T e i A a p r e s e n t a U m d o c u m e n t á r i o d i r i g i d o p o r M a r í l i a R o c h a No interior do Brasil, adentrando as extensões semi-áridas da caatinga, há homens que ainda hoje conservam o hábito arcaico de se comunicar com o gado por meio de um canto de nome aboio. O filme aborda a vida, a música, o tempo e a poesia dos vaqueiros do sertão brasileiro. D o c u m e n t á r i o - 3 5 m m - c o r / p b - d o l b y d i g i t a l 7 3 m i n - 2 0 0 5 - C l a s s i f i c a ç ã o e t á r i a : l i v r e
s i n o p s e
Quando o homem formou o primeiro rebanho, ele começou a procurar uma maneira de ser compreendido pelo gado. Uma das formas encontradas foi o canto, que vem sendo entoado por vaqueiros em diversas regiões do mundo desde a antiguidade até os dias atuais. No Brasil, esse canto é chamado de aboio e já foi amplamente utilizado por vaqueiros para apaziguar os rebanhos, levar o gado para as pastagens, guiá-los em longas viagens ou mesmo orientar companheiros. Atualmente, esse costume, em sua forma original, está em extinção, sendo lembrado apenas por vaqueiros já aposentados ou músicos que se apropriam e transformam o canto. O documentário exibe, de forma não nostálgica, vaqueiros que ainda conservam a memória do aboio, com uma abordagem poética da vida, do tempo e do imaginário dos homens do sertão. Além de registrar esse canto arcaico, Aboio faz uma ligação entre a cultura popular e erudita no Brasil por meio de entrevistas com artistas que usam referências do universo dos vaqueiros, como Naná Vasconcelos, Elomar e Lira Paes (Cordel do Fogo Encantado). A voz dos vaqueiros e músicos, combinadas às imagens do sertão, fazem um filme que parte do canto para abordar uma relação particular entre homens e animais, além dos rituais, das crenças e da memória de um mundo, que é, ao mesmo tempo, muito distante e próximo de nós.
S O B R E O F I L M E A filmagem d u ro u u m m ê s e fo i re a l i za d a nos estados de Minas Gerais, Bahia e Pernambuco, tendo a equipe percorrido um total de 10.000 km à procura de vaqueiros que ainda sabiam entoar o aboio. A equipe de filmagem foi composta por Marilia Rocha (direção e fotografia), Leandro HBL (fotografia), Bruno do Cavaco (som direto) e José Ferraz (produção). Além dos vaqueiros, que viviam em fazendas ou povoados no interior dos três estados, foram entrevistados também os músicos Naná Vasconcelos, Elomar e Lira Paes (Cordel do Fogo Encantado). De alguma maneira, os três músicos têm ligação com o universo dos vaqueiros e contam um pouco sobre a estrutura musical, a história e a experiência que tiveram com o aboio. A trilha sonora do filme é composta por músicas de Naná Vasconcelos e do Cordel do Fogo Encantado, além de uma trilha original produzida pelo grupo O Grivo. Formado por Marcos Moreira Marcos e Nelson Soares, o Grivo trabalha com a pesquisa de fontes sonoras acústicas e eletrônicas, com a construção de máquinas e m ecanismos sonoros, e com a utilização, n ã o convencional, de instrumentos musicais tradicionais. A dupla tem desenvolvido uma linha de trabalho no cinema, tendo sido responsável, dentre outros, pelo desenho de som de filmes da Teia e do diretor Cao Guimarães. Ao iniciar a viagem, não havia roteiro de filmagem. A equipe não sabia onde poderia encontrar os vaqueiros aboiadores e nem mesmo se os encontraria. O itinerário foi sendo definido à medida que o filme era feito. O produtor de campo, José Ferraz, um veterinário de formação que viveu no interior da Bahia, i n d i c ava p o s s í ve i s re g i õ e s o n d e a e q u i p e p o d e r i a ter com os mesmos. Mas nem sempre eles eram e n c o n t ra d o s. D e s ta fo r m a, c a d a va q u e i ro i n d i c ava o u t ro e o c a m i n h o e ra a l t e ra d o p a ra p ro c u r á - l o s. O roteiro do filme foi construído durante a m o n ta g e m, re a l i za d a p o r C l a r i s s a C a m p o l i n a. S u a e s t r u t u ra é c e n t ra d a n o s e n c o n t ro s c o m o s s e i s vaqueiros e nas falas dos músicos (Naná Vasconcelos, Elomar e Lira Paes). A idéia não foi realizar um mero registro, nem fornecer dados históricos sobre o canto. Buscou-se proporcionar uma experiência do universo em que o aboio se encontra, a partir das histórias narradas pelos vaqueiros e músicos, da geografia, das crenças, da cultura e dos hábitos de cada região. No filme, o aboio é um ponto de partida para a abordagem de temas como a relação entre o trabalho e a vida, a memória, a nostalgia e a recriação das tradições. O documentário trata desses temas trabalhando os recursos próprios do cinema ( fotografia, montagem e criação de paisagens sonoras).
