ILICITUDE PROFESSOR: LEONARDO DE MORAES

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "ILICITUDE PROFESSOR: LEONARDO DE MORAES"

Transcrição

1 ILICITUDE PROFESSOR: LEONARDO DE MORAES 1 Ilicitude ou antijuridicidade? Conceito. Há doutrina ensinando que os termos são sinônimos. Ocorre que o CP apenas fala em ilicitude. Isto se dá, pois o FT é um fato jurídico, e logo em seguida é não pode ser antijurídico, sob pena de ser jurídico e antijurídico ao mesmo tempo. É preferível a expressão ilicitude, porquanto é aquela utilizada pelo CP. É a contrariedade do fato típico ao ordenamento jurídico como um todo, não existindo qualquer norma determinando, incentivando ou permitindo a conduta típica. Ilicitude formal ilicitude material: - Ilicitude formal: é a contrariedade do FT a todo o ordenamento jurídico. Atualmente, é apenas chamada de ilicitude; - Ilicitude material: é a relevância da lesão ou do perigo de lesão ao bem jurídico. Atualmente é chamada de tipicidade material. É por isso que o princípio da insignificância exclui, atualmente, a tipicidade material, pois falta relevância (antigamente excluia a ilicitude material). 2 Relação entre a tipicidade e a ilicitude A teoria da adotada pelo Brasil é a da indiciariedade ou ratio cognoscendi Se há fato típico, presume-se a existência da ilicitude. Se o fato é típico provavelmente será ilícito. Se o fato é típico há indícios de ilicitude. É o caráter indiciário da ilicitude. Assim, inverte o ônus da prova da presença das excludentes da ilicitude, de forma que as descriminantes deverão ser provadas pela defesa. Mayer adota esta teoria. 1

2 3 Causas de exclusão da ilicitude (causas de justificação, justificantes, justificativas, descriminantes, eximentes, tipos penais permissivos). Podem ser legais e supralegais: 1) Causas legais: - Na parte geral: são chamadas de causas genéricas ou gerais (art. 23 do CP): EN, LD, ECDL e ERD: Exclusão de Ilicitude Art Não há crime quando o Agente pratica o fato: I - em estado de necessidade; II - em legítima defesa; III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito. - Na parte especial: são chamadas de causas específicas ou especiais. Ex: art. 128 do CP (aborto permitido): modalidade especial de estado de necessidade: Art Não se pune o Aborto praticado por médico: Aborto Necessário I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante; Aborto no Caso de Gravidez Resultante de Estupro II - se a gravidez resulta de estupro e o Aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal. 2) Causas supralegais: não estão previstas em lei. O melhor exemplo é o consentimento do ofendido. 2

3 EXCLUDENTES DE ILICITUDE DA PARTE GERAL DO CP (ART. 23 DO CP): 1º) ESTADO DE NECESSIDADE (art. 24). Estado de Necessidade Art Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se. 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo. 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser reduzida de um a dois terços. É quando o agente está diante de situação de perigo atual e pratica, por isso, fato típico, sacrificando bem jurídico alheio para salvar direito próprio ou de terceiro, cujo sacrifício do direito alheio era exigível de forma razoável. Existem 2 bens em perigo atual, e o Estado permite que um deles seja sacrificado, pois, diante do caso concreto, não era possível salvar a ambos. Há conflito entre vários bens jurídicos diante de uma situação de perigo atual. Frise-se que o estado de necessidade pode decorrer de fato da natureza, de comportamento humano ou de comportamento animal, desde que não tenham destinatário certo. Se tiver destinatário certo será caso de legítima defesa. Requisitos: a) Perigo atual. É aquele que está acontecendo no momento. 3

4 A lei não abrange o perigo iminente (como fez expressamente na legítima defesa), de modo que se quisesse englobá-lo o teria feito expressamente; além disso é circunstância distante para permitir ao gente o sacrifício de bens jurídicos alheios. É o perigo do perigo. (Prevalece) b) Situação de perigo não tenha sido provocada voluntariamente pelo agente. A palavra voluntariamente diz respeito apenas ao provocador doloso do perigo, ou seja, aquele que provocou dolosamente o perigo não pode alegar estado de necessidade (prevalece). Assim, o provocador culposo do perigo (falta de cuidado) poderá alegar a excludente ao seu favor. c) Sacrifício do bem jurídico alheio como único caminho (inevitabilidade do comportamento lesivo). O sacrifício do bem jurídico é o único caminho para salvar direito próprio ou de terceiro. O único caminho era o sacrifício do bem jurídico alheio. Se o perigo podia ser afastado por outro meio significa que havia um outro caminho. Ex: para fugir do ataque de um boi bravio era possível que o agente facilmente passasse por debaixo da cerca se optou por matar o animal para salvar-se do perigo e preservar o seu bem jurídico, responderá por crime de dano. Não basta ser o caminho mais cômodo, mas o único caminho. Assim, resta claro o caráter subsidiário do estado de necessidade. d) Salvar direito próprio ou alheio. Estado de necessidade próprio: age para salvar direito próprio. Estado de necessidade de terceiro: age para salvar direito de terceiro, sem que haja a necessidade de autorização da terceira pessoa que está em perigo. 4

