CENSO VARIETAL E DE PRODUTIVIDADE EM 2012 REGIÃO CENTRO-SUL RESUMO O censo varietal e de produtividade de cana-de-açúcar é realizado pelo CTC - Centro de Tecnologia Canavieira, na Região Centro-Sul do Brasil, desde o ano de 1987. Em 2012 foram levantadas informações de 264 produtores de cana-de-açúcar, totalizando aproximadamente 6,3 milhões de hectares, a maior área já alcançada nesse levantamento. los produtores e já ocupam área significativa, confirmando a sua grande aceitação tanto nas áreas dos produtores que sempre tiveram permissão de uso como na área total da Região Centro-Sul (Figura 1). Figura 1 - Evolução da área cultivada (%) com Variedades CTC na Região Centro-Sul e nas unidades que sempre tiveram permissão de uso das variedades CTC. Essa publicação apresenta também dados do programa de benchmarking do CTC denominado MUTUO (Controle MUTUO Agroindustrial). Esse programa de acompanhamento mensal do desempenho agrícola das unidades produtoras fornece informações de qualidade e As 28 Variedades CTC liberadas em oito gerações entre os anos de 2005 e 2012, apresentaram crescimento acelerado de área nas unidades produtoras da Região Centro-Sul. Esse crescimento foi o mais rápido já ocorrido em programas de melhoramento de variedades de cana-de-açúcar. Nesse período, as Variedades CTC foram rapidamente adotadas peprodutividade da cana processada desde a safra 88/89. Nos primeiros anos as unidades participantes eram cooperadas à Copersucar e, a partir da safra 03/04, a participação foi aberta à todas as unidades da Região Centro-Sul. Em 2012 foram levantados dados referentes a 183 produtores, 3,9 milhões de hectares e 255 milhões de toneladas de cana própria colhidas. A produtividade agroindustrial média obtida na safra 12/13, foi de 74,3 t de cana/ha, com 13,3 de pol% cana, 132,3 kg de ATR/t de cana, 13,0 de fibra% cana e 9,85 t de pol/ha. 1
INTRODUÇÃO Com o fim de agilizar a divulgação das informações, a publicação do Censo Varietal do CTC para a safra 12/13 foi dividida separando os produtores da Região Centro- Sul dos produtores da Região Norte-Nordeste onde a safra é colhida em outro período. Nessa publicação são apresentados os dados obtidos na Região Centro- Sul e futuramente publicaremos os resultados da Região Norte- Nordeste. O CTC - Centro de Tecnologia Canavieira publica a 25ª edição da Revista do Censo Varietal com objetivo principal de estudar a evolução das variedades liberadas pelo seu Programa de Variedades (SP e CTC) nas áreas de formação e colheita de cana-de-açúcar. O censo indica ainda as variedades que estão crescendo ou decrescendo em área de formação, servindo como veículo de disseminação de tecnologia. Pelo décimo terceiro ano consecutivo apresentam-se também informações sobre produtividade agrícola e qualidade tecnológica das unidades localizadas na Região Centro-Sul do Brasil, permitindo avaliar a evolução desses índices ao longo dos anos. Esses dados foram obtidos através do Controle MUTUO Agroindustrial que é um dos programas de benchmarking do CTC. METODOLOGIA Os dados foram obtidos por meio do preenchimento de formulários eletrônicos enviados às usinas, destilarias, cooperativas e associações de fornecedores de cana do Brasil durante a safra 12/13. As áreas cultivadas foram identificadas separando-se as áreas de plantio com cana de ano e meio (áreas plantadas entre os meses de dezembro de 2011 e março de 2012) das colhidas para moagem nos diversos estágios de corte: cana planta de inverno (áreas plantadas entre abril de 2011 e agosto de 2011), cana planta de ano (áreas plantadas entre setembro de 2011 e novembro de 2011), cana planta de ano e meio (áreas plantadas entre dezembro de 2010 e março de 2011), socas do segundo ao quinto e demais cortes e a cana bisada que não pôde ser colhida na safra 11/12. A área total cultivada por estado da Região Centro-Sul foi estimada a partir da área colhida por estado, publicada pelo IBGE. As previsões das áreas de plantio e erradicação/reforma para safra 12/13 foram obtidas por meio de pesquisa realizada pelo CTC entre os meses de julho e dezembro de 2012. Com o objetivo de avaliar o ritmo com que as novas variedades geradas pelos programas de melhoramento são introduzidas nos canaviais do país, foi utilizado o índice de atualização varietal (IAV). Esse índice é obtido pela diferença entre o ano atual e o ano de