MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA RURAL
Mensagem do Ministério Público do Estado de Goiás O Ministério Público do Estado de Goiás MPGO tem a missão de defender a ordem jurídica, o regime democrático e os interesses sociais e individuais indisponíveis, a fim de garantir a cidadania plena e o desenvolvimento sustentável. O Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente CAOMA, órgão auxiliar do MPGO, tem a função de coordenar, orientar e apoiar a atuação dos membros do Ministério Público Promotores e Procuradores de Justiça, na defesa do meio ambiente ecologicamente equilibrado, essencial para a sadia qualidade de vida, das presentes e futuras gerações. A Educação Ambiental é um instrumento facilitador do desenvolvimento sustentável, da diminuição das desigualdades sociais, da fome, da miséria material e espiritual. Por isso, os Promotores de Justiça de Goiás, em parceria com a sociedade, promovem ações de educação ambiental para a formação de cidadãos críticos e atuantes, capazes de compreender as inter-relações da rede pessoa-sociedadenatureza e de construir, coletivamente, as soluções dos problemas ambientais. No desenvolvimento do Programa de Educação Ambiental do MPGO, o CAOMA apresenta a seguinte coleção de cartilhas temáticas: 1. Preservação Ambiental; 2. A nocividade dos Desmatamentos e Queimadas: 3. Impactos Ambientais da Monocultura da Cana-de-Açúcar; 4. Meio Ambiente e Qualidade de Vida Urbana; 5. Meio Ambiente e Qualidade de Vida Rural.
Se até 1988 não se falava em Educação Ambiental no Brasil, quem dirá de 1500 até mais da metade do século 21... Primeiro, acabaram com o pau-brasil, muito apreciado na Europa, principalmente por ser boa matéria-prima para tingimentos. Essa árvore que deu nome ao nosso país mobilizou a cobiça de franceses, holandeses, ingleses e outros povos.... enquanto isso, as clareiras nas matas começaram a aparecer, causando desertificação no Nordeste e dizimando a biodiversidade do Bioma da Mata Atlântica.
Os colonizadores do Brasil desmataram tanto que o pau-brasil entrou em extinção. Então, passaram a explorar pedras e metais preciosos, cujo ciclo foi encerrado porque as jazidas se esgotaram no século XIX.
O Cerrado ocupava 97% do território de Goiás, mas começou a ser desmatado para a implantação do agronegócio, principalmente voltado para a criação de gado e o plantio de arroz e café. Atualmente, restam apenas cerca de 30% de vegetação nativa. No início dos anos 70, Goiás, utilizando-se de correntões e queimadas, plantou soja no lugar do Cerrado nativo. O governo incentivou o plantio de soja, por meio da política pública que ficou conhecida como Revolução Verde, com concessão de créditos e melhorias tecnológicas no solo do Cerrado.
A geração de energia, com construção de Usinas Hidrelétricas e várias pequenas centrais hidrelétricas, também contribuiu para o desmatamento de Goiás. Os lagos desses empreendimentos inundam áreas com vegetação nativa, expulsando a fauna de seu habitat natural, causando um desequilíbrio nos ecossistemas.
Seguiu-se a exploração da cana-de-açúcar e do café. Em busca do lucro rápido, o meio ambiente era destruído com desmatamento crescente.
Hoje, o meio ambiente rural não se parece mais com a realidade narrada pelos escritores que a vivenciaram meio século atrás. Bariani Ortêncio, Carmo Bernardes e outros escritores goianos, por exemplo, descreveram em seus livros rios piscosos, nascentes cristalinas e o verde do Cerrado, nas primitivas fazendas.
É necessária a conscientização dos fazendeiros para a manutenção das áreas de preservação permanente APPs das nascentes, ao longo dos rios (matas ciliares), nos topos dos morros e no entorno dos lagos, e ainda para a necessidade de averbação da Reserva Legal, que corresponde a 20% da propriedade rural. Os rios do Cerrado estão sendo destruídos em razão dos assoreamentos e voçorocas, a exemplo da tragédia das nascentes do Rio Araguaia.
É preciso conciliar as atividades agropastoris com o respeito ao meio ambiente. É o chamado desenvolvimento sustentável: desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro. Está mais do que na hora de fazermos a nossa parte, entendendo que a água, o solo, o gado, as sementes, as mudas que utilizamos para plantar, tudo isso é a natureza que nos dá de graça para transformarmos em dinheiro para sustentar as nossas famílias. Nada mais justo do que respeitar o meio ambiente, para nunca secar a fonte. A propriedade rural só cumpre sua função social com o respeito ao meio ambiente e aos direitos humanos.
MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA RURAL Idealização Promotora de Justiça Miryam Belle Moraes da Silva Coordenadora do CAOMA Ilustrações Jorge Braga Texto Glória Drummond e Patrícia Drummond Colaboradores Promotor de Justiça Giordane Alves Naves Promotor de Justiça José Augusto de Figueiredo Falcão Promotora de Justiça Roberta Pondé Amorim de Almeida Agradecimento* Promotor de Justiça Lúcio Cândido de Oliveira Júnior Realização *Este material educativo foi produzido em cumprimento ao Termo de Ajustamento de Conduta celebrado pelo Promotor de Justiça Lúcio Cândido de Oliveira Júnior, titular da 6ª Promotoria de Justiça de Rio Verde - GO, com atuação na defesa do meio ambiente.