Destaque do mês de Maio - Nº 22 www.cnf.org.br STJ: transporte interno de mercadorias entre o estabelecimento produtor e o porto ou aeroporto alfandegado, ainda que posteriormente exportadas, não configura transporte internacional de cargas. A 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) julgou recurso especial e afastou a regra de isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da MP n. 2.158-35/2001. Os Ministros entenderam que o transporte interno de mercadorias entre o estabelecimento produtor e o porto ou aeroporto alfandegado, ainda que posteriormente exportadas, não configura transporte internacional de cargas. Após o voto-vista do Ministro Humberto Martins, acompanhando o relator, Ministro Castro Meira, a turma, por maioria, deu provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, vencido o Ministro Cesar Asfor Rocha. (REsp 1.251.162-MG, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 8/5/2012). TRFs vão reavaliar o FAP Os Tribunais Regionais Federais (TRFs) da 1ª e da 4ª Região resolveram remeter para julgamento por suas Cortes Especiais duas ações que tratam do Fator Acidentário de Prevenção (FAP), mecanismo adotado pela Previdência Social para reduzir ou aumentar as alíquotas da contribuição ao Riscos Ambientais do Trabalho (RAT) - antigo Seguro Acidente de Trabalho (SAT). Os contribuintes, que atualmente estão perdendo a disputa, apostam em uma possível mudança de entendimento nesses tribunais. A questão, porém, será resolvida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), onde tramitam duas ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs) ajuizadas pela Associação Brasileira das Empresas de Refeições Coletivas (Aberc) e Confederação Nacional do Comércio (CNC). As empresas alegam que, embora o mecanismo esteja previsto em lei (art. 10 da Lei nº 10.666/2003), coube a decretos e resoluções do Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS) estabelecer a metodologia de cálculo, o que contraria a Constituição Federal e o Código Tributário Nacional (CTN). As mudanças no cálculo do antigo Seguro Acidente de Trabalho entraram em vigor em 2010 e foram questionadas por inúmeros Ano 03 Nº 22 31 de maio de 2012
- Nº 21 www.cnf.org.br contribuintes. Com a adoção do FAP, que varia de 0,5 a dois pontos percentuais, as alíquotas da contribuição (de 1% a 3%) podem ser reduzidas à metade ou dobrar, chegando a 6% da folha de pagamentos. A 8ª Turma do TRF da 1ª Região acolheu o incidente de arguição de inconstitucionalidade. Para a relatora do caso, Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, o artigo 10 da Lei nº 10.666/2003, com a redação dada pelos Decretos 6.042/2007 e 6.957/2009, está eivado de ilegalidade e de inconstitucionalidade". Portaria 623, de 22 de maio de 2012 reduz o teto máximo de juros para as operações de empréstimo pessoal e cartão de crédito consignados em benefício previdenciário. O Presidente do Instituto Nacional do Seguro Social fez publicar a Portaria 623, de 22 de maio de 2012, que reduziu o teto máximo de juros ao mês para as operações de empréstimo pessoal e cartão de crédito consignados em benefício previdenciário. 2
Índice I- Julgamentos no CARF... 4 1.1. CARF: bolsa de valores terá que pagar tributos relativos à desmutualização. II- Julgamentos no Supremo Tribunal Federal... 5 2.1. STF: Guerra Fiscal: ADI contra benefício fiscal será julgada sem a análise da liminar. III- Julgamentos no Superior Tribunal de Justiça... 5 3.1. STJ: transporte interno de mercadorias entre o estabelecimento produtor e o porto ou aeroporto alfandegado, ainda que posteriormente exportadas, não configura transporte internacional de cargas. IV- Julgamentos no Tribunal Superior do Trabalho... 6 4.1. TST: Justiça do Trabalho pode executar, de ofício, contribuições previdenciárias fixadas na comissão de conciliação prévia. V - Julgamentos nos Tribunais Regionais Federais... 6/7 5.1. TRFs vão reavaliar o FAP VI - Publicações no Diário Oficial da União... 7 6.1. Portaria 206, de 15 de maio de 2012 - datas de vencimento do PIS/PASEP e da Cofins. 6.2. Portaria 623, de 22 de maio de 2012 reduz o teto máximo de juros para as operações de empréstimo pessoal e cartão de crédito consignados em benefício previdenciário. 3