cruzamento da variedade, ponderado pela porcentagem de utilização de cada variedade na região estudada. Do valor obtido são subtraídos 20 anos, que corresponde ao número médio de anos que uma variedade tarda para atingir o seu ápice. Para esse índice, são considerados altos e não recomendáveis os valores acima de 7 anos, intermediários os valores entre 5 e 7 anos e baixos e adequados os valores abaixo de 5 anos. Outro índice utilizado foi o de concentração varietal (ICV), obtido com base na participação percentual das três principais variedades na região estudada. São considerados altos e não recomendados os valores de ICV superiores a 50%. Valores entre 40 e 50% são considerados intermediários e valores menores que 40% são considerados baixos e ideais. Foram obtidos dados dos seguintes estados da Região Centro-Sul: Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo. Os dados de produção e produtividade de cana, açúcar e fibra na safra 12/13 para as unidades produtoras da Região Centro-Sul foram obtidos por meio do Controle MUTUO Agroindustrial. No Controle Mutuo Varietal, as variedades CTC foram separadas em precoces (colhidas entre março a junho) e médias/ tardias (colhidas entre julho e novembro) e foram caracterizadas destacando suas recomendações e potenciais. 2
RESULTADOS E DISCUSSÃO Considerando a área total cultivada, obtida por meio da informação publicada pelo IBGE no ano de 2012, os estados com o recenseamento mais completo foram: Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Nesses estados, a área recenseada foi superior a 70% da área total (Tabela 1). Na publicação do IBGE também são consideradas as áreas de outros usos da cana-de-açúcar, como por exemplo: forragem, produção de cachaça e outros. Tabela 1 - Área cultivada com cana-de-açúcar, área recenseada, porcentagem de recenseamento e número de unidades recenseadas por Estado da Região Centro-Sul, em 2012. A área recenseada pelo CTC acompanha o rápido crescimento da área cultivada de cana-deaçúcar ocorrida no Brasil nos últimos anos. Em 2012 foi possível obter informações sobre as variedades utilizadas numa área superior a 6,3 milhões de hectares na Região Centro-Sul, área recorde em relação aos anos anteriores (Figura 2). Esse total representa mais de dois terços das áreas cultivadas com cana-de-açúcar na Região Centro-Sul. Figura 2 - Evolução da área da Região Centro-Sul Total estimada a partir da área colhida (IBGE, 2012) e recenseada pelo Censo Varietal do CTC. Esta área expressiva demonstra que o Censo Varietal do CTC é o mais abrangente e representativo censo de variedades de cana-deaçúcar, atestando a confiança dos produtores no sigilo dos dados, qualidade e representatividade das informações publicadas. 3
VARIEDADES CTC Os produtores da Região Centro- Sul estão expandindo o plantio das cultivares geradas pelo Programa de Variedades do CTC, como pode ser observado na Figura 3. O incremento na área, em relação à safra anterior, foi de 60%, tendo como destaques as variedades: CTC15, CTC2, CTC9 e CTC4. Figura 3 Área cultivada com as principais Variedades CTC nas safras 11/12 e 12/13 na Região Centro-Sul. A partir dos levantamentos realizados pelo Controle MUTUO Varietal, onde foram coletadas informações de 493 mil hectares e 38,6 milhões de toneladas de cana de açúcar, separaram-se os resultados das Variedades CTC em dois grupos: No primeiro grupo estão as variedades colhidas no início da safra, entre os meses de maio a junho (Figura 4). Considerando as variedades CTC7 e CTC9 de maturação precoce, projeta-se grande crescimento no plantio das próximas safras. Deve-se destacar que a variedade CTC7 tem apresentado excelentes resultados em plantios de inverno, sendo adaptada para o plantio e colheita mecanizada. Já a variedade CTC9, a mais plantada em quatro estados da Região Centro-Sul, se mostra como rústica e com altos valores de ATR no início da safra. Figura 4 Variedades CTC precoces mais plantadas nos estados produtores da Região Centro-Sul em 2012. A variedade CTC16 apresenta alto teor de sacarose e excelente brotação de soqueira, sendo altamente responsiva à melhoria do ambiente e adaptada ao plantio mecanizado e colheita de cana crua, enquanto que a variedade CTC17 mostra ótimos resultados em solos arenosos e ambientes de baixo/médio potencial de produção, sendo a mais plantada no estado de São Paulo. A variedade CTC18, com alta produtividade agrícola, é indicada para regiões com maior déficit hídrico em ambientes mais restritivos, típicos dos estados de Goiás (mais plantada) e Mato Grosso, onde apresenta 4
