PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO ACÓRDÃO

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Transcrição:

ACÓRDÃO Registro: 2016.0000093764 Vistos, relatados e discutidos estes autos de Habeas Corpus nº 2002031-03.2016.8.26.0000, da Comarca de Americana, em que é paciente CLEITON DA SILVA BRANCO, Impetrantes SOLANGE MARIA PINTO e JOAO BATISTA BARBOSA. ACORDAM, em 16ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferir a seguinte decisão: "Concederam a ordem, nos termos do v. acórdão. V. U.", de conformidade com o voto do Relator, que integra este acórdão. O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores GUILHERME DE SOUZA NUCCI (Presidente), LEME GARCIA E OSNI PEREIRA. São Paulo, 23 de fevereiro de 2016. Guilherme de Souza Nucci RELATOR Assinatura Eletrônica

HABEAS CORPUS nº 2002031-03.2016.8.26.0000 Comarca: Americana Impetrantes: Solange Maria Pinto e João Batista Barbosa Paciente: CLEITON DA SILVA BRANCO VOTO Nº. 12.694 Habeas Corpus. Tráfico de drogas. Pleito objetivando a liberdade provisória. Possibilidade. Análise dos requisitos do art. 312, do CPP. Ausentes. Paciente primário e possuidor de bons antecedentes. Possibilidade de fixação de medidas cautelares diversas da prisão. Comparecimento periódico em juízo - recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga CPP 319, I e V. Ordem concedida para confirmar a liminar. Trata-se de Habeas Corpus, com pedido liminar, impetrado em favor de CLEITON DA SILVA BRANCO, contra ato da MM. Juíza de Direito, Dra. Fabiana Calil Canfour de Almeida, do Plantão Judiciário da Comarca de Americana, sob a alegação de o paciente sofrer constrangimento ilegal, decorrente da manutenção de sua prisão cautelar. Sustentam os impetrantes, em síntese, a ilegalidade da decisão coatora, entendendo estarem ausentes os requisitos autorizadores da custódia preventiva. Alegam, ainda, que a Lei 11.464/07 derrogou a Lei 11.343/06, em seu artigo 44, Habeas Corpus nº 2002031-03.2016.8.26.0000 2

permitindo a concessão de liberdade provisória aos crimes hediondos e equiparados, dentre os quais se inclui o tráfico de entorpecentes. Aduzem, também, a não ocorrência do crime de tráfico de drogas, visto a ausência de comprovação de mercancia, devendo ser o paciente considerado usuário de drogas. Mencionam, por fim, ser o acusado primário, possuidor de bons antecedentes e ter residência fixa. Postulam, destarte, a concessão de liminar e a posterior confirmação desta, com a imediata expedição de alvará de soltura. Subsidiariamente, pugnam pela aplicação de medidas cautelares alternativas. A liminar foi deferida, fixando ao paciente as medidas cautelares previstas no art. 319, incisos I e V, do Código de Processo Penal (fls. 38/41). Por intermédio de ofício datado de 22 de janeiro de 2015, a autoridade coatora prestou as informações necessárias, esclarecendo que os autos aguardam atualmente a apresentação de defesa preliminar do paciente (fls. 44/45). Em seu parecer, a Procuradoria Geral de Justiça opinou pela denegação da ordem (fls. 48/51). É o relatório. Devidamente processado, é caso de concessão da ordem. Conforme consta dos autos, o paciente foi preso em flagrante, no dia 20 de dezembro de 2015, pela suposta prática de tráfico de drogas, após ser surpreendido por policiais militares, na rua Francisco E. G. de Godói, 252, Santa Habeas Corpus nº 2002031-03.2016.8.26.0000 3