I JULGAMENTOS NO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF). 1.1. CARF: bolsa de valores terá que pagar tributos relativos à desmutualização. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) julgou dois recursos interpostos por corretoras de valores e bancos de investimento contra os lançamentos de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre a operação de desmutualização da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&FBovespa). A BM&FBovespa foi criada em maio de 2008, após a junção da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) com a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). A desmutualização consistiu no processo de transformação da Bovespa, uma associação civil isenta de IRPJ e CSLL, em uma sociedade empresarial anônima, a BM&FBovespa. As corretoras de valores e bancos de investimento, que eram associadas obrigatórias da Bovespa e da BM&F para poderem operar no mercado financeiro, passaram, desse modo, a ser acionistas da BM&FBovespa. A Bovespa e a BM&F deixaram de ser associações civis sem fins lucrativos, o que acarretou a devolução dos seus títulos patrimoniais às corretoras de valores por meio de ações com valor de mercado da BM&FBovespa. O Fisco entendeu, então, que, ao receberem esses títulos patrimoniais em ações, as corretoras obtiveram um ganho contábil, o que seria objeto da incidência de tributos (IRPJ e CSLL). As defesas dos contribuintes sustentaram que não se cuida de aferição de lucro, até porque a BM&F e a Bovespa não possuíam fins lucrativos, mas a operação constituiu permuta de títulos por ações, sem a alteração patrimonial. Dessa forma, o ganho real somente poderia ser caracterizado com o aumento no patrimônio líquido. Entendem que o resultado positivo da aquisição só se verifica com a disponibilidade para distribuição do lucro, não havendo sujeição à tributação enquanto não se implementar a alienação do investimento. Os processos tiveram como relator o auditor da Receita, conselheiro Marcos Rodrigues de Mello, presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção, que entendeu não ter havido uma cisão da antiga bolsa de valores, mas sim a devolução do patrimônio aos associados. Como a norma isentiva das associações civil proibia eventual distribuição de ganhos às corretoras, o conselheiro manteve a cobrança dos tributos. O relator foi acompanhado pelos conselheiros Waldir Veiga Rocha, Guilherme Polastri Gomes da Silva e Diniz Raposo e Silva. A divergência, pela não incidência fiscal, foi capitaneada pelo conselheiro Eduardo de Andrade e pela conselheira Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira. 4
II JULGAMENTOS NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). 2.1. STF: Guerra Fiscal: ADI contra benefício fiscal será julgada sem a análise da liminar. O Supremo Tribunal Federal (STF) irá adotar o rito abreviado de julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) ajuizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM), que busca suspender benefício fiscal instituído pelo Estado de Pernambuco. Dessa forma, a Adin será julgada em definitivo pelo plenário do STF sem a apreciação do pedido liminar pelo relator, o Ministro Gilmar Mendes. A ação da CNTM questiona a lei e o decreto que instituíram o Programa de Estímulo à Atividade Portuária. Esse programa tem como objetivo ampliar o volume de importações daquele Estado. Segundo a autora, a Lei Estadual nº 13.942, de 2009, concedeu créditos do ICMS e reduziu a base de cálculo do imposto na importação de mercadorias. O benefício, porém, não teria sido autorizado pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), como impõe a Constituição Federal. A Ministra Rosa Weber recentemente também negou o pedido do estado de Goiás para suspender a aplicação de uma norma do Estado de São Paulo que impede o aproveitamento de créditos do ICMS decorrentes de benefícios fiscais concedidos sem aprovação do Confaz. III JULGAMENTOS NO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (STJ). 3.1. STJ: transporte interno de mercadorias entre o estabelecimento produtor e o porto ou aeroporto alfandegado, ainda que posteriormente exportadas, não configura transporte internacional de cargas. A 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) julgou recurso especial e afastou a regra de isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da MP n. 2.158-35/2001. Os Ministros entenderam que o transporte interno de mercadorias entre o estabelecimento produtor e o porto ou aeroporto alfandegado, ainda que posteriormente exportadas, não configura transporte internacional de cargas. Após o voto-vista do Ministro Humberto Martins, acompanhando o relator, Ministro Castro Meira, a turma, por maioria, deu provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, vencido o Ministro Cesar Asfor Rocha. (REsp 1.251.162-MG, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 8/5/2012). IV JULGAMENTOS NO TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO (TST). 5
