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OS FUNCIONAIS Os cogumelos são alimentos muito apreciados desde a idade antiga por se acreditar em seu elevado valor nutritivo e em seu potencial medicinal, além de serem classificados como uma especiaria nobre em pratos culinários. As propriedades dos cogumelos vão muito além do sabor exótico e das suas formas graciosas. Essas iguarias têm também funções terapêuticas, como prevenir doenças e aumentar a capacidade de defesa do organismo. As diferentes espécies Cogumelo é o nome comum dado às frutificações de alguns fungos das divisões Basidiomycota e Ascomycota. Conhecidos desde a Antigüidade por seus efeitos de cura, os cogumelos eram considerados pelos egípcios e chineses uma dádiva dos deuses. Os antigos romanos os chamavam de alimento dos deuses e por isso deviam ser servidos apenas em ocasiões especiais. Acreditavam que chegaram a Terra através de raios jogados por Júpiter durante uma tempestade. Na Grécia antiga, os guerreiros acreditavam que os cogumelos os provinham de força e coragem. Os chineses os consideravam elixir da vida. Os índios mexicanos os utilizavam com propósitos terapêuticos e como alucinógenos em rituais religiosos e de feitiçarias. As civilizações orientais consagraram os cogumelos há milênios como alimento funcional, usando-os na gastronomia e na atividade medicinal. No mundo ocidental sua disseminação é mais recente, mas já envolve um apreciável número de espécies. Os cientistas catalogaram 50.000 espécies de cogumelos e identificaram menos de 20.000 espécies de cogumelos diferentes. Alguns cientistas calculam que possa haver mais de 150.000 espécies de cogumelos no reino dos fungos e, provavelmente, mais de 1,5 milhão de espécies totais. Os biólogos descrevem menos de 5% de espécies de fungos. Mais de 600 espécies de cogumelos mostraram efeitos imunes, sendo as pesquisas focadas em uma gama mais estreita de menos de 50 espécies. Os cogumelos medicinais mais pesquisados e que apresentam efeitos positivos incluem o maitake (Grifola frondosa), shiitake (Lentinula edodes), reishi (Ganoder ma lucidum), Coriolus versicolor ou Trametes versicolor, cogumelo do sol (Agaricus blazei), Cordyceps sinensis, juba-de-leão (Hericium erinaceus), e Schizophyllum commune. A seguir são apresentadas algumas informações básicas sobre esses cogumelos. Agaricus blazei É um cogumelo comestível, conhecido comercialmente como cogumelo do sol (marca registrada no Brasil). Agaricus subrufescens 46 47

Este cogumelo foi reclassificado corretamente para Agaricus brasiliensis, uma espécie nativa do Brasil. Tido como medicinal e com grande potencial terapêutico, pode ser também um cogumelo comestível. É um fungo aeróbio que degrada material orgânico rico em celulose, hemicelulose e lignina para obter energia. O cogumelo Agaricus blazei é considerado um alimento de excelente valor nutritivo. O produto desidratado é altamente protéico e rico em vitaminas, como tianina (vitamina B1), riboflavina (vitamina B12), niacina (vitamina B3), piridoxina (vitamina B6), cobalamina (vitamina B12), ácido pantotênico, biotina (vitamina H), ácido fólico, ácido ascórbico (vitamina C), tocoferol (vitamina E) e quinona (vitamina K), além de ser fonte de quase todos os aminoácidos. Entre os benefícios que produz no organismo, destacam-se a renovação das células, melhora do quadro geral do organismo, melhora na defesa imunológica, redução dos efeitos colaterais do tabagismo, prevenção do câncer (pela eliminação de material cancerígeno), redução da glicose sangüínea, ação hipotensiva, redução do colesterol, redução da Auricularia polytricha arteriosclerose, estimulação quantitativa e qualitativa das células NK (células que destroem células que estejam infectadas ou alteradas). Auricularia polytricha Além das vitaminas e das proteínas, o cogumelo orelha-de-judeu também contém minerais importantes, como o potássio, o cálcio, o magnésio, o fósforo e o silício. É também particularmente rico em substâncias secundárias que inibem a coagulação do sangue e têm uma ação antiinflamatória, a qual já foi demonstrada através de inúmeros testes. A infecção da mucosa é tratada beneficamente. Além disso, o cogumelo orelha-de-judeu tem efeito