5 e) Inexigibilidade do sacrifício do direito ameaçado. É a proporcionalidade entre o bem protegido e o bem sacrificado. O que era exigível era o sacrifício do direito sacrificado. O Brasil adota a teoria unitária: só há um tipo, que é o estado de necessidade justificante, que exclui a ilicitude. Ocorrerá proporcionalidade quando o bem protegido valer igual ou mais que o bem sacrificado. Ex: protege vida e sacrifica a vida, exclui da ilicitude. Para esta teoria, quando o bem protegido vale menos que o bem sacrificado (desproporcionalidade) não será causa excludente de ilicitude, mas sim causa de diminuição de pena, nos seguintes termos: 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser reduzida de um a dois terços. f) Inexistência do dever legal de enfrentar o perigo 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo. Quem tem o dever legal de enfrentar o perigo não pode se esquivar de enfrentar tal situação alegando estado de necessidade. Enquanto o perigo comportar enfrentamento, haverá o dever legal de enfrentar o perigo, não podendo fugir o salvavidas ou segurança, por exemplo. Prevalece a tese de que, apesar do CP apenas referir-se ao dever legal (dever imposto por lei), abrange também o dever contratual. Assim, o segurança (dever contratual) não pode alegar estado de necessidade, se o perigo comportar enfretamento. g) Conhecimento da situação de fato justificante (requisito subjetivo) 5

6 O estado de necessidade deve ser subjetivamente conduzido pela vontade de salvamento. É preciso da vontade de salvamento do bem jurídico. Classificação doutrinária: Quanto a titularidade do bem jurídico preservado: - Estado de necessidade próprio; - Estado de necessidade de terceiro. Quanto ao elemento subjetivo do agente (conhecimento da situação de perigo pelo agente): - Estado de necessidade real: quando existe efetivamente a situação de perigo. Exclui a ilicitude; - Estado de necessidade putativo: quando a situação de perigo é apenas imaginada pelo agente e este age, em razão de erro sobre situação de fato. Não exclui a ilicitude. Quanto ao terceiro que sofre a ofensa: - Estado de necessidade defensivo: o agente sacrifica o bem jurídico daquele que provocou o perigo. Exclui a ilicitude, e não existirá a obrigação de ressarcir os danos causados, nos termos do art. 929 do CC: Art Se a pessoa lesada, ou o dono da coisa, no caso do inciso II do art. 188, não forem culpados do perigo, assistir-lhes-á direito à indenização do prejuízo que sofreram. ; - Estado de necessidade agressivo: o agente sacrifica o bem jurídico de pessoa que não provocou o perigo. O agente terá de ressarcir os danos causados ao terceiro, podendo oferecer ação regressiva contra o causador do perigo, de acordo com o art. 930 do CC: Art No caso do inciso II do art. 188, se o perigo ocorrer por culpa de terceiro, 6

7 contra este terá o autor do dano ação regressiva para haver a importância que tiver ressarcido ao lesado.. 7

CRIME = FT + A + C AULA 16. Vamos agora dar prosseguimento, já que falamos do primeiro elemento que foi

CRIME = FT + A + C AULA 16. Vamos agora dar prosseguimento, já que falamos do primeiro elemento que foi Turma e Ano: Master A (2015) 13/05/2015 Matéria / Aula: Direito Penal / Aula 16 Professor: Marcelo Uzeda de Farias Monitor: Alexandre Paiol AULA 16 CONTEÚDO DA AULA: - Ilicitude, exclusão de ilicitude