A D I R E T O R A Marília Rocha Marília Rocha é mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais. Como diretora, fotógrafa, roteirista e montadora realizou 11 filmes e vídeos documentários e experimentais, que foram exibidos em países como Portugal, França, Suécia, República Tcheca, México, Japão, Austrália, EUA e Canadá. Aboio, seu primeiro longa-metragem, foi selecionado para a mostra Documentary Fortnight, do MoMA Museu de Arte Moderna de Nova York (EUA) e recebeu prêmio de melhor filme brasileiro no 10º Festival Internacional É Tudo Verdade ( SP/ RJ, Brasil), em 2005.
T E I A A P R O D U TO R A A TEIA é um coletivo de pesquisa e produção audiovisual criado em 2003 em Belo Horizonte/MG. Atualmente, o grupo é composto por Clarissa Campolina, Helvécio Marins Jr., Leonardo Barcelos, Marília Rocha, Pablo Lobato e Sérgio Borges seis realizadores que, há cerca de 10 anos, atuam na pesquisa e produção audiovisual. Desde sua criação, a TEIA já lançou mais de 30 trabalhos entre longas, médias e curtas-metragens de diversos gêneros e formatos. O reconhecimento comprovado no circuito audiovisual brasileiro, pela participação maciça em festivais nacionais e internacionais e a conquista de diversas premiações, credencia a TEIA como um importante grupo audiovisual do cenário independente brasileiro. Entre os filmes realizados, destacamos: Acidente (dir. Cao Guimarães e Pablo Lobato, 72min, 35mm, 2006), Trecho (dir. Clarissa Campolina e Helvécio Marins Jr., 35mm, 16 min, 2006) e Nascente ( Dir. Helvécio Marins Jr., ficção, 16min, 35mm, 2005). M a i s i n f o r m a ç õ e s > w w w. t e i a. a r t. b r
O A B O I O F o i q u a n d o s e e s c u t o u u m g r i t o q u e s u b i a, u m g r i t o s o b r e - h u m a n o, a g u d í s s i m o, c l a r o, t ã o n í t i d o, q u e f e r i a, t ã o f o r t e q u e d o m i n o u a v o z d o s b o i s. M á r i o d e A n d r a d e A m o d e r n i za ç ã o d a s t é c n i c a s a g ro p e c u á r i a s e a utilização de caminhões para o transporte e comércio de gado decretam a extinção de uma das tradições mais belas de nossa pastorícia: o aboio. Utilizado para a comunicação entre os homens e seus rebanhos, o aboio, canto originalmente solo e vocalizado, foi se modificando e hoje é entoado tanto em dupla, no norte de Minas Gerais, quanto em versos, no estado do Pernambuco. Muitos foram os escritores e poetas brasileiros que se encantaram pelo lamento dos boiadeiros. Entre eles Afonso Arinos, Hugo de Carvalho Ramos, João Guimarães Rosa e Mário de Andrade. No entanto, o chamamento de pastores por seu rebanho é muito antigo. A lira de Hermes, as cantigas de Orfeu e a flauta de Pan são exemplos mitológicos do encanto que a música pode exercer sobre os animais. Quem não conhece a lenda germânica do flautista que livrou o povoado de Hamelin de uma peste tocando uma melodia mágica para que os ratos o seguissem para fora dos limites da cidade? E a gaita-de-fole, símbolo da nação escocesa, que em cada guerra era tocada nos campos de batalha, para animar os soldados durante a luta, levandoos até as posições inimigas? A música acompanha os