TEORIA DO DELITO parte 02
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- Leonor Salgado Balsemão
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1 TEORIA DO DELITO parte 02
2 Resultado Desistência voluntária Art. 15 do CP Arrependimento eficaz Art. 15 do CP
3 Desistência voluntária e arrependimento eficaz Art O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados.
4 Diferença entre Arrependimento eficaz e Arrependimento posterior Arrependimento eficaz Art. 15 do CP Arrependimento posterior Art. 16 do CP
5 Arrependimento posterior Art. 16 CP- Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços.
6 Crime impossível Art. 17 do CP Art. 17 CP- Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumarse o crime
7 Crime impossível Art. 17 do CP Hipóteses legais: 1.Ineficácia absoluta do meio empregado; 2.Impropriedade absoluta do objeto material do crime
8 NEXO CAUSAL Teoria da Conditio sine qua non
9 NEXO CAUSAL Causas Absolutamente independentes: Preexistente; Concomitante; Superveniente
10 NEXO CAUSAL 1) Preexistente: é a causa que existe anteriormente à conduta do agente. Ex: "A" deseja matar a vítima "B" e para tanto a espanca, atingindo-a em diversas regiões vitais. A vítima é socorrida, mas vem a falecer. O laudo necroscópico, no entanto, evidencia como causa mortis envenenamento anterior, causado por "C", cujo veneno ministrado demorou mais de 10 horas para fazer efeito;
11 NEXO CAUSAL 2) Concomitante: é a causa que surge no mesmo instante em que o agente realiza a conduta. Ex: "A" efetua disparos de arma de fogo contra "B", que vem a falecer em razão de um súbito colapso cardíaco (cuidado, não se trata de doença cardíaca preexistente, mas sim de um colapso ocorrido no mesmo instante da conduta do agente!);
12 NEXO CAUSAL 3) Superveniente: é a causa que atua após a conduta do agente. "A" administra dose letal de veneno para "B". Enquanto este último ainda está vivo, desprende-se um lustre da casa, que acaba por acertar qualquer região vital de "B" e vem a ser sua causa mortis.
13 NEXO CAUSAL Então, por não haver relação de causalidade (nexo causal) entre resultado e conduta do agente, este responde apenas pelos atos já praticados, isto é, por tentativa de homicídio, desde que comprovado o animus necandi.
14 NEXO CAUSAL causas relativamente independentes, Preexistentes; Concomitantes; Supervenientes;
15 NEXO CAUSAL 1) Preexistente: a causa existe antes da prática da conduta, embora seja dela dependente. O clássico exemplo é o agente que dispara arma de fogo contra a vítima, causando-lhe ferimentos não fatais. Porém, ela vem a falecer em virtude do agravamento das lesões pela hemofilia.
16 NEXO CAUSAL 2) Concomitante: ocorre simultaneamente à conduta do agente. Outro clássico exemplo é o do agente que dispara arma de fogo contra a vítima, que foge correndo em via pública e morre atropelada por algum veículo que ali trafegava.
17 NEXO CAUSAL Nessas duas hipóteses, por expressa previsão legal (art. 13, caput, CP), aplica-se a teoria da equivalência dos antecedentes causais e o agente responde pelo resultado naturalístico, já que se suprimindo mentalmente sua conduta, o crime não teria ocorrido como e quando ocorreu. Assim, responde por homicídio consumado.
18 NEXO CAUSAL 3) Superveniente: aquela que ocorre posteriormente à conduta do agente. Neste específico caso, torna-se necessário fazer uma distinção, em virtude do comando expresso ao artigo 13, 1º, CP: A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando, por si só, produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou.
19 TIPICIDADE Espécies Formal Material
20 ILÍCITO Ilicitude ( Antijuridicidade) Conceito: Consiste na relação de contrariedade entre uma conduta humana e o ordenamento jurídico.
21 ILÍCITO Excludentes de Ilicitude Artigo 23 CP Art. 23 CP- Não há crime quando o agente pratica o fato: I - em estado de necessidade; II - em legítima defesa; III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito. Excesso punível Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá pelo excesso doloso ou culposo
22 ILÍCITO Excludentes de Ilicitude Artigo 23 CP Estado de necessidade Legítima defesa Exercício regular do direito Estrito cumprimento do dever legal
23 ILÍCITO Relação (ou o grau de relação) entre o fato típico e a ilicitude formaram-se várias correntes doutrinárias: a) Teoria da autonomia ou absoluta independência pela qual a tipicidade não tem qualquer relação com a ilicitude, de tal sorte que ocorrido o fato típico, não se pode afirmar que ele é presumidamente ilícito, ainda que seja uma presunção relativa (isso ocorreu no tempo do causalismo e, sobretudo, na construção de Beling, em 1906);
24 ILÍCITO b) Teoria da indiciariedade ou da "ratio cognoscendi " pela qual se há fato típico, presume-se, relativamente, que ele é ilícito; o fato típico é o indício da ilicitude (Mayer, 1915), que deve ser afastada mediante prova em contrário, a cargo (leia-se ônus) da defesa. Ao contrário da primeira corrente, não há aqui uma absoluta independência entre esses dois substratos do crime, mas uma relativa interdependência; Teoria da ratio cognoscendi: Tipicidade possui função indiciária da ilicitude ( fato típico + ilícito + culpável )= crime
25 ILÍCITO c) Teoria da absoluta dependência ou "ratio essendi: cria o conceito de tipo total do injusto, levando a ilicitude para o campo da tipicidade. Em outras palavras, a ilicitude é a essência da tipicidade, numa absoluta relação de dependência entre esses elementos do delito. Não havendo ilicitude, não há fato típico. Teoria da ratio essendi: ( Fato típico + ilítico= tipo total + culpável) = crime
26 ILÍCITO d) Teoria dos elementos negativos do tipo: o tipo penal é composto de elementos positivos ou expressos (que são as clássicas elementares do tipo penal) mais elementos negativos ou implícitos do tipo (causas excludentes de ilicitude). Para que o fato seja típico os elementos negativos - excludentes de ilicitude - não podem existir. Aqui também há uma absoluta relação de dependência entre fato típico e ilícito, um pressupondo a existência do outro (Merkel etc.).