maturação precoce, devendo ser colhida até o meio da safra. A variedade CTC21 é recomendada para colheita em ambientes de médio a alto potencial de produção, e destaca-se pela ausência de florescimento e resistência às doenças da cana-de açúcar, enquanto que a variedade CTC22 tem como diferencial o alto teor de sacarose, além da alta produtividade e alto teor de fibra. É recomendada para colheita em ambientes de médio a alto potencial de produção e apresenta alta adaptação ao sistema de plantio mecanizado. Em 2012, o CTC lançou sua primeira geração de variedades desenvolvidas especialmente para o cerrado brasileiro (Série 9000). Entre as variedades lançadas, duas são de maturação precoce: a variedade CTC9001 com alta produtividade, riqueza, PUI longo e adaptada ao plantio mecanizado e a CTC9003 com elevado teor de sacarose, sem florescimento e alto perfilhamento. Além dessas variedades, foi liberada em 2012 a variedade CTC25, adaptada à região sul do Brasil. Com alta produtividade, porte ereto e rápido desenvolvimento é recomendada para colheita em ambientes de baixo potencial de produção do estado do Paraná. Já o segundo grupo de Variedades CTC contempla os materiais colhidos do meio para o final da safra, entre os meses de julho a novembro (Figura 5). Considerando as Variedades CTC de maturação média/tardia, o material com maior área cultivada atualmente, é a CTC2, cultivar Figura 5 Variedades CTC médias/tardias mais plantadas nos estados produtores da Região Centro-Sul em 2012. com ótima colheitabilidade e ótimos resultados em solos de média/baixa fertilidade. Outra variedade que obteve excelente retorno econômico nos ensaios do Programa de Variedades é a CTC4, uma das mais plantadas pelos produtores dos estados de Goiás, Mato Grosso e na região de Ribeirão Preto. A variedade CTC6 destaca-se pela alta produtividade e longevidade de soqueiras, sendo indicada para os ambientes de maior potencial de produção. A variedade CTC15 destaca-se pelo alto potencial de produção e elevada tolerância à seca sendo a mais plantada em cinco estados da Região Centro-sul. As variedades CTC11 e CTC14, recomendadas em ambientes de médio para alto potencial de produção, destacam-se pelo porte ereto e pela alta produtividade, sendo recomendadas para colheita mecanizada. A variedade CTC20 foi a que apresentou o melhor resultado histórico na experimentação do CTC. Possui alta produtividade, elevado perfilhamento e alto teor de sacarose, sendo recomendada para colheita durante toda a safra. Apresenta, ainda, excelente brotação de soqueira e é altamente responsiva à melhoria de ambientes. Por fim, a variedade CTC23 é recomendada para colheita em ambientes de médio a alto potencial de produção. Ela ainda destaca-se pela tolerância à seca, longevidade de soqueiras na colheita mecanizada e ausência de florescimento. Outra variedade, a CTC24 se destaca pela alta produtividade, excelente brotação de soqueira, alto perfilhamento e excelente fechamento de entrelinhas. É recomendada para colheita em ambientes de médio a alto potencial de produção. Ainda com relação ao lançamento das variedades adaptadas ao cerrado em 2012, o CTC liberou para o plantio comercial a variedade CTC9002, com elevada rusticidade e tolerância à seca, porte ereto, boa colheitabilidade, longevidade de soqueira e adaptação ao plantio mecanizado. 5
ESTADO DE SÃO PAULO Figura 6 Porcentagem das áreas de cultivo das três principais variedades somadas, no estado de São Paulo, nas últimas 43 safras agrícolas (ICV - Índice de Concentração Varietal). No estado de São Paulo foram obtidas informações de 150 unidades produtoras, totalizando a área de aproximadamente 3,9 milhões de hectares, que representam mais de 70% da área total cultivada no estado, segundo o IBGE. A concentração em poucas variedades de cana-de-açúcar, medida pelo ICV, no estado de São Paulo apresentou grande alteração nos últimos quarenta anos. A porcentagem de área abrangida pelas três principais variedades (índice de concentração varietal) oscilou entre 60% e 70% nas décadas de 70 e 80. Já no início da década de 90 os produtores perceberam o grande risco dessa concentração, principalmente