Leia mais

PONTO 1: Ilicitude PONTO 2: Das Causas Legais de Exclusão da Ilicitude

PONTO 1: Ilicitude PONTO 2: Das Causas Legais de Exclusão da Ilicitude 1 DIREITO PENAL PONTO 1: Ilicitude PONTO 2: Das Causas Legais de Exclusão da Ilicitude OBS: ADPF 130 revogou totalmente a Lei 5.250/67 (Lei de Imprensa). Hoje aplica-se o CC e o CP nesses casos. STF, HC

Leia mais

TEORIA DO DELITO parte 02

TEORIA DO DELITO parte 02 TEORIA DO DELITO parte 02 Resultado Desistência voluntária Art. 15 do CP Arrependimento eficaz Art. 15 do CP Desistência voluntária e arrependimento eficaz Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste

Leia mais

Teoria geral do crime

Teoria geral do crime CURSO ESCOLA DE DEFENSORIA PÚBLICA Nº 48 DATA 09/10/15 DISCIPLINA DIREITO PENAL (NOITE) PROFESSOR CHRISTIANO GONZAGA MONITORA JAMILA SALOMÃO AULA 06/08 Ementa: Na aula de hoje serão abordados os seguintes

Leia mais

DUCTOR ONLINE DIREITO PENAL

DUCTOR ONLINE DIREITO PENAL ONLINE CONCURSO PARA CARTÓRIOS EXTRAJUDICIAIS DIREITO PENAL DO (CP, artigos 13 a 25) O QUE É? Conceito analítico ANTIJURÍDICO ou ILÍCITO CULPÁVEL TIPICIDADE ANTIJURIDICIDADE ou ILICITUDE CULPABILIDADE

Leia mais

ILICITUDE (ANTIJURIDICIDADE)

ILICITUDE (ANTIJURIDICIDADE) ILICITUDE (ANTIJURIDICIDADE) ILICITUDE (ANTIJURIDICIDADE) Conceito: É a relação de contrariedade entre o fato humano e as exigências do ordenamento jurídico (sentido amplo), representando uma lesão ou

Leia mais

Direito Penal. Erro de Tipo, Erro de Proibição e Erro sobre a Pessoa. Professor Joerberth Nunes.

Direito Penal. Erro de Tipo, Erro de Proibição e Erro sobre a Pessoa. Professor Joerberth Nunes. Direito Penal Erro de Tipo, Erro de Proibição e Erro sobre a Pessoa Professor Joerberth Nunes www.acasadoconcurseiro.com.br Direito Penal ERRO DE TIPO, ERRO DE PROIBIÇÃO E ERRO SOBRE A PESSOA TÍTULO II

Leia mais

DIREITO PENAL Professor: Eduardo Fernandes - Dudu

DIREITO PENAL Professor: Eduardo Fernandes - Dudu DIREITO PENAL Professor: Eduardo Fernandes - Dudu www.eduardofernandesadv.jur.adv.br CONCEITO: ANTIJURIDICIDADE OU ILICITUDE é a relação de antagonismo, de contrariedade entre a conduta do agente e o ordenamento

Leia mais

ILICITUDE PENAL. 1. Exclusão da ilicitude

ILICITUDE PENAL. 1. Exclusão da ilicitude ILICITUDE PENAL Ilicitude ou antijuridicidade é a relação de contrariedade entre o fato típico e o ordenamento jurídico, de modo a causar lesão a um bem jurídico. Essa definição abrange dois aspectos:

Leia mais

DIREITO PENAL MILITAR

DIREITO PENAL MILITAR DIREITO PENAL MILITAR Teoria Geral do Crime Militar Parte 6 Prof. Pablo Cruz Desistência voluntária e arrependimento eficaz Teoria Geral do Crime Militar Art. 31. O agente que, voluntariamente, desiste

Leia mais

ANTIJURIDICIDADE 2. FORMAS DA ANTIJURIDICIDADE (ILICITUDE): 2.1 Antijuridicidade formal. 2.2 Antijuridicidade material

ANTIJURIDICIDADE 2. FORMAS DA ANTIJURIDICIDADE (ILICITUDE): 2.1 Antijuridicidade formal. 2.2 Antijuridicidade material ANTIJURIDICIDADE 1. CONCEITO a antijuridicidade ou ilicitude deve ser entendida como um juízo de desvalor objetivo que recai sobre a conduta típica e se realiza com base em um critério geral: o ordenamento

Leia mais

Em várias situações a legislação consagra da junção das jurisdições civil e criminal.

