Guia Rápido de Redação para Concursos Públicos Saiba como começar a se preparar para a disciplina que ainda elimina centenas de milhares de candidatos todos os anos.
Redação: o segredo dos concurseiros que são aprovados As provas de concursos têm se tornado cada vez mais discursivas, sendo uma tendência crescente nos concursos em todo o país. Isto significa que os exames atuais exigem que o candidato escreva mais, seja respondendo a questões específicas, ou desenvolvendo uma redação. Afinal, se a prova escrita é tão importante, o que ela quer avaliar? 1. Qual o perfil dos candidatos? Assim como nas provas do Vestibular, as instituições examinadoras têm inserido questões que possam identificar se o candidato tem o perfil para assumir aquela vaga. As questões de múltipla escolha sem considerar o fator sorte geralmente testam se o concurseiro domina ou não o conteúdo, mas não a sua capacidade de elaborar, falar ou utilizar essas noções na prática. 2. O candidato está preparado para assumir as suas funções? Os concursos públicos buscam por candidatos que estejam preparados não somente para a prova, mas para assumir suas responsabilidades de trabalho no dia-a-dia. Já que a modalidade oral, como a entrevista, não é frequente na maioria dos concursos, a redação é uma oportunidade para o concurseiro expressar opiniões e dar evidências sobre as suas habilidades de organização, coesão, coerência e argumentação. Os avaliadores reparam não somente o que você escreve, mas como você escreve. 3. O candidato domina a habilidade escrita e formal da língua portuguesa? Considerando que as relações de trabalho são cada vez mais mediadas por computadores e canais digitais, escrever passa a ser uma habilidade central. Com certeza, a escrita de documentos, relatórios, comunicados internos ou externos, e outros tipos de textos, é uma atividade que fará parte do seu futuro
trabalho. Além disso, a prova discursiva pretende descobrir se o concurseiro sabe utilizar a variante formal da língua (sem gírias e com o uso da norma culta, aquela que a gente aprende nos livros de gramática e na escola!). O sucesso do concurseiro depende da preparação e desenvolver a habilidade escrita prepara o concurseiro para além da prova. Portanto, investir para melhorar a sua redação é investir em você para o futuro! Meu Concurso tem Redação... e agora?! Escrever uma redação dissertativa (na maioria das vezes, ela deve ser argumentativa) não é uma tarefa tão simples quanto parece, mesmo para aqueles que escrevem diariamente diversos e- mails e relatórios no trabalho. E por que é difícil: o tipo do texto é diferente. Dissertar e argumentar sobre um determinado tema pedido em uma prova de concurso público não é o mesmo que enviar um e-mail apresentando um orçamento sobre um determinado produto. É preciso conhecer o gênero textual e estratégias argumentativas, saber criar uma tese, saber introduzir o assunto a ser falado, entre outras coisas. E isso não se aprende do dia para noite. Há editais que dizem que a redação vale metade da prova Metade da prova significa muitos pontos em jogo! No início, a maioria se desespera, pois nunca foi muito bem em redação na escola, mas depois buscam alguma solução, achando que algo como quatro aulas bastaria. Entretanto, escrever textos dissertativos argumentativos não é o mesmo que decorar uma nova fórmula de física, pois aprender a escrever é um processo que leva um certo tempo, pois implica em muita prática e muita leitura de outros textos. Se o empenho for fraco e pouco duradouro, a nota em redação será baixa e o concurseiro estará numa péssima situação. Para escrever bem uma redação dissertativa argumentativa, deve-se
começar a estudar com antecedência, praticar muito, ler textos de outros autores, como artigos de opinião em revistas e jornais de grande circulação. É essencial ter um conteúdo para estudo de ótima qualidade e também ter alguém para ler os seus textos, de preferência algum especialista da área de redação. Utilizando as informações do edital para fazer uma excelente redação O exame do concurso não começa no dia da prova, no momento em que você pega o caderno de questões e passa a resolver exercícios, escrever a redação e preencher o gabarito. O exame, na verdade, começa a partir da leitura do edital. Ler os editais atentamente é crucial para uma boa preparação para os concursos. Conhecer a fundo o edital pode fazer diferença no seu desempenho, especificamente