em função de doenças da cana-de-açúcar que provocaram grandes perdas e, a partir de 1996, o ICV teve uma redução drástica. Essa queda permaneceu até o ano de 2006, gerando valores de ICV inferiores a 35% (Figura 6). A partir de 2007, coincidindo com a elevada expansão do setor, o ICV voltou a crescer, indicando a redução da diversidade de variedades nos canaviais. Embora esse índice ainda esteja muito abaixo dos valores observados até 1996, verificase a tendência de concentração da área cultivada em um número menor de variedades, o que reduz a segurança contra novas doenças. Felizmente essa tendência parece ter se invertido no ano de 2012, quando esse índice teve uma pequena redução atingindo o valor igual a 45,7% para o estado de São Paulo. A evolução das variedades cultivadas no estado de São Paulo, nas últimas quatro décadas, mostra a grande transformação ocorrida nesses canaviais (Figura 7). Na década de 70, a principal variedade foi a CB41-76, variedade liberada pelo programa de melhoramento de Campos-RJ, que chegou a ocupar metade dos canaviais. Na década de 80 a CB41-76 foi substituída, em função de sua suscetibilidade ao mosaico, pela NA56-79 (variedade argentina) que também ocupou grandes proporções, com áreas de cultivo superiores a 45% do total do estado. Em 1988, a variedade SP70-1143 liberada pelo programa de melhoramento do CTC, passou a ser a mais utilizada, ocupando 30% da área cultivada em São Paulo. Essa substituição foi provocada pela suscetibilidade da NA56-79 ao carvão da cana-de-açúcar. Figura 7 Porcentagem da área cultivada da variedade mais utilizada, no estado de São Paulo, nas últimas 43 safras agrícolas. 6
A SP70-1143 permaneceu como a mais utilizada por quatro anos, sendo substituída, em função de sua suscetibilidade à ferrugem marrom, pela variedade SP71-6163 que foi a primeira colocada nos anos de 1993 e 1994, atingindo proporção de 25% no estado e depois substituída em função de sua suscetibilidade ao amarelinho. A partir de 1995, a variedade RB72454 passou a ser a mais cultivada, sendo responsável por áreas entre 15 e 25% dos canaviais paulistas. Essa variedade teve suas áreas diminuídas nos anos seguintes em função de sua não adaptação à colheita mecanizada e, mais recentemente, pela sua suscetibilidade à ferrugem alaranjada. Nos quatro anos seguintes, a variedade mais utilizada foi a SP81-3250, com participação de 10% a 15% da área cultivada no estado, e a partir de 2007, a variedade RB867515 passou a ser a mais cultivada. São Paulo é o estado da Região Centro-Sul que mais rapidamente substitui as variedades. O índice Figura 8 Evolução da porcentagem da área de plantio em relação à área total cultivada no estado de São Paulo. de atualização varietal (IAV), para o ano de 2012, foi de 6,2 anos, mostrando o maior interesse desses produtores em trabalhar com variedades mais modernas. A proporção de área plantada em relação à área total cultivada entre os produtores paulistas pode ser observada na Figura 8. Essa proporção se mantém, historicamente, entre 15 e 21% da área, exceto pelo ano de 1999, em função do excesso de produção e queda de preços ocorridos no setor da cana-deaçúcar no ano anterior. O maior valor histórico da série estudada (22,6%) foi atingido no ano de 2007. No ano de 2009, em função da crise internacional que reduziu a oferta de financiamento para os produtores brasileiros e da crise de preços essa proporção se reduziu ao nível mais baixo desde 1999. No ano de 2010 novamente esse valor foi baixo (11,3%), dessa vez em função do grande aumento da demanda por açúcar e etanol que levou os produtores a moerem a cana ao invés de reformarem seus canaviais. Em 2011 os produtores paulistas iniciaram o processo de renovação das lavouras e, em 2012, esse processo se consolidou com a porcentagem da área de plantio em relação à área total cultivada atingindo 20,6%. A média desse índice, nos 27 anos estudados, indica que 17,4% das áreas cultivadas foram ocupadas com áreas de plantio. A taxa de renovação dos canaviais impacta diretamente o estágio médio de corte (Figura 9). Os valores obtidos por esse parâmetro cresceram significativamente nos três anos anteriores a 2012, consequência da baixa renovação realizada neste período. Figura 9 Evolução do estágio médio de corte dos canaviais no estado de São Paulo, desconsiderando a cana bisada. 7
