Agência Nacional de Vigilância Sanitária NOTA TÉCNICA Nº 02/2011 Harmonização do entendimento da RDC/Anvisa nº 11 de 26 de janeiro de 2006, que dispõe sobre o Regulamento Técnico de Funcionamento de Serviços que prestam Atenção Domiciliar, com a Portaria MS 2.029 de 24 de agosto de 2011. Gerência Geral de Tecnologia em Serviços de Saúde 25 de agosto de 2011 Fevereiro de 2009 1
Agência Nacional de Vigilância Sanitária Diretor-Presidente Dirceu Brás Aparecido Barbano Diretora Maria Cecília Martins Brito Gerência Geral de Tecnologia em Serviços de Saúde Diana Carmem Almeida Nunes de Oliveira Equipe técnica: Chiara Chaves Cruz da Silva Diana Carmem Almeida Nunes de Oliveira Letícia Lopes Quirino Pantoja Maria Angela da Paz Maria Dolores Santos da Purificação Nogueira Samia de Castro Hatem 2
Nota Técnica 02/2011 GGTES/ANVISA Harmonização do entendimento da RDC/Anvisa nº 11 de 26 de janeiro de 2006, que dispõe sobre o Regulamento Técnico de Funcionamento de Serviços que prestam Atenção Domiciliar, com a Portaria MS nº 2.029/2011 1. Introdução A Atenção Domiciliar é um termo genérico que envolve ações de promoção à saúde, prevenção, tratamento de doenças e reabilitação desenvolvidas em domicílio (RDC/Anvisa nº 11/2006). No SUS a Atenção Domiciliar é uma modalidade de atenção à saúde substitutiva ou complementar às já existentes, caracterizada por um conjunto de ações de promoção à saúde, prevenção e tratamento de doenças e reabilitação prestadas em domicílio, com garantia de continuidade de cuidados e integrada às redes de atenção à saúde (Portaria MS nº4.279/2010). 2. Histórico Considerando a existência desta modalidade de atenção tanto no SUS quanto no sistema privado e a necessidade de propor os requisitos mínimos de segurança para o funcionamento dos serviços que prestam este tipo de atenção nas modalidades de assistência e internação domiciliar, a Anvisa em 2006 publicou a RDC/Anvisa nº 11 de 26 de janeiro de 2006, que dispõe sobre o Regulamento Técnico de Funcionamento de Serviços que prestam Atenção Domiciliar. Atualmente o Ministério da Saúde vem desenvolvendo ações para organização do modelo de atenção à saúde, entre elas a rede de atenção básica, onde estão inseridos os Serviços de Atenção Domiciliar SAD. De acordo com a Portaria MS nº 2.029, de 24 de agosto de 2011 que Institui a Atenção Domiciliar no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a Atenção Domiciliar tem como objetivo a reorganização do processo de trabalho das equipes que prestam cuidado domiciliar na atenção primária, ambulatorial e hospitalar, com vistas à redução da demanda por atendimento hospitalar e/ou redução do período de permanência de pacientes internados, a humanização da atenção, a desinstitucionalização e a ampliação da autonomia dos usuários. 3. Orientações ao Sistema Nacional de Vigilância Sanitária SNVS A elaboração desta Nota Técnica pretende harmonizar o entendimento da RDC/Anvisa nº 11/2006, no que diz respeito às ações de controle do risco sanitário dos SADs, com a Portaria MS nº 2.029/2011, no que diz respeito às ações da Política de Atenção Domiciliar. Nesse sentido a GGTES/Anvisa faz os seguintes esclarecimentos: 1) A modalidade de Atenção Domiciliar tipo 1 AD1 corresponde aos serviços que atualmente são executados pelas equipes da atenção básica incluindo as equipes de saúde da família. 2) De acordo com o item 4.15 da RDC/Anvisa nº 11/2006: 3
4.15 O SAD deve observar, como critério de inclusão para a internação domiciliar, se o domicílio do paciente conta com suprimento de água potável, fornecimento de energia elétrica, meio de comunicação de fácil acesso, facilidade de acesso para veículos e ambiente com janela, específico para o paciente, com dimensões mínimas para um leito e equipamentos. Este item da RDC/Anvisa objetiva garantir que o ambiente/domicílio que abrigará pacientes em internação domiciliar possua condições viáveis para o atendimento do mesmo com qualidade, segurança, conforto e riscos reduzidos, independente das condições socioeconômicas dos pacientes. A RDC/Anvisa nº 11/2006 não pretende inviabilizar a modalidade de internação domiciliar para pacientes com precárias condições socioeconômicas, situação comum entre pacientes do SUS que necessitam desta modalidade de assistência. No entanto, é importante enfatizar que a avaliação das condições do ambiente/domicílio destes pacientes deve ser feita caso a caso. As especificidades da internação, tais como o diagnóstico do paciente, o plano de atenção domiciliar, os tipos de procedimentos a serem executados, os tipos de tecnologias a serem utilizadas e outros requisitos devem ser observados, incluindo a necessidade do uso de energia elétrica e outras instalações para o funcionamento de equipamentos e a realização de procedimentos. 