anticoagulante, diminui os valores de colesterol total, estimula o sistema imunitário, neutraliza os radicais livres e inibe a formação de tumores malignos do tecido conjuntivo. O efeito anticoagulante melhora as propriedades do fluxo sangüíneo, o que é extremamente importante para uma melhor circulação sangüínea, principalmente para as artérias já danificadas e estreitadas. Com a ajuda deste cogumelo pode-se evitar tromboses e outras obstruções das artérias, prevenindo-se, desta forma, ataques cardíacos, arteriosclerose ou AVCs. A Doença Arterial Oclusiva Periférica (DAOP), caracterizada pela degenerescência e obstrução das artérias, principalmente nos membros inferiores, podendo conduzir à amputação, também pode ser prevenida. O cogumelo orelha-de-judeu demonstra grandes vantagens quando comparado com medicamentos convencionais. Graças às substâncias deste cogumelo, os constituintes do colagénio nas artérias não são atacados, como acontece com outros anticoagulantes. Coprinus comatus O Coprinus comatus cresce originalmente em prados/bosques e pinhais. É muito difícil cultivar este cogumelo, que tem uma conservação extremamente curta. Já foi amplamente investigado, dado que a sua origem é européia. Em 1934, realizaram-se as primeiras pesquisas em relação aos seus efeitos de diminuição do nível de açúcar no sangue. A área principal de atuação do pó seco é a diabetes. O Coprinus normaliza o nível de açúcar no sangue, é antiinflamatório e pode evitar as repercussões das doenças cardiovasculares. O Coprinus tem um efeito protetor nos Ilhéus de Langerhans (as células do pâncreas que produzem hormônios, por exemplo, insulina). Uma hora e meia após a ingestão do Coprinus em pó, o nível de açúcar no sangue diminui cerca de 41%. Três horas após o tratamento este nível ainda se mantém a 31%. Mesmo seis horas mais tarde, o sangue contém ainda menos 20% de açúcar do que sem a ingestão do cogumelo. Não existe uma diferença significativa entre o efeito de diminuição do nível de açúcar no sangue alcançado com o Coprinus e o efeito provocado pelo tolbutamida (medicamento hipoglicemiante). Não obstante, o cogumelo trata as causas da diabetes e não provoca efeitos secundários. Além disso, cientistas descobriram substâncias inibitórias de sarcomas e carcinomas. O cogumelo Cordyceps sinensis também é aplicado com sucesso em hemorróidas e problemas digestivos. Cordyceps sinensis O Cordyceps, conhecido como cogumelo da lagarta, não é um cogumelo comestível. Ele cresce como parasita de uma larva e é cultivado exclusivamente para fins medicinais. Apresenta efeito antibiótico e estagna o crescimento de clostridium ssp, de modo a evitar uma destruição das bifidobactérias e dos lactobacilos. Estimula o metabolismo do fígado e reduz o LDL-colesterol e o VLDLcolesterol. São atribuídas propriedades imunoestimulantes, antitumorais e antibacterianas a este cogumelo, especialmente devido ao Cordycepin, ao Ophicordin e à Galactomana. A atividade das células NK é aumentada, os macrófagos e o sistema imunitário são estimulados e a fibrose do fígado, provocada pela colestase (diminuição ou interrupção do fluxo da bílis), pode ser evitada. Na medicina tradicional chinesa diz-se que o Cordyceps possui propriedades de fortalecimento dos pulmões e dos rins, assim como de tonificação do Qi e do Yang. Ele acalma emoções e evita mucos e sangramentos. Também atua como um regenerador do sangue e fortalece especialmente a energia sexual. O Cordyceps é aplicado com sucesso no tratamento de fadiga, cancro, reumatismo, doenças respiratórias, inflamações, insônia e menstruação irregular. Além disso, também melhora a oxigenação do sangue. Coriolus versicolor ou Trametes versicolor Esta espécie de cogumelo cresce nas árvores em decomposição. Este cogumelo não é comestível e é cultivado essencialmente para fins medicinais. Possui efeito inibitório no crescimento de células cancerígenas e ação reconstituinte e regeneradora. Mostrou-se especialmente eficaz no tratamento do cancro do pulmão, da próstata, do estômago, da mama, cervical, do cólon, da bexiga e do esôfago, na leucemia, em linfomas, em tumores cerebrais e em metástases. O Coriolus ativa os mecanismos de defesa celular, aumentando, desta