No ano de 2011, as variedades CTC foram responsáveis por 14,4% da área de plantio no estado de São Paulo. Essa participação é expressiva, uma vez que a primeira geração de variedades CTC foi lançada há apenas sete anos. Entre as variedades CTC com maior proporção no plantio, destacam-se principalmente a CTC15, seguida das variedades CTC2, CTC17, CTC4 e CTC9 (Figura 10). Quando se analisa os dados do censo das grandes regiões produtoras do estado (Araçatuba, Assis, Piracicaba, Ribeirão Preto, São Carlos e São José do Rio Preto) algumas diferenças são importantes (Tabela 2). Tabela 2 - Índice de atualização varietal (IAV), Índice de concentração varietal (ICV) e área recenseada nas regiões do estado de São Paulo, em 2012. Figura 10 Porcentagem de plantio das variedades CTC no estado de São Paulo, em 2012. Com relação ao índice de concentração varietal (ICV), as regiões de Ribeirão Preto e Assis apresentaram índices considerados baixos e ideais, portanto possuem menor risco de sofrerem danos com doenças que possam surgir no cultivo da canade-açúcar. As regiões de Piracicaba e São Carlos apresentaram índices intermediários enquanto que as regiões de Araçatuba e São José do Rio Preto foram as que apresentaram as maiores concentrações de área em poucas variedades e com isso possuem maior risco. Em relação ao índice de atualização varietal (IAV), todas as regiões foram classificadas como de índice intermediário (entre 5 e 7 anos), sendo que as regiões de Piracicaba e Assis apresentaram os melhores resultados. Isso mostra que os produtores paulistas não estão aproveitando a grande quantidade de variedades liberadas pelos programas de melhoramento nos últimos anos. 8
Controle MUTUO Agroindustrial Realizado nas unidades produtoras da Região Centro-Sul, o Controle MUTUO Agroindustrial faz parte dos programas de benchmarking do CTC. Com início em 1988, esse programa disponibiliza relatórios mensais com índices técnicos de produtividade, permitindo a comparação do desempenho das unidades participantes com as demais unidades da região onde estão localizadas, auxiliando na gestão do negócio. No ano de 2012, 183 unidades produtoras da Região Centro-Sul enviaram os dados para o Controle Mutuo Agroindustrial, totalizando, aproximadamente, 3,93 milhões de hectares colhidos e 292 milhões de toneladas de cana própria industrializadas. Com relação à moagem total, foram levantadas informações de 378 milhões de toneladas de cana, o que representa 71% da produção total da Região Centro-Sul. Os valores apresentados na Figura 11 mostram que, em decorrência principalmente da renovação dos canaviais e da recuperação dos tratos culturais adotados pelos produtores, a produtividade medida em toneladas por hectare apresentou melhora quando comparada aos resultados de 2011, porém o teor de sacarose desta cana ainda é um dos menores valores já obtidos desde o início deste programa. Figura 11 Desempenho das unidades da Região Centro-Sul em toneladas de cana por hectare (t cana/ ha), teor de sacarose (pol% cana) e toneladas de pol por hectare (tph), em relação ao ano safra. No ano de 2012 a produtividade média em toneladas de cana por hectare foi superior ao registrado na safra de 2011 em todos os estágios de corte (Figura 12), com exceção da cana Bis que apresentou um ligeiro decréscimo. Em relação ao ano de 2011, a média ponderada pelas áreas de cada estágio de corte demonstra um aumento de 8% na produtividade, porém o resultado da produtividade média geral de 74,3 toneladas de cana por hectare está muito aquém da média histórica que é de 81,9 t/ha. Figura 12 Produtividade agrícola (t/ha) por estágio de corte, entre os produtores da Região Centro-Sul, para as safras de 2011, 2012 e na média histórica. 9
No ano de 2012 houve um aumento na participação dos estágios de corte menos avançados (até o terceiro corte) na colheita quando comparado ao ano 2011 (Figura 13), o que ajuda a explicar o ganho de produtividade. Os estágios de corte mais novos possuem maior rendimento em tonelada por hectare, assim essa diminuição da participação dos estágios de corte mais antigos e da cana Bis - que tiveram um impacto negativo na safra anterior surge na safra 2012/13 como ponto positivo para os resultados finais da produtividade. Outro aspecto interessante na safra 12/13 foi o comportamento da produtividade em toneladas por hectare de cana colhidas ao longo do ano-safra no Centro-Sul, como demonstrado na Figura 14. Figura 13 Participação de cada estágio de corte na colheita da Região Centro-Sul, nos últimos dois anos (2011 e 2012). Figura 14 Evolução mensal da produtividade média da Região Centro-Sul, em toneladas de cana por hectare, nos últimos dois anos (2011 e 2012) e na média histórica. 10
