isto que a vida me ensinou. Isto me alegra, montão. João Guimarães Rosa, 1984

Requer Profissionalismo médico Postura ética: cumprir as normas do CEM Humanização das ações Qualificação do médico: competência científica (domínio do conhecimento) + desempenho técnico (medicina = ciência + arte) Excelente relação médico/paciente/família Prudência e zelo na realização de procedimentos

Profissionalismo médico e Postura ética Normatiza o exercício ético da profissão médica 13

Profissionalismomédico Código de Ética Médica (CEM), Capítulo I Princípios Fundamentais (PF) I -A Medicina é uma profissão a serviço da saúde do ser humano e da coletividade e será exercida sem discriminação de nenhuma natureza.

Profissionalismomédico CEM, Capítulo I, Princípios Fundamentais II O alvo de toda a atenção do médico é a saúde do ser humano, em benefício da qual deverá agir com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade profissional

Profissionalismomédico CEM, Capítulo I, Princípios Fundamentais V Compete ao médico aprimorar continuamente seus conhecimentos e usar o melhor do progresso científico em benefício do paciente.

Profissionalismomédico CEM, Capítulo I, Princípios Fundamentais VIII O médico não pode, em nenhuma circunstância ou sob nenhum pretexto, renunciar à sua liberdade profissional, nem permitir quaisquer restrições ou imposições que possam prejudicar a eficiência e a correção de seu trabalho.

Profissionalismomédico CEM, capítulo I, Princípios Fundamentais XIX O médico se responsabilizará, em caráter pessoal e nunca presumido, pelos seus atos profissionais, resultantes de relação particular de confiança e executados com diligência, competência e prudência.

Profissionalismomédicoe RelaçãoMédico-paciente CEM, capítulo I, Princípios Fundamentais XI No processo de tomada de decisões profissionais, de acordo com seus ditames de consciência e as previsões legais, o médico aceitará as escolhas de seus pacientes, relativas aos procedimentos diagnósticos e terapêuticos por eles expressos, desde que adequadas ao caso e cientificamente reconhecidas.

Consentimento livre e esclarecido É a aceitação racional de uma intervenção médica ou a escolha de tratamento entre alternativas possíveis para determinada situação clínica. E para assumir esse consentimento, o paciente deve reunir condições como: 20

Consentimento informado... dispor de informações suficientes; compreender as informações adequadamente; encontrar-se livre para decidir de acordo com seus próprios valores; ter capacidade plena para decidir sobre a questão. Prof. Diego Gracia 21

Profissionalismo:Ética na formação médica Toda escola superior deveria oferecer aulas de filosofia e história. Assim fugiríamos da figura do especialista e ganharíamos profissionais capacitados a conversar sobre a vida. Oscar Niemeyer RevistaBioética CFM2012 20(2), p.246.

Profissionalismo médico e Humanização O médico precisa ser especialista em gente, em pessoas, compreender como as pessoas são diferentes e o quanto sua atenção a elas é fundamental num tratamento. Prof. Adib Jatene 23

Profissionalismo médico e Humanização Toda pessoa quando adoece fica vulnerável, frágil, com medo, tanto quanto sua família; todos precisam ter fé naquele profissional a quem ela se entregou e, antes de tudo, naquela pessoa humana que o está tratando. Prof.Adib Jatene 24

Profissionalismo médico e Humanização O médico deve aperfeiçoar a comunicação com seus pacientes para conquistar o respeito e a confiança, sem o que o tratamento ou não é cumprido ou não tem o resultado esperado. Prof. Adib Jatene 25

Profissionalismo médico e Relação Médico-paciente Cada palavra dita por um médico a seu paciente é um veredicto. Assim como o escritor, ele deve avaliar cada palavra e saber usá-la com extremo rigor. Dr. Moacir Scliar Médico sanitarista e escritor 26

Relação médico/paciente/família Catástrofe relacional 27

Como superar a catástrofe relacional Buscar o consenso possível, através do diálogo respeitoso. Autonomia do paciente Autonomia do médico Manifestação livre de vontade racional do paciente Tomada pelo médico de decisões clínicas razoáveis, prudentes, com amparo em evidências científicas. Consentimento livre e esclarecido (TCLE) 28

Relação médico-paciente-família É uma equação moral marcada pela reciprocidade com direitos e obrigações tanto do lado do paciente quanto do médico. Deve ser equilibrada de forma que ambos busquem o bem um do outro e se respeitem em suas autonomias. Edmund Pellegrino 29

Prudência/zelo Deve acompanhar toda ato e toda decisão do médico. 30

Judicialização da Saúde Determinação judicial (ordem), no sentido de atender a demanda de um paciente, solicitada através de seu advogado, concedida pelo juiz.

Judicialização da Saúde A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução doriscodedoençaedeoutrosagravoseaoacessouniversal e igualitário às ações e serviços para a promoção, proteção e recuperação. Constituição Federal/1988, artigo 196 Lei 8080 (dever do Estado -SUS)

Judicialização da Saúde I Ações sobre alocação/gestão dos recursos para a saúde (medicamentos, exames, procedimentos, internações, UTIs, etc.)

Judicialização da Saúde II Ações relacionadas à assistência profissional, com encaminhamento de denúncias ao CRMMG para apuração de responsabilidade ética.

Judicialização da Saúde III -Ações visando propiciar aos usuários a assistência prevista nos contratos, nas normas estabelecidas e na legislação sanitária vigente (gestores públicos e operadoras de planos de saúde).

Judicialização da Saúde: causas a) Direito Constitucional - Art.198 C.F e Lei 8080/90 b) Divulgação pela mídia de avanços científicos e/ou tecnológicos, suscitando esperanças c) Expectativa do paciente e da família d) Alto custo dos avanços e) Dificuldades em atualizações dos códigos dos procedimentos e tabela de remuneração

Judicialização da Saúde: causas f) Relatórios médicos, protocolos, aquisição de novos conhecimentos, novas drogas, novas técnicas g) Pressão da indústria farmacêutica -ganhos financeiros h) Juiz acionado defesa dos direitos do cidadão.

Judicialização da Saúde: impacto Demandas Atendimentos Internações Tratamento (medicamentos) Outras Fornecimento de cópias de prontuário Esclarecimentos Transferências

SUS é alvo de 50 mil ações judiciais, afirma Secretário Existem hoje no País cerca de 50 mil ações na Justiça cobrando tratamentos ou medicamentos não oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Esse fenômeno, que pode prejudicar a gestão do SUS, tem como uma das causas a falta de regulamentação das competências do Poder Público (União, estados e municípios) e da saúde complementar no atendimento à população. Câmara dos Deputados, Jornal Agência Câmara de Notícias, 12/05/2010

Judicialização da Saúde Paciente Constituição Federal Médico assistente agir com ética e responsabilidade social, usando seu conhecimento científico e tecnológico em favor do paciente, respeitando as leis vigentes e as melhores evidências científicas.

Juiz x Médico Juiz protege o cidadão cumpre a lei Médico busca a cura do paciente; prescreve utilizando o conhecimento e sua arte

Judicialização da Saúde Paciente-não tem conhecimento técnico; quer a cura, tem esperanças Médico - solicita o procedimento Plano de Saúde nega Juiz - autoriza Quem paga?

Reflexos da Judicialização da Saúde Medicamento de marca Medicamento sem registro Medicamento para tratamento não previsto (off label) Medicamento experimental Falta de protocolo Indústria Farmacêutica Nacional 2008: Faturamento R$29,48 bilhões

Hoje em Dia - Belo Horizonte. Caderno: Horizontes - Página: 18a19 Publicado: 24-08-2015

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