BIOQUÍMICA DA DEPRESSÃO

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Transcrição:

BIOQUÍMICA DA DEPRESSÃO DAIANE PATRICIA MOREIRA 1 ; ANA GABRIELLY BEFFA; LARISSA FERREIRA KUSMINSKI. 1 ; LETICIA PAIOLA SOARES 1 ; MIKALOUSKI, UDSON 2 RESUMO A depressão é um transtorno mental que pode significar tanto um sintoma de vários distúrbios emocionais que se desencadeiam através de traumas, má qualidade de vida ou uma doença mental. A bioquímica tenta explicar a relação da depressão ao hipofuncionamento bioquímico da atividade de certos neurotransmissores, como a serotonina e a norapinefrina. Palavras-chave: Norapinefrina, neurotransmissores, serotonina. ABSTRACT Depression is a mental disorder that can mean both a symptom of various emotional disorders that are triggered by traumas, poor quality of life or a mental illness. Biochemistry attempts to explain the relationship of depression to the biochemical hypofunction of the activity of certain neurotransmitters, such as serotonin and norepinephrine. Keywords: Norepinephrine, neurotransmitters, serotonin. INTRODUÇÃO A depressão é uma doença de alta relevância hoje em dia, que afeta não só a pessoa como também a família e a sociedade (COSTA, 2018). Existem vários fatores que podem afetar as substancias neurotransmissoras, bem como: emoções fortes, drogas, medicamentos, alucinógenos em excesso, infecções, inflamações crônicas, pressões (stress) continuas, hábitos pessoais como álcool, fumo e alimentação rica em gordura trans. 1 Discente do curso de Fisioterapia da Faculdade de Apucarana FAP. 2 Docente do curso de Fisioterapia da Faculdade de Apucarana FAP.

Essas situações contribuem para causar estresses celulares causando descontroles de comunicações intra e inter celulares (COSTA, 2018). As principais características clinicas indicadoras da depressão são: a perda do prazer, sensação de inutilidade, fadiga, perda ou ganho de peso, dificuldade de concentração, insônia ou hipersonia, sendo considerado pelos psiquiatras o quadro depressivo quando ha pelo menos quatro das manifestações citadas (COSTA, 2018). As causas da depressão envolve vários fatores, entre eles estão: alterações genéticas, deficiência alimentar do aminoácido triptofano, fatores epigenéticos, entre outros (SHIRATORI, 2011). A maioria dos medicamentos antidepressivos atua justamente aumentando os níveis de neurotransmissores, porém não causam dependência. Especialistas tentaram localizar quais regiões do cérebro que eram afetadas pelo transtorno e relacionar tais áreas aos sintomas. De fato, existem alguns locais no cérebro mais prejudicados: em especial, o sistema límbico (responsável por controlar as emoções) e o hipotálamo (ligado às sensações de fome, sede, sono, desejo sexual, etc.) (SHIRATORI, 2011). Os antidepressivos atuam diretamente no cérebro, modificando e corrigindo a transmissão neuro-química em áreas do sistema nervoso que regulam o estado do humor (o nível da vitalidade, energia, interesse, emoções e a variação entre alegria e tristeza), quando o humor está afetado negativamente num grau significativo (COSTA, 2018). Há três classes de fármacos usados na depressão: inibidores dos transportadores das monoaminas (triciclicos), inibidores seletivos do transportador da serotonina (SSRIs) e inibidores da enzima MAO. Estes fármacos funcionam aumentando as concentrações de dopamina, noradrenalina e serotonina entre os neurônios (sinapses). Deste modo aumenta a excitação nas vias cerebrais cujos neurônios utilizam estes neurotransmissores, que são aquelas relacionadas com o bem-estar emocional. A OMS divulgou que sua incidência é notavelmente maior em mulheres (SHIRATORI, 2011).