forma, a formação de células T, de linfócitos B, de monócitos, de macrófagos, de células da medula óssea e de células NK. A biomassa do Coriolus Versicolor é um imunomodulador não específico e como tal, usado como coadjuvante nutritivo para equilíbrio do sistema imunitário em pacientes submetidos à quimioterapia e radioterapia. O Coriolus tem efeito antibacteriano e antifúngico nos seguintes agentes patogênicos: Escherichia coli, estafilococos, estreptococos, Candida albicans, Listeria e Toxoplasma gondii. Também foram relatados efeitos antivirais no HIV, herpes e citomegalia. Na medicina tradicional chinesa, o Coriolus fortifica o baço, elimina o calor e as toxinas, é um tônico para o fígado e coração, reduz o muco, é recomendado no tratamento de cancro, hepatite crônica, fadiga e infecções do trato respiratório. Ganoderma lucidum Conhecido como reishi, a Ganoderma lucidum apresenta potente efeito antioxidante, possui propriedades antimutagênicas, au- Colorius versicolor 48 49

Ganoderma lucidum menta alguns aspectos do sistema imunitário, nomeadamente o de incrementar a atividade do interferon e das células NK e promove a produção de interleucina 1 e 2 (transmissores do sistema imunitário). Além disso, o ácido ganodérico, presente na composição deste cogumelo, tem-se mostrado um excelente auxílio no tratamento de alergias comuns, pela inibição dos mediadores químicos da inflamação. Na China, por mais de 2000 anos, foi designado como erva de Deus e os imperadores chineses ordenavam que fossem procurados cogumelos reishi selvagens, encontrados nas montanhas de regiões distantes, acreditando que o seu consumo lhes traria saúde e a eterna juventude. O primeiro relato da utilização deste fungo data da época do primeiro imperador da China, Shih-huang da Dinastia Ch in. São vários os estudos que relatam as capacidades antimutagênicas e imunoestimulantes desta espécie ancestral, reconhecida por desempenhar uma ação eficaz como coadjuvante no tratamento de várias patologias. No entanto, somente nos últimos 30 anos as propriedades medicinais do cogumelo reishi foram apresentadas ao mundo ocidental. Até ao final do século XX, o reishi era reservado principalmente para uso da realeza asiática ou de indivíduos com elevado poder de compra. Médicos chineses e japoneses há muito utilizam plantas, como o ginseng e o astrágalo, combinadas com reishi para reduzir os efeitos colaterais da quimioterapia em pacientes com patologias oncológicas. Hericium Grifola frondosa Conhecido como maitake, é um cogumelo comestível originário do Japão, onde a sua comercialização cresce a cada ano e hoje está entre os de maior consumo, juntamente com o shiitake. É um cogumelo de sabor delicado e textura crocante, o que também o diferencia do shiitake. Seu leve aroma madeirado remete também a lembrança das algas marinhas, tão comuns na culinária japonesa. Maitake vem de mai (dança) e take (cogumelo), ou seja, cogumelo da dança, pois há relatos que ao experimentar estes cogumelos as pessoas dançavam de alegria pelo sabor. Há outros relatos que mencionam que a alegria se devia ao fato deste ser trocado por prata no peso a peso. Existem outros nomes para o mitake, tais como Kumotake (cloud Mushroom), Hen-of-the-woods e Dancing Butterfly Mushroom. Seu preço de mercado é de aproximadamente o dobro do shiitake (Lentinula edodes). O maitake é nutritivo, rico em proteínas, contendo em relação à matéria seca 27% de proteínas, vitamina B1 e B2, niacina, vitaminas C e D e também magnésio, ferro, cálcio e fósforo. Possui substâncias biologicamente ativas, comprovando várias propriedades medicinais, como controle de pressão arterial, diabetes e propriedades hepáticas, além de exercer influência sobre o sistema imunológico, inibindo o desenvolvimento de tumores, vírus e bactérias. Hericium erinaceus Ainda chamado de juba-de-leão, é um excelente cogumelo comestível e muito nutritivo, devido às suas 32 substâncias aromáticas e às numerosas substâncias bioativas. Possui ação purgante e é um excelente emagrecedor. Pesquisas mostraram que pode ser aplicado de forma eficaz em úlceras gástricas, cancro do estômago e úlceras do duodeno. Os efeitos deste cogumelo devem-se principalmente aos polissacarídeos