Manual do Paciente Oncológico
Introdução Este manual foi desenvolvido com o objetivo de orientar você e sua família durante o seu tratamento. A palavra câncer pode ainda parecer assustadora para muitos pacientes. Porém, é importante que você saiba que a medicina evoluiu muito nos últimos anos com terapias mais eficazes, além disso, uma equipe composta por diversos profissionais da saúde estará ao seu lado para ajudá-lo a passar por este período difícil. Este momento será melhor enfrentado com a união de paciente, familiares, médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas e todos os parceiros envolvidos nesta jornada. A confiança nesta equipe será importante para seu bem estar e para enfrentar este caminho de possíveis incertezas com maior entendimento de sua doença. Lembre sempre que você não é o único a estar nessa situação e que não está sozinho nesta luta.
O que é o Câncer? O câncer começa com alterações no DNA, onde fica o material genético no núcleo das células. Essas alterações podem ser herdadas de familiares (câncer hereditário), o que é mais raro, ou causado por fatores externos (câncer esporádico), o que é mais comum, como o cigarro ou o álcool. Quando a célula sofre estas alterações genéticas, que se chamam mutações, pode ocorrer a perda da regulação do crescimento celular, que passa o ocorrer de maneira acelerada e desordenada. Este crescimento celular anormal pode causar o aparecimento de tumores benignos ou malignos (câncer), tendo este último a capacidade de espalhar-se para outros locais, o que chamamos de metástases. Os sintomas decorrentes dessa situação dependem de cada pessoa de acordo com a localização do tumor e a origem da célula que iniciou o processo. O diagnóstico só pode ser estabelecido após uma amostra de tecido ou de células do local doente, que pode ser obtida por punção, biópsia ou cirurgia, ser analisada por um especialista chamado patologista. Após a confirmação do tipo específico de câncer que você possui, seu médico irá solicitar uma série de exames de sangue e de imagem (por exemplo: tomografias computadorizadas) para avaliar onde sua doença esta localizada, o que chamamos de estadiamento. Toda essa informação tem como objetivo definir qual o tratamento mais adequado para o seu caso.
Dúvidas frequentes sobre os tratamentos utilizados no combate ao câncer CIRURGIA: É o tratamento local da doença e normalmente envolve uma intervenção manual ou instrumental no corpo do paciente. RADIOTERAPIA: É um tratamento que visa destruir as células do tumor através da irradiação de ondas de energia originadas de material radioativo, semelhante aos raios-x. Esses raios são invisíveis e você não sente dor durante a aplicação. As sessões são diárias (de segunda a sexta) com duração aproximada de 5 minutos cada e o número de aplicação varia de acordo com o tipo de doença. Esse tratamento deve ser SEMPRE orientado por um médico especialista em radioterapia. HORMONIOTERAPIA: Alguns tumores podem depender do estímulo de hormônios para crescerem (próstata, mama e endométrio, por exemplo). A hormonioterapia é a modalidade terapêutica que utiliza outro hormônio que sabidamente bloqueia a ação daquele primeiro hormônio estimulador. Podem ser utilizadas por via oral, intramuscular ou subcutânea. Esse tratamento deve ser SEMPRE orientado por um médico especialista em cancerologia (oncologia) clínica. IMUNOTERAPIA: A imunoterapia, ou terapia biológica, é um tratamento que estimula e fortalece a função imunológica do nosso corpo e costuma ser indicada como adjuvante à cirurgia, radioterapia ou quimioterapia. QUIMIOTERAPIA: É a utilização de medicamentos para o combate as células do câncer e que podem ser administrados de diversas maneiras conforme a medicação indicada: por via oral, aplicados no músculo, na veia (mais comum), nas artérias, por via intracavitária (quimioterapia intraperitoneal) e por via intra-tecal (no líquido da medula espinhal). Os chamados ciclos de quimioterapia podem ser diários, semanais, quinzenais, mensais ou trimestrais, conforme o tipo da doença. Esse tratamento deve ser SEMPRE orientado por um médico especialista em cancerologia (oncologia) clínica.
Quais são os efeitos colaterais mais comuns da quimioterapia? Náuseas e vômitos: Podem ocorrer no primeiro dia da aplicação ou nos dias seguintes. São colocadas medicações para prevenir estes sintomas no soro, junto com a quimioterapia, e o médico pode orientar o uso de remédios em casa nos dias seguintes à aplicação. Dormência na pontas dos dedos (mãos e/ou pés): pode ser um efeito passageiro da quimioterapia, deve ser comunicado ao seu médico em cada consulta para que não torne-se um sintoma persistente. Diarréia: É o aumento da quantidade de evacuações ao longo do dia com diminuição da consistência (ex: fezes pastosas ou liquidas). Importante que o médico esteja informado sobre o início do quadro para evitar evacuação muito frequentes e desidratação.