Nos meses de março a maio a produtividade apresentou valores inferiores ao obtido na safra anterior. Isso ocorreu porque na safra 12/13 foi colhida uma maior proporção de estágios avançados no início da safra visando reformar esses canaviais. Essa tendência se inverteu a partir de junho e perdurou ao longo da safra 12/13. Grande parte deste comportamento foi decorrente das chuvas entre abril e junho que contribuíram para o desenvolvimento da cana nas áreas colhidas no meio e no final da safra, promovendo produtividades médias satisfatórias e mostrando o resultado atípico dessa safra quando comparada à média dos anos anteriores. Avaliando-se o teor de sacarose presente (Figura 15), observouse um comportamento bastante peculiar da curva de pol% cana. O início da safra 12/13 apresentou um rendimento superior ao ocorrido na safra anterior 11/12, no entanto as chuvas acima dos patamares históricos registradas entre os meses de abril e junho promoveram uma queda nos meses de maio a julho do bom desempenho do pol% cana de abril. A partir do mês de agosto, com a regularização das chuvas, a pol% cana apresentou rápida recuperação, atingindo patamar semelhante ao da safra passada. Ao final da safra 12/13 a pol% cana obteve um resultado -0,2% abaixo ao da safra 11/12, porém ainda 6,3% inferior à média histórica. Figura 15 Pol% cana mensal entre os produtores da Região Centro-Sul, nos anos 2011 e 2012 e na média histórica. Para melhor explicar o impacto das influências climáticas nos resultados, o Controle MUTUO passou a levantar também as informações mensais de chuva e temperatura ocorridas nas áreas produtoras de cana-de-açúcar na Região Centro-Sul a partir de 2006. Esse levantamento toma por base os valores obtidos nas unidades produtoras, ponderando as informações climáticas em relação à quantidade de cana produzida. Desse modo, pode-se avaliar o impacto do clima sobre o setor de cana-de-açúcar na Região Centro-Sul. 11
Figura 16 Distribuição mensal das chuvas na Região Centro-Sul nos anos de 2011, 2012 e média das últimas sete safras. Os resultados apresentados na Figura 16 mostram um comportamento alternado na distribuição das chuvas ao longo do ano de 2012. Enquanto no início do ano as chuvas de fevereiro e março apresentaram volumes acumulados bem abaixo da média, os meses de abril, maio e junho tiveram níveis de precipitação acima do esperado. Essas chuvas no meio do ano colaboraram para o desenvolvimento da cana a ser colhida no final da safra, que apresentou níveis de produtividade satisfatórios. Durante o ano todo foi registrada a precipitação acumulada de 1.407 mm de chuva, volume abaixo do obtido no ano anterior (1.575 mm), mas próximo da média histórica (1.497mm). E por fim, olhando exclusivamente o período de maio a setembro, a média mensal foi igual a 67 mm, maior valor acumulado no período, e considerado alto quando comparado ao ano anterior (23mm) e à média histórica (46mm). A Figura 17 apresenta os valores de qualidade considerando as variáveis pol% cana e fibra% cana das unidades produtoras na Região Centro-Sul, nos últimos 25 anos. Figura 17 Evolução das médias de Pol% e Fibra% cana nas unidades produtoras da Região Centro-Sul, no período entre 1988 e 2012. 12
Com relação ao ano anterior, o nível pol% cana teve um ligeiro decréscimo em 2012. Entre outros fatores que estão influenciando essa queda, o aumento da colheita mecanizada de cana crua pode ser apontado como um dos responsáveis. Embora esse sistema de colheita traga inúmeros benefícios ao longo dos anos, sua desvantagem é o aumento das impurezas vegetais presentes na cana, que impactam negativamente a qualidade, reduzindo por consequência a pol% cana. Por outro lado, pode-se observar uma tendência de aumento na variável fibra% cana, que cresceu cerca de 8% ao longo dos 25 anos analisados. Essa tendência de alta também está relacionada ao aumento da adoção de colheita mecanizada de cana crua, em que a fibra aumenta em função das impurezas vegetais. Avaliando a produtividade em açúcar