27 ILÍCITO Causas de exclusão da ilicitude Causas legais: Artigo 23 CP Estado de necessidade; Legítima defesa; Exercício regular do direito; Estrito cumprimento do dever legal Causas supralegais: Consentimento do ofendido
28 EXCLUDENTES DE ILICITUDE Elementos Objetivos e Subjetivos das causas de exclusão da ilicitude: Elemento objetivo: Elemento subjetivo:
29 EXCLUDENTES DE ILICITUDE Estado de necessidade- artigos 23, I e 24 do CP Estado de necessidade Art. 24 CP- Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se.
30 EXCLUDENTES DE ILICITUDE Estado de necessidade- artigos 23, I e 24 do CP Requisitos: Prática de fato para salvar de perigo atual Perigo não provocado voluntariamente pelo agente; Inevitabilidade do dano; Não razoabilidade de sacrifício do bem ameaçado; Direito próprio ou de terceiro.
31 EXCLUDENTES DE ILICITUDE Estado de necessidade- artigos 23, I e 24 do CP Requisitos: Prática de fato para salvar de perigo atual
32 EXCLUDENTES DE ILICITUDE Estado de necessidade- artigos 23, I e 24 do CP Requisitos: Perigo não provocado voluntariamente pelo agente; O que significa voluntariamente? 1º- Engloba dolo e culpa- Nélson Hungria, Magalhães Noronha, 2º- Engloba somente dolo - Heleno Cláudio Fragoso, Rogério Greco.
33 EXCLUDENTES DE ILICITUDE Estado de necessidade- artigos 23, I e 24 do CP Requisitos: Inevitabilidade do dano Duas possibilidades a) O agente tinha como evitar o dano, não praticando a conduta; b) O agente, entre duas opções danosas, podia ter escolhido a menos gravosa para a vítima.
34 EXCLUDENTES DE ILICITUDE Estado de necessidade- artigos 23, I e 24 do CP Requisitos: Não razoabilidade de sacrifício do bem ameaçado Princípio da ponderação dos bens em conflito OBS: Quando não será razoável que se sacrifique seu bem que está sendo ameaçado?
35 EXCLUDENTES DE ILICITUDE Estado de necessidade- artigos 23, I e 24 do CP Requisitos: Não razoabilidade de sacrifício do bem ameaçado Teoria unitária: Estado de necessidade justificante O bem salvaguardado é de valor igual ou superior àquele que será afetado
36 EXCLUDENTES DE ILICITUDE Teoria diferenciadora: Estado de necessidade justificante ( bem salvaguardado é de valor superior àquele que será afetado) Estado de necessidade exculpante ( bem salvaguardado é de valor igual ou inferior àquele que será afetado)
37 EXCLUDENTES DE ILICITUDE Estado de necessidade- artigos 23, I e 24 do CP Requisitos: Direito próprio ou de terceiro.
38 EXCLUDENTES DE ILICITUDE Dever legal de enfrentar o perigo Artigo 24 CP 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo. A expressão dever legal abrange o dever contratual também? 1º Segmento: NÃO - Nelson Hungria 2º Segmento: SIM Bento de Faria
39 EXCLUDENTES DE ILICITUDE Formas de Estado de necessidade: a) Quanto a titularidade do interesse protegido: Estado de necessidade próprio ou Estado de necessidade de terceiro; b) Quanto ao aspecto subjetivo do agente: Estado de necessidade real ; Estado de necessidade putativo c) Quanto ao terceiro que sofre a ofensa: Estado de necessidade Defensivo; Estado de necessidade agressivo;
40 EXCLUDENTES DE ILICITUDE Estado de necessidade Putativo Artigo 20, 1º do CP 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo.
41 EXCLUDENTES DE ILICITUDE Ofendículos ( ofensáculos, ofendículas) Conceito: Natureza jurídica: a) Legítima defesa preordenada ( Nelson Hungria); b) Exercício regular do Direito ( Aníbal Bruno )
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