Em várias situações a legislação consagra da junção das jurisdições civil e criminal. Ação civil ex delicto Objetivo: Propiciar a reparação do dano causado pelo delito. Sentença penal condenatória e reparação do dano Art. 91, I, CP: Obrigação de indenizar o dano Art. 63, CPP e 475-N, II,

Leia mais

TEORIA DO CRIME ANTIJURIDICIDADE. Prof. Ricardo Antonio Andreucci

TEORIA DO CRIME ANTIJURIDICIDADE. Prof. Ricardo Antonio Andreucci TEORIA DO CRIME ANTIJURIDICIDADE 1 É a relação de contrariedade entre o fato e o ordenamento jurídico. Não basta, para a ocorrência de um crime, que o fato seja típico (previsto em lei). É necessário também

Leia mais

Direito Penal. Tipicidade. Professor Adriano Kot.

Direito Penal. Tipicidade.  Professor Adriano Kot. Direito Penal Tipicidade Professor Adriano Kot www.acasadoconcurseiro.com.br www.estudaquepassa.com.br DIREITO PENAL TEORIA GERAL DO DELITO CONCEITO ANALÍTICO DIVIDE O CRIME EM TRÊS ELEMENTOS. SISTEMA

Leia mais

Curso/Disciplina: Direito Penal Militar Aula: Ilicitude. Professor (a): Marcelo Uzêda Monitor (a): Lívia Cardoso Leite. Aula 15.

Curso/Disciplina: Direito Penal Militar Aula: Ilicitude. Professor (a): Marcelo Uzêda Monitor (a): Lívia Cardoso Leite. Aula 15. Página1 Curso/Disciplina: Direito Penal Militar Aula: Ilicitude. Professor (a): Marcelo Uzêda Monitor (a): Lívia Cardoso Leite Aula 15 Ilicitude CPM, art. 42 Exclusão de crime Não há crime quando o agente

Leia mais

CIÊNCIAS PENAIS CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU ON-LINE EM. Disciplina: Teoria Geral do Delito e Principiologia Constitucional

CIÊNCIAS PENAIS CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU ON-LINE EM. Disciplina: Teoria Geral do Delito e Principiologia Constitucional CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU ON-LINE EM CIÊNCIAS PENAIS Disciplina: Teoria Geral do Delito e Principiologia Constitucional Tema: Antijuridicidade Autor: Guilherme F. Ceolin ANTIJURIDICIDADE Afinal,

Leia mais

SEFAZ DIREITO PENAL Teoria Geral do Crime Prof. Joerberth Nunes

SEFAZ DIREITO PENAL Teoria Geral do Crime Prof. Joerberth Nunes SEFAZ DIREITO PENAL Teoria Geral do Crime Prof. Joerberth Nunes www.acasadoconcurseiro.com.br Direito Penal CÓDIGO PENAL TÍTULO II Do Crime Relação de causalidade (Redação dada pela Lei nº 7.209, de Art.

Leia mais

1. TEORIA CONSTITUCIONALISTA DO DELITO FATO TÍPICO

1. TEORIA CONSTITUCIONALISTA DO DELITO FATO TÍPICO 1 DIREITO PENAL PONTO 1: Teoria Constitucionalista do Delito PONTO 2: Legítima Defesa PONTO 3: Exercício Regular de Direito PONTO 4: Estrito Cumprimento do Dever Legal 1. TEORIA CONSTITUCIONALISTA DO DELITO

Leia mais

Direito Penal. Tentativa. Professor Joerberth Nunes.

Direito Penal. Tentativa. Professor Joerberth Nunes. Direito Penal Tentativa Professor Joerberth Nunes www.acasadoconcurseiro.com.br Direito Penal TENTATIVA Art. 14. Diz-se o crime: Crime consumado TÍTULO II Do Crime I consumado, quando nele se reúnem todos

Leia mais

Questão 1. Em relação às situações de exculpação, é incorreto afirmar:

Questão 1. Em relação às situações de exculpação, é incorreto afirmar: PROVA DAS DISCIPLINAS CORRELATAS DIREITO PENAL P á g i n a 1 Questão 1. Em relação às situações de exculpação, é incorreto afirmar: a) O fato punível praticado sob coação irresistível é capaz de excluir

Leia mais

Ilicitude, ou antijuridicidade, é a relação de antagonismo, de contrariedade entre a conduta do agente e o ordenamento jurídico.