homens desde os tempos imemoriais, e sempre conteve algo de transcendente, algo de mágico e encantador. Sem partitura para registro, e como um exemplar de canto de trabalho, essa música só pode ser aprendida nas longas caminhadas que adentram as extensões semi-áridas do Brasil, onde, ainda hoje, é possível encontrar um ou outro vaqueiro salientado como bom aboiador. São raros, porém. É cada dia mais difícil encontrar um boiadeiro tangendo o gado pelo aboio legítimo e ouvir o cantar agudo, magnético e de efeito dominador sobre os bois. No dizer de Câmara Cascudo, o boiadeiro humanizando o gado pelo canto é um protesto, um documento vivo da continuidade do espírito, a perpetuidade do hábito, a obstinação da herança tradicional. Felizmente, no interior do Brasil, como em tempos remotos, o aboio ainda ecoa, plangente, como um chamamento triste e orgulhoso. Os vaqueiros entrevistados no filme mostram algumas va r i a n t e s d e s s e c a n to. D e s d e o c a n to p ro l o n g a d o e solitário do vaqueiro Pedro Preto ( Malhada Real/ M G ), a o s g r i to s c u r to s e e n t re m e a d o s d e ve rs o s de Assis (Serrita/PE) e o lamento triste de Zé do N é ( Fa ze n d a La g e d o C a r ra p i c h o / P E ), q u e e n c h e d e a n g ú s t i a o e s p a ç o d e u m a fa ze n d a i n t e i ra.
N O T A S D E P R O D U Ç Ã O Dados da filmagem: 10. 000 km rodados 3 estados percorridos ( MG, BA e PE) 50 horas de material bruto. A origem do filme, segundo Marília Rocha: A idéia do documentário surgiu quando li um conto de Guimarães Rosa, chamado O Burrinho Pedrês. No conto, um vaqueiro narra para seus companheiros a história de um menino que está sendo levado para longe de casa. Ele é conduzido de Goiás a Minas por um grupo de vaqueiros que transporta um gado comprado no cerrado. No meio da viagem, o menino começa a entoar um canto triste e cheio de saudade. O canto tem efeito sobre os bois e sobre os vaqueiros que os estão levando. Essa história me levou a conhecer o aboio. Como parte de minha família vive no interior de Minas e outra parte no interior de Goiás, eu já tinha uma vivência e também um interesse pelo tema. Só faltava descobrir se ainda era possível encontrar vaqueiros que aboiavam ou se o canto já tinha sido extinto ou transformado em algo novo. Durante a filmagem, a referência a Guimarães Rosa retornou muitas vezes, involuntariamente. O vaqueiro Antônio Fernando dos Santos, de Serrita/PE, conta q u e p a s s o u u m d i a t ra b a l h a n d o c o m u m h o m e m, mas que posteriormente descobriu que esse homem era uma mulher. Ele diz que, chegada a noite, o pai do vaqueiro lhe revela que o rapaz, na verdade, era sua filha. Antônio Fernando se surpreende: Oxente, sua moça, que andava comigo nos campos?. O pai confirma: Sim, é minha moça. E Fernando: Mas mulher para botar no gado mais do que aquela só se vier do inferno (...) Agora, eu desconfiei quando nós pegamos o gado, o aboio dela era um aboio fino, eu fiquei assim... pensei que o rapaz tem a fala fina mesmo, mas no fim era mulher. Assim, Diadorim surgiu no filme sem que Guimarães Rosa fosse citado...