4.1. TST: Justiça do Trabalho pode executar, de ofício, contribuições previdenciárias fixadas na comissão de conciliação prévia. A Subseção I Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho (TST), vencidos os ministros Lelio Bentes Corrêa e Maria Cristina Peduzzi, decidiu que a Justiça do Trabalho é competente para execução de ofício das contribuições previdenciárias referentes ao valor fixado no termo da Comissão de Conciliação Prévia. A decisão foi tomada após o provimento de um recurso da União contra decisão da Oitava Turma do TST. A Turma havia declarado a incompetência da Justiça do Trabalho para executar, de ofício as contribuições previdenciárias incidentes sobre acordo firmado perante Comissão de Conciliação Prévia. Para a Turma, o termo lavrado na conciliação é título executivo extrajudicial, e, portanto não inserida na competência da Justiça do Trabalho prevista no art. 114, inc. VIII da CF. Em seu recurso de embargos à SDI-1, a União sustenta que a hipótese se enquadra no artigo 114, IX da CF, que autoriza a Justiça do Trabalho a julgar "outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho". Para a União o texto constitucional autoriza que a execução dos acordos homologados nas comissões de conciliação prévia seja da competência da Justiça do Trabalho o que por consequência lhe daria competência para a execução das contribuições previdenciárias que delas decorressem. O relator na SDI-1, Ministro José Roberto Freire Pimenta acompanhou esse entendimento e acrescentou que a CLT já autoriza a execução na forma da execução trabalhista dos termos firmados perante as conciliações prévias, impondo também a competência para executar o título executivo extrajudicial ao juiz que teria competência para o processo de conhecimento relativo à matéria. Da mesma forma, a Lei 11.941/2009 determina expressamente a incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos nas Comissões de Conciliação Prévia. (RR-40600-80.2009.5.09.0096) V JULGAMENTOS NOS TRIBUNAIS REGIONAIS FEDERAIS (TRFs). 5.1. TRFs vão reavaliar o FAP Os Tribunais Regionais Federais (TRFs) da 1ª e da 4ª Região resolveram remeter para julgamento por suas Cortes Especiais duas ações que tratam do Fator Acidentário de Prevenção (FAP), mecanismo adotado pela Previdência Social para reduzir ou aumentar as alíquotas da contribuição ao Riscos Ambientais do Trabalho (RAT) - antigo Seguro Acidente de Trabalho (SAT). Os contribuintes, que atualmente estão perdendo a disputa, apostam em uma possível mudança de entendimento nesses tribunais. A questão, porém, será resolvida pelo 6
Supremo Tribunal Federal (STF), onde tramitam duas ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs) ajuizadas pela Associação Brasileira das Empresas de Refeições Coletivas (Aberc) e Confederação Nacional do Comércio (CNC). As empresas alegam que, embora o mecanismo esteja previsto em lei (art. 10 da Lei nº 10.666/2003), coube a decretos e resoluções do Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS) estabelecer a metodologia de cálculo, o que contraria a Constituição Federal e o Código Tributário Nacional (CTN). As mudanças no cálculo do antigo Seguro Acidente de Trabalho entraram em vigor em 2010 e foram questionadas por inúmeros contribuintes. Com a adoção do FAP, que varia de 0,5 a dois pontos percentuais, as alíquotas da contribuição (de 1% a 3%) podem ser reduzidas à metade ou dobrar, chegando a 6% da folha de pagamentos. A 8ª Turma do TRF da 1ª Região acolheu o incidente de arguição de inconstitucionalidade. Para a relatora do caso, Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, o artigo 10 da Lei nº 10.666/2003, com a redação dada pelos Decretos 6.042/2007 e 6.957/2009, está eivado de ilegalidade e de inconstitucionalidade". VI- PUBLICAÇÕES NO DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO. 6.1. Portaria 206, de 15 de maio de 2012 - datas de vencimento do PIS/PASEP e da Cofins. Foi publicada no Diário Oficial da União (DOU), pelo Ministro de Estado da Fazenda, a Portaria 206, de 15 de maio de 2012, que prorroga as datas de vencimento da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em relação aos fatos geradores ocorridos em abril e maio de 2012, que está disponível no site da Receita Federal no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br. 6.2. Portaria 623, de 22 de maio de 2012 reduz o teto máximo de juros para as operações de empréstimo pessoal e cartão de crédito consignados em benefício previdenciário. O Presidente do Instituto Nacional do Seguro Social fez publicar a Portaria 623, de 22 de maio de 2012, que reduziu o teto máximo de juros ao mês para as operações de empréstimo pessoal e cartão de crédito consignados em benefício previdenciário. 7