Processo PGT/CCR/PP/Nº 7588/2014



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Transcrição:

Processo PGT/CCR/PP/Nº 7588/2014 Câmara de Coordenação e Revisão Origem: PRT 1ª Região. Interessados: 1. PRT 1ª Região 2. Copacabana Praia Hotel, Schipper engenharia LTDA Assunto: Fraudes Trabalhistas 03.01.04. Procurador Oficiante: Dr. Marco Antônio Sevidanes da Mata EMENTA RECURSO ADMINISTRATIVO. CONTRATO PELO REGIME DE ADMINISTRAÇÃO DE OBRAS. AUSÊNCIA DE FRAUDE TRABALHISTA. LICITA OPÇÃO CONTRATUAL. HOMOLOGAÇÃO DO ARQUIVAMENTO. 1. O contrato pelo regime de Administração de obras, também denominado preço de custo, é instituto pelo qual o contratante (dono da obra) assume a responsabilidade da contratação de mão de obra e a aquisição de todo o material envolvido na construção, limitando-se, o contratado, à execução e gestão técnica do empreendimento. 2. Ab initio, é de bom alvitre aclarar que essa modalidade de contrato não possui disciplinamento específico na legislação brasileira, foi desenvolvido com fulcro na liberdade contratual e respeitando princípios gerais e fundamentos da Teoria Geral dos Contratos. Existe, sim, o contrato de construção a preço de custo, tratando-se de um contrato de construção por administração, mas ele é específico para empreendimentos regulados pela Lei 4.591/64. Esse tipo de contrato tem características singulares que não se confunde com aqui explanado. 3. A referida sistemática substitui, com algumas vantagens, o tradicional e conhecido pacto de empreitada. O maior benefício dessa modalidade é à questão fiscal, isso porque, diversamente do que ocorre na empreitada, o PIS (Programa de Integração Social) e o Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) são recolhidos aos cofres públicos uma única vez. O dono da obra contrata diretamente os subempreiteiros e fornecedores sob a intervenção, gerenciamento e fiscalização da construtora/administradora. Ou seja, a empresa contratada 1

apenas fiscaliza (atuação técnica), se comprometendo em administrar apenas o interesse alheio. 4. No que diz respeito a responsabilidade Trabalhista, não é relevante essa escolha de modalidade contratual, em verdade, o dono da obra sempre é passível de responsabilização. O que garante segurança, portanto, é o compromisso particular existente entre ele e a construtora, pois esta é quem se compromete a assumir todos os ônus, mesmo que o cliente final seja demandado nas reclamatórias. Em outras palavras, sua segurança depende totalmente da idoneidade e da capacidade financeira da construtora contratada, e não da modalidade do contrato. O empregado demitido poderá demandar para qualquer dos lados, e a Justiça do Trabalho acolherá suas pretensões contra todos os que se encontram acima dele. 5. Os fatos demonstram que a denunciada celebrou pacto comum em nosso ordenamento não se afastando das regras que esse tipo de contrato exige. Os denunciados Schipper e Copacabana Praia Hotel demonstraram regularidade na celebração do contrato, ademais, a obra já foi encerrada, não ensejando maiores querelas trabalhista. Não houve, na espécie, fraude à legislação trabalhista. 6. Recurso conhecido e não provido. Relatório Trata-se de notícia de fato autuada a partir de denúncia sobre suposta terceirização irregular. O Procurador do Trabalho oficiante promoveu o indeferimento da instauração de inquérito civil sob o fundamento de ausência de indícios de terceirização irregular. Para tanto, alegou que não vislumbrou supostas lesões a direitos trabalhistas e aplicou, ao caso, o precedente 12 do CSMP. A denunciante, Dra. Janine Milbratz Fiorot, procuradora do Trabalho, da PRT da 1ª Região, pediu reconsideração do indeferimento (fls 105), alegando que a obra é gerenciada pela denunciada, empresa Schipper, que, por sua vez, busca se esquivar das responsabilidades trabalhistas contratando diversas empresas para realizar atividade fim. Ainda, declarou tratar-se de uma 2

tentativa, pela empresa, de se beneficiar da aplicação da OJ 191 do TST. Por fim, pediu, em caso de não reconsideração, que a manifestação fosse recebida com natureza recursal. O que foi deferido pelo membro oficiante, fls. 128. A Schipper Engenharia LTDA apresentou contrarrazões ratificando as razões da promoção de arquivamento e enaltecendo sua contratação como responsável técnica da obra e afirmando que a contratação dos empregados foi feita pelo Copacabana Praia Hotel, dono da obra. Ressalte-se que o referido hotel também apresentou contrarrazões ratificando a promoção de arquivamento. Admissibilidade É o Relatório. Conheço do Recurso Administrativo, porque atendido o prazo de 10 (dez) dias previsto no artigo 5º, parágrafo primeiro, da Resolução 69/2007 do CSMPT Fundamentação O contrato pelo regime de Administração de obras, também denominado preço de custo, é instituto pelo qual o contratante (dono da obra) assume a responsabilidade da contratação de mão de obra e a aquisição de todo o material envolvido na construção, limitando-se, o contratado, à execução e gestão técnica do empreendimento. Ab initio, é de bom alvitre aclarar que essa modalidade de contrato não possui disciplinamento específico na legislação brasileira, foi desenvolvido com fulcro na liberdade contratual e respeitando princípios gerais e fundamentos da Teoria Geral dos Contratos. 3

Existe, sim, o contrato de construção a preço de custo, tratando-se de um contrato de construção por administração, mas ele é específico para empreendimentos regulados pela Lei 4.591/64. Esse tipo de contrato tem características singulares que não se confunde com aqui explanado. A referida sistemática substitui, com algumas vantagens, o tradicional e conhecido pacto de empreitada. O maior benefício dessa modalidade é a questão fiscal, isso porque, diversamente do que ocorre na empreitada, o PIS (Programa de Integração Social) e o Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) são recolhidos aos cofres públicos uma única vez. O dono da obra contrata diretamente os subempreiteiros e fornecedores sob a intervenção, gerenciamento e fiscalização da construtora/administradora. Ou seja, a empresa contratada apenas fiscaliza (atuação técnica), se comprometendo em administrar apenas o interesse alheio. No que diz respeito à responsabilidade Trabalhista, não é relevante essa escolha de modalidade contratual, em verdade, o dono da obra sempre é passível de responsabilização. O que garante segurança, portanto, é o compromisso particular existente entre ele e a construtora, pois esta é quem se compromete a assumir todos os ônus, mesmo que o cliente final seja demandado nas reclamatórias. Em outras palavras, sua segurança depende totalmente da idoneidade e da capacidade financeira da construtora contratada, e não da modalidade do contrato. O empregado demitido poderá demandar para qualquer dos lados, e a Justiça do Trabalho acolherá suas pretensões contra todos os que se encontram acima dele. Os fatos demonstram que a denunciada celebrou pacto comum em nosso ordenamento não se afastando das regras que esse tipo de contrato exige. 4

Os denunciados Schipper e Copacabana Praia Hotel demonstraram a regularidade de sua contratação, ademais, a obra já fora encerrada não ensejando maiores querelas trabalhistas. Não houve, na espécie, fraude à legislação trabalhista. Voto: nos termos da fundamentação acima exposta, voto pelo conhecimento e não provimento do Recurso Administrativo, homologando, assim, a promoção de arquivamento. 20 21 janeiro Agosto 2014. 5