OBJETIVO Entender os mecanismos bioquímicos associados a depressão. METODOLOGIA Foi utilizada revisão bibliográfica, com buscas em artigos, livros e sites especializados. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os episódios depressivos relacionam-se, principalmente, aos níveis das substâncias químicas chamadas de neurotransmissores, responsáveis pela comunicação efetiva entre neurônios. O espaço entre esses dois neurônios é chamado sinapse (ou fenda sináptica). Durante a comunicação entre células nervosas, é nessa região que os neurotransmissores são lançados pelo primeiro neurônio, por exocitose, e alcança o neurônio seguinte, acoplando em seus neuroreceptores, o que provoca um aumento da condutância da membrana plasmática pós-sináptica a íons de sódio e potássio, assim transmitindo dessa forma a informação desejada entre cada um deles. Uma reação especifica ocorrera no neurônio receptor dependendo do neurotransmissor emitido. Logo, sendo sensações e emoções reações químicas do organismo, uma alteração nos níveis dos neurotransmissores gera alterações psicológicas e físicas no corpo do indivíduo (QUEIROZ, 2015). A depressão está relacionada ao hipofuncionamento bioquímico da atividade de certos neurotransmissores, sendo que noradrenalina, a dopamina, e a serotonina (5-hidroxitriptamina ou, simplesmente, 5-HT) merecem importante destaque. Quando uma ou mais dessas substancias não se encontram em quantidade suficiente no espaço da sinapse, os hormônios causadores de emoções como alegria, euforia e bem-estar não são produzidos pelo sistema nervoso e iniciam-se, então, os indícios da depressão (SHIRATORI, 2011).

Como se pode perceber, na depressão, o número de neurotransmissores disponíveis na fenda sináptica é muito inferior ao número de neuroreceptores específicos (SHIRATORI, 2011). A 5-HT ou 5-hidroxitriptamina é uma indolamina, produto da hidroxilação e carboxilação do aminoácido triptofano. É produzida nos núcleos da rafe e lançada em todo o cérebro. A atividade da 5-HT como um neurotransmissor é bem complexa. No caso da depressão sua ação está relacionada indiretamente no controle dos níveis de adrenalina (FEIJÓ; BERTOLUCCI; REIS, 2010). Na tabela abaixo podemos observar, os variados sintomas que temos na depressão, sintomas físicos e mentais. doença. Muitas pessoas sofrem com a depressão e ainda não reconhecem como

CONCLUSÃO A depressão é um problema de saúde pública. Embora não se tenha um cálculo exato, estima-se que cerca de 30% da população mundial sofra de depressão. Nesse trabalho podemos entender que a depressão é uma doença que pode ter cura através de tratamento. Embora a família tenha uma grande função no tratamento da doença, com atenção e afeto. Quimicamente, a depressão é causada por um defeito nos neurotransmissores. Para o tratamento da depressão são rotineiramente usados antidepressivos, que têm por objetivo inibir a recaptação dos neurotransmissores e manter um nível elevado dos mesmos na fenda sináptica. REFERÊNCIAS COSTA, R. Bioquímica da Depressão 2. Acesso: 09/09/2018. Disponível em: <https://www.passeidireto.com/arquivo/37216721/resumo-bioquimica-da-depressao- 2> FEIJÓ, M. F.; BERTOLUCCI C. M.; REIS C. Seretonina e controle hipotalâmico da fome: uma revisão. Acesso: 09/09/2018. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ramb/v57n1/v57n1a20.pdf> QUEIROZ, L. Depressão e Bioquímica Cerebral: Além do Aspecto Psicológico. Acesso 09/09/2018. Disponível em: <http://jpress.jornalismojunior.com.br/2015/05/depressao-bioquimica-cerebral-alemaspecto-psicologico/> SHIRATONI, L. Bioquímica da Depressão. Acesso: 09/09/2018. Disponível em: <http://neuromed92.blogspot.com/2010/11/bioquimica-da-depressao.html>