3) Considerando as exigências do item 4.15 da RDC/Anvisa nº 11/2006 deve-se observar: a. Em relação à água potável não há obrigatoriedade do domicílio possuir sistema de abastecimento de água fornecida por concessionária pública, uma vez que esta situação não é uma realidade em todos os municípios brasileiros. A água fornecida para domicílios de pacientes em internação domiciliar pode ser proveniente de poço artesiano ou outras fontes alternativas, desde que atenda à Portaria MS nº 518/2004 em relação à potabilidade da água. b. Em relação ao fornecimento de energia elétrica este item é indispensável para domicílios onde haverá necessidade de uso de equipamentos, ou seja, no caso da Atenção Domiciliar tipo 3 - AD3 e em alguns casos da Atenção Domiciliar tipo 2 - AD2, quando houver necessidade de uso de equipamentos que operem com energia elétrica. c. Em relação ao meio de comunicação de fácil acesso entende-se por meios de comunicação de fácil acesso para atendimento do domicílio com paciente em internação domiciliar aqueles que possam ser utilizados para contato com a sede do SAD ou membro da equipe de atenção domiciliar EAD. Tais meios de comunicação podem incluir telefones públicos ou particulares próximos ao domicílio do paciente (por exemplo orelhões, telefones móveis ou fixos de vizinhos, de serviços públicos ou comércios, entre outros). Portanto ressalta-se que não é estritamente necessário que o meio de comunicação esteja no próprio domicílio do paciente, o importante é que esteja em uma proximidade viável de uso e de fácil acesso e que haja um registro de quais meios o paciente ou cuidador pode dispor para acionar o SAD ou EAD em caso de necessidade. d. Em relação à facilidade de acesso para veículos entende-se que deve ser possível a remoção e transferência do paciente do domicílio, em caso de 4
necessidade. No entanto, não é estritamente necessário que um veículo estacione na porta do domicílio, uma vez que no Brasil há vários tipos de moradias, em ruas nas quais isto não é possível ou em prédios que não dispõem de elevador. Assim, em alguns casos pode ser necessário remover o paciente em uma maca ou cadeira de rodas, por exemplo, até uma rua mais próxima em que há possibilidade de acesso de veículos. e. Em relação ao ambiente com janela o objetivo desse item é garantir que o ambiente onde se aloja o paciente em internação domiciliar possua ventilação natural, para permitir o conforto ambiental e a renovação do ar ambiente Portanto, este item estará contemplado se o domicílio possuir acesso à ventilação natural. 4) Em relação ao item 4.2 da RDC/Anvisa nº 11/2006: O SAD deve possuir como responsável técnico um profissional de nível superior da área da saúde, habilitado junto ao respectivo conselho profissional. Entende-se que, no caso de atenção domiciliar na modalidade Domiciliar tipo 1 - AD1, o responsável técnico do Serviço de Atenção Domiciliar pode ser o mesmo responsável técnico da Unidade Básica de Saúde à qual estiver vinculado. 5) Em relação ao item 5.2 da RDC/Anvisa nº 11/2006: O SAD deve assegurar os seguintes suportes diagnósticos e terapêuticos de acordo com o Plano de Atenção Domiciliar - PAD... Entende-se que os serviços de suporte diagnóstico e terapêutico não necessitam estar localizados nas proximidades do domicílio do paciente. Deve-se, no entanto, assegurar a remoção do mesmo, em caso de necessidade. 4. Considerações Finais Com estes esclarecimentos espera-se que haja um entendimento que a RDC/Anvisa nº. 11/2006 e a Portaria MS nº. 2.029/2011 se complementam, contribuindo para a melhoria do acesso e da qualidade assistencial no âmbito do SUS. Recomenda-se que o SNVS desenvolva ações de comunicação para que a sociedade possa identificar eventuais riscos na prestação dos serviços de Atenção Domiciliar. A GGTES/Anvisa coloca-se à disposição para outros esclarecimentos que se façam necessários. 5