na prova de redação. O edital oferece informações valiosas sobre o tipo de texto que você terá que elaborar e mostra as informações essenciais da prova discursiva, como o tipo de caneta, quantidade de linhas a escrever, o tema da redação (que será relacionado com temas das outras disciplinas do concurso, neste caso específico), etc. A folha da redação definitiva deve ser impecável, sem rasuras, portanto, reserve o tempo necessário para que sua letra seja legível e o texto compreensível. O tempo da prova não permite, na maioria dos casos, que se faça um rascunho. Portanto, o ideal é que você faça um planejamento de parágrafos, com as ideias centrais que vai explorar em um rascunho, pensando na melhor forma de expressar e elaborar seus argumentos. Há muitos casos de candidatos que não chegam a entregar uma boa redação completa, porque perderam muito tempo no rascunho. Lembre-se que a folha de rascunho não é considerada na avaliação. Os critérios de avaliação também dizem muito sobre a prova: conhecimento e adequação ao tema proposto, capacidade de uso da modalidade escrita da língua, em registro formal, ou seja, nada de
gírias, abreviações, ou usos coloquiais do português. O texto de gênero dissertativo requer que o autor apresente argumentos de forma indireta. A estrutura do texto não deve ser nem longa demais por isso evite encher linguiça com informações desnecessárias e nem curta. Na dissertação, é esperado que o autor apresente uma introdução bem contextualizada, que possa apresentar a hipótese ou a tese central do texto; um desenvolvimento das ideias do autor por meio de exemplos, dados e argumento; e uma conclusão coerente com os parágrafos anteriores, com a proposta de soluções ou mesmo a reflexão final sobre o tema do texto. Gêneros textuais na redação dos concursos públicos Para se sair bem na prova de redação, não basta saber escrever uma boa dissertação. É cada vez mais necessário dominar a escrita de diferentes tipos textos e gêneros discursivos, como cartas, editoriais, artigos de opinião, entre outros. Primeiro, vamos entender o que são gêneros discursivos. Trata-se de conjuntos de textos com o mesmo formato e estilo que apresentam características semelhantes e estão presentes em todas as esferas da nossa vida do bate-papo informal na mesa de bar com os amigos, ao relatório financeiro que deve ser apresentado em uma reunião de trabalho. Isso quer dizer que você já utiliza gêneros discursivos variados, dos mais formais aos informais, o que é uma ótima notícia. Agora, basta saber que tipos de gêneros específicos são mais pedidos nas provas de redação do concurso que vai prestar. Assim como nas provas de vestibular, os concursos podem exigir que o candidato elabore uma dissertação sobre um assunto específico e atual. Neste tipo de texto, devemos apresentar uma introdução bem contextualizada, um desenvolvimento coerente e uma conclusão, sem que o autor do texto apareça de forma explícita. Por isso, o ideal é empregar pronomes da terceira pessoa ao invés da primeira, o que evidencia um distanciamento do autor em relação ao que ele escreve.
A dissertação é apenas um dos tipos de textos que podem ser exigidos em concursos públicos. Veja este exemplo, retirado do concurso para Técnico em Educação elaborado pela CESPE: A partir do texto lido e de conhecimentos sobre o assunto, elabore um artigo de opinião, entre 25 e 30 linhas, apresentando o seu posicionamento sobre a influência das fofocas no ambiente de trabalho. Aborde como a fofoca pode alterar a autoestima dos profissionais e modificar vidas. O texto deve ser destinado aos seus futuros colegas, com a possibilidade de ser exposto no seu local de trabalho. Depois da leitura de um texto sobre a fofoca no trabalho publicado em um site, a proposta pede para que o candidato elabore um artigo de opinião sobre o mesmo assunto. A proposta também destaca o público alvo do texto e o local de sua possível publicação, o mural do seu local de trabalho. Diferentemente da dissertação, o artigo de opinião pede para que o autor coloque sua opinião sobre determinado assunto de forma explícita. Por isso, o uso dos pronomes da primeira pessoa do singular ( eu, na minha opinião, a meu ver, etc.). Enquanto a dissertação pode apresentar propostas para a solução de um problema, o artigo de opinião propõe um posicionamento do autor em relação a um problema. Resumindo, os estilos, os recursos gramaticais e a forma do texto são diferentes. Ficam aqui duas grandes dicas: 1. Quando se deparar com a proposta de redação do seu exame, preste muita atenção ao que o enunciado pede: qual é o tipo de texto (a que gênero ele pertence), para quem ele será escrito, sobre que assunto. Utilize todas essas informações para elaborar a redação. 2. Quanto mais gêneros e tipos de textos você dominar, mais chances terá de redigir boas redações. Portanto, procure ter contato com textos escritos e publicados em jornais, revistas tanto impressos, quanto digitais de gêneros mais variados possíveis. Observe a sua estrutura e as suas características,