Ilicitude, ou antijuridicidade, é a relação de antagonismo, de contrariedade entre a conduta do agente e o ordenamento jurídico. 2) Ilicitude ou Antijuridicidade Ilicitude, ou antijuridicidade, é a relação de antagonismo, de contrariedade entre a conduta do agente e o ordenamento jurídico. Todo fato típico, em princípio, contraria

Leia mais

Conteúdo Edital PMGO

Conteúdo Edital PMGO Direito Penal Parte Geral Professor Samuel Silva Conteúdo Edital PMGO 1. Princípios constitucionais do Direito Penal. 2. A lei penal no tempo. A lei penal no espaço. Interpretação da lei penal. 3. Infração

Leia mais

Direito Penal. Dos Crimes Militares. Professor Fidel Ribeiro.

Direito Penal. Dos Crimes Militares. Professor Fidel Ribeiro. Direito Penal Dos Crimes Militares Professor Fidel Ribeiro www.acasadoconcurseiro.com.br Direito Penal DOS CRIMES MILITARES CONCEITOS DE CRIME www.acasadoconcurseiro.com.br 3 CONCEITO ANALÍTICO DE CRIME

Leia mais

DIREITO PENAL MILITAR

DIREITO PENAL MILITAR DIREITO PENAL MILITAR Parte 7 Prof. Pablo Cruz Estado de Necessidade Estado de Necessidade Justificante Diz o CPM: Estado de necessidade, como excludente do crime Estado de Necessidade Exculpante Diz o

Leia mais

Responsabilidade Civil. Prof. Antonio Carlos Morato

Responsabilidade Civil. Prof. Antonio Carlos Morato Responsabilidade Civil Prof. Antonio Carlos Morato Dano Estético Dano à imagem / Dano Estético (art. 5o, V e X da CF) Imagem-retrato e Imagem-Atributo V - é assegurado o direito de resposta, proporcional

Leia mais

A Reforma do Código Penal Brasileiro ACRIERGS 2012

A Reforma do Código Penal Brasileiro ACRIERGS 2012 A Reforma do Código Penal Brasileiro ACRIERGS 2012 Reforma e Consolidação de Leis Os Ganhos da Consolidação e Atualização das Leis Penais Os riscos do açodamento Omissão de Socorro Art. 394. Deixar de

Leia mais

Ação civil ex delicto

Ação civil ex delicto Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo Ação civil ex delicto Gustavo Badaró aula de 02.08.2016 1. Noções Gerais PLANO DA AULA 2. Formas de satisfação do dano causado pelo crime 3. Sistemas de

Leia mais

EDUARDO FARIAS DIREITO PENAL

EDUARDO FARIAS DIREITO PENAL EDUARDO FARIAS DIREITO PENAL 1) O Código Penal Brasileiro estabelece, em seu artigo 137, o crime de rixa, especificamente apresentando os elementos a seguir. Participar de rixa, salvo para separar os contendores:

Leia mais

CEM CADERNO DE EXERCÍCIOS MASTER. Direito Penal Teoria do Crime. Período

CEM CADERNO DE EXERCÍCIOS MASTER. Direito Penal Teoria do Crime. Período CEM CADERNO DE EXERCÍCIOS MASTER Teoria do Crime Promotor de Justiça Período 2010 2016 1) COMISSÃO EXAMINADORA PROMOTOR DE JUSTIÇA MPE SP (2015) Após a leitura dos enunciados abaixo, assinale a alternativa

Leia mais

ERRO DE TIPO E ERRO DE PROIBIÇÃO

ERRO DE TIPO E ERRO DE PROIBIÇÃO ERRO DE TIPO E ERRO DE PROIBIÇÃO Erro de tipo é o que incide sobre s elementares ou circunstâncias da figura típica, sobre os pressupostos de fato de uma causa de justificação ou dados secundários da norma

Leia mais

CAUSAS DE EXCLUSÃO DA ANTIJURIDICIDADE

CAUSAS DE EXCLUSÃO DA ANTIJURIDICIDADE CAUSAS DE EXCLUSÃO DA ANTIJURIDICIDADE FERNANDA CURY DE FARIA 1 RESUMO Objetivamos, com o presente trabalho, abordar aspectos das causas de exclusão da antijuridicidade no Direito Penal brasileiro. Iniciaremos

Leia mais

TÍTULO I DA APLICAÇÃO DA LEI PENAL(arts. 1º a 12) Art. 1º - Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal.