e polipeptídeos que estimulam o sistema imunitário. Não são conhecidos quaisquer efeitos secundários. Em um estudo de pacientes com gastrite, 82% notaram uma melhora significativa dos sintomas e dos valores clínicos. Em 58% dos pacientes foi diagnosticado uma regressão total da inflamação. A mucosa gástrica foi regenerada eficazmente e de forma duradoura. Cientistas japoneses encontraram a substância erinacine, que estimula a produção do Fator do Nervo de Crescimento (NGF) no cérebro. O NGF faz parte da família das proteínas e tem um papel muito importante na manutenção, sobrevivência e regeneração dos neurônios durante a vida adulta. O Hericium pode ser útil em casos de doenças nervosas e da doença de Alzheimer e pode apoiar a regeneração dos nervos periféricos em doenças degenerativas neuronais Shitake - Lentinula edodes e em polineuropatia. As substâncias ativas são responsáveis pelos efeitos antiinflamatórios descritos na literatura em relação a este cogumelo. Segundo a medicina tradicional chinesa, o Hericium é bom para os cinco órgãos (rins, fígado, baço, coração e estômago). Apóia a digestão, fortifica, dá vitalidade e reprime o cancro. Lentinula edodes Ainda chamado de shiitake, trata-se de um cogumelo comestível nativo do Leste da Ásia. A espécie é hoje em dia o segundo cogumelo comestível mais consumido no mundo, incorporado desde há muito nos hábitos alimentares dos povos asiáticos. Recentemente, foi introduzido para produção e consumo nos países ocidentais. A palavra shiitake tem origem japonesa, shii (uma árvore parecida Polyporus umbellatus com carvalho) e take (cogumelo). A primeira referência histórica do consumo de shiitake data de 199 a.c. No Brasil começou a ser cultivado no início da década de 1990. Na natureza, o shiitake pode ser encontrado em florestas asiáticas, onde se desenvolve em árvores mortas. É um fungo aeróbio, decompositor de madeira, que degrada celulose e lignina para obter energia. O shiitake é nutritivo, rico em proteínas, contendo em relação à matéria seca 17,5% de proteínas, com nove aminoácidos essenciais. Tem também importância medicinal, possuindo substâncias com propriedades medicinais para o tratamento e controle de pressão arterial, redução do nível de colesterol, fortalecimento do sistema imunológico, e inibição do desenvolvimento de tumores, vírus e bactérias. O shiitake é produzido em compostos orgânicos à base de serragem, farelo de arroz e/ou trigo e/ou soja, previamente hidratada e corrigida do ponto de vista do ph. O produto repousa durante 145 dias em local fechado e climatizado a cerca de 14 C até o aparecimento dos frutos 50 51

e sua colheita. Este processo também é conhecido como cultivo axênico. O shiitake pode ser preparado em sopas, molhos, saladas e até empanado. Pode ser preparado de modo parecido ao da carne. Polyporus umbellatus No cogumelo Polyporus umbellatus foram encontrados ergosterol, biotina (uma vitamina B), assim como polissacarídeos e polipeptídios. Este cogumelo é rico em fibras e em minerais. Também foram encontradas quantidades consideráveis de cálcio, potássio, ferro e elementos-vestígio, como o manganês, o cobre e o zinco. O manganês é necessário para a regulação do crescimento em geral e para o crescimento e desenvolvimento dos ossos; é um ativador de diversas enzimas. O cobre é responsável pela formação de glóbulos vermelhos (eritrócitos), pela ação de inúmeras enzimas e pelo crescimento ósseo. Uma ingestão suficiente de zinco provoca a libertação de insulina. Este cogumelo tem um efeito diurético e, por este motivo, a sua área principal de atuação é a drenagem e a purificação do organismo. Schizophyllum communeedodes Na medicina tradicional chinesa é mencionado que este cogumelo melhora a estrutura da pele, relaxa o tecido muscular, abre os poros das glândulas sudoríparas e facilita a diurese durante a gravidez. O Polyporus umbellatus também ajuda em edemas, diarréia e icterícia. Diversos testes comprovaram as experiências positivas da China antiga. A eliminação de água e de íons de sódio e de cloreto é aumentada com a ingestão deste cogumelo. Os efeitos são tão fortes como os dos medicamentos (por ex: ácido etacrínico). No entanto, a diferença decisiva é o fato de