Xerostomia (boca seca): a quimioterapia e a radioterapia da região da cabeça e do pescoço podem reduzir o fluxo de saliva, causando xerostomia e dificultando a mastigação e a deglutição. A secura na boca também pode mudar o sabor dos alimentos. Constipação ou prisão de ventre: os analgésicos, uma dieta pobre em calorias, fibras e líquidos, e o fato do paciente ficar acamado podem causar constipação. Fraqueza nas pernas, cansaço, desânimo, diminuição do apetite: são sintomas passageiros e normalmente não requerem medicações específicas. Febre: febre e 38 C ou acima deve sempre ser comunicada ao médico, pois pode ser o início de uma infecção. Comunique seu médico, pois pode ser necessário a realização de exames para descartar possível quadro de baixa imunidade, situação na qual pode ser necessário início de tratamento com antibióticos e até internação hospitalar até resolução do quadro. Queda de cabelo (alopécia): nem todos os medicamentos usados causam este problema, que é passageiro, ocorrendo recuperação com a suspensão do tratamento. Estima-se que o fio de cabelo do couro cabeludo cresça em média 1 cm/mês apôs o término da quimioterapia. Feridas na boca (aftas/mucosite): podem ser dolorosas e dificultarem a alimentação. Procure ingerir alimentos líquidos e pastosos. Mantenha a higiene da boca rigorosamente. Evitando o uso de escova de dente sobre as feridas. Se tiver dor, pastilhas analgésicas e anestésicos, para diminuir a sensibilidade da boca e da garganta, podem ser úteis antes das refeições.
Dicas de Alimentação Torradas e biscoitos, iogurtes, sorvetes de frutas, rosquinhas secas, bolos de claras, mingau de aveia, frango sem pele. Frutas e vegetais macios, líquidos tomados lentamente, picolés. Evite alimentos gordurosos, oleosos ou fritos, muito doces, condimentados ou picantes, e com odores forte. Coma pequenas quantidades com maior freqüência e devagar. Evite comer em locais abafados, quentes ou que tenham cheiros que possam se enjoativos. Beba menos líquidos durante as refeições, pois a ingestão de líquidos poderá causar sensação de plenitude e estufamento. Beba líquidos durante todo o dia, com auxílio de um canudinho, se necessário, exceto às refeições. Caso a náusea se manifeste durante a manhã, tente comer torrada seca ou biscoitos de água e sal antes de se levantar. Evite comer uma hora antes do tratamento se a náusea ocorrer durante a radioterapia ou a quimioterapia. Dê preferência a alimentos fáceis de engolir, como milk-shake, sorvetes, purês, iogurtes, melancia, cremes, pudins, mingau, legumes amassados e carnes moídas, por exemplo. Evite alimentos irritantes para a boca:
frutas cítricas e seus sucos (laranja, tangerina, limão), alimentos condimentados ou salgados, alimentos duros, ásperos ou secos, como legumes crus, granola, torradas, biscoitos. Misture os alimentos com manteiga, molhos e caldos para facilitar a ingestão. Use liquidificador ou processador para fazer purês. Não faça uso de medicações antidiarréicas sem orientação médica. Chupe balas ou goma de mascar sem açúcar, que podem auxiliar na produção de saliva. Mantenha os lábios protegidos com manteiga de cacau ou lubrificantes labiais. Se o seu problema de secura na boca for muito intenso, consulte o médico ou o dentista sobre produtos para proteção da boca e da garganta (ex: saliva artificial). Procure repousar bastante. Hidratar com pelo menos 2 litros de líquidos variados ao longo do dia, água de coco, sucos de frutas e gelatinas. Coma pequenas porções durante o dia, em vez de fazer grandes refeições. Faça algum exercício diariamente, caminhe no mínimo meia hora por dia, se possível. Nunca utilize laxantes ou reeducadores intestinais sem informar seu médico.