TÍTULO I DA APLICAÇÃO DA LEI PENAL(arts. 1º a 12) Art. 1º - Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal. Anterioridade da lei TÍTULO I DA APLICAÇÃO DA LEI PENAL(arts. 1º a 12) Art. 1º - Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal. Lei penal no tempo Art. 2º - Ninguém

Leia mais

Sumário PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL NORMA PENAL... 33

Sumário PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL NORMA PENAL... 33 CAPÍTULO 1 PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL... 13 1. Noções preliminares...13 2. Peculiaridades dos princípios do Direito Penal...13 3. Princípio da legalidade ou da reserva legal...14 3.1 Abrangência do princípio

Leia mais

Direito Penal. Crime Doloso

Direito Penal. Crime Doloso Direito Penal Crime Doloso Conceito Doutrinário: dolo como a vontade livre e consciente de realizar a conduta objetiva descrita no tipo penal, desejando ou assumindo o risco de produzir certo resultado.

Leia mais

SUMÁRIO. Capítulo 1 Princípios do Direito Penal... 19

SUMÁRIO. Capítulo 1 Princípios do Direito Penal... 19 SUMÁRIO Capítulo 1 Princípios do Direito Penal... 19 1. Noções preliminares... 19 2. Peculiaridades dos princípios do direito penal... 20 3. Princípio da legalidade ou da reserva legal... 20 3.1. Abrangência

Leia mais

Direito Penal é o ramo de Direito Público que define as infrações penais, estabelecendo as penas e as medidas de segurança.

Direito Penal é o ramo de Direito Público que define as infrações penais, estabelecendo as penas e as medidas de segurança. DIREITO PENAL Direito Penal é o ramo de Direito Público que define as infrações penais, estabelecendo as penas e as medidas de segurança. I N F R A Ç Ã O P E N A L INFRAÇÃO PENAL Existe diferença entre

Leia mais

1. CRIMES QUALIFICADOS OU AGRAVADOS PELO RESULTADO. Art. 19 do CP Agente deve causar pelo menos culposamente.

1. CRIMES QUALIFICADOS OU AGRAVADOS PELO RESULTADO. Art. 19 do CP Agente deve causar pelo menos culposamente. 1 DIREITO PENAL PONTO 1: Crimes Qualificados ou Agravados pelo Resultado PONTO 2: Erro de Tipo PONTO 3: Erro de Tipo Essencial PONTO 4: Erro determinado por Terceiro PONTO 5: Discriminantes Putativas PONTO

Leia mais

SUMÁRIO. Capítulo 1 Princípios do Direito Penal... 19

SUMÁRIO. Capítulo 1 Princípios do Direito Penal... 19 SUMÁRIO Capítulo 1 Princípios do Direito Penal... 19 1. Noções preliminares... 19 2. Peculiaridades dos princípios do direito penal... 20 3. Princípio da legalidade ou da reserva legal... 20 3.1. Abrangência

Leia mais

O Uso Progressivo da Força X Uso Seletivo da Força

O Uso Progressivo da Força X Uso Seletivo da Força O Uso Progressivo da Força X Uso Seletivo da Força Juliano José Trant de Miranda Introdução Durante muito tempo as polícias militares, no Brasil, usam um termo para determinar, regular e disciplinar o

Leia mais

Série Resumos. Direito Penal Parte Geral FORTIUM. Brasília, DF (81) G971d

Série Resumos. Direito Penal Parte Geral FORTIUM. Brasília, DF (81) G971d Série Resumos VYVYANY VIANA NASCIMENTO DE AZEVEDO GULART Promotora de Justiça do Distrito Federal; Professora universitária; Professora de cursos preparatórios para concursos; Ex-Delegada da Polícia Civil

Leia mais

SUMÁRIO. Capítulo 1 Princípios do direito penal... 19

SUMÁRIO. Capítulo 1 Princípios do direito penal... 19 SUMÁRIO Apresentação da Coleção... 5 Capítulo 1 Princípios do direito penal... 19 1. Noções preliminares... 19 2. Peculiaridades dos princípios do direito penal... 20 3. Princípio da legalidade ou da reserva

Leia mais

Provas escritas individuais ou provas escritas individuais e trabalho(s)

Provas escritas individuais ou provas escritas individuais e trabalho(s) Programa de DIREITO PENAL I 2º período: 80 h/a Aula: Teórica EMENTA Introdução ao direito penal. Aplicação da lei penal. Fato típico. Antijuridicidade. Culpabilidade. Concurso de pessoas. OBJETIVOS Habilitar