se observar uma eliminação elevada de potássio com ingestão de medicamentos. Neste caso, uma desvantagem, dado que o potássio detecta funções importantes no organismo. Também é conhecida a ação inibitória do extrato deste cogumelo em relação a tumores. Esta ação deve-se a uma destruição do DNS das células tumorais. Foi comprovado um efeito de promoção de cura num estudo com pacientes que sofriam de leucemia e de cancro do pulmão. Adicionalmente, o cogumelo Polyporus atenua os efeitos secundários da quimioterapia. Schizophyllum commune É o cogumelo mais amplamente distribuído no mundo, ocorrendo em todos os continentes, exceto na Antártida. Possui textura papirácea, o chapéu é coberto de pilosidades lanosas brancas, cresce na madeira de árvores de maneira semelhante às Polyporales, mas tem pregas debaixo do chapéu, dobradas longitudinalmente (Schizophyllum significa folha dobrada ), que parecem lâminas à primeira vista. É uma espécie muito freqüente em Portugal. Esta espécie possui uma capacidade de resistência notável: o cogumelo seca e reidrata várias vezes ao longo da sua vida. Dada a capacidade de resistência destes fungos, pode-se ver os seus cogumelos todo o ano, inclusive, em pleno inverno. Este fungo é capaz de degradar a madeira das árvores e causar podridão branca. A madeira é um dos materiais naturais mais difíceis de degradar, e as enzimas produzidas por estes fungos são relevantes para a biorremediação de diversos poluentes. Este cogumelo, apesar de não ter valor gastronômico, é comestível e tem aplicações medicinais. Produz uma substância, chamada Schizophyllan, que aumenta as defesas imunitárias. Dentre os cogumelos apresentados acima, os da espécie reishi continuam sendo o best-seller para os cientistas e comerciantes. O volume de pesquisas que comprovam sua efetividade para o sistema imune, tornou-o popular entre os médicos americanos. O cogumelo reishi atua em vários níveis, devido a sua combinação de polissacarídeos e triterpenos. Outras espécies que ganham terreno no campo das pesquisas são o shiitake, maitake e cordyceps. Principais componentes A maioria dos efeitos benéficos à saúde proporcionada pelos cogumelos é atribuída aos seus polissacarídeos e complexos de proteína-polissacarídeo. Pesquisas de laboratório isolaram um tipo de polissacarídeo múltiplo dentro de cada espécie. Um exemplo é o da espécie maitake, que teve 29 polissacarídeos isolados. Os polissacarídeos encontrados nos cogumelos incluem principalmente glucanas com acoplamentos de diferentes glicosídeos, incluindo 1,3 e 1,6 beta-glucanas, e 1,3 alfa-glucanas. A ramificação do complexo e, inclusive, a natureza helicoidal das glucanas nos cogumelos são significantes. O Schizophyllan é um estimulador do macrofagócito ativo, crescente na célula T (um tipo de célula sangüínea branca) e na célula NK, inibindo a atividade da célula e de vários agentes infecciosos. Vários efeitos de imunoestimulação também foram atribuídos ao complexo proteína-polissacarídeo, como PSK (krestin), PSP, lentinana e outros. Embora muitas espécies de cogumelos contenham diferentes níveis de beta-glucanas, os pesquisadores acreditam ser esta a única proteína seqüencial que diferencia os efeitos entre as espécies. Os cogumelos medicinais também contêm uma variedade de nutrientes. A espécie shiitake pode conter até 17% de proteína, enquanto os cogumelos da espécie ostra contêm 30% de proteína. Várias espécies também contêm vitaminas do complexo B, além de uma variedade de macro-minerais e de elementos traço. O shiitake, por exemplo, contém até 126mg de cálcio e 247mg de magnésio, por porção. A espécie reishi também contém magnésio, cálcio, zinco, ferro, cobre e minerais de rastro. Muitas das espécies de cogumelos são ótimas fontes de selênio. A espécie maitake e várias outras espécies de cogumelos também contêm ergosteróis (provitamina D2), juntamente com fosfatidilcolina e fosfatidilserina. O conteúdo de ergosterol na espécie Agaricus blazei foi identificado como um agente anti tumoral em vários estudos. Em 2005, foi comprovado que as espécies shiitake, reishi e maitake aumentam de 500 IU de provitamina D2 em condições de crescimento em recinto fechado, para 46.000 IU, 2.760 IU e 31.900 