O uso do Super-8: a idéia de utilizar imagens coloridas (em vídeo) e imagens em preto e branco (em super8) está relacionada ao fato de o filme tratar, simultaneamente, de algo antigo (o aboio e as tradições que já não são mais utilizadas) e algo contemporâneo (o presente dos vaqueiros e as atualizações sofridas pelo canto). Em certos momentos, há um sentimento nostálgico, como na fala do vaqueiro Pedro Preto, de Minas Gerais, que diz que sempre que amanhece chovendo ele se lembra dos velhos tempos e começa a aboiar, sozinho. Mas ao mesmo tempo, Lira Paes diz: acredito que a gente não deve olhar muito com uma visão de sentir uma saudade, sentindo que a gente está perdendo as nossas coisas, porque, na verdade, essas coisas vão se transformando mesmo em outras. Essa oscilação, entre o que se perde e o que se transforma, foi trabalhada tanto plasticamente, pela alternância do super8 e do vídeo, quanto sonoramente, pelo som direto da voz dos vaqueiros e a música contemporânea de Naná Vasconcelos, Cordel do Fogo Encantado e O Grivo. f i c h a t é c n i c a D i r e ç ã o : M a r í l i a R o c h a F o t o g r a f i a S u p e r - 8 : L e a n d r o H B L F o t o g r a f i a D V : L e a n d r o H B L e M a r í l i a R o c h a P r o d u ç ã o : H e l v é c i o M a r i n s J r. e M a r í l i a R o c h a D i r e ç ã o d e P r o d u ç ã o : D e i l e V a s s a l o e J o s é F e r r a z P r o d u t o r e s A s s o c i a d o s : C a m i l a G r o c h, D a n i e l Q u e i r o z e D i a n a G e b r i m D e s e n h o d e S o m : B r u n o d o C a v a c o M i x a g e m e T r i l h a S o n o r a O r i g i n a l : O G r i v o M o n t a g e m : C l a r i s s a C a m p o l i n a D i r e ç ã o d e A r t e : F r e d P a u l i n o P ó s - P r o d u ç ã o : D a n i e l D a n e l i c z i n T i p o l o g i a : B r u n o d o C a v a c o M ú s i c a : C o r d e l d o F o g o E n c a n t a d o e N a n á V a s c o n c e l o s
p R e M i A Ç Õ e s M E L H O R L O N G A - M E T R A G E M B R A S I L E I R O É T U D O V E R D A D E - F E S T I V A L I N T E R N A C I O N A L D E D O C U M E N T Á R I O S, S P / R J, 2 0 0 5 M E L H O R T R I L H A S O N O R A E E D I Ç Ã O D E S O M C I N E P E - F E S T I VA L D O A U D I O V I S U A L, P E, 2 0 0 5 M e n Ç Ã o h o n R o s A D o J Ú R i F I C A F E S T I V A L I N T E R N A C I O N A L D E C I N E M A A M B I E N T A L, G O, 2 0 0 5 M e L h o R R e A L i Z A Ç Ã o MOSTRA INTERNACIONAL DO FILME ETNOGRÁFICO, RJ, 2005 M E L H O R F O T O G R A F I A, M E L H O R M O N T A G E M E M E L H O R T R I L H A S O N O R A F E S T C I N E P A C O T I, C E, 2 0 0 6 e X i B i Ç Õ e s S I D N E Y F I L M F E S T I V A L, A u s t r á l i a, 2 0 0 7 G U A D A L A J A R A I N T E R N A T I O N A L F I L M F E S T I V A L, M é x i c o, 2 0 0 6 K A R L O V Y V A R Y I N T E R N A T I O N A L F I L M F E S T I V A L, R e p ú b l i c a T c h e c a, 2 0 0 6 R E N C O N T R E S I N T E R N A T I O N A L E S D U D O C U M E N TA I R E D E M O N T R É A L, C a n a d á, 2 0 0 6 T E M P O D O C U M E N TA R Y F E S T I V A L, S u é c i a, 2 0 0 6 INDIE2005 - MOSTRA DE CINEMA MUNDIAL, Brasil, 2006. M O M A S D O C U M E N T A R Y F O R T N I G H T ( M o s t r a I n t e r n a c i o n a l d e D o c u m e n t á r i o s d o M o M A - T h e M u s e u m o f M o d e r n A r t d e N o v a Yo r k ), E U A, 2 0 0 5 F E S T I V A L D O R I O, B r a s i l, 2 0 0 5 M O S T R A D E C I N E M A D E T I R A D E N T E S, B r a s i l, 2 0 0 6 L E S É C R A N S D O C U M E N T A I R E S, F r a n ç a, 2 0 0 4
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