Orientações Gerais Como a quimioterapia afeta nosso sangue? O sangue é formado pelos glóbulos vermelhos (hemácias), pelos glóbulos brancos (leucócitos) e pelas plaquetas. A medulas óssea é a parte central dos nossos ossos, ali são fabricados todos os componentes do sangue (hemácias,leucócitos e plaquetas) e, portanto, é normal que a quantidade desses componentes diminua após alguns dias da administração da quimioterapia. Os glóbulos vermelhos carregam o oxigênio para todo o organismo, os glóbulos brancos são responsáveis pela defesa do organismo contra as infecções e as plaquetas são responsáveis pela coagulação. Necessidade de colocação de acessos venosos alternativos Alguns pacientes não apresentam veias em boas condições para serem puncionadas ou o quimioterápico necessário pode ser inadequado para uso em veias periféricas (por exemplo, veias do braço) e poderão necessitar de um dispositivo chamado de portocath (cateter venoso). A principal indicação é para pacientes que irão realizar quimioterapia de longa duração. Dentre as vantagens deste cateter estão: evitar punções periféricas repetitivas, diminuir o índice de infecção, evitar lesões das veias dos braços e proporcionar um maior conforto ao paciente, não o impossibilitando de suas atividades diárias. Alimentação Não existem restrições para ingerir alimentos, porém você deve evitar frituras, alimentos gordurosos e doces em excesso, pois são alimentos de digestão mais difícil e lenta. Procure ter uma alimentação saudável (frutas, verduras, legumes e sucos), pois isso ajudará você a se recupera mais rápido. Com uma dieta rica em proteínas e calorias ficará mais fácil reconstruir as células saudáveis, danificadas pela quimioterapia. Para que orientação adequada. Faça uma consulta com uma nutricionista. Trabalho É importante que as atividades habituais sejam mantidas sempre que possível. Se precisar, reduza suas horas de trabalho, converse com seu chefe. Mantendo uma atividade no trabalho você garantirá uma melhor forma física e psicológica, contribuindo para sua saúde.
Exercícios físicos Não existem restrições para realizar esportes e/ou qualquer atividade física, a não ser que se médico contra-indique. Se você se sentir mais cansado que o habitual, limite as suas atividades e durma mais, mesmo durante o dia. O repouso também é fundamental. Não exija do seu corpo mais do que ele pode fazer nesse momento. Respeite seus limites. Relações sexuais A quimioterapia pode interferir na atividade sexual, mas não há contra-indicações para manter relações sexuais normalmente. Durante o tratamento é aconselhável usar algum método contraceptivo, pois alguns tipos de quimioterapia podem causar danos ao feto. Converse com o seu médico sobre o melhor método anticoncepcional para você e seu parceiro e sobre eventuais dificuldades que você tenha nesse período. Menstruação A quimioterapia pode provocar alterações no ciclo menstrual, tanto irregularidade, quanto ausência da menstruação. Geralmente estas alterações são temporárias e ao término do tratamento devem normalizar. Em alguns casos, a parada da menstruação pode ser definitiva e isso irá variar de acordo com o tratamento realizado. Fertilidade Algumas drogas poderão causar alterações na produção de espermatozóides no homem e ovulação na mulher, podendo ocorrer esterilidade temporária ou definitiva. Fale com seu médico a respeito caso não tenha filhos e, se houver indicação, considere os recursos de banco de esperma e consulta com médicos especialistas em reprodução humana. Medicamentos Não utilize nenhum outro medicamento por conta própria sem levar ao conhecimento de seu médico. Não suspenda o tratamento para outras doenças que porventura você tenha (ex, diabetes, hipertensão, cardiopatias, hipo ou hipertireoidismo, por exemplo). Faça uma lista com o nome, dose e horários dos remédios que você faz uso e mostre ao seu médico. Exposição ao sol É aconselhável não tomar sol durante o tratamento, pois pode aumentar os efeitos dos quimioterápicos
em sua pele. Procure proteger-se com fator de proteção solar 30 ou superior. Cuidados com a pele Sua pele pode ficar um pouco ressecada durante o tratamento de quimioterapia. Use loções hidratantes recomendadas pela enfermeira da equipe ou pelo seu médico. Não tome banhos muitos quentes ou esfregue sua pele intensamente. Evite remover cutículas durante a fase de tratamentos com quimioterapia, pois isso pode facilitar a entrada de bactérias através da pele. Se necessário, consulte com um médico dermatologista. Alterações emocionais Não se assuste se você oscilar entre períodos de altos e baixos durante o tratamento. Experimentar diferentes sensações é um processo normal frente às mudanças que acontecem. Conversar sobre essas novas experiências, sentimentos e necessidades com amigos, familiares e psicólogos é muito útil. Uma atitude positiva é sempre muito importante. Hidratação Beba grande quantidade de líquidos durante o tratamento. Muitas drogas quimioterápicas passam pela bexiga e rins. Uma boa hidratação ajuda a prevenir irritações nesses órgãos. Além disso, é muito útil em casos de diarréia. Constipação ou de ressecamento da boca. Como regra prática, você deve ingerir cerca de 2 litros/dia ou fazer o seguinte cálculo: multiplique o seu peso (kg) por 30. O resultado ser a sua necessidade diária de líquidos em (em ml).