IU, respectivamente, com seis a oito horas de exposição contínua de luz solar. Especialistas acreditam que os cogumelos são a melhor fonte de vitamina D2 para qualquer organismo. Vários antioxidantes têm sido isolados das diversas variedades de cogumelos. Componentes como ácido ganodérico (G. lucidum), ácido cordicépico (C. sinensis), linzhi (G. frondosa), ácido agárico (vários), sizofilan e sizofiran (S. commune), galactomanana (C. sinensis) e vários triterpenóides, podem reduzir os radicais oxidativos ativos e estimular o sistema imune. Recentes pesquisas identificaram o cogumelo ostra como contendo combinações de lovastatina (principal combinação de drogas ameaçadoras do colesterol). Contudo, os especialistas ressaltam que, com exceção da lovastatina, os cogumelos contêm freqüentemente componentes diversos úteis ao organismo. Mecanismos de estimulação imune Os mecanismos de estimulação imune dos cogumelos são mistérios que intrigam os pesquisadores. Esse assunto tem sido debatido pelos cientistas juntamente com a atividade constituinte dos cogumelos. Uma das teorias propõe que as beta-glucanas estimulam o sistema imune por se assemelharem às moléculas das bactérias nas paredes das células. Como os macrofagócitos têm contato com estas bactérias fantasmas, as células imunes são mobilizadas. Uma vez dentro dos macrofagócitos, esse complexo de polissacarídeos estimula as citoquinas ativas, inibindo o tumor. Os cientistas observaram que as beta-glucanas se ramificam, estimulando as células imunes. Por exemplo, as beta-glucanas da espécie maitake estimulam a produção de células T, diferentemente das beta-glucanas da espécie Agaricus blazei, que estimulam as células NK, e muito pouco das células T. Covém aqui mencionar o AHCC (Active Hexose Correlated Compound), o suplemento nutricional imuno-estimulante mais utilizado no Japão. O AHCC já foi objeto de estudos in vitro e em animais, bem como de ensaios clínicos em mais de 30 universidades e institutos de investigação, e em mais de 700 hospitais, no Japão e em todo o mundo. Trata-se de um extrato patenteado de micélios de basidiomicetes. O cogumelo híbrido é cultivado em laboratório e contém uma grande variedade de princípios ativos, alguns derivados do alfa e do beta-glucano, que não existem nos cogumelos medicinais convencionais. O AHCC é também tratado enzimaticamente para reduzir o seu peso molecular para 5000 Daltons e facilitar a sua absorção por via oral. Num organismo saudável, o sistema imunitário consegue eliminar as células cancerosas por sim próprio. Quando o sistema imunitário está debilitado, as células cancerosas proliferam e segregam vários fatores imunossupressores. As terapias convencionais (quimioterapia e radioterapia) debilitam também o sistema imunitário. O AHCC consegue repor o estado imunitário mesmo nas circunstâncias mais difíceis. Segundo os especialistas, quinze anos de investigações sobre o AHCC demonstraram que: - o AHCC melhora a resposta imunitária de várias formas: induz a proliferação de macrófagos e das «células assassinas naturais», fazendo aumentar a sua atividade de forma mensurável em mais de 300%. Induz e aumenta a produção de citocinas benéficas, como o fator de necrose tumoral (TNF-alfa), o interferon gama e as interleucinas 1, 2 e 12. Inibe determinadas citocinas imunodepressoras e melhora o equilíbrio entre células Th1 e Th2 ; - o AHCC reforça a eficácia das terapias anticancerosas tradicionais e reduz significativamente os efeitos 52 53

secundários destas (náusea, queda de cabelo, fadiga, perda de apetite, hepatotoxicidade, modificações da fórmula sanguínea) ; - o AHCC tem uma ação antitumoral direta, podendo conseguir a redução do crescimento dos tumores ou a sua remissão; - o AHCC consegue impedir o desenvolvimento de metástases de cancros existentes e diminuir a freqüência da sua ocorrência, aumentando assim a esperança de vida dos doentes; - o AHCC melhora a qualidade de vida dos doentes (funções e desempenho físicos, estado psicológico e interatividade social) com patologias variadas, incluindo patologias crônicas e incuráveis com uma componente imunitária; - o AHCC melhora os sintomas de muitas patologias hepáticas graves, como a hepatite viral, a hepatite