por hectare para cada estado da Região Centro-Sul (Figura 18), observa-se uma recuperação na maioria dos estados produtores, com exceção das áreas de produção no Paraná, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo. Registraram queda de produtividade em t pol/ha os estados do Mato Grosso do Sul, Paraná e Espírito Santo, que fecharam 2012 com 9,0 t pol/ ha, 8,6 t pol/ha e 5,7 t pol/ha, respectivamente. O estado de São Paulo, maior produtor do país, fechou a safra 12/13 registrando uma produtividade de 10,3 t pol/ha, o que representou uma alta de 10,5% frente à safra anterior. Os estados de Minas Gerais e Goiás apresentaram expressivos ganhos de produtividade em t pol/ha, 11,4% e 9,4% respectivamente, fechando ambos com produtividade de 9,9 t pol/ha. Mato Grosso aparece com o maior aumento registrado na produtividade em t pol/ha, saindo de 7,3 t pol/ha na safra 11/12 para 8,9 t pol/ha na safra 12/13, um incremento do 22,5%. Considerando dados médios, os produtores da Região Centro-Sul obtiveram 9,9 t pol/ha em 2012, contra 9,2 t pol/ha obtida em 2011. Isso resultou em 8,1% a mais de açúcar por unidade de área. Figura 18 Produtividade em toneladas de pol por hectare nos estados da Região Centro- Sul, em 2011 e 2012. 13
PLANTIO E COLHEITA MECANIZADA NA REGIÃO CENTRO-SUL O sistema de plantio mecanizado vem se difundindo rapidamente na Região Centro-Sul do país. Há dois anos esse tipo de plantio era adotado em aproximadamente 35% das áreas plantadas com cana-de-açúcar na região; em 2011 essa taxa subiu para 49% e atualmente quase 60% das áreas no Centro-Sul são plantadas mecanicamente (Figura 19). Analisando os estados percebe-se que Goiás possui hoje quase 90% do seu plantio mecanizado, e é o estado com a maior adesão a esse tipo de plantio. Em seguida aparecem os estados de Mato Grosso do Sul com 77% de mecanização no plantio, Minas Gerais com 71% e São Paulo com 53% em média. No estado de São Paulo a região com maior índice de mecanização do plantio é Ribeirão Preto com 73%, seguida por Araçatuba (70%) e Assis (60%). As demais regiões (São José do Rio Preto, Piracicaba e São Carlos) possuem taxas de mecanização do plantio inferiores a 50%, porém a velocidade de adoção desse sistema vem aumentando a cana ano. O sistema de colheita mecanizada tem crescido significativamente, Figura 20 Distribuição percentual dos sistemas de colheita nas unidades da Região Centro-Sul, nas últimas dez safras. Figura 19 Proporção de áreas com plantio mecanizado nos estados da Região Centro-Sul, em 2011 e 2012. especialmente a colheita sem queima (Figura 20). Em 2012 praticamente três quartos da colheita na Região Centro-Sul foi realizada mecanicamente com cana crua. Durante os dez anos avaliados, a taxa média de adoção da colheita mecanizada no Centro-Sul passou de 34% em 2003 para 85% em 2012. Esse crescimento demonstra a grande adesão dos produtores à prática, visando a adequação ao Protocolo Agroambiental que prevê a eliminação da queima da cana nas áreas mecanizáveis até 2014. O Mato Grosso do Sul é o estado que possui atualmente o maior índice de colheita mecanizada, com 95% das áreas colhidas por máquinas. Em segundo lugar está Mato Grosso, com 90% de mecanização e em terceiro lugar o estado de Goiás com 88%. O estado de São Paulo atingiu 87% da colheita mecanizada e dentre suas principais regiões produtoras, Ribeirão Preto é a que possui maior índice de mecanização da colheita, com 94%. Assis (91%), Araçatuba (90%) e São José do Rio Preto (84%) são outras regiões de destaque em termos de mecanização no estado. Com relação à quantidade da cana colhida crua, o índice também apresentou significativo crescimento, saindo de 21% em 2003 para 75% em 2012. Esse fato se deve ao atendimento da legislação contra a eliminação da queima e ressalta o comprometimento dos produtores em prol de melhorias nas condições ambientais. Os estados que colheram as maiores porcentagens de cana crua em 2012 foram Mato Grosso (88%), Mato Grosso do Sul (85%), São Paulo e Minas Gerais, ambos com 81% de cana colhida crua. 14