Quando devo ligar para o meu médico? Lembre-sede sempre comunicar ao seu médico se houver: Febre (38 C ou mais). Náuseas intensas (não consegue fazer ao menos 3 refeições por dia). Vômitos intensos (mais de 3 episódios por dia). Diarréia intensa (mais de 4 episódios de fezes líquidas por dia). Dificuldade para respirar. Dor que não alivia com analgésicos prescritos. Feridas na boca que dificultem a alimentação. Sangramento gengival, retal ou outro sangramento. Ardência ao urinar, tosse, dor de garganta.
O papel da psicologia no cuidado do paciente com câncer e o impacto emocional das fases de aceitação da doença É absolutamente normal os pacientes atravessarem durante essa fase alguns estágios de adaptação frente ao diagnóstico de câncer: Negação: Você fica tão surpreso que é difícil entender os detalhes ou pensar com clareza sobre o que está acontecendo. É importante ter um acompanhamento ao seu lado para lembrá-lo das informações e responder às perguntas médicas. Raiva: Você se pergunta porque eu? Pode sentir-se culpado, achando que poderia ter feito algo para evitar o problema. Você pode direcionar a raiva ao parceiro ou à família, por vezes não percebendo que todos querem ajudá-lo. Negociação: A negociação geralmente ocorre na tentativa de reverter a situação que se enfrenta e é um processo pessoal, ou seja, não costuma envolver outras pessoas. Muitas vezes pode ser voltado para a religião com promessas, pactos e pela procura de um culpado para a situação enfrentada. Depressão: Você lamenta, sente pena de si mesmo e fica triste. A sensação é de dor e desânimo intenso, cada momento é uma tortura. O choro é freqüente e ajuda a se acalmar. Aceitação: Você percebe que a vida deve continuar. Sabe que existem coisas que você pode mudar e coisas que você não pode, mas precisa enfrentar. As fases nem sempre acontecem nessa ordem, podem ir e voltar. O ideal é identificar por qual delas você está passando, para um melhor enfrentamento dessa fase, faça uma consulta com o psicólogo.
Papel da Enfermagem no cuidado com o paciente oncológico No tratamento do câncer, o médico tem um papel fundamental, juntamente com outras áreas que trabalham juntas para o total bem-estar do paciente e sua qualidade de vida. Não poderíamos deixar de citar a atuação da equipe de enfermagem, que acompanha desde a internação prolongada até uma sessão de quimioterapia. É o enfermeiro que permanecerá mais tempo em contato direito com o paciente durante o atendimento na clínica de quimioterapia, por exemplo. Por ser uma profissão totalmente ligada ao cuidado humano, o vinculo é muito intenso. As orientações vão além de ações puramente físicas, passam a ser ações emocionais, pois o acolhimento e o apoio fazem parte do cotidiano da equipe e do paciente, assim como o vínculo mais acentuado com o passar dos dias. Uma das atribuições mais importantes do enfermeiro e da sua equipe é prestar ao paciente oncológico todas as orientações relacionadas ao seu tratamento. Por todas as particularidades e complexidades que envolvem o tratamento, sejam eles efeitos colaterais, limitações, hábitos e cuidados específicos no ambiente familiar. É fundamental salientar que um paciente bem orientado é a garantia de sua adesão e colaboração ao tratamento. O papel da enfermagem é saber encorajar os pacientes e manterem a qualidade de vida e fazer com que a esperança nunca desapareça. Precisamos oferecer alternativas, conforto, auto-estima, educação e assistência de qualidade embasada na cumplicidade, respeito e dedicação.
Recomendações aos familiares e amigos A família como equipe. É muito importante perceber que cada um deve continuar a respeitar as suas necessidades e manter a vida como antes. São essas atitudes e postura que fazem cada membro da família ficar mais forte para lidar com a doença e ter mais condição de dar carinho e transmitir confiança ao paciente.
Tabela de marcação Traga sempre consigo este livreto para controle de seus horários de quimioterapia e consultas. Nome do Paciente: Telefones Importantes: Médico: DATA HORÁRIO QUIMIOTERAPIA/ CONSULTA OBSERVAÇÕES
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