1 ROSENTHAL E SARFATIS METTA ADVOGADOS INFORMATIVO JURÍDICO NÚMERO 08, ANO IV AGOSTO DE 2012 1 TRIBUNAL PAULISTA ENTENDE QUE REEMBOLSO DE DESPESAS NÃO ESTÁ SUJEITO AO ISS TJ SP autoriza empresa a excluir da base de cálculo do ISS valores recebidos pelo prestador a titulo de reembolso de despesas. Confira mais detalhes na página 2. 2 3 NÃO RECOLHIMENTO DO FGTS SOBRE O ADICIONAL DE FÉRIAS Verbas trabalhistas de natureza indenizatória não estão sujeitas ao recolhimento da contribuição para o FGTS. Leia mais na página 3. CENTROS DE DISTRIBUIÇÃO NO ESTADO DE SÃO PAULO PODERÃO SOLICITAR REGIME ESPECIAL PARA APLICAÇÃO ICMS-ST Decreto prevê Regime Especial para Centros de Distribuição que passam a ter a condição de substituto tributário. O artigo completo segue na página 3. 4 FRETE GERA CRÉDITO DE PIS E COFINS STJ entendeu que despesas com frete ente fábrica e loja podem ser descontadas do recolhimento para o PIS e Cofins. Leia mais na página 5.
2 1 TRIBUNAL PAULISTA ENTENDE QUE REEMBOLSO DE DESPESAS NÃO ESTÁ SUJEITO AO ISS O ISS só deve incidir sobre os valores que efetivamente resultam da prestação de serviços e não, obrigatoriamente, sobre o valor total da nota fiscal. Este foi o entendimento do Tribunal de Justiça de São Paulo em julgamento recente. Em verdade, o fato de tal reembolso ser objeto de tentativa de tributação pelo Município é que causa surpresa. A decisão do Tribunal de Justiça simplesmente corrige o abuso da autoridade fiscal. Sabemos que, na prática, nem sempre os valores constantes na nota fiscal de serviços se referem unicamente ao preço do serviço em si, podendo englobar também os valores pagos pelo prestador à terceiros para a realização do serviço, sendo, neste caso, de mero reembolso de despesas que foram assumidas pelo prestador. Assim, o Tribunal Paulista entendeu que estes valores podem ser excluídos da base de cálculo do ISS, somente sendo tributados os valores recebidos à título de honorários pelos serviços prestados. Entretanto, para permitir a exclusão destas despesas da respectiva base do ISS, o prestador do serviço deverá comprovar que os valores excluídos, efetivamente, se referem à simples reembolso de despesas adiantadas ao seu cliente. Esta comprovação pode ser feita com documentos fiscais que evidenciam as despesas assumidas.
3 2 NÃO RECOLHIMENTO DO FGTS SOBRE O ADICIONAL DE FÉRIAS Recentemente, duas decisões da Justiça mineira liberaram empresas de recolher a contribuição ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) sobre o adicional de férias, auxílio-doença e acidente e aviso prévio indenizado. Nos casos em questão, a incidência da contribuição foi afastada porque estas verbas trabalhistas tem natureza indenizatória e não salarial, não havendo, desta forma, que se falar em recolhimento de FGTS. O fundamento para o não recolhimento do FGTS sobre estas verbas é o mesmo que afasta a incidência da Contribuição Previdenciária, conforme já noticiamos nesse Informativo. Ou seja, o adicional de férias, auxílio-doença e acidente e aviso prévio indenizado não integram o salário-de-contribuição. Nesse sentido, mantida a decisão em última instância, os contribuintes poderão pleitear a restituição dos valores pagos nos últimos 5 anos. Utilizando o mesmo fundamento, da não incidência de tributos sobre verbas indenizatórias, a Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais Federais decidiu que não incide contribuição previdenciária para o INSS sobre o auxílio doença pago pelo empregado durante os primeiros quinze dias de afastamento.
4 3 CENTROS DE DISTRIBUIÇÃO NO ESTADO DE SÃO PAULO PODERÃO SOLICITAR REGIME ESPECIAL PARA APLICAÇÃO ICMS-ST As empresas varejistas que praticam operações que acarretam o acúmulo de ICMS-ST a ser ressarcido, podem requer a concessão de regime especial. A possibilidade, válida desde o começo do ano, tem sido cada vez mais procurada por empresas. O regime especial poderá ser concedido aos centros de distribuição que realizem a remessa de mercadorias exclusivamente para estabelecimentos varejistas do mesmo grupo empresarial, estabelecidos no Estado de São Paulo. A medida em questão elimina a necessidade de ressarcimento de ICMS nas operações de distribuição de produtos em regime de substituição tributária, relativo ao imposto retido antecipadamente. De acordo com o decreto, a indústria poderá fornecer produtos sujeitos à substituição tributária, sem a retenção do imposto, às redes de varejo que aderirem ao regime especial. Desta forma, a indústria deverá recolher apenas o seu imposto ficando desobrigada de reter e recolher o ICMS das operações seguintes. Com a transferência da condição de substituto tributário ao centro de distribuição, ele passa a recolher o imposto de suas operações e das etapas subseqüentes. O centro de distribuição fica dispensado do recolhimento do imposto referente à entrada de mercadoria sujeita ao regime de substituição tributária procedente de outro Estado. Além disso, ao receber o produto de contribuinte substituído, o centro se credita da parcela do tributo devido a São Paulo, retido anteriormente.
5 A medida significa um benefício para as redes varejistas que mantêm centros de distribuição que adquirem produtos com imposto retido por substituição tributária fornecidos por empresas de São Paulo e de vários Estados e realizam a distribuição destes produtos para estabelecimentos varejistas em São Paulo e outras unidades da federação. 4 FRETE GERA CRÉDITO DE PIS E COFINS Recentemente, o Superior Tribunal de Justiça se manifestou a favor dos contribuintes, autorizando que as concessionárias descontem do recolhimento da contribuição para o PIS e Cofins os gastos com frete de veículos entre as fábricas e suas lojas. Os Ministros favoráveis à concessão do crédito consideraram que o trecho entre a fábrica e o estabelecimento faz parte da operação de venda, e não pode ser desconsiderado para fins de creditamento. As leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que tratam do PIS e da Cofins respectivamente, autorizam expressamente a obtenção de créditos gerados com o transporte em operações de venda, contanto que o frete seja pago pelo vendedor do bem, mercadoria ou serviço. No caso das concessionárias, os Ministros entenderam que, na maioria das vezes, o consumidor sai da concessionária com o carro, não tendo a revendedora o gasto com o frete. Entendemos que o alcance desta decisão possui uma abrangência maior, colocando um ponto final na discussão sobre o frete de insumos para revenda, independentemente do ramo da empresa. Por outro lado, talvez seja muito otimismo esperar que o Fisco se conforme e siga a determinação judicial nos demais caso, pelo menos por ora.