Bárbara D`Oeste/SP, trazendo consigo 17 invólucros de cocaína (5g) e 9 porções de maconha (30g), acondicionadas propriamente para o comércio, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar. Ao analisar o caso, a autoridade coatora decretou a prisão preventiva do acusado, justificando a medida com base na garantia da ordem pública, uma vez que o crime supostamente praticado seria grave e equiparado a hediondo. Nem se olvide que a prisão cautelar é excepcionalidade, devendo, portanto, respaldar-se em elementos concretos, idôneos ao preenchimento dos requisitos previstos no art. 312 do Código de Processo Penal. Ademais, nada obstante a vedação constante do art. 44 da Lei de Drogas, a alteração efetuada pela Lei n 11.464/2007 na redação do art. 2º da Lei de Crimes Hediondos, torna a autorizar a concessão de liberdade provisória, sem fiança, na hipótese do parágrafo único do art. 310, do CPP. É, portanto, necessário que se analise os requisitos do art. 312, do CPP. Desta feita, acompanho entendimento firmado pelos Tribunais Superiores, no sentido de não ser suficiente para o indeferimento da liberdade provisória a mera remissão à vedação legal contida no art. 44 da lei específica. Nesse sentido: PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS CORPUS IMPETRADO CONTRA Habeas Corpus nº 2002031-03.2016.8.26.0000 4

DECISÃO DE RELATOR DE TRIBUNAL SUPERIOR QUE INDEFERIU PLEITO CAUTELAR EM IDÊNTICA VIA PROCESSUAL. FLAGRANTE ILEGALIDADE. SÚMULA 691/STF. SUPERAÇÃO. TRÁFICO DE ENTORPECENTES. PRISÃO EM FLAGRANTE CONVERTIDA EM PREVENTIVA COM FUNDAMENTO APENAS NA GRAVIDADE EM ABSTRATO DO DELITO. GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA E CONVENIÊNCIA DA INSTRUÇÃO CRIMINAL. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE BASE EMPÍRICA IDÔNEA. CONSTRANGIMENTO ILEGAL CARACTERIZADO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO POR INADEQUAÇÃO DA VIA PROCESSUAL. ORDEM CONCEDIDA DE OFÍCIO. 1. A prisão cautelar para garantia da ordem pública e para conveniência da instrução criminal é ilegítima quando fundamentada, como no caso sub examine, tão somente na gravidade in abstracto, ínsita ao crime. Precedentes. [...] a decisão que decretou a prisão cautelar limita-se a tecer considerações sobre o potencial danoso Habeas Corpus nº 2002031-03.2016.8.26.0000 5

do tráfico de entorpecentes. Não cuidou, assim, de apontar, minimamente, conduta dos pacientes que pudessem colocar em risco a ordem pública, a instrução processual ou a aplicação da lei penal. 3. A vedação legal à liberdade provisória ao preso em flagrante por tráfico de entorpecentes, prevista no art. 44 da Lei 11.343/2006, foi julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (HC 104.339/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes), devendo, contudo, o magistrado apreciar a existência dos requisitos da prisão preventiva à luz do artigo 312 do Código de Processo Penal. [...] 5. Agravo regimental desprovido, em razão da inadequação da via eleita. Ordem concedida de ofício para assegurar aos pacientes o direito de aguardarem em liberdade o trânsito em julgado de eventual sentença condenatória, salvo se por outro motivo devam permanecer presos e sem prejuízo de nova decretação de prisão preventiva fundamentada ou de uma ou mais das medidas cautelares previstas no art. 319 do Código de Processo Penal, caso seja necessário. Habeas Corpus nº 2002031-03.2016.8.26.0000 6