C (redução da carga viral em 85% em 3 meses) e a hepatite fulminante. Evita a evolução da hepatite para cirrose. Melhora de forma geral a desintoxicação hepática; - o AHCC reduz o nível de glicose no sangue de doentes diabéticos e normaliza os seus níveis de hemoglobina glicosilada, ajudando assim a evitar as complicações da diabetes; - o AHCC tem efeitos antiinflamatórios demonstrados em várias patologias, entre elas a artrite reumatóide. Ajuda a combater a proliferação da candidíase (estudo animal). Melhora os parâmetros imunitários e a qualidade de vida de doentes com HIV; - o AHCC não tem efeitos secundários e praticamente nenhuma toxicidade. Os mecanismos vão além dos polissacarídeos e se ramificaram em complexos proteína-polissacarídeo. A micelia sobrevive durante séculos, se defendendo contra os vários micróbios que vivem nas terras úmidas. Particularmente, a combinação da enzima e proteína de cada espécie de cogumelo é desenvolvida especificamente para a sua própria defesa contra os microrganismos de seu ambiente. A relação do cogumelo com o seu ambiente também explica por que muitas espécies de cogumelos desintoxicam metais pesados. A informação genética reunida pelas espécies de cogumelos inclui as proteínas específicas que direcionam o processo de ligação com determinados metais pesados do solo. Quando consumidos, estes metabólitos ficam ativos no organismo, auxiliando no processo quelante. Diversas variedades de cogumelos, como o cordyceps, reishi, Agaricus blazei e maitake, mostraram ser efetivos na redução dos efeitos de metais pesados e de envenenamento por radiação. Os especialistas entendem este mecanismo por um contexto maior; acreditam que habitats e humanos possuem sistemas imunes, e desde que compartilhem dos mesmos patógenos que afligem os fungos, podem se beneficiar dos papéis desempenhados pelos fungos nos habitats naturais e usar esse conhecimento para melhorar a resistência em humanos. Benefícios terapêuticos Por milhares de anos, o ser humano tem usado os cogumelos medicinais pelo seu potencial de cura. Uma rica tradição folclórica disseminou o conhecimento dos cogumelos durante anos, particularmente no Japão e na China, onde há décadas os cogumelos são cultivados e pesquisados de forma científica. Nos Estados Unidos, recentes pesquisas exploraram estes organismos, focando as suas propriedades medicinais. O cogumelo se apresenta com um futuro promissor na categoria de suplemento nutricional, devido a sua reputação como portador de poderosos componentes curativos para melhorar a saúde humana. Nos anos sessenta, universidades asiáticas, hospitais e laboratórios começaram a divulgar significativos resultados de pesquisas que confirmaram os mecanismos celulares dos cogumelos. Tais pesquisas revelaram que os cogumelos são antimicrobiais, abaixam o colesterol, são antiinflamatórios, antioxidantes, antimutagênicos, anti tumorais e possuem efeito de imunoestimulação. Pesquisadores americanos tomaram conhecimento do cogumelo quando um estudo epidemiológico, realizado entre 1972 e 1986, mostrou taxas de câncer significativamente inferiores entre cultivadores japoneses... de cogumelos! Pesquisas européias e americanas, algumas realizadas por renomadas universidades e centros médicos, começaram a acrescentar de forma contínua a pesquisa asiática em seus estudos. Em 1990, milhares de estudos já tinham documentado os benefícios à saúde dos cogumelos medicinais. Enquanto a maioria das pesquisas clínicas era adjunta as terapias convencionais por razões éticas, estudos em seres humanos confirmaram os resultados obtidos em estudos já realizados com animais e modelos de laboratório. Em agosto de 2008, haviam 4.087 estudos e documentos científicos sobre cogumelos arquivados na National Library of Medicine (NLM), dos Estados Unidos. Uma recente pesquisa sobre cogumelos está revelando os seus efeitos antimicrobiais. A pesquisa apresenta forte atividade dos extratos de cogumelo contra bactérias, como E. coli, estafilococo e ramificações de tuberculose, bem como contra uma ampla variedade de vírus, varíola e do vírus da influenza. Algumas destas novas evidências se baseiam nos testes realizados pelo National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID), durante