Leia mais

RELAÇÃO ENTRE TIPICIDADE E ILICITUDE: TEORIAS

RELAÇÃO ENTRE TIPICIDADE E ILICITUDE: TEORIAS RELAÇÃO ENTRE TIPICIDADE E ILICITUDE: TEORIAS Existem 4 teorias discutindo essa relação: 1. Teoria da Autonomia ou Absoluta Independência 2. Teoria da Indiciariedade ou "Ratio Cognoscendi" 3. Teoria da

Leia mais

STJ ANDRÉ LUíSCALLEGARI TEORIA GERAL DO E DA IMPUTAÇÃO OBJETIVA. TERCEIRA EDiÇÃO REVISTA E AMPLIADA

STJ ANDRÉ LUíSCALLEGARI TEORIA GERAL DO E DA IMPUTAÇÃO OBJETIVA. TERCEIRA EDiÇÃO REVISTA E AMPLIADA ANDRÉ LUíSCALLEGARI TEORIA GERAL DO E DA IMPUTAÇÃO OBJETIVA TERCEIRA EDiÇÃO REVISTA E AMPLIADA SÃO PAULO EDITORA ATLAS S.A. - 2014 2013 by Editora Atlas S.A. As primeiras edições deste livro foram publicadas

Leia mais

Direito Penal. Teoria do Erro no

Direito Penal. Teoria do Erro no Direito Penal Teoria do Erro no Direito Penal Noção Geral: Erro: Falsa representação da realidade; Introdução Distinção: Irrelevante distinção conceitual entre erro e ignorância (no direito penal); Espécies

Leia mais

NOÇÕES DE DIREITO PENAL CULPABILIDADE

NOÇÕES DE DIREITO PENAL CULPABILIDADE NOÇÕES DE DIREITO PENAL CULPABILIDADE 1) (Agente de Polícia - PC-PE - 2016 - CESPE) Acerca das questões de tipicidade, ilicitude (ou antijuridicidade) e culpabilidade, bem como de suas respectivas excludentes,

Leia mais

CURSO PREPARATÓRIO. RIO Polícia Rodoviária Federal DIREITO PENAL CONCEITO DE CRIME EXCLUDENTES DE CONDUTA. b) Vis absoluta

CURSO PREPARATÓRIO. RIO Polícia Rodoviária Federal DIREITO PENAL CONCEITO DE CRIME EXCLUDENTES DE CONDUTA. b) Vis absoluta CURSO PREPARATÓRIO RIO Polícia Rodoviária Federal CONCEITO DE CRIME CH DIREITO PENAL T A Professora Lidiane Portella C EXCLUDENTES DE CONDUTA a) Coação física f irresistível b) Vis absoluta c) Movimentos

Leia mais

DIREITO PENAL MILITAR

DIREITO PENAL MILITAR DIREITO PENAL MILITAR Parte 5 Prof. Pablo Cruz Para se configurar um crime culposo deve se observar os seguintes requisitos: Conduta humana voluntária (descuidada); Inobservância de um dever objetivo de

Leia mais

Resumo de Direito Penal para OAB Professor Lúcio Valente

Resumo de Direito Penal para OAB Professor Lúcio Valente fato típico ilicitude culpabilidade Conduta. estado de necessidade imputabilidade resultado nexo causal tipicidade legítima defesa estrito cumprimento do dever legal exercício regular do direito potencial

Leia mais

3- Qual das seguintes condutas não constitui crime impossível?

3- Qual das seguintes condutas não constitui crime impossível? 1- Maria de Souza devia R$ 500,00 (quinhentos reais) a José da Silva e vinha se recusando a fazer o pagamento havia meses. Cansado de cobrar a dívida de Maria pelos meios amistosos, José decide obter a

Leia mais

1 - Conceito de Crime

1 - Conceito de Crime 1 - Conceito de Crime A doutrina do Direito Penal tem procurado definir o ilícito penal sob três aspectos diversos. Atendendo-se ao Aspecto Externo, puramente nominal do fato, obtém-se um Conceito Formal;

Leia mais

7.3 Crime doloso Teorias sobre o dolo Espécies de dolo Outras categorias Mais classificações 7.4 Crime culposo 7.4.

7.3 Crime doloso Teorias sobre o dolo Espécies de dolo Outras categorias Mais classificações 7.4 Crime culposo 7.4. Sumario CAPÍTULO 1 DIREITO PENAL CAPÍTULO 2 DIREITOS DE PROTEÇÃO: EXCESSO E PROIBIÇÃO DE INSUFICIÊNCIA CAPÍTULO 3 CONSTITUIÇÃO FEDERAL 3.1 Princípios da Legalidade e da Anterioridade da Lei Penal 3.2 Garantismo

Leia mais

POLÍCIA FEDERAL direito penal REVISÃO - AULA 02 Prof. Joerberth Nunes

POLÍCIA FEDERAL direito penal REVISÃO - AULA 02 Prof. Joerberth Nunes POLÍCIA FEDERAL direito penal REVISÃO - AULA 02 Prof. Joerberth Nunes www.acasadoconcurseiro.com.br Direito Penal REVISÃO AULA 02 1 (CESPE EMAP) A respeito da aplicação da lei penal, julgue o item a seguir.