(STF. HC 121181 AgR, Primeira Turma, Relator(a): Min. LUIZ FUX, d.j. 22/04/2014, grifamos). Além disso, em análise aos requisitos e, após consulta ao sistema informatizado deste E. Tribunal, verificou-se que o paciente é sujeito primário, cuja conduta delitiva sub judice não se demonstra revestida de gravidade exacerbada. Tais fatores sinalizam-se precipuamente favoráveis ao paciente, afastando-o de ímpetos de fuga ou desassossego, evidenciando a possibilidade de aguardar o julgamento da ação em liberdade, sem risco à ordem pública. É preciso cessar o mau vezo de se decretar a prisão cautelar com base em abstrações. Todos os requisitos do art. 312 do CPP precisam ser analisados no plano concreto, apontando-se, nos autos da investigação policial ou do processo-crime, quais elementos justificam a cautela. A propósito, vimos defendendo: A gravidade concreta do delito espelha-se pelo fato e suas circunstâncias e consequências. Um roubo, por exemplo, abstratamente é um delito grave, mas nem sempre o é no caso concreto. Essa busca pela concretude do fato é o dever do juiz, a fim de não banalizar a decretação da prisão cautelar, que é uma Habeas Corpus nº 2002031-03.2016.8.26.0000 7

exceção, não a regra. 1 Ainda sobre o mesmo tema: (...) devemos conferir à garantia da ordem pública um significado realmente concreto, distante de ilações ou presunções de gravidade abstrata de qualquer infração penal. 2 Por tais razões, tenho por desnecessária a manutenção da custódia cautelar do paciente. Com efeito, se por um lado a manutenção da prisão preventiva revela-se descabida, frente aos mandamentos legais, ante a carência dos requisitos previstos no art. 312 do Código de Processo Penal, por outro, a concessão de liberdade provisória culmina em benesse deveras favorável, não correspondendo à casuística sub judice. Diante do panorama, melhor solução resulta na concessão da liberdade provisória mitigada por medida cautelar, consoante hipótese prevista na Lei nº. 12.403/2011, em razão de sua adequabilidade, fator sobre o qual assim vimos entendendo: Esse fator, sem dúvida, concerne ao princípio constitucional da 1 NUCCI, Guilherme de Souza. Prisão e Liberdade: as reformas processuais penais introduzidas pela Lei 12.403, de 4 de maio de 2011, São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011, p. 64. 2 NUCCI, Guilherme de Souza. Op. Cit., p. 63. Habeas Corpus nº 2002031-03.2016.8.26.0000 8

proporcionalidade. Observa-se cada vez mais, a vinculação e a integração entre os princípios constitucionais penais e processuais penais. Neste mesmo prisma, já havíamos apontado a umbilical ligadura entre a proporcionalidade e a individualização da pena, além de indicar a união entre legalidade e prisão cautelar. Agora, nota-se o vínculo entre as medidas cautelares e a proporcionalidade, ou seja, tal como se fosse uma autêntica individualização da pena, deve-se analisar o fato e seu autor, em detalhes, para aplicar a mais adequada medida cautelar restritiva da liberdade. Cuida-se da individualização da medida cautelar, vez que existem várias à disposição do magistrado para a aplicação ao caso concreto 3 Muito embora sejam as condições favoráveis ao paciente, não se olvide estar respondendo à ação penal pelo cometimento de suposto crime de tráfico de drogas, demonstrando-se pertinente o recolhimento domiciliar noturno e nos dias de folga, o qual o acusado deve recolher-se à sua casa todos os dias, o período noturno, bem como nos fins de semana 3 NUCCI, Guilherme de Souza, Prisão e Liberdade, RT, p.27,28. Habeas Corpus nº 2002031-03.2016.8.26.0000 9

e dias de folga, evitando-se que se mantenha em contato social, quando fora de sua atividade laborativa e o comparecimento mensal em juízo, que visa o acompanhamento da vida do sujeito, durante o inquérito ou processo, constituindo medida positiva; afinal, se não cumprir ou se apresentar conduta incompatível com as atividades esperadas de quem responde a processocrime, pode ser preso preventivamente 4 Ante o exposto, pelo meu voto, concedo a ordem impetrada, nos moldes da liminar já expedida. GUILHERME DE SOUZA NUCCI Relator 4 NUCCI, Guilherme de Souza, Prisão e Liberdade, RT, p.82, 84 e 85. Habeas Corpus nº 2002031-03.2016.8.26.0000 10