os últimos anos. Mais de dois milhões de amostras de vários agentes foram submetidos ao NIAID. Uma das áreas mais intrigantes da recente pesquisa está no efeito dos cogumelos da espécie juba-de-leão sobre a sensibilidade ao mal de Alzheimer. Estudos iniciais com animais mostraram que essa espécie de cogumelo estimula o fator de crescimento dos nervos, uma substância que se mostrou benéfica aos pacientes que sofrem desse mal. Pesquisas sobre os efeitos do cogumelo no câncer têm atraído a atenção durante as últimas três décadas. Os efeitos positivos foram obtidos em câncer de mama, câncer do pulmão, câncer de próstata, câncer cervical, câncer de bexiga e câncer de cólon. A maioria das espécies de cogumelos medicinais populares mostrou efeitos anti tumorais. Contudo, ainda não está claro se uma espécie é melhor do que outra em determinados tipos de câncer. As tendências em cogumelos medicinais Atualmente, a tendência mais significante para os cogumelos medicinais está no seu uso para prevenção de doenças e em terapias alternativas. As espécies maitake e shiitake são os cogumelos medicinais mais conhecidos e pesquisados, porém, outras espécies, como cordyceps, agaricus, cogumelo ostra e AHCC estão recebendo maior atenção nos últimos anos. O cogumelo reishi é conhecido há milhares de anos e tem sido venerado há muito tempo pela cultura asiática. De acordo com alguns pesquisadores, essa é a espécie mais importante dos cogumelos medicinais, pois possui combinações que a maioria dos outros cogumelos não possui, inclusive, de triterpenos, encontrado em muitas ervas de longevidade. Mais pesquisas estão sendo realizadas com relação aos seus benefícios. O AHCC é produto do extrato de uma forma de cogumelo medicinal que contém uma molécula de hexose bioativa, derivada da combinação de cogumelos basidiomycetes. Esse complexo de cogumelo é geralmente usado em pacientes que têm doenças como câncer, HIV/AIDS, diabetes e hepatites. De acordo com as pesquisas, o AHCC aumenta a imunidade, melhorando a função das células do sistema imune. É por isso que o AHCC não é usado apenas por pacientes crônicos, mas também por qualquer pessoa que se interesse em cuidar da saúde e do sistema imune. Um recente estudo do National Institute of Health (Instituto Nacional de Saúde), de Bethesda, MD, proveu Fungos perfecti para administrar um pequeno estudo clínico usando cogumelos ostra para mitigar os efeitos negativos de inibidores de protease, que são agentes antiviróticos utilizados no tratamento de pacientes de AIDS. O problema com inibidores de protease é que eles interferem no metabolismo dos lipídios, causando uma acumulação hiperativa de LDL. Os cogumelos ostra contêm um isômero natural de lovastatina, uma droga aprovada pela FDA para controle do colesterol. Os cogumelos ostra também contêm agentes antiviróticos e glicoproteínas, que são agentes anti-hiv. Além do estudo sobre o cogumelo ostra, o National Institute of Health também realizou um estudo sobre câncer de mama, envolvendo 100 pessoas que utilizavam cogumelo do sol. O grupo de cogumelos agaricus também é interessante á saúde, pois contêm inibidores de aromatase, que são associados com o declínio Maitake edodes da taxa de crescimento de tumores, em particular, câncer de mama. Segundo alguns especialistas, teoricamente, todas as pessoas possuem a célula do câncer, contudo, o próprio sistema imune de cada uma dessas pessoas elimina as células da doença, logicamente, se este estiver funcionando corretamente. Os cogumelos que contêm inibidores de aromatase são vistos de maneira positiva justamente por poderem mitigar o efeito da proliferação das células infectadas. A espécie cordyceps, que cresce em lagartas, representa outro grupo de cogumelos que também tem chamado a atenção dos cientistas. Estudos realizados no Japão mostraram que essa espécie possui extensa gama de aplicações. Foi documentado que os imperadores chineses usavam o cordyceps para doenças degenerativas e fadiga; alguns estudos mostraram efeitos positivos na função erétil. Estudos farmacológicos também mostraram que há uma combinação ativa no cordyceps, chamada ácido cordicépico, que o torna um tônico efetivo de energia. 54 55