Leia mais

UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU INSTITUTO A VEZ DO MESTRE

UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU INSTITUTO A VEZ DO MESTRE UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU INSTITUTO A VEZ DO MESTRE EXCLUDENTES DA ILICITUDE NO CÓDIGO PENAL BRASILEIRO Por: GUILHERME COTECCHIA PORTO Orientadora. Profª. Valesca Rodrigues.

Leia mais

Teorias da Conduta/Omissão

Teorias da Conduta/Omissão Teorias da Conduta/Omissão Teoria Normativa juizo post facto Teoria Finalista (Não) fazer com um fim a ser atingido (Johannes Welzel e Francisco Muñoz Conde) Dever/Poder de agir AUSÊNCIA DE CONDUTA - Movimentos

Leia mais

1 CONCEITO DE DIREITO PENAL

1 CONCEITO DE DIREITO PENAL RESUMO DA AULA DIREITO PENAL APLICAÇÃO DA LEI PENAL PARTE 01 1 CONCEITO DE DIREITO PENAL; 2 FONTES DO DIREITO PENAL; 3 LEI PENAL; 4 INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL; 5 APLICAÇÃO DA LEI PENAL; 6 QUESTÕES COMENTADAS.

Leia mais

Super Receita 2013 Direito Penal Teoria Geral do Crime Emerson Castelo Branco

Super Receita 2013 Direito Penal Teoria Geral do Crime Emerson Castelo Branco Super Receita 2013 Direito Penal Teoria Geral do Crime Emerson Castelo Branco 2013 Copyright. Curso Agora eu Passo - Todos os direitos reservados ao autor. TEORIA GERAL DO CRIME CONCEITO DE CRIME O conceito

Leia mais

Capítulo 1 Noções Preliminares... 1 Capítulo 2 Aplicação da Lei Penal... 29

Capítulo 1 Noções Preliminares... 1 Capítulo 2 Aplicação da Lei Penal... 29 Sumário Capítulo 1 Noções Preliminares... 1 1. Introdução... 1 2. Princípios... 4 2.1. Princípio da legalidade... 5 2.2. Princípio da anterioridade da lei penal... 5 2.3. Princípio da irretroatividade

Leia mais

SUMÁRIO I TEORIA GERAL DO DIREITO PENAL

SUMÁRIO I TEORIA GERAL DO DIREITO PENAL SUMÁRIO I TEORIA GERAL DO DIREITO PENAL CAPÍTULO 1 DIREITO PENAL: NOÇÕES INTRODUTÓRIAS PARTE 1 Noções introdutórias 1 PARTE 2 Noções introdutórias 2 PARTE 3 Noções introdutórias 3 CAPÍTULO 2 PRINCÍPIOS

Leia mais

sumário 1 PRINCÍPIOS E CARACTERÍSTICAS DO DIREITO PENAL APLICAÇÃO DA LEI PENAL NO TEMPO E NO ESPAÇO TEORIA GERAL DO CRIME...

sumário 1 PRINCÍPIOS E CARACTERÍSTICAS DO DIREITO PENAL APLICAÇÃO DA LEI PENAL NO TEMPO E NO ESPAÇO TEORIA GERAL DO CRIME... sumário 1 PRINCÍPIOS E CARACTERÍSTICAS DO DIREITO PENAL... 12 1.1 Princípios Constitucionais do Direito Penal... 12 1.2 Princípios Modernos do Direito Penal... 15 1.3 Características Gerais do Direito

Leia mais

NEXO CAUSAL PROFESSOR: LEONARDO DE MORAES

NEXO CAUSAL PROFESSOR: LEONARDO DE MORAES NEXO CAUSAL PROFESSOR: LEONARDO DE MORAES 1 Conceito. Causa. É elemento do fato típico. É o vínculo entre conduta e resultado. O estudo da causalidade busca concluir se o resultado decorreu da conduta

Leia mais