Música tradicional dos Açores



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Transcrição:

Música tradicional dos Açores As principais formas musicais dos Açores são a chamarrita, o pezinho e a sapateira. É nos instrumentos de cordas que reside a grande riqueza da música tradicional açoreana. A viola açoreana ou micaelense é diferente da viola terceirense. O toque da viola continua a ouvirse durante as matanças de porco, nos desafios e despiques nos festejos do Espírito Santo. Os foliões, grupos instrumentais cuja composição varia de ilha para ilha, são o elemento principal das festividades. Em certos locais, os cantos são acompanhados por tambores, testos e sistros, mas a grande maioria dos foliões canta com um variado acompanhamento instrumental. A tocata é formada por viola da terra ou de arame, violão, tambor e ferrinhos. A tradição musical das ilhas inclui também o romanceiro. Instrumentos mais importantes: guitarra; rabeca; violão; viola micaelense, conhecida por viola de arame ou viola da terra e viola terceirense (tocada por todas as classes sociais, no campo ou cidade); bandolim e bandola; cavaquinho; tambor e testos; ferrinhos. Conjuntos instrumentais:

Chamarrita A chimarrita, é uma dança típica do folclore gaúcho. Teve origem no Arquipélago dos Açores e na Ilha da Madeira, e foi trazida de Portugal por colonos açorianos, na segunda metade do séc. XVIII. A corruptela "Chimarrita foi a denominação mais usual dessa dança, entre os campeiros. A chimarrita tem como características o bater de pés e o bater de mãos. Pézinho Como nasceu o Pezinho da Vila? Terá vindo com os primeiros povoadores ou será criação local?

Segundo o Tenente José Dias, talvez o Pézinho da Vila tenha nascido em Vila Franca do Campo, e dali passou a generalizar-se por toda a Ilha, pelo sabor da sua melodia, ao aparentar-se com a essência das nossas restantes modas. O pézinho da Vila é um balho alegre, movimentado e cheio de vida. A sua linha metódica é curta; mas graciosa. É um balho de roda, com pares, balhadeiras à frente dos balhadores, braços elevados à altura do ombro, paralelos e semiarquiados; dedos como castanhetas a produzirem estalos. Acompanhamento - Violas da Terra, Violão, Tambor e Ferrinhos Forma estrófica - Sextilhas com sentido humorístico Passo - De Polca Pares - Em nº par ou ímpar Movimentos - Quarto Folclore açoriano Os grupos folclóricos, como as bandas filarmónicas, constituem as manifestações mais representativas da cultura popular que nos distingue e valoriza. O folclore açoriano simboliza um património coletivo que assume e acumula identidade etnográfica, importância cultural, longevidade histórica, abrangência social, representatividade geográfica, representação regional. Identidade etnográfica, porque preserva e apresenta os traços característicos do nosso povo, quer nas suas ambiências comuns, quer nas suas especificidades locais. Importância cultural, porque recupera e valoriza a nossa diferença identitária e ancestral num tempo tendencialmente uniformizado pela globalização. Longevidade histórica, porque representa uma ininterrupta tradição açoriana que remonta a meados do século passado de que é exemplo, entre outros, o Grupo Folclórico da Casa do Povo da Candelária, na ilha do Pico, fundado em 1949.

Abrangência social, porque existem atualmente nos Açores cerca de 60 grupos folclóricos em atividade, mobilizando assim mais de 2000 componentes de diferentes gerações. Representatividade geográfica, porque há grupos folclóricos em meia centena de freguesias de todos os 19 concelhos das 9 ilhas dos Açores, desde Santa Maria até ao Corvo. Representação regional, porque um grupo folclórico de qualquer ilha dos Açores que represente a Região no exterior assume-se como verdadeiro embaixador da cultura açoriana. Contudo, os nossos grupos folclóricos confrontam-se atualmente com dificuldades financeiras generalizadas que, nalguns casos, ameaçam mesmo a sua própria sobrevivência. A preservação e o desenvolvimento do folclore açoriano requerem uma especial atenção a aspetos determinantes da atividade destes grupos. Em primeiro lugar, a aquisição e/ou reparação dos trajes típicos e dos instrumentos adequados e mesmo de viaturas próprias destinadas ao transporte do grupo para as suas exibições públicas. Em segundo lugar, os encargos correntes de consumo de energia elétrica das suas sedes sociais que, nalguns casos, constituem verdadeiros museus locais de caráter e interesse etnográfico, de que é exemplo, entre outros, o Grupo Folclórico e Etnográfico da Ribeirinha Recordar e Conhecer, na ilha Terceira. Em quarto lugar, a necessidade de transpor a fatalidade da distância, que nos penaliza no contexto nacional, para levar ao exterior da Região, com comprovada conveniência regional, a manifestação cultural que melhor simboliza a identidade açoriana. Em quinto lugar, o reconhecimento da importância sociocultural e turístico económica de festivais de folclore de âmbito regional, nacional ou internacional organizados localmente por grupos açorianos de que é exemplo, entre outros, a Mostra Folclórica do Atlântico, anualmente promovida pelo Grupo Folclórico de Cantares e Balhados da Relva, na ilha de São Miguel. O interesse público da atividade desenvolvida pelos nossos grupos folclóricos e a difícil situação financeira que atualmente penaliza ou ameaça a sua existência impõem uma especial atenção dos órgãos de governo próprio da Região Autónoma dos Açores. Instrumentos musicais:

Viola micaelense, de arame ou da terra A origem da viola da terra está relacionada com a presença da viola portuguesa ou "guitarra", trazida do continente português no início do povoamento das ilhas dos Açores.1 A viola da terra é "irmã" das violas braguesa, toeira, amarantina, caipira, e da viola de arame madeirense, tendo sofrido uma evolução diferente devido ao isolamento que condicionava a vivência nos Açores.2 Nas Saudades da Terra, de Gaspar Frutuoso, primeiro cronista açoriano, são várias as referências a tocadores ou "tangedores" de viola da terra. Porém, até ao século XIX, altura em que surgem em gravuras alusivas a festividades populares representações da viola açoriana, desconhece-se a sua evolução, bem como o desenvolvimento das suas respetivas características. Nos Açores, foram muitos os artesãos que se dedicaram à arte de construir violas da terra, os quais na sua maioria permanecem desconhecidos. Este saber, transmitido de geração em geração, permitiu que muitos desses artífices sustentassem (de forma exclusiva ou não) as suas famílias com a construção destes instrumentos musicais. Trabalho realizado por: Gonçalo Pinto 7ºk Julia 7ºk Luis 7ºk

PARA MAIS INFORMAÇÕES CONSULTAR: http://cvc.instituto-camoes.pt/conhecer/mapa-etno-musical.html