REGIÃO CENTRO-SUL Nos oito estados recenseados na Região Centro-Sul, foram levantadas informações de 264 unidades produtoras, totalizando a área de aproximadamente 6,3 milhões de hectares, que representam mais de dois terços da área total cultivada na Região Centro-Sul. A distribuição percentual das épocas de plantio nas últimas duas safras (Figura 21) mostra que, em função da grande necessidade de matéria prima e do incremento do plantio mecanizado, os produtores da Região Centro-Sul aumentaram proporcionalmente as áreas de plantio de cana de inverno e cana de ano e diminuíram as áreas de cana de ano e meio. Para o plantio entre abril de 2012 e março de 2013 a previsão é de que a soma das áreas plantadas com cana de inverno e de ano superem as áreas plantadas de ano e meio. Com relação ao índice de Figura 21 Distribuição percentual por época de plantio entre os produtores da Região Centro-Sul nas últimas cinco safras agrícolas. concentração varietal (ICV), a porcentagem de área ocupada com as três principais variedades da Região Centro-Sul, para o ano de 2012, foi 47%. Esse valor é similar ao obtido em 1998, mostrando que após um período de aumento na diversificação varietal (entre 1987 e 2001), os produtores dessa região voltaram a concentrar o plantio em poucas variedades a partir de 2006 (Figura 22). Figura 22 Evolução do índice de atualização varietal (IAV) e do índice de concentração varietal (ICV) na média dos estados da Região Centro-Sul. 15
O valor obtido em 2012, para o índice de atualização varietal (IAV), foi de 7 anos. Esse valor foi superior ao obtido em 1987, ano do início do levantamento na Região Centro- Sul, mostrando que os produtores dessa região estão utilizando variedades muito antigas e com menores níveis de produtividade. A Tabela 3 apresenta os resultados dos índices de atualização varietal (IAV) e de concentração varietal (ICV) obtidos para os estados da Região Centro-Sul. Os estados do Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Goiás e Espírito Santo apresentaram altos valores de IAV em 2012, o que demonstra um ritmo mais lento na substituição de seus canaviais por variedades mais modernas e com maior potencial produtivo. Apenas o estado de São Paulo apresentou IAV na faixa intermediária. Os estados que apresentaram os maiores valores de ICV em 2012 foram o Rio Grande do Sul, Espírito Tabela 3 - Índice de atualização varietal (IAV), Índice de concentração varietal (ICV) e área recenseada nos estados da Região Centro-Sul, em 2012. Santo, Paraná, Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais. Apenas os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul apresentaram ICV na faixa considerada intermediária. As áreas cultivadas em 2012 com as principais variedades, por estado produtor, na Região Centro-Sul podem ser encontradas na Figura 23. Considerando a área total da Região Centro-Sul, a relação das principais variedades em área cultivada na safra 12/13 pouco variou em relação à safra passada. Entre as oito variedades mais utilizadas houve apenas a substituição da variedade RB835486 pela variedade SP80-1816. 16
Figura 23 Porcentagem de área cultivada com as principais variedades de cana-de-açúcar por estado da Região Centro-Sul, em 2012. 17
O aumento proporcional das variedades CTC na participação da Região Centro-Sul foi de 46% na comparação entre as duas safras mostrando a grande aceitação dessas variedades. A porcentagem de área cultivada com as principais variedades na Região Centro-Sul do Brasil pode ser vista na Figura 24. Figura 24 Distribuição percentual das áreas de cultivo das principais variedades na Região Centro-Sul do Brasil, em 2012. CONSIDERAÇÕES FINAIS A safra 12/13 apresentou características de recuperação da produtividade quando comparada à safra 11/12. Alguns índices como a idade média dos canaviais, a produtividade média por estágio de corte e a participação dos estágios mais novos na colheita apresentaram resultados melhores que a safra anterior, mas ainda abaixo da média histórica. Outra questão relevante apresentada foi a, ainda elevada, concentração das variedades e a utilização de materiais mais antigos e menos produtivos. Esses índices demonstraram que, embora o setor esteja apresentando sinais positivos de recuperação pós-crise de 2008, ainda há muito a ser feito para que se atinja o estágio pleno de desenvolvimento que o setor deseja. Rubens Leite do Canto Braga Jr. (Área de Melhoramento Genético) - rubens@ctc.com.br Irani Aparecida de Oliveira (Área de Melhoramento Genético) - irani@ctc.com.br Felipe de Souza Andrade (Área Comercial) - fsandrade@ctc.com.br Vanessa Nardy (Área Comercial) - vanessa.nardy@ctc.com.br 18