como o emprego de títulos, referências bibliográficas, dados, presença do autor. Dessa forma, você poderá reproduzir com mais facilidade os textos pedidos no concurso. Exterminando a síndrome do não sei escrever! Você não pode ficar perdido ao ler a proposta de redação, precisa superar aquele momento em que você pode se perguntar: E agora, por onde eu começo?. Estando lá, diante da folha em branco, a primeira coisa a se fazer é ler o enunciado com atenção e compreender o que pede a proposta. Você pode pensar: Mas há tanta coisa a dizer sobre esse tema, por onde começo?. Sim, um tema pode ser abordado de várias maneiras, a partir de ideias diferentes, mas é aí que entra sua primeira ação como candidato que está sendo avaliado: recortar e selecionar ideias para defender um determinado ponto de vista. Por exemplo, vamos supor que o tema da redação seja A corrupção no Brasil. O tema, por si só, não te dá nenhuma diretriz sobre como abordá-lo, então cabe a você pensar quais ideias podem ser selecionadas. Você pode fazer isso definindo primeiro uma tese a ser defendida, para depois elencar as ideias que podem defendê-la ou o inverso, primeiro você pode pensar em algumas ideias e verificar se elas podem ser trabalhadas em torno de um ponto de vista. O importante, neste momento, é definir um foco para o seu texto e selecionar as ideias que se relacionem de modo adequado a este foco. Isso é o que chamamos projeto de texto. Outro ponto importante é observar quais elementos a proposta te dá, pois muitas provas de redação oferecem ao
candidato o que podemos chamar de coletânea ou textos de apoio, que podem te ajudar a entender um pouco mais sobre o tema (caso você não tenha domínio sobre ele), a definir seu projeto de texto e fortalecer seus argumentos. Assim, nada de pânico na hora de ler a proposta de redação! Respire fundo, leia a proposta com cuidado e procure extrair tudo o que ela pode te oferecer. E não se esqueça: procure conhecer o tipo de prova que você irá realizar. Para elaborar seu projeto de texto, procure ao seu lado ou no verso da prova. Tenho certeza de que você tem mais de uma folha em branco por perto. Pegue esta segunda folha e comece a planejar. Não se preocupe em construir o texto logo no início, como se fosse um rascunho. Não é esse o objetivo! Você precisa ler a proposta com atenção e depois ir listando as ideias, todas as ideias que forem surgindo. Não surgiram ideias? Então leia os textos de apoio, eles estão lá para isso mesmo! Não sabe como escrever uma palavra? Escreva do jeito que você entender, a ortografia agora não é o principal (ainda estamos na fase de projetar o texto!). O importante é você entender o que está pensando. E aí? Listou as suas ideias? É isso aí! Viu como você sabe escrever? Agora o problema é outro: selecionar. Selecione aquelas ideias que mais se encaixam à proposta e que têm relação entre si. Não fique triste, você pode usar essa ideia super legal que você teve, mas que não se encaixou aqui, em outro texto. Agora é só organizar o texto, acertar a ortografia e demais regras gramaticais e arrasar na redação! Muita força e motivação! Você vai chegar lá, e nós vamos ajudar com isso. A importância do curso de redação Neste processo, a figura do professor/corretor é fundamental, pois é ele que irá mostrar quais são as dificuldades que o aluno tem na produção de texto e
quais são os caminhos que ele deve seguir para melhorar cada vez mais. Por isso, se você quer se preparar bem, é importante fazer um curso de redação e ter o acompanhamento de um professor, pois de nada adianta escrever bastante e não saber se o seu texto está adequado ou não ao que é pedido pelos exames de concursos. Assim, estude o conteúdo que será exigido na prova objetiva, mas não descuide do estudo da redação, pois ele é igualmente importante.